Com visita ao papa, Hollande busca se aproximar de eleitorado católico

Com visita ao papa, Hollande busca se aproximar de eleitorado católico

Os dois Franciscos: o papa recebe François Hollande no Vaticano, nesta sexta-feira (24/01).

Os dois Franciscos: o papa recebe François Hollande no Vaticano, nesta sexta-feira (24/01).

REUTERS/Alessandro Bianchi
Ainda envolto nas especulações sobre seu caso amoroso com uma atriz e a crise conjugal com sua companheira Valérie Trierweiller, o presidente francês, François Hollande, foi recebido nesta sexta-feira (24/01), no Vaticano, pelo papa Francisco. Horas antes do encontro, de noite, uma bomba caseira explodiu perto de uma igreja francesa em Roma. Segundo a polícia, a explosão provocou danos em um prédio e em cinco carros estacionados. O ataque não foi reivindicado.

A imprensa italiana, segundo o correspondente da RFI em Roma, Rafael Belincanta, diz que Hollande vem a Roma tentar uma reconciliação com os eleitores católicos franceses, cada vez mais hostis às suas políticas, que incluem o casamento gay, uma legislação para tornar o aborto menos restritivo e discussão sobre a eutanásia terapêutica.

Poucos dias antes, no tradicional discurso de início de ano aos embaixadores, o papa Francisco disse que “provocava horror somente o pensamento de que existam crianças que jamais poderão ver a luz, vítimas do aborto”. Na semana passada, o papa também mandava seu apoio à “Marcha pela Vida” francesa. Na França, onde o aborto é legal desde 1981, foi aprovada recentemente uma legislação que diminui a burocracia para se conseguir a intervenção.

Em meia hora de encontro, Hollande e o papa também devem conversar sobre assuntos onde suas visões são mais convergentes, como o problema da imigração, a situação na África e a guerra na Síria.

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Em reta final de campanha, Berlusconi promete devolver impostos

Silvio Berlusconi volta à cena na Itália. Dessa vez, o ex-premiê pegou de surpresa até mesmo os correligionários ao prometer devolver impostos aos italianos. A menos de 20 dias da eleição, a estratégia de Berlusconi atraiu a atenção da imprensa. Mas a oposição acusa Berlusconi de lançar apenas um factóide. O atual primeiro-ministro, Mario Monti, que também é candidato, disse nesta segunda-feira que essa promessa do ex-premiê era uma “simpática” tentativa de compra de votos. O correspondente da RFI na Itália, Rafael Belincanta, explica essa nova estratégia de Berlusconi.

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milanoberlusconi“Berlusconi tinha um ar de deboche no último domingo, em Milão, quando anunciou que – se voltasse a ser primeiro-ministro – sua primeira deliberação seria a abolição e restituição do IMU relativo a 2012, imposto semelhante ao IPTU no Brasil. A menos de 20 dias da eleição, a estratégia de Berlusconi rendeu minutos valiosos nos principais telejornais enquanto a oposição criticava a proposta. O primeiro-ministro Mario Monti, que também é candidato, disse nesta segunda-feira em uma Rádio de Roma que a proposta de Berlusconi poderia ser encarada como uma “simpática” tentativa de corrupção ao comprar o voto com o dinheiro dos próprios cidadãos.

Berlusconi e seu partido demonstram  desespero e partem para o tudo ou nada para tentar subir nas pesquisas de intenção de voto.  Chegou a dizer que removeria um outro imposto regional, não aumentaria o IVA, relativo ao ICMS brasileiro, e que para cumprir a promessa da restituição do IMU tributaria os cidadãos italianos que vivem na Suíça. Promessas eleitoreiras na visão da coalizão de centro-esquerda encabeçada pelo Partido Democrático, líder nas pesquisas, logo acima do Popolo della Libertà de Berlusconi. Ele que, aos 76 anos, afirmou que essa será sua “grande e última batalha eleitoral”.

Letícia, as urnas estarão abertas nos dias 23 e 24 de fevereiro. Aqui na Itália o voto não é obrigatório e os cidadãos devem votar nas cidades onde está registrada a residência. Em outras palavras, se um cidadão mora me Roma mas tem a residência em Milão, deve ir até Milão para votar. Esse fator deve fazer com que muitos votos em potencial deixem de ser contabilizados. Entretanto, principalmente entre os mais jovens, faixa etária que registra os maiores índices de desocupação, a adesão ao voto deve ser elevada.

Berlusconi aparece em segundo lugar, atrás de Bersani, de centro-esquerda. Logo abaixo, vem o primeiro-ministro Monti. Entretanto, o Movimento 5 Estrelas, de extrema esquerda, deve surpreender. Beppe Grillo, um dos fundadores do Movimento é um cômico que tem reunido multidões por onde passa na Itália na chamada Tsunami Tour. Grillo recentemente criticou um dos principais telejornais da Itália por não ter citado o candidato do Movimento nas eleições regionais. Grillo e seu movimento já tiveram importantes vitórias em outras eleições regionais e agora, pela primeira vez, vão poder medir a força de seus cabo-eleitorais em toda Itália”.

Política italiana: compreender o incompreensível

Áudio do comentário na RFI Português em 04.01.13

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A questão eleitoral aqui na Itália já é, por natureza, difícil de entender. E para quem está acostumado com o “voto direto” do presidencialismo de coalisão do Brasil,  fica ainda mais complicada. O sistema de governo na Itália é o parlamentarismo. Pela Constituição, os cidadãos tem o dever de votar, entretanto, para quem não vota as sanções nem sempre vêm aplicadas. Além da figura do Primeiro Ministro, nomeadamente Presidente do Conselho dos Ministros, existe também o Presidente da República Italiana, atualmente Giorgio Napolitano, que é escolhido pelo Parlamento, ou seja, a Câmara dos Deputados e o Senado.

Napolitano dissolveu o Parlamento em 22.12.12 quando o representante do partido de Berlusconi na Câmara dos Deputados, Angelino Alfano, disse que o Parlamento já não teria como dar a fiducia, ou seja, a confiança ao governo técnico de Monti – indicado por Napolitano um ano atrás – no auge da crise financeira italiana. Mario Monti, por sua vez, considerou o gesto um voto de desconfiança e pediu demissão. Contudo, Monti ainda é o Primeiro Ministro italiano, mas considerado como uscente, em saída.

Lista com os nomes e partidos durante as eleições.
Lista com os nomes e partidos durante as eleições.

Itália à deriva?

Seja Mario Monti, demissionário, que não foi eleito mas nomeado pelo Presidente para superar a crise financeira por meio de um governo técnico, seja a Câmara e o Senado dissolvidos, continuam a “governar” o País. É uma administração ordinária. Durante esse período não se aprovam novas leis. As decisões mais urgentes são tomadas somente  por meio de atos administrativos.

Eleições à vista

As próximas eleições estão marcadas para 24 e 25 de fevereiro. Essa data será, para mim, um marco pessoal. Pela primeira vez poderei votar como cidadão italiano. Ainda estou procurando entender se devo votar num partido, numa coalisão ou, simplesmente, não votar. Isso porque, apesar das urnas, é o Presidente que decide, com base na maioria eleita no Parlamento, quem será o Primeiro Ministro. O ato é para promover a governabilidade. Em síntese, o nome que encabeça o partido ou a coalisão mais votados pode vir a não ser o Primeiro Ministro.

Para além das minhas dúvidas e experiências pessoais, acredito que 2013 deva ser um marco histórico também para o País, que terá que decidir se se detém a velhas figuras ou dará chance a novos nomes, apesar do vácuo existente no cenário político italiano, carente de novos ímpetos. O Movimento Cinque Stelle (M5s), Movimento Cinco Estrelas, nasceu em 2009 e tem como mentor o cômico Beppe Grillo. Grillo – conhecido por não ter papas na língua – e seu novo movimento político conseguiram importantes vitórias em eleições municipais, principalmente na Sicília e na região da Emilia Romagna. Todavia, ainda está longe de cair nas graças do povo italiano.

A volta do nano

Daqui até as eleições viveremos um momento especulativo. Berlusconi retingiu os cabelos e voltou com tudo à cena política nos últimos dias. Participou de programas de rádio e tv. Não oficialmente, está também no Twitter. O ex-Primeiro Ministro disse que investir na rede social não foi uma iniciativa dele e sim de voluntários que apóiam a sua volta ao Palácio Chigi.

No cenário internacional essa reaparição de Berlusconi pode soar estranha, mas aqui na Itália não surpreende. Berlusconi ficou no poder por 20 anos e os reflexos desse período ainda podem ser sentidos, principalmente a influência que exerce por meio de seus canais de televisão, distribuidora de filmes, além de outra série de empreendimentos como, por exemplo, o Milan Futebol Clube, do qual é dono.

Dessa forma, apesar de todos os escândalos, Berlusconi parece ainda estar em jogo. E agora partiu para o ataque. O alvo: Mario Monti. Il nano diz que Mario Monti não pode ser candidato nas eleições por já ser senador vitalício. Monti, por sua vez, disse que deixa seu nome à disposição do futuro governo.

Como diz o célebre  Roberto Benigni,  “quando a Constituição entrar em vigor, ela será ótima”.

 

*update

Parece que Mario Monti vai mesmo concorrer. Acaba de chegar a informação de que apresentará seu novo partido nesta sexta-feira 04.01.13

Na FAO, José Graziano pede apoio de países para erradicar a fome

FOME/ ONU –
Artigo publicado em 03 de Janeiro de 2012 – Atualizado em 03 de Janeiro de 2012


O brasileiro José Graziano da Silva deu hoje sua primeira coletiva de imprensa depois de assumir a direção-geral da FAO.

O brasileiro José Graziano da Silva deu hoje sua primeira coletiva de imprensa depois de assumir a direção-geral da FAO.

REUTERS/Max Rossi

Discursando em inglês e espanhol, o novo diretor-geral da FAO, (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o brasileiro José Graziano da Silva, pediu hoje, em Roma, apoio da comunidade internacional para combater a fome no mundo. Graziano reuniu-se com os representantes dos países-membros e convidou todos a uma reaproximação para ajudar a agência.

Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma

“Eu pedi um apoio adicional (aos países-membros) nesse primeiro semestre, para levarmos adiante a reforma da FAO, torná-la mais eficiente e poupar recursos da burocracia e poder ter uma atuação mais forte, mais presente, nos países”, afirmou hoje, em sua primeira entrevista coletiva depois que assumiu o cargo, no domingo.

Esse apoio é fundamental neste período no qual as finanças da FAO não vão bem. O corte no orçamento da própria ONU também se fez sentir em Roma. Além disso, muitos países-membros estão em débito com a Organização. O maior doador, os Estados Unidos, retem recursos em Washington e defende a reforma da organização, após três mandatos consecutivos de 18 anos de seu antecessor, o senegalês Jacques Diouf.

Graziano reafirmou que pretende promover uma mudança de rota no combate à fome. Os países “do coração da África” e os do Chifre da África terão prioridade. Neste mês, ele vai à África para conhecer de perto a realidade dessas duas regiões. Ainda com metas voltadas aos países em desenvolvimento, o brasileiro pretende reforçar a cooperação sul-sul.

 

Ouça a entrevista de José Graziano concedida a nosso correspondente em Roma:

03/01/2012

 

“É um instrumento que nós vamos utilizar cada vez mais, para mobilizar não recursos financeiros, mas sobretudo técnicos. Alguns países do sul, que têm condições muito similares de alguns países africanos e asiáticos, apresentam um acúmulo de conhecimento”, argumentou o diretor-geral, citando os exemplos da Embrapa e do Inia, do Brasil e da Argentina.

Com a experiência de ter sido representante da FAO na América Latina, Graziano defendeu a descentralização da organização e anunciou que 2014 será o Ano Internacional da Agricultura Familiar. Ainda lembrou que, com a experiência no programa Fome Zero, executado quando era ministro-extraordinário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprendeu que não existe fórmula mágica para combater a fome. “É preciso investir em produção e consumo local”, argumentou.

Graziano foi eleito diretor-geral da FAO em junho do ano passado e ficará no cargo até julho de 2015.