CRETA PARA NÃO-INICIADOS

Férias memoráveis numa ilha perdida. Lá o Mediterrâneo é Caribe com águas azuis-turquesa e Atlântico quando bravio nas praias abertas. Creta, Grécia. καλωσόρισμα!

Agosto, 2011. Ponto de chegada. Aeroporto de Heraklion, capital da ilha. De lá, onibus até aos apartamentos Irilena, na cidade de Stalida. Viagem de aproximadamente 40 min por 4,70 euros. Irina, uma das filhas, nos recebeu. Ao longo da estadia se demonstrou bastante solicita e fala muito bem o inglês. Quando chegamos ficamos preocupados. Explico. Na alta-temporada a demanda por carros é maior que a oferta. Não se assuste com isso e nem perca tempo reservando um carro. Nas cidades sempre há um rent por preços negociáveis. A ilha tem uma malha rodoviária considerável, com estradas pitorescas e extremamente acentuadas. As auto-estradas são boas e há sinalização em inglês na maioria delas. Infelizmente, para rodar a ilha é preciso um carro, visto que os ônibus são poucos e limitam muito. Carro alugado, hora de decidir os roteiros.

A ilha é consideravelmente grande. Os lugares mais lindos (selvagens) estão distantes do centro-norte. Nossa primeira escolha foi Plaka. Praia linda, águas cristalinas e quentinhas. Ficamos bem em frente a ilha de Spinalonga. Boatos naquela semana davam conta de que Lady Gaga havia apenas comprado uma Villa em Plaka. Beata lei! Depois do almoço, ali mesmo, fomos até uma pseudo-ilha. Praia de areias brancas. Ao cruzar o costão, à direita, outra praia deserta e alguns adeptos do naturismo (eu). Caminhando à direita, se avistam umas ruínas e, ao fundo, uma caverna esculpida pela ação dos ventos. Nada estava nos mapas: desbrave (com cautela). Na volta, aperitivo na simpática Agios Nikolaos. Não lembro direito, mas não demorou muito para ir e voltar.

Dia seguinte: Vai. A publicidade é de ser a única praia da Europa com palmeiras naturais a Nordeste. Demoramos um pouco mais para chegar, atravessamos uma estrada cheia de precipícios bastante perigosa de onde se via a construção de uma nova rodovia cheia de pontes longas e viadutos que cruzavam profundos vales. A praia, bem, é linda, porém o vento estava muito forte. Acabamos por nos divertir mais na praia ao lado direito do Costão. Areias de micro-pedras em que ser “enterrado na areia” é terapêutico. Agora me lembrei que na volta paramos numa cidadezinha à beira mar, onde por consenso tivemos o melhor jantar das férias. Na auto-estrada 90, quando ver a placa Mochlos, não exite, desca e aproveite para comer peixe fresco num dos restaurantes à beira mar.

Pra quem não curte dormir com ar-condicionado (eu) a dica é: leve tudo contra mosquitos. Os bichos à noite são vorazes. Com o calor nordestino que faz em Creta no Verão, inevitável dormir com a janela aberta. Um ventilador pode ajudar a espantar os indesejáveis insetos. A kombi da alegria vai partir: destino – Ilha de Chrissis. Cruzamos a ilha verso Sul. Uma embarcação e depois de 50 minutos: paraíso número ( ). A praia principal chama-se Golden Beach, mas como estávamos traumatizados depois de tanto vento em Vai, decidimos não ficar lá. Optamos por ficar nas cadeiras na praia onde os barcos atracam. Lá, as pedras são perigosas. Eu que o diga. Cai e me cortei, nada grave, mas serve o alerta. Ah, por favor, leve ou compre por 8 euros seu snorkel a todas as praias. A vida subáquatica é impressionante. A Ilha é isolada, não tem água doce. Na saída do barco eles vendem 1 litro por 1 euro, compre 2, 3 ou 4. Não esqueça, uma ilha não tem coleta de lixo, leve de volta tudo, inclusive as guimbas. Bom, a ilha de Chrissis, à esquerda da praia do atracadouro revela agradáveis surpresas, tais como piscinas naturais e praias desertas, já que todos os turistas ao saírem do barco vão em fila indiana até Golden Beach. O passeio de barco é sensacional, aproveite a vista. Se puder, viaje em cima, na proa. Inevitavelmente o capitão vai dar uma “buzinada” no meio do trajeto…De volta pra casa, após banho tomado, fomos comemorar o aniversário do Manu em Mochos. Cidadezinha típica. Na praça, o restaurante onde jantamos nos fez passar mal de tantas delícias.

Café da manhã nos apês, yogurt grego com mel. Não deixe de comer. Energia antes de seguir para Matala, ao Sul. A praia hippie. A estrada é longa e sinuosa mas vale muito à pena. A história conta que a praia foi escolhida pelos hippies como refúgio. As antigas tumbas romanas serviam de casa e viva! Paz e amor. Nada de cannabis: os hippies de hoje foram sinceros. Alguns plantam a danada, mas nada de comércio. Para degustá-la, faça amizade ou fique à noite para curtir umas bandas ao ar livre. Roooooooots. Não deixe de fazer um aperitivo depois da praia. Como disse, Matala é ao Sul, porém, a Enseada se vira a Oeste, o que garante o espetáculo. Quando o sol se põe, não se esqueça de bater palmas e agradecer…Aproveite a noite para jantar nos restaurantes do canto esquerdo. A vista da praia com a iluminação que se projeta nas tumbas é sensacional.

7h da manhã já estavámos na estrada. Fizemos uma pequena mala já que esta noite não voltaríamos. Não tínhamos onde dormir, mas isso só mais tarde gerou tensão e foi preciso a intercessão de Zeus. Destino: Balos Bay. Desde quando planejamos a trip era onde queria ter ido. Extremo noroeste da ilha, estrada tranquila, até dormi no trajeto. A última cidade antes de Balos e Kissamos. De lá pode-se pegar um barco que leva à Balos ou, como nós, siga de carro pela estrada de chão por 12 infindáveis quilômetros. O visual é fantástico mas atenção às cabras na estrada! Paga-se 1 euro para entrar na Reserva. Mais adiante, fim da linha para quatro rodas. Há um bar que vende de tudo no estacionamento. Compre água. Um quilômetro de trilha e antes da metade, o visual do paraíso ( ): Balos Bay. Pra descer todo o santo ajuda, mas pra subir a coisa muda. Mas não pense na volta: carpe diem! Balos Bay pra mim foi o melhor dessas férias.

 

 

Depois de uma água, destino Elafonisi, a praia das areias cor-de-rosa. Do Extremo Noroeste para o Extremo Sudoeste. Percebemos que essa parte da ilha é mais verde, enquanto o sol poente nos acompanhava pela estradinha entre montanhas e florestas e bosques de oliveiras. Começamos a parar para encontrar onde dormir e a única coisa que ouvimos era: lotado! Chegamos a Elafonisi já era noite. No mapa, a cidade aparece como cidade mesmo, mas não passa de uma vila com meia dúzia de albergues. Resumo, no meio da noite já cogitavámos dormir na praia até que, paramos para fazer a volta na garagem de uma casa. Ao ver os farois, o cidadão saiu para ver quem era: 7 elementos com cara de tacho perguntando sobre algum posto livre. Como o cara só falava grego, chamou o filho que era CORRETOR DE IMÓVEIS. Resumo, salvos por Zeus, na calada da noite descolamos um hotel barato e ainda jantar e café da manhã por 30 euros cada. Tudo bem que o quarto era um inferno e não preguei os olhos. Dormi na varanda, ao sabor dos ventos e com o som do mar-oceano e, de brinde, um espetáculo de estrelas-cadentes no céu de dez de agosto. Eu e um simpático roedor que também decidiu fugir do calor da toca aquela noite. A trip vai chegando ao fim, último dia de praia. Elafonisi…praia deslumbrante, da moda, mas com uma ilha colada que se pode atingir a pé. Do lado de lá da ilha, mais praias selvagens e, na última delas, adeus sunga! Viva o naturismo! 🙂  E pra ninguém dizer que somos aculturados, antes de voltar, Palácio de Knossos, 6 euros e o minotauro. O labirinto era mito. Não curti muito, na noite anterior comi algo que não me fez bem. Caguei pra Knossos.

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