Brasil é ideal para “Universidade” contra a fome, diz PMA

Brasil é ideal para “Universidade” contra a fome, diz PMA

“O Brasil tem um grande número de lições a ensinar sobre a desnutrição e como resolver isso”, afirmou em um encontro com jornalistas da Ásia, África e do Brasil, a diretora de Nutrição do Programa Mundial Alimentar (PMA), Lauren Landis.

No Brasil, o PMA mantém em parceria com o governo o Centro de Excelência de combate à fome, que completa 5 anos de atuação e é, atualmente, um dos principais pontos de referência para os países que buscam sair do mapa da fome criando ou reforçando programas de alimentação nacionais.

Landis explicou que o Brasil levou apenas dez anos para mudar o seu paradigma nutricional: da desnutrição à obesidade.

Children-having-a-daily-lunch-meal-at-a-kindergarten-in-a-poor-community-in-Salvador-Bahia.-The-WFP-Centre-of-Excellence-organized-a-study-visit-to-the-school-in-November-2014
Crianças almoçam em escola na Bahia

“O que eu gostaria de ver o Programa Mundial Alimentar fazer no futuro, é que trouxesse mais nações para entender o sucesso que o Brasil teve – e que provavelmente terá – na questão da prevenção do sobrepeso e da obesidade”.

“Universidade” contra a fome

Fora do mapa da fome e com novos desafios pela frente, o Brasil é o “ambiente ideal” para a formação dos países no combate à fome e conscientização sobre a nutrição ideal.

“Também sinto que nós poderíamos fazer – e este é meu sonho – do Centro de Excelência algo mais como uma ‘Universidade’. No sentido de que precisamos mais cooperação direta. Nós poderíamos ensinar de governo para governo porque os governos não querem ouvir o que o PMA pensa, ou o que o UNICEF pensa. Com frequência, eles querem saber das tribulações pelas quais passaram outros governos para alcançar seja o que for: uma legislação, políticas ou na implementação de programas. E eu penso que o Brasil seria o ambiente ideal onde conduzir isso”, concluiu.

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África continua a região mais desnutrida do mundo; Brasil vira exemplo de combate à fome

África continua a região mais desnutrida do mundo; Brasil vira exemplo de combate à fome

Nunca se produziu tanto alimento quanto em 2014. Apesar disso, 805 milhões de pessoas ainda não têm acesso à uma alimentação digna e estão subnutridas, segundo o relatório anual da ONU sobre a fome no mundo em 2014.

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Meninos na pausa para o almoço em um escola na Tanzânia, em 2013. Merenda é garantida por meio de um programa insipirado no Fome Zero do Brasil.

Foi apresentado nesta terça-feira (16.09), em Roma, na sede da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o relatório anual sobre a fome no mundo em 2014. A apresentação este ano foi antecipada para que, na próxima semana, os resultados possam ser divulgados durante a Assembleia geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Nunca se produziu tanto alimento quanto em 2014. Apesar disso, 805 milhões de pessoas ainda não têm acesso a uma alimentação digna e estão subnutridas. A situação paradoxal afeta principalmente as populações nos países em desenvolvimento, que concentram 791 milhões dos subnutridos.

África desnutrida: o caso dos PALOP

Somente na África, são 226 milhões os subnutridos, o que representa 22% da população do continente. Numa caminhada contrária ao resto do planeta, o número de pessoas famintas na África tem aumentado desde 1990.

Para se ter uma ideia, somente, Angola e Moçambique somam 11 milhões de subnutridos. Apesar de Angola ter alcançado a meta do desenvolvimento do milénio ao reduzir pela metade a proporção de pessoas subnutridas, atualmente 4 milhões de angolanos não conseguem comer com dignidade. Um sinal claro de que a desigualdade social é um fator que impede o desenvolvimento pleno do país. Em mais de 20 anos de luta contra a fome, Moçambique reduziu a proporção da população subnutrida em 50%, caminha para atingir a meta de desenvolvimento do milênio, mas continua a ser pátria de 7 milhões de subnutridos.

A redução da pobreza e da percentagem de pessoas com fome é também bastante visível outros PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Na Guiné-Bissau, a descida é menos significativa: apenas 23,5%, correspondente à redução da fome na população.

Em Cabo Verde, a redução é de 38,9%, equivalente à descida na percentagem da população com fome de 16,1% em 1990 para 9,9% este ano. Em São Tomé e Príncipe, a percentagem de pessoas malnutridas desceu de 22,9% para 6,8%.

O  diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, traça um rápido panorama de alguns obstáculos que fazem com que África hoje, infelizmente, esteja a perder a luta contra a fome.

“Nós vemos hoje que ainda há muitas limitações estruturais para os investimentos privados na agricultura africana. Eu começaria pela instabilidade político-social, e o conflito que existe em boa parte dos países da região. Ninguém vai investir num país com instabilidade política e social. Porém, temos visto que os governos não têm dedicado recursos suficientes para prover a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento das áreas rurais. Sem infra-estrutura, também, o setor privado não vai investir na agricultura dos países africanos.”

Apesar da falta de estabilidade e infra-estrutura, alguns países africanos são modelos a ser seguidos, lembra o diretor-geral da FAO. “Eu destacaria o Gana e o Malawi, que apesar de todas essas adversidades, conseguiram dar um avanço significativo na redução dos subnutridos.

O exemplo do Brasil

As políticas públicas de combate a fome no Brasil ganharam capítulo especial. O país não somente atingiu a meta de desenvolvimento do milênio (diminuir pela metade a proporção de pessoas que passam fome até 2015) assim como o objetivo mais árduo estabelecido pelo World Food Summit em reduzir pela metade o número absoluto de pessoas que passam fome.

“Particularmente, no caso do Brasil isso chama muito a atenção. O Brasil, por ter 200 milhões de habitantes, puxa os números [da América Latina] e o que nós vimos no Brasil durante toda a década passada, a partir do ano 2000, foi um forte decréscimo no número de pessoas subnutridas. Se tomarmos os triênios a partir de 2002, o decréscimo é de -1,7%, em 2005-2007, passa a -5%, mantém-se em -5% em 2009-2012 e aumenta para -5,1% no período recente, de 2011-2013”, finalizou o diretor geral da FAO, José Graziano da Silva.

Links originais: DW e RV

O Brasil que alimenta a África

O Brasil que alimenta a África

No Malaui, crianças recebem refeições nas escolas, um exemplo exportado do programa brasileiro  Foto: Rafael Belincanta / Especial para TerraNo Malaui, crianças recebem refeições nas escolas, um exemplo exportado do programa brasileiro
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
RAFAEL BELINCANTA
Direto de Mkuranga (Tanzânia)

A crise na Europa fez com que doadores tradicionais como França, Espanha e Itália tivessem uma retração nas verbas. O Brasil, porém, fez a maior doação repassada ao World Food Programme (WFP) de sua história em 2012, terminando o ano como o 10º maior doador, com mais de US$ 82 milhões. Isso representa duas posições à frente comparado a 2011,quando ficou em 12º lugar com US$ 70,5 milhões doados; e 34 posições à frente que em 2007, primeiro ano em que o Brasil apareceu no ranking dos 100 maiores doadores, em 44º lugar e US$ 1,1 milhão doado.

Dentro de um armazém no distrito de Mkuranga, Tanzânia, um saco de açúcar com a escrita Product of Brazil não deixa dúvidas: as doações de alimentos do Brasil ao Programa Mundial Alimentar (PMA) chegam à África. Não bastassem os financiamentos em espécie, em 2012 o Brasil também fez grandes doações de commodities.

Já em outubro do ano passado, durante o primeiro encontro da nova secretária executiva do PMA, Etharin Cousin, com a imprensa estrangeira em Roma, ela anunciara que o Brasil estaria entre os maiores doadores do ano.

De fato, desde que o ex-ministro brasileiro José Graziano da Silva foi eleito diretor-geral da FAO, Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, em 2011, o Brasil passou a exercer um novo papel nas decisões que concernem às agências da ONU em Roma. Além da FAO e do PMA, também tem sede na capital italiana o FIDA,Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura.

Mas não são somente as doações em dinheiro e de alimentos que aumentam o responsabilidade do Brasil diante da comunidade internacional. O reconhecimento maior, seja da África ou dos países europeus, aparece muitas vezes na forma de respeito às conquistas do País, dentro de casa, no combate à fome e à pobreza.

As experiências bem sucedidas do Fome Zero colocado em prática por Graziano durante o governo Lula vão além das fronteiras do Brasil. Principalmente em direção à África, confirmando as intenções da FAO em dar atenção especial a assim chamada Cooperação Sul-Sul. Tanto que um Centro de Excelência no Combate à Fome foi construído em Brasília em parceria do PMA com o governo.

Irene Del-Río é espanhola e trabalha no escritório regional do PMA no Malauí. Ela esteve no Centro de Excêlencia e de lá trouxe modelos de combate à fome que já estão em prática, como é o caso da escola do distrito de Mbwadzulu, distante cerca de 300km da capital Lilongwe. Ali, ao menos 600 crianças e adolescentes são beneficiados por um projeto inspirado no Fome Zero de investir na produção e consumo local. O PMA repassa verbas para as escolas e estas, por sua vez, compram os alimentos produzidos pelos pais dos alunos.

“O programa é uma continuação do Fome Zero. Estivemos dois meses no Brasil para aprender as práticas dos programas existentes no Brasil. Nosso enfoque aqui é na alimentação escolar. Dentre todas as experiências que o Brasil tem na luta contra à pobreza e contra à fome, a alimentação escolar é uma das coisas que se poderiam melhor implementar no Malauí”, completa Del-Río.

Apesar das semelhanças na aplicação dos projetos, é preciso dar um rosto africano aos projetos. Principalmente na capacitação de quem conhece a fundo as principais necessidades dos países africanos.

“A ideia não é somente replicar os programas do Brasil mas ver quais foram as experiências, negativas e positivas, que foram aprendidas, e aplicá-las nos contextos africanos que em alguns casos, em alguns distritos, são bastante parecidos com o que vimos no Brasil. Então, a parte da assistência técnica é muito valiosa para os governos africanos que têm capacidades limitadas para desenvolver políticas”, aponta Del-Río.

A mudança na posição do Brasil diante da comunidade internacional que, praticamente em uma década, passou de País que recebia recursos para um dos principais doadores do PMA, estreitou os laços com os países africanos mais necessitados e ganhou o respeito dos países ricos. Entretanto, o balanço fiscal do PMA relativo ao mês de janeiro deste ano revela um Brasil um tanto quanto mais ponderado nas doações: 22ª posição na lista com pouco mais de US$ 626 mil dólares enviados ao PMA.

Doações do Brasil ao programa desde 2006
Ano valor (US$) Colocação
2006 Não conta na lista não consta na lista
2007 1,1 milhão 44°
2008 1,2 milhão 48º
2009 15,7 milhões 25º
2010 12,9 milhões 29º
2011 70,5 milhões 12º
2012 85 milhões 10º

África parte 1: Tanzânia

Recentemente, de novo me aventurei em terras africanas. Desta vez o destino foi a Tanzânia e o Malauí. Antes mesmo da minha primeira ida à África em 2012, sempre tive o desejo de aterissar por lá. Talvez seja uma marca que restou em meu DNA , herança de meu avô negro, ou talvez seja o destino que impulsiona. Unidas as possibilidades, o caminho se desenha perfeitamente. E também paradoxalmente.

Tanzânia

A viagem é fruto de meu trabalho como correspondente para a DW aqui em Roma (lá se vão dois anos já!). Cobrir as três agências da ONU voltadas à alimentação e agricultura, nomeadamente FAO, WFP e IFAD renderam belas histórias e muitas descobertas. O convite partiu da Missão dos EUA nas Agências da ONU aqui em Roma. A proposta era acompanhar o novo embaixador numa missão de reconhecimento de alguns projetos em andamento naqueles dois países.

A agenda era muito apertada. Compromissos alla horário do metrô russo: 9h17, 10h23, etc impediam uma dedicação mais a fundo diante de tantas histórias e do tal conceito multimídia, nova (velha) espécie de jornalista que surgiu com a internet. Processar tantas informações e, ao mesmo tempo, decidir se aquilo vale um vídeo, uma sonora para rádio, uma foto ou um texto ou todos juntos nem sempre é fácil.

Contudo, a corrida contra o tempo é fantástica e intuicional. É a engrenagem que faz a máquina funcionar e que impulsiona o jornalista a produzir o máximo de conteúdo – mesmo que privo de um aprofundamento. Desde que isso não comprometa o trabalho final que deve ter devida contextualização das informações adicionadas posteriormente.

Fortunate, pequena rizicultora beneficiada pelos programas de ajuda internacional.
Fortunate, pequena rizicultora beneficiada pelos programas de ajuda internacional.

A primeira história que me despertou a atenção foi a de Fortunate Michel. Uma jovem rizicultora, divorciada, mãe de três filhos que vive também com a mãe e, às vezes, dá de comer também para o novo namorado. É o tal empoderamento da mulher que também chega à África. Com a ajuda dos programas de irrigação financiados pelo USAID (United States Agency for International Development) e o know-how do WFP, na Tanzânia dirigido pelo estadunidense que já viveu na Coreia do Norte, Richard Ragan, Fortunate viu sua produção de arroz aumentar e, finalmente, conseguiu comprar o seu próprio pedaço de terra.

Como repetidas vezes disse o embaixador David Lane durante seus speechs, é fundamental ir a campo para saber o que acontece com as decisões tomadas atrás de uma mesa. De fato, entender o porquê da agricultura ser a melhor saída para combater a fome e a pobreza ali onde ela está é radicalmente o oposto do entendimento que vem com as explicações dos relatórios oficiais – sem, de forma nenhuma, desmerecê-los.

 

 

Flora: da lavoura à universidade
Flora: da lavoura à universidade

Ainda curvado diante da imponência do Kilimanjaro e do Monte Meru, conheci um exemplo que até então só tinha lido nos tais relatórios. Ela é uma filha dentre numerosos irmãos. Flora Laanyuni por muito tempo trabalhou na lavoura de milho com o pai e o restante da família. A ajuda internacional trouxe a eles conhecimento técnico para expandir a produção e enveredar novos rumos para diversificar o plantio. A antiga lavoura de milho agora também é lavoura de tomate, pimenta e cebola. A produção cresceu assim como os rendimentos. A soma desses fatores permitiu que Flora se tornasse a primeira integrante da família a obter um diploma universitário adivinhem em que? Jornalismo! Flora hoje é repórter do Tanzanian Daima.

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Extra: no final de uma das cerimônias de boas-vindas à equipe na Tanzânia, me deparei com esta iguaria: uma cabra inteira assada.

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Outra hora volto para contar algumas das experiências do Malauí.

Dois meses de fome declarada: um balanço do WFP

Dois meses de fome declarada: um balanço do WFP

Dois meses depois da declaração de fome no Chifre da África, o Programa Mundial de Alimentação (PAM), responsável pela distribuição de alimentos nos campos de refugiados, onde atualmente vivem milhares de pessoas, continua seus esforços para acabar com a fome. A Coordenadora de Comunicações da Organização das Nações Unidas falou com exclusividade para a Deutsche Welle.

Emília Casella
Desde primeiro de julho, quando a fome foi declarada na Somalia,  milhares de pessoas continuam a chegar todos os dias aos campos de refugiados instalados na região. As crianças são as maiores vítimas da seca e as que precisam de maiores cuidados. Emília Casella, Coordenadora de Comunicação do Programa Mundial de Alimentos, explica o que acontece quando as famílias chegam aos campos.
“Por exemplo, quando uma família chega ao campo de refugiados de Dadaab, ela é registrada pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados. Depois disso, a família recebe alimentos para três semanas, assim como biscoitos com alto valor nutritivo que podem ser comidos na hora”.

Então por três semanas as famílias tem o que comer?

“Sim. E se elas precisarem de mais comida ou se o processo de registro demorar demais eles recebem uma nova porção de alimentos”.

Então as famílias podem ficar nos campos por mais de três semanas?
“Por causa do grande número de refugiados que chegam a Dadaab, como nós vimos as notícias de que 1.300 pessoas estavam chegando todos os dias, e isso continua acontecendo, existe uma grande pressão sobre o sistema de registros. Juntos, os campos de Dadaab formam o maior campo de refugiados hoje no mundo. Então, quando as famílias são oficialmente registradas, elas ganham um cartão para retirar alimentos todos os meses”.

 

O desafio é conseguir alimentos para os próximos seis meses. O Brasil fez sua parte, doou milho e feijão. O transporte foi pago pelos Estados Unidos, no valor de US$14,5 milhões. Os alimentos brasileiros devem chegar em setembro ao Chifre da África
Apesar de todos os esforços, os conflitos entre as milícias e o governo fizeram com que os alimentos deixassem de chegar a algumas áreas da região do Chifre da África.
“Em algumas dessas áreas, algumas organizações humanitárias foram banidas. Nós mesmos do Programa Mundial de Alimentos tivemos que sair do Sul da Somália em janeiro do ano passado por causa de ameaças contra nossos colaboradores. Sem falar nas taxas não-oficiais que quiseram nos impor e também que não empregássemos mulheres na nossa organização. Tudo isso, junto com a insegurança na região tornou nosso trabalho quase impossível. Desde 2008, o Programa Mundial de Alimentos teve 14 agentes mortos na Somália que, provavelmente é o lugar mais perigoso do mundo para se trabalhar”.

Não há previsão para que os trabalhos humanitários terminem no Corno da África. Contudo, Casella aponta para uma situação positiva nesse cenário de fome e falta de esperança no futuro.

“Nós estamos trabalhando em programas de irrigação, programa para um melhor aproveitamento dos recursos naturais. Assim, os agricultores podem se recuperar do choque da seca prolongada. Nós já estávamos desenvolvendo estes projetos antes que a fome fosse declarada. Fizemos isso na Etiópia, em partes do Quênia e Uganda e bem sabemos que nessas áreas a fome não foi declarada. Infelizmente, em algumas partes da Somália, nós não pudemos trabalhar junto com os agricultores do mesmo modo, de forma a ajuda-los a melhorar as técnicas e aumentar a produtividade. E por causa disso, a situação na Somália piorou”.

RB ROMA DW 08-31-11 
The interview’s transcription.
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Which kind of difficulties WFP has been facing on the food distribution in HOA?
I think the first challenge we have face is simply raise enough money to feed 11 million people, more than 11 million people for the coming 6 months. Our program is aiming to feed people in 5 countries of the HOA: Kenya, Ethiopia, Somalia, Uganda and Gjibuti. So, it’s a large logistic operation to reach more than 11 million people in 5 countries through a vast area and acquiring food from many parts of the world to bring it to one place. So, these are the biggest challenges we’ve been facing so far. Individually, in certain areas the challenge have been the large influx of people. We are helping, for example, in refugee camps on the board with Ethiopia and also near the boarder inside Kenya, there’s a large camp called Dadaab, its a series of camps in Kenya, actually the largest in the world, almost half million of people are living there, are mostly somalis, and we have a large influx of people arriving to that camp everyday, more than a thousand people. It’s a huge challenge, not just for our organization, but also for UNHCR and all of the charities that are working there trying to provide food, water, medical attention to all of the people arriving.
What about the milicias?
The important thing to realize is that’s a huge challenge in Somalia and Somalia is a country that has been for 2 decades now in a lot of security volatility situation. This drought is affecting people all over the HOA in 5 countries, so I think it’s important that people not forget that this is really affection millions of people in a vast area. Specifically in Somalia, in the Southern areas, there has been difficulties for humanitarian organizations to reach people. In some of these areas some humanitarian organizations have been banned, our own organization polled out of Southern Somalia in january of 2010 because the treats against our staff and the demands to pay unofficial taxes and demands that we employe no women in our organization and, combined these treats and the volatility of area made it very difficult to us to work. WFP has lost 14 staff members since 2008. It’s a very dangerous place to work, probably the most dangerous place in the world. So, this is a challenge, but never the last. WFP is in Somalia we are working in the North and the Central areas, in Mogadiscio and we are doing our best to support the humanitarian effort in whatever areas of the country that where people can be reached.
Is WFP responsible on food distribution at refugee camps?
Yes, for the refugee camps, the ones that are in neighbor countries to Somalia we do supply the food, but it is distributed together with charitable organizations, and also the UNHCR which administers refugee camps. So, it’s a combined effort between a lot of different organizations. But WFP is providing the food, bringing tens of thousands of tons of food to the camps and also the local communities near the camps, the citizens who live in the areas, badly affected by the drought, the lost livestocks, the lost their crops, and they need food assistance too.
Which’s the role of partner organizations?
We couldn’t work without our partner organizations. Not only in the HOA but all over the world. WFP works together with 3.000 NGO’s in the 75 countries that we work worldwide.
Our own organization has about 12.000 employes, more than 90% of then in the field. But that’s only 12.000 people and we are feeding more than 9 million people every year in 75 countries. So we have to work with partner organizations. We delivery the food to the locations and then we work together with local non-governmental organizations, community groups, the red cross and the red crescent, and also even governments that work together with us to distribute the food to the populations.
When the work will end?
We can’t stop droughts. There always going to be, if not in the HOA, elsewhere is gonna be drought. What we can stop is famine. It think that famine is a preventable situation and we are working in fact in countries all over the world, including in the HOA, on sustainable solutions so that farmers can protect their crops and their livestock. We are working in programs for irrigation, programs for better use of resources, so farmers can bounce back from these kind of shocks and, in fact, we’ve already been doing programs in Ethiopia, parts of Kenya, parts of Uganda, and you notice that this areas do not have the famine declaration that has been made in Somalia. Unfortunately, in areas of Somalia we’ve not been able to work with farmers the same way to help then to improve the farmer techniques and improve their productivity. And because of that we really feel this has made the situation in Somalia worst. Where we’ve worked together with the Ethiopian government, the Kenyan government, with the Uganda government on programs designed to help their farmers to be ready when a shock of a drought comes and they still badly affected but they have unreached the famine levels that we see in Somalia. So, its very difficult to say that when we are going to end hunger once for all in the world. The natural disasters? We don’t the ability to stop floods, or droughts or earthquakes or wars, at least our own organization. But we can help people to protect themselves from disasters.
When a family get into the refugee camp what happens there?
For example, when a family arrives to Dadaab camp, in Kenya, they will be registered by UNHCR. Before that process, these people will receive three-week ration of food, as well as a special one-day ration of high energy biscuit fortified with vitamins and minerals. These biscuits don’t have to be cook, so they can eat them right away.
So for 3 weeks they have food?
Yes. And if they need more food or if the registration process takes longer than three weeks then they will receive a renewed ration of food again.
So, they can stay for more than 3 weeks?
Because of the huge in-flux of refugees to Dadaab, we’ve seen reports of 1.300 people arriving a day and this is going on now. So this level of in-flux people is a huge pressure on the registration system for any one camp. Dadaab camps together are the largest refugge camp in the world, so registration can take some time. When they are officially registered as refugees they have a ration card and they get the regular monthly distribution.