Entrevista: António Guterres

Entrevista: António Guterres

Dezembro de 2013: António Guterres, então Alto Comissário da ONU para os refugiados, concede entrevista após encontrar o papa Francisco.

A “globalização da indiferença” do papa é também “globalização da rejeição” para Guterres. Ele falou também sobre a Europa que fecha fronteiras aos refugiados, sobre os migrantes haitianos no Brasil e sobre o exemplo de Mandela (que morreu um dia antes da gravação da entrevista).

Palestina obtém conquista na busca da soberania territorial

Palestina obtém conquista na busca da soberania territorial

O anúncio desta terça-feira (06/01), do Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, de que a Palestina obteve adesão ao Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, na Holanda – e também a outras 16 convenções e tratados internacionais – demonstra que os esforços da diplomacia árabe em obter o reconhecimento da soberania territorial da Palestina ainda em 2015 estão, aos poucos, sendo reconhecidos.

Israel

O Estado da Palestina passará a integrar o TPI a partir do dia 1º de abril e confirmou que apresentará uma ação retroativa contra Israel no TPI por alegados crimes cometidos pelas forças israelenses em Gaza em 2014. Aproximadamente 2,2 mil palestinos e 70 israelenses morreram durante o conflito que durou 50 dias e que terminou em agosto.

Conselho de Segurança

No entanto, a sessão do dia 30/12 do Conselho de Segurança da ONU, falhou em adotar um rascunho de uma resolução para que Israel, dentro de três anos, retire-se dos territórios Palestinos ocupados desde 1967 e para que as partes cheguem, dentro de um ano., a uma solução negociada para o conflito. Foram 8 votos a favor – Argentina, Chade, Chile, China, França, Jordânia, Luxemburgo e Rússia, um a menos do necessário para a aprovação. Estados Unidos e Austrália foram contrários.  Reino Unido, Nigéria, Coréia do Sul e Lituânia se abstiveram.

Riyad Mansour, observador permanente da Palestina na ONU, comentou a decisão do Conselho de Segurança. “Esta decisão não foi motivada por falta de tempo por parte da Palestina porque estamos trabalhando neste rascunho pelo menos há três meses. Não foi motivada pela falta de flexibilidade porque incluímos algumas sugestões da França e, nosso documento. Não foi tampouco por falta de responsabilidade, todavia alguns países ainda insistem em não reconhecer que abrimos as portas à paz através do Conselho de Segurança”, reiterou.

Estado Observador

A Assembleia das Nações Unidas reconheceu o Estado da Palestina como membro observador em 2012. Esta decisão permitiu que os diplomatas árabes pudessem apresentar a requisição de fazer parte de diversos tratados das Nações Unidas.

Durante a viagem do Papa à Terra Santa, em 2014, o Vaticano usou pela primeira vez a denominação "Estado da Palestina"
Durante a viagem do Papa à Terra Santa, em 2014, o Vaticano usou pela primeira vez a denominação “Estado da Palestina”

Santa Sé

Durante a Viagem Apostólica do Papa à Terra Santa, no ano passado, pela primeira vez os documentos oficiais da diplomacia vaticana referiram-se ao Estado da Palestina e a seu presidente. Na lista do Corpo Diplomático credenciado junto à Santa Sé, o Estado da Palestina pertence às “Missões de Caráter Especial”, com um embaixador extraordinário e plenipotenciário.

Unesco

Em 2011, em uma decisão histórica, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu a Palestina como membro pleno. Na época,  a admissão palestina desencadeou uma série de reações, inclusive o corte de repasses dos Estados Unidos à instituição, cuja sede está em Paris.

FAO alerta para relação entre especulação das commodities e preço dos alimentos

FAO alerta para relação entre especulação das commodities e preço dos alimentos

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Agência teme possíveis consequências nos mercados; Brasil deve ter comportamento diferenciado devido à maior dependência em relação às condições internas.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que os produtores de alimentos devem ficar atentos não somente aos índices do mercado mundial, mas também aos nacionais.

José Graziano da Silva falou, nesta sexta-feira, durante um encontro em Roma, que também teve a participação do presidente da República Dominicana, Leonel Fernández.

Diferenças

A FAO pede aos agricultores que sigam atentamente as indicações de preços, devido às grandes diferenças entre o que acontece nos mercados internacionais e em cada um dos países, principalmente nos produtores.

O diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, cita o milho como exemplo.

“Depois de três meses consecutivos (de queda) estamos detectando uma certa reação de preços que vem, basicamente, puxada pela elevação do preço do milho norte-americano, em função de uma quebra de safra dos rendimentos esperados da safra que está sendo colhida nos Estados Unidos.

Isso deve impactar outros mercados. O milho é como o petróleo, ele entra em toda a cadeia agro alimentar. Então, certamente, outros preços substitutos como o trigo e o arroz serão afetados, embora não haja quebra de safra destes outros produtos.”

Preços

Para Graziano, a volatilidade dos preços pode comprometer a produção e induzir os que enfrentam a insegurança alimentar para uma situação de fome.

Mas para os brasileiros, por exemplo, a FAO espera um comportamento diferenciado, devido à maior dependência das condições internas dos mercados internacionais.

Apesar da queda dos preços dos alimentos nos últimos meses, a agência observa que os valores continuam mais altos, se comparados com décadas anteriores.

Consequências

O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, expressou as consequências que a especulação pode ter nos mercados.

O presidente dominicano afirma que o aumento do preços dos itens básicos de consumo pode provocar uma inquietude na população. Leonel Fernández lembra que quando há especulação, os preços sobem e ao atingir altos níveis, os governos podem subsidiar e haver déficit fiscal.

Já o diretor da FAO, José Graziano da Silva, afirmou ainda que a agência precisa de um pouco mais de recursos para poder abarcar outros mercados, como o de estoques, físico e os mercados futuros.

Graziano elogia adoção diretrizes globais para questão da posse da terra

Graziano elogia adoção diretrizes globais para questão da posse da terra

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Orientações salientam reconhecimento e proteção para os direitos legítimos de posse; diretor-geral da FAO fala do impacto na especulação imobiliária.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

A aprovação de diretrizes sobre posse de terra foi considerada uma decisão histórica pelo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, José Graziano da Silva.

A decisão foi tomada, nesta sexta-feira, em Roma, pelo Comitê Mundial de Segurança Alimentar. Entre os oito pontos das diretrizes está o reconhecimento e proteção para os direitos legítimos de posse da terra, mesmo sendo informais.

Orientações

As orientações também preveem a melhoria nas práticas para registro e transferência da posse e do direito à posse das terras por parte das comunidades indígenas.

Falando logo após a aprovação das diretrizes, José Graziano da Silva frisou que estas devem estimular os legisladores a renovar as leis sobre a posse das terras.

Produção

“Sobretudo na América Latina, o Brasil inclusive, há uma grande valorização da agricultura e da produção de alimentos. Há uma grande preocupação no mundo com a segurança alimentar, no futuro, com o crescimento da população e das mudanças climáticas. E há duas regiões que têm terras férteis disponíveis para expandir a produção: América do Sul e África Central. Essas duas regiões estão submetidas a um processo de especulação imobiliária e de compra de terras por governos estrangeiros.”

Limites

Graziano indicou que “a compra de grandes áreas de terras por grupos estrangeiros”, um assunto recorrente no Brasil, terá salvaguardas por meio das diretrizes. Estas prevêem limites aos investimentos quando se trata de transferência da propriedade da terra.

Para a África, o diretor-geral da FAO disse que o problema é menor do que “a percepção que se tem do processo”.

A agência da ONU deve editar cartilhas que servirão como guias para os governos e entidades envolvidas na questão da posse da terra. As recomendações são voluntárias e foram estudadas nos últimos três anos.

*Com reportagem da Rádio Vaticano.

Demência: chaves para identificar a doença

Cerca de 36 milhões de pessoas no mundo sofrem com a demência. É o que revela um recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). A demência é uma doença no cérebro que provoca perda de memória e orientação que geralmente afeta pessoas com mais de 60 anos.

O assessor para Saúde Mental da Organização Pan-americana da Saúde (OPS), Jorge Rodríguez explica o que significa viver com essa doença.

“A demência é uma patologia. Às vezes, se confunde com os processos de envelhecimento que ocorrem de maneira normal, como parte do processo biológico da vida no qual a memória e possivelmente é o mais visível que as pessoas notam, contudo, a doença também afeta o pensamento, a conduta, as emoções.

Portanto, é preciso diferenciar a demência do processo natural de envelhecimento da pessoa. Mas como é possível identificar os sintomas, os sinais de alarme para a demência?

“Uma pessoa que passou dos 60 anos e que começa a apresentar esquecimentos, principalmente de fatos recentes. Somado a isso, ao mesmo tempo a pessoa pode apresentar confusão mental, perda parcial do sentido de orientação do tipo quem é, onde está e para onde vai. Tudo isso forma um quadro comportamental que pode parecer um pouco estranho, até mesmo bizarro”.

A demência não afeta somente a pessoa que padece mas também a família. Esse é um elemento chave para compreender a doença e saber como lidar com as situações que ela traz.

“Uma das linhas de trabalho das políticas nacionais com relação à demência na terceira idade é a educação da população. Especialmente para que se percebam os primeiros sintomas da demência e também, porque, assim que a doença é diagnosticada a proteção e o cuidado da família passam a ser essenciais”.

A demência requer cuidados desde o início mas a partir do momento em que a doença evolui, eles passam a ser ainda mais específicos.

“Além dos cuidados com as refeições, que devem ser feitas nos horários determinados, é preciso tomar cuidado para que a pessoa não se perca e, ao sair de casa, esteja sempre acompanhada. Além disso, é preciso evitar toda e qualquer situação de risco como fogo ou qualquer objeto que possa causar um acidente.

O relatório da OMS aponta ainda que os casos de demência estão em crescimento nos países desenvolvidos, onde a expectativa de vida é maior. Apesar disso, a América Latina, que tem uma expectativa de vida – em crescimento – na faixa dos 73 anos, também deve dar prioridade para a questão da demência.

“Políticas públicas e planos nacionais que se voltem à atenção e proteção da terceira idade com capítulos exclusivos que abordem a demência são alguns pontos que estamos impulsionando enquanto Organização Mundial da Saúde”.

RB/ONU/RV