Entrevista: António Guterres

Entrevista: António Guterres

Dezembro de 2013: António Guterres, então Alto Comissário da ONU para os refugiados, concede entrevista após encontrar o papa Francisco.

A “globalização da indiferença” do papa é também “globalização da rejeição” para Guterres. Ele falou também sobre a Europa que fecha fronteiras aos refugiados, sobre os migrantes haitianos no Brasil e sobre o exemplo de Mandela (que morreu um dia antes da gravação da entrevista).

No Vaticano, Haddad apresentará “visão ousada” para São Paulo

No Vaticano, Haddad apresentará “visão ousada” para São Paulo

“Uma surpresa positiva”. Assim o prefeito de São Paulo disse ter recebido o convite da Pontifícia Academia das Ciências para participar, a partir desta terça-feira (20/7), no Vaticano, do encontro sobre “Escravidão Moderna e Mudanças Climáticas”.

Fernando Haddad é um dos sete prefeitos brasileiros de um total de 40 prefeitos do mundo inteiro que são aguardados no Vaticano. O debate converge com a recente publicação da encíclica Laudato si do Papa Francisco, que vai receber os prefeitos na Aula de Sínodo, na tarde desta terça-feira.

Reciclagem, iluminação pública e mobilidade urbana deverão guiar a participação de Haddad no encontro, no qual apresentará as recentes mudanças promovidas após a aprovação do Plano Diretor e as perspectivas de um futuro sustentável para a maior cidade da América do Sul.

Ao afirmar que São Paulo está muito atualizada no que diz respeito às questões globais de sustentabilidade, Fernando Haddad deverá defender  durante o encontro uma “visão mais ousada” que a prefeitura tem aplicado no processo de transformação da matriz da mobilidade da cidade.

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Haddad defende mudança “ousada” na matriz da mobilidade de São Paulo

“Devolvendo para o transporte público, para o pedestre e para o ciclista aquilo que nunca poderia ter sido tirado dele, que é o espaço para que estas modalidades de locomoção sejam priorizadas em relação ao transporte individual motorizado para o qual as cidades não têm capacidade de suporte. Aqui em Roma, são quase 1 carro para cada habitante, em São Paulo há 1 carro para 2 habitantes. Ou seja, daqui a pouco não vai haver espaço para que as pessoas possam se deslocar. A não ser que a matriz da mobilidade seja totalmente alterada. Isso tem um custo político, isso tem um custo social. Mas é absolutamente imprescindível nós conseguirmos planejar o futuro com um pouco mais de ousadia. Não manter um padrão que nós sabemos, insustentável”, afirmou à RV.

Haddad afirmou ter recebido com surpresa o convite do Vaticano e saudou a inciativa do Papa em promover um debate de questões tão “palpitantes e urgentes”.

Haddad durante a entrevista após ser recebido pelo prefeito de Roma
Haddad durante a entrevista após ser recebido pelo prefeito de Roma

“É inusitado. Todos nós fomos surpreendidos positivamente pelo convite. Penso que o Papa Francisco demonstra uma sensibilidade e uma capacidade de ser vincular a temas da maior relevância, da maior atualidade e, à maneira dele, ele está colocando na agenda política dos Países e das cidades temas incontornáveis. Não podemos mais fingir que não há pobres, que estamos degradando o meio ambiente. Se não cuidarmos dessas metrópoles hoje, com espaço de convívio, interação e produção de cultura, de política, de artes, de conhecimento, de bens e serviços – mas temos que fazê-lo de forma sustentável – todos nós acabaremos prejudicados. Então, o Papa demostra uma capacidade de previsão muito impressionante. Esse reforço, para nós que estamos no dia a dia das cidades, trabalhando em prol delas, quase espiritual, de inspirar de mobilizar almas e corações para um projeto urbano mais digno da existência não poderia vir em melhor hora”, concluiu.

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Vaticano conclui no Brasil investigação sobre possível milagre atribuído a Madre Teresa

Vaticano conclui no Brasil investigação sobre possível milagre atribuído a Madre Teresa

O caso da cura milagrosa em Santos – que poderá determinar a canonização de Madre Teresa – chegou ao Vaticano no início deste ano e logo foi considerado válido por apresentar elementos contundentes para a instauração de um processo.

A Congregação para a Causa dos Santos concluiu as investigações no Brasil sobre o possível milagre atribuído à intercessão de Beata Madre Teresa de Calcutá para a cura inexplicável de um homem em Santos (SP), em meados de 2008. Fontes vaticanas revelaram que o Papa Francisco teria declarado durante sua visita à Albânia que “segue de muito perto” a causa de Madre Teresa e teria a intenção de canonizar a religiosa o “mais depressa possível”.

O caso da cura milagrosa em Santos – que poderá determinar a canonização de Madre Teresa – chegou ao Vaticano no início deste ano e logo foi considerado válido por apresentar elementos contundentes para a instauração de um processo. Tanto que a fase diocesana do tribunal vaticano aconteceu entre 19 e 26 de junho, na diocese de Santos.

Fatos evidentes

O Promotor de Justiça nomeado para o processo local, padre Caetano Rizzi, afirmou que tudo aconteceu muito rapidamente porque os fatos são evidentes.

João Paulo II e Madre Teresa na Índia em 1985
João Paulo II e Madre Teresa na Índia em 1985

“Ouvimos diversas testemunhas, ouvimos o possível miraculado. Foi um processo longo, intenso, com muitas audiências e muito trabalho. Mas a graça de Deus nos faz chegar a conclusão de que não temos aqui uma palavra para explicar o que aconteceu. Está sendo um processo muito rápido porque os fatos são evidentes”, explicou

O Delegado episcopal vaticano para o tribunal local, Monsenhor Robert Sarno, explica que agora, antes do possível milagre ser levado até o conselho médico da Congregação para a Causa dos Santos, ele precisa ser analisado por dois médicos autônomos indicados pela Congregação.

Fase Vaticana

“Eles devem emitir uma opinião se existe uma explicação científica para a imediata e instantânea cura da pessoa. Se um deles afirma que sim, então o caso vai para a análise do conselho médico da Congregação que vai avaliar o possível milagre com base nos depoimentos das testemunhas e na documentação médica do caso”.

Após esta análise, caso os médicos deem uma posição afirmativa sobre a autenticidade do milagre, o caso passa para o conselho teológico da Congregação que deverá analisar os elementos teológicos do possível milagre.

“Podemos demonstrar que, no momento em que a intercessão da Beata Madre Teresa de Calcutá foi pedida, as condições do doente mudaram inexplicavelmente? Se os teólogos apresentarem uma resposta afirmativa para esta pergunta, o caso passa para a análise dos bispos e cardeais da Congregação. Se eles considerarem que o milagre não tem explicação científica – comprovado pelos médicos e concedido por Deus por meio de Madre Teresa de Calcutá e aprovado pelo Conselho Teológico –, então eles encaminharão seu parecer positivo ao Papa que é o único que tem autoridade para julgar o caso”.

Jovens venezuelanos fazem greve de fome em protesto contra Maduro e pedem para encontrar o Papa

Jovens venezuelanos fazem greve de fome em protesto contra Maduro e pedem para encontrar o Papa

Os jovens venezuelanos Martín Paz e José Vicente Garcia entraram, nesta quarta-feira, (09/06), no quinto dia de greve de fome. Eles estão diante da Sala de Imprensa do Vaticano e querem um encontro com o Papa Francisco. Ambos são membros da Câmara de Vereadores de San Cristóbal, capital do estado venezuelano de Tachira.

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Martin, 29 anos, disse que pretende denunciar ao Papa as violações dos direitos humanos na Venezuela.

Martín, 29 anos, disse que pretende denunciar ao Papa as violações dos direitos humanos na Venezuela. O jovem afirmou que o protesto aconteceria com ou sem a presença de Nicolás Maduro. O Presidente da Venezuela cancelou o encontrou que teria com Francisco no último domingo, (07/06).

“Hoje, em nosso País, a situação dos direitos humanos é complicada. Pessoas são torturadas, perseguidas e reprimidas porque se expressam diferentemente do governo. Existem mais de 70 presos políticos nas penitenciárias venezuelanas. Pessoas morreram por causa da repressão do governo. Por isso, nós nos somamos à greve de fome em curso em nosso País, que acontece em oito estados onde mais de 50 pessoas, não somente políticos, mas também cidadãos comuns, protestam para pressionar o governo e o mundo para que os direitos humanos sejam respeitados em nosso País”.

Martin Paz e José Vicente Garcia em um colchão na calçada da Via da Conciliação
Martin Paz e José Vicente Garcia em um colchão na calçada da Via da Conciliação

Martín e José vieram ao centro da fé católica também para defender a entrada de organismos internacionais na Venezuela para que estas avaliem a situação dos direitos humanos no País.  “Deixamos nossos filhos, nossas esposas, a nossa gente para vir aqui e tornar visível aquilo que para a Comunidade internacional é invisível. Queremos derrubar esse governo de fachada e, por isso, viemos até a máxima representação da Igreja”.

[vimeo https://vimeo.com/130228332]

“Hoje os venezuelanos não têm uma instituição a qual recorrer em nível nacional. E, por isso, a Igreja é o primeiro ente ao qual as pessoas recorrem quando o Estado não responde. A fé é o que está movendo a Venezuela hoje. Todos em greve de fome foram levados à igrejas. E, nós, viemos para cá, como representação desta fé e, além disso, confiando no Papa Francisco, que conhece muito bem a realidade da Venezuela, e pode interceder para solucionar estes problemas. Tudo o que queremos é sermos minimamente escutados, poder entregar uma carta ao nosso Papa, que ele não somente saiba da situação atual na Venezuela mas que também as pessoas na Venezuela sintam a esperança de que o Papa intercederá por todos nós”.

Especial: “Custa mais matar do que salvar”

Especial: “Custa mais matar do que salvar”

Nesta terceira e última matéria especial sobre a Casa do Menor, instituição fundada pelo padre italiano Renato Chiera na periferia do Rio de Janeiro, ele reflete sobre o porquê da sociedade brasileira querer investir na violência e o que ele espera que aconteça com a Casa do Menor quando ele não estiver mais por aqui.

Em contraposição a essa realidade, ouviremos também os testemunhos de dois jovens recuperados na Casa do Menor. Padre Chiera e o grupo de 25 menores vieram a Itália para uma turnê musical. Conheceram o Papa no início de abril e agora volta ao Brasil com a esperança de um Brasil menos desigual.

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Como é que a Casa do Menor se mantém hoje?

Padre Renato Chiera: Hoje nós temos muitas dificuldades. O governo ajuda pouco, muito pouco. A sociedade brasileira está crescendo um pouquinho mais na solidariedade mas aquele que poderia mais ajudar ainda não ajuda. Então, nós devemos chamar a sociedade a esta responsabilidade.

Custa mais matar do que salvar

Para nós não tem nem 500 reais. 500 reais para salvar, 4,5 mil para matar. Nós queremos investir na violência. Estamos investindo na violência. Isso custa até em nível econômico. Custa mais matar do que salvar. Isso é uma loucura!

Como gostaria de ver o trabalho da Casa do Menor ir avante quando o senhor não estiver mais aqui?

Eu estou virando velho. Então eu tenho que preparar o futuro. Eu, gostaria, primeiro, que continuasse. Segundo, que se espalhasse e crescesse.  E, terceiro, que nós pudéssemos manter esta alma, esta mística. Nós fazemos isso para os meninos porque eles são Jesus. Porque se não tivermos esta mística nos perdemos o entusiasmo, perdemos a gasolina, então perdemos aquilo que é nosso diferencial. Eu não gostaria que amanhã a Casa do Menor fosse uma ONG como tantas as outras. Mas a coisa mais séria é pessoas: pessoas vocacionadas. O amor não é uma profissão. O amor é uma vocação.

Drama atual

Hoje a realidade dos meninos não é mais tão visível como antes na rua, mas é mais dramática. Queria pedir aos padres nas paróquias de estarem atentos ao grito destes meninos que não vêm à Igreja, nós irmos procurá-los lá onde tem o narcotráfico, onde o tráfico está adotando estes nossos meninos, não ter medo, ir  até eles. Eu digo: não cadeia neles, família neles, amor neles, escola, casa, profissão, futuro. Aí que teremos um Brasil melhor.

Vida nova

Juan de Barros, 17 anos

Eu cheguei no dia 22 de abril de 2013 na Casa do Menor. Cheguei com o propósito de me recuperar… sair da vida errada em que eu estava. Minha vida era muito “correria”. Minha vida não era nada mais, nada menos, que aquela realidade que nós vemos aí na cidade, que é a agressividade, é o roubo, que é a prostituição, que é o tráfico. Então, a minha vida era baseada dentro disso. Eu vivia na ilusão.

Como é que foi a sua acolhida na Casa do Menor?

Quando eu cheguei, o propósito era de ficar três meses e sair. Tinha colocado no meu coração de ficar só três meses. Mas, conforme o cotidiano, o amor que eles passaram para mim, o carinho, a compreensão. Hoje eu falo isso com muita emoção que a Casa do Menor me ajudou muito. Fico e me sinto muito grato pelo o que eu tenho hoje,  o que eu sou: eu devo muito a eles.

Como é que você pretende passar isso que você recebeu adiante?

Pretendo passar da maneira que me passaram.  Por meio do amor, do carinho, da conversa, do diálogo. Não com violência, como está sendo hoje em dia no mundo. Lá fora, como existem muitas pessoas ruins, existem também muitas pessoas boas.

Rosana Agrícola da Silva, 29 anos

Três anos atrás, como era sua vida?

A minha vida sempre foi muito difícil. Nós vivemos numa área carente e desde quando eu nasci, minha mãe sempre foi alcoólatra. Eu sempre fui criada… não exatamente criada, mas vivendo com a proteção de Deus, cuidando dela, até que ela faleceu. Eu vivi uma vida meio complicada em casa com parentes, com drogas… Então, eu encontrei a Casa do Menor, que tem amigos, tem pessoas unidas, tem pessoas que falam sobre a mudança, o que a gente pode fazer pra mudar. Para mim foi inspirador e aí eu tive que entrar.

O “papel fundamental” do Papa Paulo VI nas independências

O “papel fundamental” do Papa Paulo VI nas independências
Capa do Diário de Notícias do regime de Salazar
Capa do Diário de Notícias do regime de Salazar

Quarenta e cinco anos após o histórico encontro no Vaticano do Papa Paulo VI e dos líderes dos movimentos de libertação de Angola, Agostinho Neto, de Cabo Verde e Guiné Bissau, Amílcar Cabral, de Moçambique, Marcelino dos Santos – único ainda vivo -, expoentes destes países reiteraram a guinada que a reunião proporcionou à luta pela independência, como afirmou Antônio Luvualu de Carvalho, da acadêmico da delegação de Angola.

“Sabemos que o regime Salazarista, quer queira, quer não, era suportado pela Igreja Católica e, portanto, o Papa Paulo VI teve um papel fundamental para fazer uma diplomacia da paz para que se chegasse à uma consciência positiva de que, de fato, os países africanos de língua oficial portuguesa – e todos os países africanos – deveriam ser independentes em uma altura muito difícil do mundo”.

Após o encontro, o Papa Paulo VI deu a cada um dos líderes dos movimentos de independência uma cópia da encíclica Populorum Progressio – Desenvolvimento dos Povos em tradução livre para o português. Logo nas primeiras linhas o texto abordava a relação entre colonizadores e colônias.

Descolonização

“Sem dúvida, deve reconhecer-se que as potências colonizadoras se deixaram levar muitas vezes pelo próprio interesse, pelo poder ou pela glória, e a sua partida deixou, em alguns casos, uma situação econômica vulnerável”.

Fátima Viejas, representante do Gabinete Cidadania e Sociedade do MPLA de Angola destaca a mensagem da encíclica na época da independência que continua atual.

“A encíclica era um sinal de esperança, de que as pessoas deveriam viver em paz, sinal de respeito para com a pessoa humana e, ao mesmo tempo, de que cada um tem o direito de ter o mínimo de dignidade de vida, do bem estar, do direito à casa, do direito à educação, ao desenvolvimento, que era um dos conceitos bastante vincados na encíclica”.

O futuro

Livre tránsito entre os cidadãos da CPLP é meta da atual diretoria
Livre tránsito entre os cidadãos da CPLP é meta da atual diretoria

O secretário geral da CPLP, Murade Murargy, participou da Conferência no Vaticano. Ele destacou a influência do pensamento de Paulo VI na criação da Comunidade. Contudo, enumera os principais desafios a serem superados para que a CPLP faça, concretamente, parte da vida dos cidadãos.

“No dia em que para circular no espaço da CPLP não precisar mais de visto, então as pessoas vão dizer: a CPLP existe. Enquanto tu, como estudante da Guiné Bissau, disser, eu posso me matricular na universidade em Moçambique, quando eu estiver doente, eu posso me tratar no Brasil, quando eu puder fazer negócios no país que eu quiser, poder circular como desportista…Enquanto isso não acontecer, as pessoas não vão sentir de fato que a CPLP existe”.

RB/DW/Vaticano

Não se pode ridicularizar a fé, diz Francisco

Não se pode ridicularizar a fé, diz Francisco

Durante quase uma hora o Papa respondeu às perguntas dos jornalistas presentes no voo entre Colombo e Manila, nesta quinta-feira (15/01). Na primeira parte da coletiva, Francisco falou sobre a sua próxima encíclica, que deverá ser publicada entre junho e julho, e abordará o tema da Ecologia.

“No final de março devo concluir. Aí mandarei para as traduções. Se tudo correr bem, no meio do ano será publicada. Gostaria que fosse publicada antes da Conferência sobre o clima de Paris em dezembro deste ano, já que a Conferência do Peru me desiludiu”, disse Francisco referindo-se “a uma falta de coragem dos líderes mundiais em tomar uma atitude corajosa para reverter os efeitos das mudanças climáticas” na conferência da ONU em Lima, no final do ano passado.

Amazônia pulmão do mundo

Francisco citou sua experiência como relator final do Documento da Conferência de Aparecida como ponto de referência para entender uma questão essencial quando se fala em mudança climática: a preservação das florestas.

“Em grande parte é o homem que golpeia a natureza continuamente. Se você a golpeia, ela também te golpeia. Acredito que abusamos demais da natureza. Desmatamentos, por exemplo. Recordo de Aparecida, em 2007. Naquele tempo não entendia bem este problema. Quando ouvia os bispos brasileiros falarem do desmatamento da Amazônia, não entendia bem, mas a Amazônia é o pulmão do mundo”, lembrou o Papa.

Papa durante coletiva de imprensa no voo papal
Papa durante coletiva de imprensa no voo papal

Pobres no centro da viagem às Filipinas

Sobre a segunda etapa desta 7ª Viagem Apostólica, a ser cumprida nas Filipinas, o Papa não hesitou quando questionado sobre o objetivo principal de sua missão: os mais necessitados.

“Os pobres que querem ir adiante, os pobres que sofreram com o tufão Yolanda e que ainda hoje sofrem as consequências. Os pobres que têm fé e esperança na comemoração dos 500 anos da primeira pregação do Evangelho nas Filipinas. Também os pobres abusados que afrontam tantas injustiças sociais, espirituais e existenciais”, refletiu Francisco.

Aberração

Papa durante a coletiva no aviãoAo entrar no tema da liberdade de religião e da liberdade de expressão, Francisco pediu para que se falasse sem temores ao jornalista que introduziu a questão. “Você é francês?”, perguntou Francisco. “Falemos claramente, vamos a Paris”. E prosseguiu: “Não se pode ofender, fazer guerra e matar em nome da própria religião, ou seja, em nome de Deus. Isso é uma aberração. Matar em nome de Deus é uma aberração. Acredito que este seja o ponto principal sobre a liberdade de religião: com liberdade, sem ofender e sem impor e matar”, advertiu o Papa.

Sobre o limiar que separa a liberdade de expressão do bom senso, Francisco defendeu a fé, afirmando que todas as religiões devem ser respeitadas.

“Temos a obrigação de falar abertamente, temos esta liberdade. Mas sem ofender. Não se pode provocar, não se pode insultar a fé dos outros, não se pode ridicularizar a fé”, conclui o Papa.

Especial para a Rádio Vaticano