Brasileiros acompanham penúltimo Angelus de Bento XVI

Publicado em fevereiro 17, 2013
  • Rafael Belincanta
  • Direto do Vaticano

A Praça São Pedro fez lembrar neste domingo os grandes acontecimentos da Igreja Católica no Vaticano: fiéis do mundo inteiro reunidos diante da janela do apartamento pontíficio de onde, ao meio-dia, o Papa – pela penúltima vez -, recitou o Ângelus como Sumo Pontífice. A versão digital do Corriere della Sera fala em 50 mil pessoas na Praça neste domingo.

Maria Madalena Inácio, pernambucana de Garunhuns, mas que há 26 anos mora na Itália. Ela acompanhou em 2005 a eleição de Joseph Ratzinger e veio à Praça neste domingo por considerar o momento histórico Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Maria Madalena Inácio, pernambucana de Garunhuns, mas que há 26 anos mora na Itália. Ela acompanhou em 2005 a eleição de Joseph Ratzinger e veio à Praça neste domingo por considerar o momento histórico
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

Entre elas, muitos brasileiros. O Terra conversou com Maria Madalena Inácio, pernambucana de Garunhuns, mas que há 26 anos mora na Itália. Ela acompanhou em 2005 a eleição de Joseph Ratzinger e veio à Praça neste domingo por considerar o momento histórico.

“Sempre que posso, venho aqui ouvir o Papa aos domingos. Hoje trouxe minha bandeira com a qual já estive em muitos lugares, para que o Papa veja que pode contar com meu apoio e de muitos brasileiros”, disse Maria.

Na verdade, Maria e sua bandeira conseguiram criar uma pequena representação do Brasil na Praça São Pedro. Por ali também estavam devidamente identificadas por outra bandeira Isabel Peterle Modolo e Lorena Peterle Modolo Braz, do Espírito Santo. Lorena, que mora em Roma há um ano, trouxe sua mãe para acompanhar as palavras do Papa. “Não esperávamos uma reviravolta tão grande na Igreja”, disseram ao Terra.

Isabel Peterle Modolo e Lorena Peterle Modolo Braz, do Espírito Santo. Não esperávamos uma reviravolta tão grande na Igreja, disseram Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Isabel Peterle Modolo e Lorena Peterle Modolo Braz, do Espírito Santo. Não esperávamos uma reviravolta tão grande na Igreja, disseram
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

Carlos André da Silva, natural de Fortaleza, mas que mora em Bréscia, no Norte da Itália, há oito anos, veio a Roma especialmente para acompanhar o Ângelus. “Vim agradecer ao Papa pelos sete anos que ele esteve à frente da Igreja. A renúncia foi um grande ato de humildade e desprendimento”.

A notícia da renúncia, na última segunda-feira, pegou de surpresa um grupo de São Paulo que estava em Lisboa. “Decidimos mudar nosso itinerário somente para acompanhar esse acontecimento histórico”, disse Edivaldo Negrelli. Sua esposa, Ariete Negrelli, disse que a renúncia “significa uma esperança de mudança na Igreja e que torçe para que o próximo papa seja mais carismático”.

Edivaldo Negrelli e sua esposa, Ariete Negrelli Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Edivaldo Negrelli e sua esposa, Ariete Negrelli
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

Em seu Twitter, logo após o Angelus, Bento XVI publicou a seguinte frase. “A Quaresma é um tempo favorável para redescobrirmos a fé em Deus como base da nossa vida e da vida da Igreja”.

Neste domingo, às 18h de Roma, têm início os Exercícios Espirituais do Papa pela Quaresma. Até o próximo sábado, junto com a Cúria Romana, o Papa ficará recluso em oração na Capela Redemptoris Mater, no Palácio Apostólico.

No próximo sábado está previsto um encontro com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano. O Vaticano ainda não confirmou se o encontro será privado ou público. No domingo, o Papa volta a conduzir o Ângelus, na Praça São Pedro. A despedida pública oficial do Papa será na quarta-feira, dia 27, durante a audiência geral, também na Praça São Pedro.

No dia 28, o Papa encontra os cardeais antes de partir para Castel Gandolfo, às 17h. A partir das 20h, a Santa Sé fica em vacância.

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Fiéis acompanham última missa do Papa Bento XVI

Mulher reza diante de um dos telões durante o início da noite fria em São Pedro Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Mulher reza diante de um dos telões durante o início da noite fria em São Pedro
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

Rafael Belincanta
Direto do Vaticano

Uma longa salva de palmas marcou o final da Missa da Quarta-feira de Cinzas, no início da noite desta quarta-feira, na Basílica de São Pedro, última celebração do pontificado de Bento XVI. Do lado de fora, muitos fiéis que não conseguiram espaço na Basílica acompanharam a missa por telões colocados em pontos diferentes da Praça São Pedro.

O casal de Belo Horizonte (MG), Diego Pedra e Gisele Costa, que passa férias na Itália estava na Praça São Pedro. “Foi uma surpresa”, disse Diego. “Soubemos pela internet da renúncia do Papa”, acrescentou Gisele. Diego disse ainda que não sentiu muita comoção. “Na verdade, foi quando visitamos o túmulo de João Paulo II que o coração bateu mais forte”.

Papa diz que deixa posto 'pelo bem da Igreja'

Papa diz que deixa posto “pelo bem da Igreja”

 Outro casal brasileiro de passagem por Roma, Thiago Botelho e Mariana Storck, também soube da notícia pela internet quando chegou à capital italiana, na segunda-feira, dia do anúncio de Bento XVI. Mariana é protestante, Thiago católico não praticante. Entretanto, para ambos estar em Roma nesses dias será inesquecível. “É um momento histórico”, afirmou Thiago.

Ainda durante a missa desta quarta-feira, o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, fez um pronunciamento no qual “agradeceu o caminho percorrido pela Igreja Católica sob a guia de Bento XVI”.

Pela manhã, Joseph Ratzinger recebeu em audiência geral – a penúltima de seu pontificado e primeira após anunciar sua renúncia – milhares de fiéis do mundo inteiro. Dia 27, um dia antes da data anunciada para seu afastamento, o Papa conduzirá a última audiência, que será seu último compromisso como bispo de Roma.

Muitos brasileiros estiveram presentes na audiência desta manhã. Um grupo de Porto Alegre se destacou. Eles ouviram o Papa, que fez um resumo de sua catequese também em língua portuguesa, reiterar a decisão de deixar a Cátedra de Pedro.

Fiéis fazem vigília no Vaticano após renúncia de Bento XVI

Publicado em fevereiro 11, 2013
Rafael BelincantaDireto do Vaticano

Noite de vigília e oração na Praça São Pedro, no Vaticano, depois de Bento XVI anunciar que vai deixar a Cátedra de Pedro no próximo dia 28. Uma decisão que deixou o mundo perplexo mas não diminuiu a fé de muitos fiéis que estão reunidos em frente às janelas do estúdio do Papa, no Palácio Apostólico.

Fiéis reuniram-se sob chuva na Praça de São Pedro na noite do dia em que, pela quarta vez na história, um papa renunciou Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra 
Fiéis reuniram-se sob chuva na Praça São Pedro na noite do dia em que, pela quarta vez na história, um papa renunciou
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

 

Corin Walters, dos Estados Unidos, protegia a chama da vela contra a chuva enquanto acompanhava um grupo de jovens de Roma que entoam músicas em homenagem a Joseph Ratzinger. “Vivo aqui em Roma e vim prestar meu apoio a decisão do Papa”, disse.

Entre os fiéis, também uma religiosa francesa que encarou a noite fria para rezar pelo Papa. “Doeu quando soube da notícia, mas, pelo pouco que pude refletir, o Papa tem seus motivos. Rezo a Deus para que a Igreja se fortaleça”.

A consternação que parece ter tomado conta da opinião pública no início desta segunda-feira foi a mesma que os cardeais, reunidos pela manhã para aprovar a criação de novos santos em um consistório, experimentaram ao ouvir as palavras do Papa em latim quando anunciou o fim de seu magistério.

O Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, disse em entrevista à Rádio Vaticano ter consultado um cardeal que estava próximo para ter certeza se tinha entendido a mensagem do Papa.

“O Papa está dizendo que ele está renunciando? Porque não me parecia verdade. De fato, depois vimos que já estava confirmado e era isso mesmo que ele estava dizendo. Foi uma surpresa para todos nós, porque esta atitude da renúncia não é uma atitude muito comum na Igreja. Mas a gente acredita que o Papa, provavelmente ajudado pelos seus médicos, pelas pessoas que lhe estão perto, seguramente ele avaliou isso, e o fez no conjunto da Igreja para o bem da Igreja”.

Dom Braz de Aviz será um dos 118 cardeais que terão direito a escolher o próximo Papa, podendo serem também eleitos Bispo de Roma. Os outros quatro cardeais brasileiros com direito a voto são: dom Geraldo Agnelo Majella, dom Cláudio Hummes, dom Raymundo Damasceno Assis e dom Odilo Pedro Scherer.

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