Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

A Presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini, inicia na próxima quinta-feira uma viagem à Argentina, ao Chile e ao Brasil no âmbito do Ano da Itália na América Latina. Ela adiantou que, em Buenos Aires o foco será no direito das mulheres, no Chile, a educação e no Brasil, as conquistas sociais e o marco civil da Internet – que Boldrini considera pioneiro e poderia inspirar uma lei italiana similar.

“Temos o objetivo de ter essa ‘Constituição para a Internet’: os princípios e direitos de quem está na Internet. Porque não é verdade que tudo seja livre e gratuito. Quem está na Internet às vezes não sabe que os próprios dados são usados em benefício de quem, depois, fatura sobre eles. Assim como é inaceitável que a violência seja tão difundida em detrimento das pessoas mais vulneráveis”.

Política social

Em Brasília, a presidente manterá um encontro com a ministra do desenvolvimento social no contexto da saída do Brasil do mapa da fome das Nações Unidas. Boldrini quer aprofundar o conhecimento dos programas sociais que permitiram a saída de milhões de brasileiros da miséria como, por exemplo, o bolsa família:

A presidente Boldrini
A presidente Boldrini

“Acredito que seja um dos programas que tenha tido êxito extraordinário. Milhões de pessoas superaram a fome e a pobreza e este é um tema crucial. Penso que temos muito o que aprender com o bolsa família. O encontro com a ministra que ajudou a desenvolver este projeto vai nos ajudar a entender como ele pode ser adaptado para outras realidades”.

Safari na favela

Ao tomar conhecimento dos novos “Safaris” nas favelas do Rio de Janeiro, nos quais turistas sobem os morros em jeeps para fotografar e invadir a privacidade dos moradores, Boldrini disse que – com o histórico de trabalho pelos direitos humanos – “sabe que esse comportamento é contra-produtivo e prejudicial”.

“Nós vamos visitar projetos nas favelas. Falaremos com quem trabalha, com quem conduz estas atividades, os beneficiários destes projetos para saber dos resultados que alcançaram”, explicou.

Papa Francisco

Na Argentina, Boldrini deverá participar de uma missa de ação de graças pela beatificação de Dom Oscar Romero, no sábado, na basílica que deu ao mundo o Papa Francisco. Ela fala porque o magistério do Papa deve ser aplicado na política.

“Papa Bergoglio está recolocando no centro das atenções de todos os potentes da Terra exigências de justiça social. Ele leva adiante uma batalha contra a corrupção, volta à atenção para a solidariedade e luta contra a ‘globalização da indiferença’. Acredito que, por todos estes motivos, a ação do Papa Francisco seja importante. Espero que a política saiba ler a mensagem que existe nesta sua obra porque estes temas são políticos. É importante que a política saiba redimir-se sobre estes temas e seja capaz de dar mais respostas às necessidades das pessoas”.

Boldrini: importante il richiamo del Papa alla solidarietà

La presidente della Camera, Laura Boldrini, visiterà da giovedì prossimo il Brasile, l’Argentina e il Cile. L’obiettivo è conoscere i progetti sociali in atto in questi paesi per combattere la miseria, per promuovere le donne e assicurare l’istruzione a tutti. Sabato 23 la Boldrini parteciperà, nella Cattedrale di Buenos Aires, alla messa di ringraziamento per la beatificazione dell’arcivescovo, Oscar Romero che sarà beatificato proprio quel giorno a San Salvador. Al microfono del collega Rafael Belincanta, la presidente della Camera ha espresso apprezzamento per l’azione che sta svolgendo Papa Francesco a favore di un nuovo ordine sociale. Sentiamo quanto ha detto:
“Papa Bergoglio sta riportando al centro dell’attenzione di tutti i potenti della Terra esigenze di giustizia sociale; fa una battaglia contro la corruzione, indirizza l’attenzione sulla solidarietà e lotta contro la globalizzazione dell’indifferenza. Io ritengo che per tutti questi motivi è importante l’azione di Papa Bergoglio e mi auguro che la politica sappia leggere il messaggio che c’è in questo suo operato, perché questi temi “sono” politici ed è importante che la politica sappia riscattarsi su questi temi e sappia essere maggiormente in grado di dare risposte ai bisogni delle persone”.

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Pizzolato teria transferido residência para Madri em 2010, diz deputada

A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou hoje que o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou hoje que o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada

Rafael Belincanta
Direto de Roma

A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno disse nesta segunda-feira que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, foragido após ser condenado no julgamento do mensalão, teria transferido sua residência em 2010 para Madri. Renata afirmou, durante uma coletiva aos jornalistas brasileiros em Roma, que recebeu informações sobre uma possível emissão de um passaporte italiano em nome de Pizzolato em Madri. Por lei, todo cidadão italiano deve declarar sua residência, mesmo vivendo fora da Itália – Pizzolato tem dupla cidadania.

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“Ainda não obtivemos respostas oficiais às nossas perguntas sobre o paradeiro de Henrique Pizzolato, sobre seu passaporte italiano e se realmente ele está na Itália”, apontou Renata, recém chegada do Brasil. Segundo ela, o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada.

As informações extraoficiais ainda dão conta de que Pizzolato estaria na companhia de sua mulher, Andrea Haas, que também teria cidadania italiana. “Não podemos permitir que o passaporte italiano seja usado para fins escusos”, ressaltou Renata Bueno, que foi eleita pelos cidadãos italianos que vivem na América do Sul.

A deputada citou ainda um esquema internacional com ramificações no Brasil e na Itália que estaria dando suporte financeiro para o foragido. A possibilidade de que interesses econômicos e políticos por detrás do sumiço de Pizzolato estivessem ditando os passos dos diplomatas brasileiros e italianos demonstra, segundo Renata, que as relações entre Brasil e Itália passam por um momento crítico, mas que os italianos estariam dispostos a rever alguns acordos bilaterais.

“A Itália desengavetou, na quinta-feira passada, depois de cinco anos, por coincidência ou não, o tratado de transferência de condenados com o Brasil. Era justamente esta minha primeira proposição como deputada na Itália”, relembrou a deputada, que não refutou o papel de ser mediadora entre os dois governos.

“A Itália deu um sinal positivo ao aprovar o tratado. O Brasil, entretanto, ainda não fez nenhum movimento para ratificar este acordo e nem para pedir, oficialmente, uma posição a Roma sobre o paradeiro de Pizzolato”, afirmou. Questionada se o caso poderia terminar em “pizza”, Renata Bueno disse que não medirá esforços para que Pizzolato cumpra a pena no Brasil.

Governo da Itália despista sobre paradeiro de Pizzolato, que fugiu do País

Governo da Itália despista sobre paradeiro de Pizzolato, que fugiu do País

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/julgamento-do-mensalao/governo-da-italia-despista-sobre-paradeiro-de-pizzolato-que-fugiu-do-pais,9e3376c201672410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html

Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
Em Roma, as instâncias do governo italiano que deveriam dar informações sobre a provável entrada de Henrique Pizzolato em território italiano adotaram a prática do scarica barile ou seja, ninguém assume as responsabilidades sobre as informações oficiais do paradeiro do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil. Pizzolato foi condenado por envolvimento no esquema do mensalão, mas fugiu para a Itália em setembro com o objetivo de recorrer em liberdade.

 O Ministério das Relações Exteriores da Itália afirmou que o assunto cabe ao Ministério das Relações Internas – que, por sua vez, disse caber ao setor de Segurança Pública do mesmo Ministério. Por fim, nem mesmo o Ministério da Justiça quis se manifestar sobre Pizzolato.

Na terça-feira, a deputada ítalo-brasileira Renata Bueno encaminhou um pedido ao ministro Angelino Alfano para que o Ministério das Relações Interiores se posicione sobre a suposta presença de Henrique Pizzolato na Itália. Bueno pediu também informações sobre a última emissão de passaporte.

Renata Bueno está em Curitiba, onde se reuniu com uma comissão de advogados para acertar detalhes sobre a questão legal de Pizzolato. A deputada afirmou que espera uma resposta rápida por parte do Ministério das Relações Interiores.

“Antes de analisar possibilidades, precisamos ter a certeza de que Pizzolato se encontra na Itália”, disse Bueno, que na próxima segunda-feira retorna a Roma.

Itália: disparos em frente ao Parlamento

último programa para o Brasil 09h42 – 10h00 (Radio France International, a partir de 4′)

O início do novo governo na Itália foi marcado com o vermelho do sangue derramado em frente ao Parlamento. O vermelho – que na bandeira italiana representa as lutas travadas para unificar a Itália mais de 150 atrás – neste domingo foi tingido de desespero e falta de esperança.

Luigi Preiti: "Meu alvo eram os políticos".
Luigi Preiti: “Meu alvo eram os políticos”.

Os seis tiros disparados por Luigi Preiti não feriram somente os Carabinieri e a mulher grávida que passava por uma das principais ruas do comércio de Roma; atingiram todo um país que num domingo de sol pensava somente em desapegar-se da política que tanto vem calejando os italianos. Os disparos ecoaram por toda a península, foram também ouvidos dentro do Palácio da Presidência justamente no momento em que o novo primeiro-ministro jurava bem conduzir a Itália.

Na mesma hora, no Vaticano, o Papa fazia um apelo pela dignidade e segurança de todos os trabalhadores. Os policiais, símbolo mais visível da presença do Estado, não precisaram ouvir o Papa e rapidamente indignaram-se contra os políticos. Os políticos, como confessou o autor dos disparos, eram o alvo – mas na falta deles – decidiu desferir os tiros contra os trabalhadores, as forças de ordem, que faziam a segurança do Parlamento.

O estado de saúde de Giuseppe Giangrande, o carabiniere de 50 anos atingido no pescoço, é considerado grave. A região do Parlamento ganhará reforço na segurança já a partir desta segunda-feira (29/04) com medidas que preveêm o fechamento de ruas ao trânsito e monitoramento dos pedestres.

Luigi Preiti, 49 anos, autor dos disparos, é da Calábria, região com um dos mais altos índices de desemprego na Itália. Ele possuía munição suficiente para transformar o atentado em uma tragédia ainda maior. Durante o interrogatório, afirmou ter planejado tudo sozinho naquele que definiu como “um gesto surpreendente em um dia importante”. Nesta terça-feira, diante do juiz de investigações preliminares, deve ser reiterada a acusação de tentativa de homicídio. Os disparos de Luigi fizeram com que a Itália, em busca de uma redenção social, política e econômica, se deparasse novamente com o abismo que insiste em engolir as esperanças da população na forma de desemprego e falimento do Estado. 

Os tiros foram disparados em frente ao Parlamento. A posse acontecia no Palácio do morteallostatoPresidente da República, longe do gabinete do primeiro-ministro. Apesar da distância, os ecos dos disparos foram ouvidos no Quirinal, assim como a indignação dos Carabinieri. O jovem novo primeiro-ministro italiano Enrico Letta enfrenta seu primeiro revés antes mesmo de efetivamente assumir a presidência do Conselho dos Ministros.

Em 1998, Letta tornou-se o mais jovem ministro do país, aos 32 anos. Aos 46 anos, Enrico Letta está entre os mais jovens primeiros-ministros que a Itália já teve. É casado com uma jornalista do Corriere della Sera, jornal mais conhecido do país. Considerado de “esquerda-moderada”, Letta recebeu o encargo do presidente Napolitano com um único objetivo: unir o Parlamento e tirar a Itália da crise.

Letta vai passar pelo primeiro teste na tarde desta segunda-feira, quando o Parlamento dará a “Fiducia”, ou voto de confiança para que o primeiro-ministro inicie, de fato, a governar. No entanto, há quem diga que grande vencedor na composição do novo goverso seria Silvio Berlusconi. O vice-premiê, Angelino Alfano, é o braço direito de Berlusconi. Alfano também é Ministro das Relações Internas, cargo-chave e de grande influência no Conselho dos Ministros.