O Estado do Vaticano e a Santa Sé

Rafael Belincanta
Direto do Vaticano

Encravado em Roma, o Vaticano é considerado o menor Estado do mundo, com uma área de 0,439 km2, cerca de 44 hectares. Mas quando se fala nele, é preciso distinguir a Santa Sé do Estado da Cidade do Vaticano. Enquanto a primeira é a autoridade suprema da Igreja na figura do papa enquanto Bispo de Roma e chefe do Colégio dos Bispos, o segundo foi reconhecido pelo Tratado de Latrão, firmado entre a Itália e a Santa Sé, em 11 de fevereiro de 1929.

Com base na distinção entre governo central da Igreja e território físico do Estado, pode-se avançar nos discernimentos que, muitas vezes, confundem até mesmo os estudiosos vaticanistas. A Santa Sé, aos olhos das leis internacionais, tem uma personalidade jurídica que permite firmar tratados e enviar e receber representantes diplomáticos, como um Estado de fato.

Apesar das distinções, Santa Sé e Vaticano são unidos na pessoa do Sumo Pontífice, que é o Chefe de Estado. Ele concentra os poderes legislativo, judiciário e executivo, o que configura uma monarquia absoluta particular, já que não há transmissão do trono entre familiares. A administração do Estado por parte do Papa é feita por meio da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano e da Governadoria do Estado da Cidade do Vaticano.

Não se pode ridicularizar a fé, diz o Papa

Observatório Vaticano não nega possibilidade de vida extraterrena

Publicado em dezembro 3, 2012

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RAFAEL BELINCANTA
Direto de Roma
A relação entre fé e ciência deixou de ser tabu na Igreja Católica há muito tempo. De fato, isso começou a acontecer quando em 1578 o papa Gregorio VIII determinou a construção da Torre dos Ventos – que está no Vaticano até hoje, mas é fechada a visitas – para que sacerdotes matemáticos e astrônomos estudassem o tempo e reformulassem o calendário transformando-o, alguns anos depois, no gregoriano usado até hoje.
Contudo, ao longo dos séculos a Igreja Católica não deixou de ser apontada como contrária ao progresso científico e, numa tentativa de provar o contrário, o papa Leão XIII criou em 1891, atrás da Basílica de São Pedro, o Observatório Vaticano. As luzes da Cidade Eterna, porém, se faziam cada vez mais intensas, o que impedia uma perfeita observação do céu. Foi quando o papa Pio XI resolveu transferir os astrônomos para as Colinas de Albano, ao sul de Roma, em 1935.
Do alto das montanhas, por algumas décadas, o Observatório não sofreu interferências do progresso humano. Todavia, Roma havia se expandido tanto em 1981 que acabara comprometendo as observações. Naquele ano, então, o Observatório Vaticano expandiu suas fronteiras e se instalou nos Estados Unidos com o Vatican Observatory Research Group.
O diretor do Observatório Vaticano, padre José Gabriel Funes, sacerdote jesuíta argentino, recebeu a reportagem do Terra. Formado em Astronomia pela Universidade de Córdoba e doutor em pesquisas pela Universidade de Pádua, na Itália, está à frente do Observatório Vaticano desde 2006.
“O Observatório Vaticano mantém uma estreita colaboração com a Universidade do Arizona, em Tucson. Com o telescópio vaticano em Mont Graham, um dos lugares ideais para observação do universo em nosso planeta, podemos realizar as nossas pesquisas, principalmente aquelas que dizem respeito às estrelas de nossa galáxia e àquelas das galáxias vizinhas”, afirma.
Além dos Estados Unidos, o Observatório Vaticano mantém telescópio e pesquisas no Deserto do Atacama, no norte do Chile. Na Itália, está o Laboratório de Meteoritos que, de acordo com padre Funes, é um importante recurso para compreender a formação do sistema solar e do próprio universo. “Ao entender como se forma nosso sistema solar, podemos confrontar esses dados com outros sistemas estelares. Aqui realizamos ainda estudos de cosmologia, da origem do universo, e sobre a Teoria das Cordas, que é uma das possibilidades para entender como nosso universo se formou”, explica.
No que diz respeito às explorações em Marte, onde existem fortes indícios existência de água em forma líquida, padre Funes diz que a sonda Curiosity tem condições para realizar experimentos que as missões Viking em 1976 poderiam apenas sonhar. “Talvez poderemos encontrar algum sinal de que ali realmente existia água, talvez encontrar algum fóssil, qualquer sinal de que existiu ou ainda existe vida ali, mesmo que seja muito primitiva”, afirma.
Quando questionado sobre a existência de vida extraterrena, o padre recorre a quem chama de “pai da astrofísica moderna”, o também sacerdote jesuíta Angelo Secchi. “Ele viveu por volta de 1860 e já tinha esta ideia de vida extraterrestre, de vida inteligente no universo. Mas até agora não temos nenhuma prova de que exista. Entretanto, em um universo com bilhões de galáxias, cada uma delas com bilhões de estrelas, e cada uma destas estrelas com outros tantos planetas, não podemos negar que possa existir vida em outros lugares”, conclui.

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PAPA PEDE FIM DE VIOLÊNCIAS NA SÍRIA

Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma.

25/12/2011
by RFI

No seu discurso, lembrou ainda das populações do Sudeste asiático, em especial Tailândia e Filipinas, devido às recentes inundações e também encorajou a retomada das negociações entre Israel e Palestina.

A busca pelo diálogo e colaboração no Mianmar, país asiático governado por uma junta militar no poder há muitos anos, foi lembrada pelo Papa, em nome da democracia. Ele ainda falou sobre o Sudão do Sul, que após a independência, agora enfrenta desafios para garantir os direitos dos cidadãos.

Por fim, o Pontífice pediu a reconciliação plena e a estabilidade no Iraque e no Afeganistão e o fim das violências na Síria, onde segundo ele, “já foi derramado muito sangue”.

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Por dentro do Arquivo Secreto Vaticano

Publicado em junho 27, 2012

Somos um grupo de 35 jornalistas estrangeiros correspondentes em Roma. Com um pequeno mapa em mãos, ainda fora dos muros vaticanos, tentamos localizar a posição exata do Arquivo Secreto Vaticano. Entramos pela Porta Sant’Anna. Dali, caminhamos mais alguns poucos metros até chegar ao pátio interno do Palácio Apostólico. À direita, acima de uma pequena porta, lê-se uma inscrição em latim assinada por Leão XIII, o Papa que revelou o Arquivo Secreto. Após subir dois andares, chegamos à sala que leva o mesmo nome, como explica Alfredo Tuzi: é a ante-sala do Arquivo Secreto.“Estamos na sala Leão XIII. Nesta sala estão conservados todos os índices dos inventários que são os instrumentos base – a bússola – sem a qual não se poderia pesquisar sequer um dos documentos do arquivo”.O Arquivo Secreto Vaticano foi criado há 400 anos pelo Papa Paulo V. Durante mais de dois séculos ficou completamente restrito ao Papa e alguns cardeais da Cúria. Somente em 1881 Leão XIII decidiu colocar à disposição dos estudiosos – sem levar em consideração religião ou nacionalidade – os documentos do Arquivo Secreto para reforçar os estudos históricos.“Qualquer pessoa pode consultar o Arquivo Secreto. Para isso é preciso, antes de tudo, saber Latim. Depois, apresentar o diploma de graduação e uma carta de referência, com exceção de professores”.Últimos documentos reveladosO Arquivo Secreto Vaticano pode não ser o maior do mundo mas, com certeza, é o mais rico. E também o mais valioso. Somente o Papa pode decidir quais documentos revelar. No momento em que decide, a revelação traz a tona um inteiro pontificado.“Há 5 anos Bento XVI autorizou a abertura dos documentos relativos ao pontificado de Pio XI. Portanto, aqueles documentos do período entre 1922 até 10 de fevereiro de 1939. A próxima abertura, sem data prevista, será dos documentos de Pio XII (1939 a 1958)”.

Secretos

Recentemente, todos os documentos referentes ao pontificado de João Paulo II foram entregues à administração do Arquivo Secreto pela Secretaria de Estado. Entretanto, não estão disponíveis para consulta, assim como os documentos de João XXIII, Paulo VI e João Paulo I.

“Os documentos fechados só podem ser consultados pelos postuladores das causas dos santos, com a permissão da Secretaria de Estado”.

Torre dos Ventos

Saindo do “bunker” – dois andares inteiros abaixo do jardim dos Museus Vaticanos – e deixando para trás 85 km de documentos, subimos mais quatro andares por uma escada em caracol até chegar ao local onde o passar dos segundos, minutos e horas fora redimensionado.

“Aqui foram realizados os estudos demonstrativos que levaram à reforma do calendário. Em 22 de fevereiro de 1582, o Papa Gregório XIII abolia definitivamente o calendário juliano que apresentava disfunções e imprecisões, para dar lugar àquele que levou seu nome e que até hoje usamos”.

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Os Jardins do Vaticano

Publicado em outubro 9, 2011
Não, não são os jardins do Éden, nem vou entrar nesse mérito. Só quero relatar o que existe dentro dos muros Vaticanos, aliás, aquilo que é permitido ver, mas não para todos. Até bem pouco tempo a entrada estava limitada a quem trabalha ou vive dentro dos muros. Agora, já é possível fazer o percurso com um micro-ônibus, que para nos principais pontos. Mas bom mesmo é ir a pé. Todos sabem que o Estado da Cidade do Vaticano é o menor país do mundo, então não é assim tão complicado percorrer os caminhos estreitos dos jardins, o quintal do Papa. Aliás, a visitação só é permitida quando o Papa não estiver por ali. Todavia, alguns já cruzaram com o Papa – é o que me disseram. Aí vão as fotos!
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