Itália nega extradição e Pizzolato ganha liberdade

Itália nega extradição e Pizzolato ganha liberdade

Rafael Belincanta
Direto de Roma

Henrique Pizzolato-3

A Itália rejeitou o pedido de extradição do governo brasileiro para que Henrique Pizzolato cumpra pena no Brasil. O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil deixou a prisão em Módena no início da noite desta terça-feira. Os juízes decidiram que por Pizzolato ser cidadão italiano e estar com a saúde abalada não poderia descontar a pena no Brasil onde o cenário das prisões não é favorável.

Michele Gentiloni, advogado italiano contratado pelo Brasil para auxiliar os representantes da Procuradoria Geral da República, não quis comentar a decisão, porém adiantou que as motivações dos juízes serão publicadas dentro de 15 dias. O promotor da Procuradoria Geral da República, Eduardo Pelella, todavia falou com os jornalistas antes do início do julgamento, nesta manhã. “Independentemente de qual for a decisão, cabe recurso”.

A Corte Suprema, em Roma, deverá julgar em última instância o pedido de extradição de Pizzolato, o que deverá acontecer somente em 2015. No escritório do advogado de defesa de Pizzolato, Alessandro Sivelli, ninguém quis comentar a decisão.

A deputada ítalo-brasileira no parlamento italiano, Renata Bueno, disse que “aguarda novas informações sobre o caso para se pronunciar, contudo reiterou sua posição favorável à extradição”.

Henrique Pizzolato, 61 anos, chegou à Corte de Apelação de Bolonha, no norte da Itália, por volta das 10h30 desta terça-feira para a segunda audiência do processo de extradição requerido pelas autoridades brasileiras. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.

A primeira audiência na Corte de Apelação de Bolonha aconteceu em 5 de junho. Naquela oportunidade, os juízes decidiram adiar a decisão sobre a extradição porque não teriam recebido informações suficientes da justiça brasileira sobre as condições das prisões onde Pizzolato poderia descontar a sua pena no Brasil.

No início do ano, após a Interpol ter emitido um mandado internacional de prisão, a polícia italiana começou as buscas por Henrique Pizzolato. Poucas semanas depois, no dia 5 de fevereiro, o fugitivo acabou sendo preso em Maranello, no norte da Itália, na casa de um sobrinho, após viver ilegalmente na Europa com documentos do irmão falecido em 1978.

//

A decisão de não extraditar e libertar Henrique Pizzolato repercutiu imediatamente na imprensa brasileira e o trabalho dos correspondentes internacionais ganhou as manchetes.

pizzo

folha g1 estadao

Anúncios

Justiça italiana determina que Pizzolato continue preso

Justiça italiana determina que Pizzolato continue preso

Ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
Rafael Belincanta
  • Direto de Roma

A Justiça da Itália negou, nesta sexta-feira, o pedido de liberdade provisória para o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, preso na última quarta-feira em Maranello por participação no esquema que ficou conhecido como mensalão no Brasil. A Corte de Apelações de Bologna definiu ainda que Pizzolato continue detido em Modena.

O advogado de defesa de Pizzolato, Lorenzo Bergami, confirmou, em entrevista ao Terra, que somente ele, a mulher Andrea Haas Pizzolato e o sobrinho, Fernando Grando, podem visitar Henrique Pizzolato na prisão.

Não sabemos até quando ele ficará na prisão. Precisamos encontrar novos elementos para poder pedir a substituição da medida cautelar”, afirmou Bergami. O advogado, como já havia antecipado na quinta-feira, confirmou que seu cliente não deu consentimento para sua extradição ao Brasil.

“Ele se apresentou como cidadão brasileiro e italiano. Falou todo o tempo em italiano e reiterou que não quer ser extraditado”, acrescentou Bergami. A Justiça brasileira tem menos de 40 dias para apresentar os autos do pedido de extradição ao Ministério da Justiça italiano.

“De acordo com meu cliente, o processo no Brasil não foi administrado de maneira correta. Ele acredita que seja um processo de caratér político e reitera que não cometeu os crimes pelos quais foi condenado”, declarou Bergami  à agência italiana Ansa.  Esta é a razão explicada aos juízes da Corte de Apelação de Bolonha para a fuga de Henrique Pizzolato do Brasil. O advogado disse ainda que seu cliente “está muito sereno e tem muita confiança na justiça italiana”.

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/julgamento-do-mensalao/justica-italiana-nega-liberdade-provisoria-a-henrique-pizzolato,dfacc5a878c04410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

Advogado de Pizzolato diz que cliente não vai aceitar extradição

Advogado de Pizzolato diz que cliente não vai aceitar extradição

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, preso na Itália com documentos do irmão morto.

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, preso na Itália com documentos do irmão morto.

ebc.com.br

A primeira audiência de Henrique Pizzolato diante da Corte de Apelação de Bolonha deve ser marcada nos próximos dias, como explicou seu advogado, Lorenzo Bergami, em entrevista exclusiva à Rádio França Internacional. O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, era o único dos 25 condenados do processo do mensalão foragido no exterior.

“Ainda na sexta-feira ou no máximo na segunda, Pizzolato será convocado diante da Corte de Apelo para verificar sua identidade real e para seja feita uma simples pergunta: se ele aceita ou não ser extraditado para o Brasil”, explicou Bergami. “Caso aceite, o processo é concluído e ele será entregue às autoridades brasileiras”, acrescentou. Mas o advogado afirmou que seu cliente, na sua faculdade de cidadão italiano, já declarou que deseja ser julgado na Itália.

Henrique Pizzolato prefere ser julgado na Itália, diz advogado

06/02/2014

“Ele já disse que não pretende dar o consenso para a sua extradição”, disse Bergami. Segundo o advogado, nesse caso, a tramitação poderá se arrastar por semanas. “Se ele não aceitar a extradição, abre-se um processo no qual, em primeiro lugar, serão envolvidos os ministros da Justiça brasileiro e italiano”, explicou. “A Corte de Apelação de Bolonha, por sua vez, analisará os pedidos do ministério, para saber se existem os pressupostos para que Pizzolato seja extraditado”, concluiu.

Falsa identidade

Henrique Pizzolato, de 61 anos, que estava foragido desde novembro de 2013, foi detido na quarta-feira pela polícia italiana na cidade de Maranello. Entre os documentos encontrados, no momento da prisão, estavam um passaporte brasileiro e carteiras de identidade falsas, todos em nome Celso Pizzolato, irmão do ex-diretor de marketing do BB, morto há mais de 30 anos.

A condenação de 12 anos e 7 meses no Brasil é um grande argumento que pode ser usado pelas autoridades brasileiras. Contudo, em Roma, o Ministério da Justiça ainda não registrou nenhum pedido de extradição de Pizzolato por parte da Justiça brasileira. Enquanto a data de apresentação diante da Corte de Apelação não é estipulada, Henrique Pizzolato segue detido na “Casa Circondariale”, em Modena.

Polícia italiana se pronuncia esta manhã sobre a prisão de Pizzolato

Polícia italiana se pronuncia esta manhã sobre a prisão de Pizzolato

Henrique Pizzolato, de 61 anos, estava foragido desde novembro na Itália.

A polícia italiana vai se pronunciar oficialmente nesta quinta-feira (6) sobre a prisão do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. Condenado pela justiça brasileira por corrupção e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão, ele estava foragido desde novembro. Pizzolato, que tem cidadania italiana, foi preso ontem em Maranello, na casa de um sobrinho.

Com a colaboração de Rafael Belincanta, correspondente da RFI na Itália

As declarações da polícia italiana sobre a prisão de Henrique Pizzolato aos correspondentes brasileiros na Europa serão feitas na sede do comando central dos Carabinieri em Modena, onde o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil está preso. O coronel Carlo Carrozzo, responsável pela prisão do mensaleiro, não confirma se os jornalistas poderão falar com Pizzolato.

Esclarecimentos sobre fuga

Esta será a primeira chance, desde novembro do ano passado, para esclarecer as circunstâncias da fuga de Henrique Pizzolato do Brasil, entender como o condenado chegou à Itália e quais documentos realmente usou na viagem.

A deputada ítalo-brasileira do parlamento italiano, Renata Bueno, afirmou que pedirá às autoridades italianas que Pizzolato possa cumprir sua pena no Brasil, mesmo se a Itália não extradite seus próprios cidadãos. Por enquanto, Pizzolato segue à disposição da justiça italiana. O único crime cometido por ele na Itália é o uso de documentos falsos, brasileiros e italianos, com o nome de seu irmão Celso Pizzolato, morto em 1978.

Prisão

Henrique Pizzolato, único dos 25 condenados do processo do mensalão foragido, foi detido na manhã desta quarta-feira em Maranello, no norte da Itália. No momento da detenção, ele apresentou “um passaporte brasileiro falso e duas carteiras de identidade italianas, também falsas, em nome de seu irmão falecido”, informou a polícia.

Maranello, que abriga a fábrica e o museu da Ferrari, estava na lista dos locais vigiados pela Interpol, já que Fernando Grando, sobrinho do acusado que trabalha para a montadora, vive na cidade. Na manhã desta quarta-feira a polícia viu a mulher de Pizzolato aparecer na janela da residência do sobrinho e decidiu invadir a casa.

Pizzolato está detido no comando central da polícia de Modena, a cerca de 20 quilômetros de Maranello. O governo brasileiro já avisou que fará um pedido formal de extradição.

Governo da Itália despista sobre paradeiro de Pizzolato, que fugiu do País

Governo da Itália despista sobre paradeiro de Pizzolato, que fugiu do País

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/julgamento-do-mensalao/governo-da-italia-despista-sobre-paradeiro-de-pizzolato-que-fugiu-do-pais,9e3376c201672410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html

Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
Em Roma, as instâncias do governo italiano que deveriam dar informações sobre a provável entrada de Henrique Pizzolato em território italiano adotaram a prática do scarica barile ou seja, ninguém assume as responsabilidades sobre as informações oficiais do paradeiro do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil. Pizzolato foi condenado por envolvimento no esquema do mensalão, mas fugiu para a Itália em setembro com o objetivo de recorrer em liberdade.

 O Ministério das Relações Exteriores da Itália afirmou que o assunto cabe ao Ministério das Relações Internas – que, por sua vez, disse caber ao setor de Segurança Pública do mesmo Ministério. Por fim, nem mesmo o Ministério da Justiça quis se manifestar sobre Pizzolato.

Na terça-feira, a deputada ítalo-brasileira Renata Bueno encaminhou um pedido ao ministro Angelino Alfano para que o Ministério das Relações Interiores se posicione sobre a suposta presença de Henrique Pizzolato na Itália. Bueno pediu também informações sobre a última emissão de passaporte.

Renata Bueno está em Curitiba, onde se reuniu com uma comissão de advogados para acertar detalhes sobre a questão legal de Pizzolato. A deputada afirmou que espera uma resposta rápida por parte do Ministério das Relações Interiores.

“Antes de analisar possibilidades, precisamos ter a certeza de que Pizzolato se encontra na Itália”, disse Bueno, que na próxima segunda-feira retorna a Roma.