Entrevista: António Guterres

Entrevista: António Guterres

Dezembro de 2013: António Guterres, então Alto Comissário da ONU para os refugiados, concede entrevista após encontrar o papa Francisco.

A “globalização da indiferença” do papa é também “globalização da rejeição” para Guterres. Ele falou também sobre a Europa que fecha fronteiras aos refugiados, sobre os migrantes haitianos no Brasil e sobre o exemplo de Mandela (que morreu um dia antes da gravação da entrevista).

Papa Francisco e Alto Comissário da ONU discutem situação dos refugiados

Papa Francisco e Alto Comissário da ONU discutem situação dos refugiados

Link original com áudio

António Guterres foi recebido em audiência pelo Papa Francisco, esta sexta-feira (06.12), no Vaticano, onde discutiram os refugiados. Ambos expressaram ainda as suas condolências pela morte de Nelson Mandela.

Globalização da indiferença. De acordo com o Papa Francisco, é este o fator que tem provocado os milhares de mortes de imigrantes africanos e do Oriente Médio na travessia do Mediterrâneo em direção à Europa.

Quando esteve no centro dessas tragédias – a ilha italiana de Lampedusa – ,em julho, o Papa Francisco explicou as causas desse fenômeno, afirmando que “a cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: bonitas, sim, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório”. Para o Papa, “esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença”.

Papa Francisco celebra uma missa na ilha de Lampedusa

Para explicar o panorama atual dos fluxos migratórios, António Guterres fala em “mega-tendências”. “O crescimento da população, a urbanização, as alterações climáticas, a insegurança alimentar, a escassez de água, todas elas se vão combinando mais e mais, inter-influenciando mais e mais, num mundo que está cada vez mais pequeno, em que há limitações físicas ao crescimento económico, os desastres naturais são mais frequentes, mais intensos e com piores consequências humanitárias”, afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Guterres considera que “há uma aceleração da desertificação em várias zonas do mundo onde as pessoas não podem mais viver. Tudo isso faz com que cada vez mais haja gente obrigada a fugir para poder sobreviver”. “Eu diria que é mais que indiferença, diria que em muitos casos é rejeição”, conclui.

Lampedusa no centro da tragédia

Na sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2014, num texto publicado em a 4 de agosto, portanto, depois sua visita à Ilha de Lampedusa, o Papa Francisco escreveu: “Os migrantes e refugiados não são peões no tabuleiro de xadrez da humanidade” e “os fluxos migratórios contemporâneos são o maior movimento de pessoas, se não de povos, de todos os tempos”.

Dois meses mais tarde, a ilha de Lampedusa voltava às manchetes internacionais. Outros 300 imigrantes mortos no enésimo naufrágio. Naquela manhã de 3 de outubro, o Papa Francisco voltava a pronunciar-se: “Não posso deixar de recordar com profunda dor as numerosas vítimas do último, trágico, naufrágio ocorrido hoje ao largo de Lampedusa. Vem-me a palavra vergonha. É uma vergonha”.

Essa austeridade no bloqueio das fronteiras da União Europeia aos refugiados africanos e o Oriente Médio é criticada por Guterres, que afirma que “é trágico que uma família Síria que já sofreu enormemente com uma guerra devastadora tenha que se colocar na mão de traficantes e contrabandistas para poder chegar à Europa. Só isso é uma tragédia e só isso demonstra que algo está fundamentalmente errado nos movimentos de população”.

Para Guterres, “ainda é mais trágico que alguns tenham dificuldades em chegar à fronteira e que até haja situações de retorno forçado por parte de alguns países europeus“.

Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres

O retorno voluntário dos somalis no Quénia?

Situação de preocupação também no Quénia, onde vivem mais de 500 mil refugiados somalis, muitos dos quais forçados a deixar os campos de refugiados. Em busca de uma solução pacífica, a agência da ONU para os refugiados, o ACNUR, estabeleceu acordos com os governos queniano e somali para incentivar o retorno voluntário.

“O regresso voluntário será condicionado pelas dificuldades que ainda existem na Somália. Tenho esperança que com os acordos isso possa ser feito de uma forma gradual e voluntária, no respeito da dignidade e segurança das pessoas”, afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Papa Francisco e António Guterres lamentam morte de Mandela

Também esta sexta-feira, num telegrama enviado ao presidente sul-africano, Jacob Zuma, o Papa Francisco expressou as suas condolências pela morte de Nelson Mandela. “Soube com tristeza da sua morte”, afirmou. “Louvo o firme compromisso demonstrado por Nelson Mandela: promover a dignidade humana de todos os cidadãos da Nação e forjar uma nova África do Sul, construída sobre os alicerces firmes da não violência, da não agressão e da verdade. Rezo para que o exemplo do ex-presidente inspire as gerações da África do Sul a colocar a justiça e o bem comum no topo das suas aspirações políticas”, foram as palavras do Papa Francisco

António Guterres comentou também o legado de Nelson Mandela, falecido esta quinta-feira (05.12), considerando que “é um símbolo dos valores de tolerância, no caso dele, mais do que tolerância, de perdão. De estender à mão a quem o tinha preso, a quem o tinha maltratado, a quem tinha sacrificado o seu próprio povo e, de fato, um homem com uma visão extraordinária de compreender que é no perdão e na reconciliação que é possível construir o futuro. Se esse exemplo pudesse ser seguindo em tantos outros países do mundo não viveríamos a tragédia que estamos a viver”.

Vivendo em tenda no Líbano, refugiado sírio vende frutas para sobreviver

Vivendo em tenda no Líbano, refugiado sírio vende frutas para sobreviver

Confira o depoimento de Majed Hamadi, que fugiu da guerra civil em seu país

CliqRefugiado sírio enfrenta drama para sobreviver em outro paísue no link para iniciar o vídeo
Refugiado sírio enfrenta drama para sobreviver em outro país
  • Rafael Belincanta
  • Direto de Beirute

Majed Hamadi vive em uma tenda em um terreno próximo à fronteira libanesa desde que fugiu da Síria. Tem 31 anos e quatro filhos. Os menores ficam com a mãe, na tenda. Os outros dois frequentam as aulas de uma ONG que ajuda os filhos dos refugiados sírios. Seus outros 14 irmãos também vivem no mesmo terreno.

A tenda recebeu uma nova moradora nas últimas semanas: sua cunhada, que fugiu de uma cidade ao norte de Damasco. Pagou US$ 500 para atravessar a fronteira ilegalmente. Sem documentos, Majed não pode ser cadastrado como refugiado para receber ajuda internacional. Ele conta que, para sobreviver, trabalha em uma pequena plantação de frutas e verduras. Cinco vezes por semana recolhe a pequena produção para vender nas ruas.

Quando pergunto se ele pensa no futuro, a resposta é seca. “Vivo um dia de cada vez. Sem planos para o futuro”, diz. E quando falamos de seu país, se espera retornar, sem dúvidas responde: “Sim. Síria”.

VEJA FOTOS DE MAJED HAMADI E SUA FAMÍLIA
 Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
 Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
 Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
 Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
 Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

ONU se prepara para aumento do fluxo de refugiados sírios no Líbano

ONU se prepara para aumento do fluxo de refugiados sírios no Líbano

Por dia, 3 mil sírios cruzam a fronteira e entram no Líbano; a expectativa é que, ao final de 2013, 1 a cada 4 habitantes do país seja um refugiado sírio

Família síria preenche cadastro em Beirute para ter direito a receber ajuda internacional Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Família síria preenche cadastro em Beirute para ter direito a receber ajuda internacional
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
  • Rafael Belincanta
  • Direto de Beirute

Com metade do tamanho de Sergipe, menor Estado brasileiro, o Líbano se estende do Mediterrâneo até as montanhas que delimitam a fronteira com a Síria, a Leste, e ao sul com Israel. É casa de 4 milhões de habitantes. Mas número que vem aumentando dia a dia, resultado do êxodo dos sírios em direção ao país vizinho.

A agência das Nações Unidas para os refugiados, Acnur, tem registro de mais de 700 mil refugiados sírios em três centros de referência no Líbano. Além da capital, Beirute, os sírios podem inscrever-se em Zahle, no Vale do Beqaa, e em duas representações, no sul e no norte do país. Uma vez cadastrados, podem receber auxílio para alimentação, escola e abrigo. Atualmente, em todos os centros, cerca de 3 mil refugiados são cadastrados por dia.

A porta-voz do Acnur no Líbano, Roberta Russo, disse ao Terra que estes números devem subir ainda mais caso haja uma intervenção militar na Síria. “Estamos nos preparando para um provável grande êxodo de refugiados em direção ao Líbano. Estamos montando centros de recepção na fronteira para explicar aos refugiados qual a situação do país” (confira a entrevista na íntegra no vídeo abaixo).

Líbano se prepara para grande fluxo de refugiados da SíriaClique no link para iniciar o vídeo
Líbano se prepara para grande fluxo de refugiados da Síria

Experiência palestina

Ao contrário dos governos da Jordânia e da Turquia, no Líbano não houve autorização para a criação de grandes campos de refugiados para os sírios, concentrando-os portanto em um só local para facilitar o atendimento humanitário. A frágil aliança que há mais de um ano tenta dar um governo ao Líbano alegou que a eventual criação destes campos reviveria uma amarga lembrança: em 1948, data da criação do Estado de Israel, colonos palestinos chegaram ao Líbano, estabeleceram-se em campos de refugiados e nunca mais deixaram o território libanês.

Em alguns destes acampamentos palestinos ainda hoje é necessária uma premissão de acesso até mesmo para as autoridades libanesas. Essa autonomia velada equipara os territórios palestinos do Líbano à Faixa de Gaza e à Cisjordânia.

Criança brinca enquanto família é cadastrada como refugiados da Síria Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Criança brinca enquanto família é cadastrada como refugiados da Síria
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

Situação de emergência
Russo reconhece os esforços do governo libanês em não fechar as fronteiras aos refugiados, porém lamenta a falta de autorização para estabelecer campos de refugiados oficiais. “O governo sabe dos limites de infraestrutura para receber os refugiados e tem pedido suporte financeiro à comunidade internacional, contudo, a falta de verbas é uma realidade que afeta todos os envolvidos na emergência”.

Estado de emergência que não tem data para terminar. Mesmo com um eventual fim do conflito, as consequências dos deslocamentos serão sentidas ainda por muitos anos, afirma a porta-voz do Acnur.

Com certeza os refugiados não conseguirão voltar para casa em um futuro próximo, por isso temos que garantir a permanência deles até que existam condições para um possível retorno. É importante lembrar que o maior desejo de um refugiado é voltar para casa. Ninguém é um refugiado por escolha, eles são obrigados a deixar o seu país, vemos famílias separadas, então o que eles mais querem é voltar para casa mas isso num futuro próximo não será possível”.

Refugiado no Líbano, padre denuncia cruzada contra cristãos na Síria

Refugiado no Líbano, padre denuncia cruzada contra cristãos na Síria

http://noticias.terra.com.br/mundo/disturbios-no-mundo-arabe/refugiado-no-libano-padre-denuncia-cruzada-contra-cristaos-na-siria,fc0f31d880c21410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

Na cidade libanesa de Zahle, o religioso Nader Jbail usa uma rádio para confortar irmãos de fé, obrigados a sair do país em função do conflito

Rafael Belincanta
Direto de Beirute

R.K, 37 anos, é uma cristã que vivia em Homs, cidade ao norte de Damasco, palco do início dos conflitos na Síria. Ela fugiu para o Líbano com os filhos depois de ter sua casa invadida, saqueada e praticamente destruída pelos rebeldes. Rebeldes que, segundo ela, usavam bombas e metralhadoras, e eram na maioria estrangeiros  (confira seu relato no vídeo).

Refugiada síria relata ataque contra cristãos em HomsClique no link para iniciar o vídeo
Refugiada síria relata ataque contra cristãos em Homs

“Aquilo que se fala é uma coisa, aquilo que eu vi em Homs é outra. Vimos tudo diante dos nossos olhos. Manifestações, gritos de ordem contra o regime, ataques contra as nossas casas, ataque contra os cristãos, queriam que todos os cristãos e os alauítas (grupo muçulmano do presidente Assad, minoria na Síria) fossem embora da Síria. Aqueles que retornaram às nossas casas para pegar alguns pertencem foram mortos, homens e mulheres”, diz.

O padre Nader Jbail, cristão ortodoxo nascido em Damasco, usa uma rádio local para confortar os irmãos de fé Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
O padre Nader Jbail, cristão ortodoxo nascido em Damasco, usa uma rádio local para confortar os irmãos de fé
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

“Existe um plano para expulsar todos os cristãos para islamizar todo o Oriente Médio”, defende o padre Nader Jbail, cristão ortodoxo nascido em Damasco. OTerra encontrou o padre Nader um dia após seu retorno da capital síria, onde mantém contatos e vai visitar a família. “São três os pontos principais cujas consequências estamos vivendo aqui. O primeiro: petróleo e gás; segundo: os cristãos devem deixar o Oriente Médio; terceiro: a linha vermelha de Israel. Para o primeiro e o terceiro, encontra-se sempre uma solução. E para os cristãos?”, questiona.

Estátua de Nossa Senhora, em Zahle Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Estátua de Nossa Senhora, em Zahle
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

A cidade de Zahle, no Líbano, é o último reduto cristão antes da fronteira com a Síria. A diferença entre as religiões se vê na disposição da cidade: de um lado estão os cristãos e, de outro, os muçulmanos. Lá, o padre Nader é diretor da emissora cristã Swat el Sama e usa as ondas de rádio para levar conforto aos refugiados cristãos, sem dar notícias de conflitos ou ataques.  Entretanto, padre Nader testemunhou muitos ataques pessoalmente, além de ouvir os relatos dos refugiados.

Mesquita da cidade de Zahle, no Líbano Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Mesquita da cidade de Zahle, no Líbano
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

“Ultimamente os rebeldes muçulmanos não têm concentrado os ataques contra locais do governo, contra exército sírio. O que existe é uma verdadeira cruzada contra os cristãos. Basta ver um dos últimos, quando a cidade de Maalula foi assediada, simplesmente por ser um reduto cristão”, diz.

Dois meses de fome declarada: um balanço do WFP

Dois meses de fome declarada: um balanço do WFP

Dois meses depois da declaração de fome no Chifre da África, o Programa Mundial de Alimentação (PAM), responsável pela distribuição de alimentos nos campos de refugiados, onde atualmente vivem milhares de pessoas, continua seus esforços para acabar com a fome. A Coordenadora de Comunicações da Organização das Nações Unidas falou com exclusividade para a Deutsche Welle.

Emília Casella
Desde primeiro de julho, quando a fome foi declarada na Somalia,  milhares de pessoas continuam a chegar todos os dias aos campos de refugiados instalados na região. As crianças são as maiores vítimas da seca e as que precisam de maiores cuidados. Emília Casella, Coordenadora de Comunicação do Programa Mundial de Alimentos, explica o que acontece quando as famílias chegam aos campos.
“Por exemplo, quando uma família chega ao campo de refugiados de Dadaab, ela é registrada pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados. Depois disso, a família recebe alimentos para três semanas, assim como biscoitos com alto valor nutritivo que podem ser comidos na hora”.

Então por três semanas as famílias tem o que comer?

“Sim. E se elas precisarem de mais comida ou se o processo de registro demorar demais eles recebem uma nova porção de alimentos”.

Então as famílias podem ficar nos campos por mais de três semanas?
“Por causa do grande número de refugiados que chegam a Dadaab, como nós vimos as notícias de que 1.300 pessoas estavam chegando todos os dias, e isso continua acontecendo, existe uma grande pressão sobre o sistema de registros. Juntos, os campos de Dadaab formam o maior campo de refugiados hoje no mundo. Então, quando as famílias são oficialmente registradas, elas ganham um cartão para retirar alimentos todos os meses”.

 

O desafio é conseguir alimentos para os próximos seis meses. O Brasil fez sua parte, doou milho e feijão. O transporte foi pago pelos Estados Unidos, no valor de US$14,5 milhões. Os alimentos brasileiros devem chegar em setembro ao Chifre da África
Apesar de todos os esforços, os conflitos entre as milícias e o governo fizeram com que os alimentos deixassem de chegar a algumas áreas da região do Chifre da África.
“Em algumas dessas áreas, algumas organizações humanitárias foram banidas. Nós mesmos do Programa Mundial de Alimentos tivemos que sair do Sul da Somália em janeiro do ano passado por causa de ameaças contra nossos colaboradores. Sem falar nas taxas não-oficiais que quiseram nos impor e também que não empregássemos mulheres na nossa organização. Tudo isso, junto com a insegurança na região tornou nosso trabalho quase impossível. Desde 2008, o Programa Mundial de Alimentos teve 14 agentes mortos na Somália que, provavelmente é o lugar mais perigoso do mundo para se trabalhar”.

Não há previsão para que os trabalhos humanitários terminem no Corno da África. Contudo, Casella aponta para uma situação positiva nesse cenário de fome e falta de esperança no futuro.

“Nós estamos trabalhando em programas de irrigação, programa para um melhor aproveitamento dos recursos naturais. Assim, os agricultores podem se recuperar do choque da seca prolongada. Nós já estávamos desenvolvendo estes projetos antes que a fome fosse declarada. Fizemos isso na Etiópia, em partes do Quênia e Uganda e bem sabemos que nessas áreas a fome não foi declarada. Infelizmente, em algumas partes da Somália, nós não pudemos trabalhar junto com os agricultores do mesmo modo, de forma a ajuda-los a melhorar as técnicas e aumentar a produtividade. E por causa disso, a situação na Somália piorou”.

RB ROMA DW 08-31-11 
The interview’s transcription.
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Which kind of difficulties WFP has been facing on the food distribution in HOA?
I think the first challenge we have face is simply raise enough money to feed 11 million people, more than 11 million people for the coming 6 months. Our program is aiming to feed people in 5 countries of the HOA: Kenya, Ethiopia, Somalia, Uganda and Gjibuti. So, it’s a large logistic operation to reach more than 11 million people in 5 countries through a vast area and acquiring food from many parts of the world to bring it to one place. So, these are the biggest challenges we’ve been facing so far. Individually, in certain areas the challenge have been the large influx of people. We are helping, for example, in refugee camps on the board with Ethiopia and also near the boarder inside Kenya, there’s a large camp called Dadaab, its a series of camps in Kenya, actually the largest in the world, almost half million of people are living there, are mostly somalis, and we have a large influx of people arriving to that camp everyday, more than a thousand people. It’s a huge challenge, not just for our organization, but also for UNHCR and all of the charities that are working there trying to provide food, water, medical attention to all of the people arriving.
What about the milicias?
The important thing to realize is that’s a huge challenge in Somalia and Somalia is a country that has been for 2 decades now in a lot of security volatility situation. This drought is affecting people all over the HOA in 5 countries, so I think it’s important that people not forget that this is really affection millions of people in a vast area. Specifically in Somalia, in the Southern areas, there has been difficulties for humanitarian organizations to reach people. In some of these areas some humanitarian organizations have been banned, our own organization polled out of Southern Somalia in january of 2010 because the treats against our staff and the demands to pay unofficial taxes and demands that we employe no women in our organization and, combined these treats and the volatility of area made it very difficult to us to work. WFP has lost 14 staff members since 2008. It’s a very dangerous place to work, probably the most dangerous place in the world. So, this is a challenge, but never the last. WFP is in Somalia we are working in the North and the Central areas, in Mogadiscio and we are doing our best to support the humanitarian effort in whatever areas of the country that where people can be reached.
Is WFP responsible on food distribution at refugee camps?
Yes, for the refugee camps, the ones that are in neighbor countries to Somalia we do supply the food, but it is distributed together with charitable organizations, and also the UNHCR which administers refugee camps. So, it’s a combined effort between a lot of different organizations. But WFP is providing the food, bringing tens of thousands of tons of food to the camps and also the local communities near the camps, the citizens who live in the areas, badly affected by the drought, the lost livestocks, the lost their crops, and they need food assistance too.
Which’s the role of partner organizations?
We couldn’t work without our partner organizations. Not only in the HOA but all over the world. WFP works together with 3.000 NGO’s in the 75 countries that we work worldwide.
Our own organization has about 12.000 employes, more than 90% of then in the field. But that’s only 12.000 people and we are feeding more than 9 million people every year in 75 countries. So we have to work with partner organizations. We delivery the food to the locations and then we work together with local non-governmental organizations, community groups, the red cross and the red crescent, and also even governments that work together with us to distribute the food to the populations.
When the work will end?
We can’t stop droughts. There always going to be, if not in the HOA, elsewhere is gonna be drought. What we can stop is famine. It think that famine is a preventable situation and we are working in fact in countries all over the world, including in the HOA, on sustainable solutions so that farmers can protect their crops and their livestock. We are working in programs for irrigation, programs for better use of resources, so farmers can bounce back from these kind of shocks and, in fact, we’ve already been doing programs in Ethiopia, parts of Kenya, parts of Uganda, and you notice that this areas do not have the famine declaration that has been made in Somalia. Unfortunately, in areas of Somalia we’ve not been able to work with farmers the same way to help then to improve the farmer techniques and improve their productivity. And because of that we really feel this has made the situation in Somalia worst. Where we’ve worked together with the Ethiopian government, the Kenyan government, with the Uganda government on programs designed to help their farmers to be ready when a shock of a drought comes and they still badly affected but they have unreached the famine levels that we see in Somalia. So, its very difficult to say that when we are going to end hunger once for all in the world. The natural disasters? We don’t the ability to stop floods, or droughts or earthquakes or wars, at least our own organization. But we can help people to protect themselves from disasters.
When a family get into the refugee camp what happens there?
For example, when a family arrives to Dadaab camp, in Kenya, they will be registered by UNHCR. Before that process, these people will receive three-week ration of food, as well as a special one-day ration of high energy biscuit fortified with vitamins and minerals. These biscuits don’t have to be cook, so they can eat them right away.
So for 3 weeks they have food?
Yes. And if they need more food or if the registration process takes longer than three weeks then they will receive a renewed ration of food again.
So, they can stay for more than 3 weeks?
Because of the huge in-flux of refugees to Dadaab, we’ve seen reports of 1.300 people arriving a day and this is going on now. So this level of in-flux people is a huge pressure on the registration system for any one camp. Dadaab camps together are the largest refugge camp in the world, so registration can take some time. When they are officially registered as refugees they have a ration card and they get the regular monthly distribution.