Cidadania italiana: acordo vai reduzir burocracia nos consulados italianos no Brasil

Cidadania italiana: acordo vai reduzir burocracia nos consulados italianos no Brasil

A recente adesão do Brasil ao Pacto de Haia, que extingue a legalização de documentos civis nacionais para processos no exterior, terá incidência direta sobre o tempo do processo de reconhecimento de cidadania nos consulados italianos no Brasil.

“A burocracia do processo vai cair em torno de 50%”, afirma a deputada no Parlamento italiano, Renata Bueno.

O prazo para a emissão da regulamentação brasileira do acordo é de 8 meses, e deverá entrar em vigor junto com a regulamentação internacional, a partir de julho de 2016.

Atualmente, em média, a espera para obter o reconhecimento da cidadania italiana por meio de uma das 7 agências consulares italianas no Brasil, é de cerca de 10 anos.

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“Este ano também conseguimos que o governo italiano mande mais 2 milhões de euros para que os consulados possam melhorar os serviços. Temos feito o possível para que esta situação crítica ao menos melhore”, enfatizou a deputada ítalo-brasileira eleita na circunscrição eleitoral italiana da América Meridional.

O processo de reconhecimento da cidadania italiana pode ser feito tanto no Brasil como na Itália. Todavia, com as grandes filas enfrentadas nos consulados no Brasil, a deputada afirma que na Itália o processo é mais rápido.

“Convém fazer na Itália. Mas isso tem um custo, principalmente de estar aqui, de ‘morar’ na Itália. Mesmo assim, quem faz pelo Brasil também tem que pagar uma taxa de 300 euros por cada pedido, o que não acontece na Itália”, recordou Bueno.

Informações completas sobre o reconhecimento da cidadania italiana podem ser encontrados no site do Ministério das Relações Exteriores italiano

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Prandelli propõe intervalos nos jogos da Copa e sonha em final com Brasil

Prandelli propõe intervalos nos jogos da Copa e sonha em final com Brasil
Cesare Prandelli, treinador da seleção italiana de futebol disse nesta terça-feira, em Roma, que a Federação Italiana de Futebol (FIGC) deve propor à Fifa que nos jogos da Copa do Mundo do Brasil sejam efetuados pequenos intervalos durante as partidas. A argumentação é o calor excessivo que poderá comprometer o rendimento dos jogadores que não estão acostumados com o clima brasileiro.

Cesare Prandelli teme enfrentar Alemanha de forma prematura na Copa Foto: AP
Cesare Prandelli teme enfrentar Alemanha de forma prematura na Copa
Foto: AP
  • Rafael Belincanta
  • Direto de Roma (Itália)

— A Itália terá um grande problema no Brasil: em algumas cidades a combinação calor e umidade é preocupante e já sentimos isso na pele durante a Copa das Confederações. Se queremos dar um espetáculo ao mundo, devemos também dar a possibilidade aos jogadores de dar espetáculo. Gostaria de propor que fossem feitos dois “time-out” para matar a sede dos jogadores. A Fifa havia colocado, durante a Copa das Confederações, garrafas d’água perto do gol. Se virmos as imagens, antes de qualquer escanteio, todos estavam ali bebendo. Existe o risco de jogar a bola pra escanteio para poder tomar água. Talvez seria melhor parar por dois minutos e consentir aos jogadores de matar a sede. Nunca tinha visto oito de 11 jogadores me pedirem para serem substituídos durante uma partida: sem hidratação corre-se o risco de haver uma redução na concentração, argumentou Prandelli.

O treinador azzurro prefere esperar até o sorteio dos grupos da Copa do Mundo, marcado para esta sexta-feira, para anunciar a cidade na qual a seleção italiana ficará durante o mundial. Entretanto, são duas as possibilidades: Mangaratiba, no Rio de Janeiro ou a região metropolitana de Belo Horizonte. Prandelli viajará à Costa do Sauípe para acompanhar o sorteio dos grupos.

Sobre os favoritos ao título, Prandelli citou Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha. Fala ainda de seleções que poderão surpreender: Bélgica e Colômbia. Apesar da Itália não ser cabeça de chave, o treinador lembra do histórico da seleção Azzurra, de inícios difíceis em mundiais mas que se convertem em uma atuação forte, como o caso daquela de 2006, quando a Itália conquistou o tetracampeonato na Alemanha. Todavia, a mesma Alemanha é o adversário a ser evitado em 2014.

–– Por tradição – observa – nos grupos difíceis, chegamos preparados. Do contrário, se o grupo é fácil, encontramos dificuldades, é a nossa história. Prefiro então um grupo forte e, depois, jogaremos. Aquilo que não quero é encontrar de cara a Alemanha, disse que queria um grupo forte, mas não tanto. Melhor seria encontrá-la na final. A Alemanha é um exemplo para todas as seleções que tem vontade de mudar, experimentar e estar no compasso dos tempos, disse Prandelli.

Perguntado pelo Terra se, depois da derrota por 4 a 2 na Copa das Confederações, ainda vislumbrava uma final entre Brasil e Itália na Copa do Mundo, Cesare Prandelli foi enfático.

–– [A seleção brasileira] é uma equipe única, pode vencer ou perder o Mundial e depende somente dela mesma. Partiram da Copa das Confederações programando um time, com a ideia de que a prioridade é a seleção principal. Deram tempo para que Scolari pudesse treinar o time. Acredito que para a Copa do Mundo o Brasil terá 45 dias de preparação enquanto nós teremos somente duas semanas. Essas são algumas diferenças. Contudo, somos todos torcedores, mas primeiro existe essa programação e o Brasil está se preparando para a vitória final. Se me enxergo no Maracanã para a final com o Brasil? Quando alguém sonha deve sonhar alto, então sonhamos com essa partida, afirmou Cesare Prandelli.

 

Pizzolato teria transferido residência para Madri em 2010, diz deputada

A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou hoje que o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou hoje que o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada

Rafael Belincanta
Direto de Roma

A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno disse nesta segunda-feira que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, foragido após ser condenado no julgamento do mensalão, teria transferido sua residência em 2010 para Madri. Renata afirmou, durante uma coletiva aos jornalistas brasileiros em Roma, que recebeu informações sobre uma possível emissão de um passaporte italiano em nome de Pizzolato em Madri. Por lei, todo cidadão italiano deve declarar sua residência, mesmo vivendo fora da Itália – Pizzolato tem dupla cidadania.

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“Ainda não obtivemos respostas oficiais às nossas perguntas sobre o paradeiro de Henrique Pizzolato, sobre seu passaporte italiano e se realmente ele está na Itália”, apontou Renata, recém chegada do Brasil. Segundo ela, o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada.

As informações extraoficiais ainda dão conta de que Pizzolato estaria na companhia de sua mulher, Andrea Haas, que também teria cidadania italiana. “Não podemos permitir que o passaporte italiano seja usado para fins escusos”, ressaltou Renata Bueno, que foi eleita pelos cidadãos italianos que vivem na América do Sul.

A deputada citou ainda um esquema internacional com ramificações no Brasil e na Itália que estaria dando suporte financeiro para o foragido. A possibilidade de que interesses econômicos e políticos por detrás do sumiço de Pizzolato estivessem ditando os passos dos diplomatas brasileiros e italianos demonstra, segundo Renata, que as relações entre Brasil e Itália passam por um momento crítico, mas que os italianos estariam dispostos a rever alguns acordos bilaterais.

“A Itália desengavetou, na quinta-feira passada, depois de cinco anos, por coincidência ou não, o tratado de transferência de condenados com o Brasil. Era justamente esta minha primeira proposição como deputada na Itália”, relembrou a deputada, que não refutou o papel de ser mediadora entre os dois governos.

“A Itália deu um sinal positivo ao aprovar o tratado. O Brasil, entretanto, ainda não fez nenhum movimento para ratificar este acordo e nem para pedir, oficialmente, uma posição a Roma sobre o paradeiro de Pizzolato”, afirmou. Questionada se o caso poderia terminar em “pizza”, Renata Bueno disse que não medirá esforços para que Pizzolato cumpra a pena no Brasil.

Parlamento italiano tem primeira deputada brasileira da história

Parlamento italiano tem primeira deputada brasileira da história

Renata Bueno, natural de Brasília mas radicada em Curitiba, foi a primeira brasileira nata a ser eleita para o Parlamento da Itália Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Aos 33 anos, Renata Bueno, natural de Brasília mas radicada em Curitiba, foi a primeira brasileira nata a ser eleita para o Parlamento da Itália. A deputada, que também tem cidadania italiana, recebeu 20 mil votos nominais dos italianos que vivem na América do Sul – mais de 1 milhão e 460 mil, de acordo com o Istat, equivalente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Itália. A maior parte do votos, claro, veio dos italianos que vivem no Brasil, aproximadamente 252 mil. 

Desde início de seu mandato, em 7 de março, Renata apresentou dois projetos de lei, um na área do reconhecimento da cidadania italiana e outro para ratificar e executar um tratado assinado em 2008 entre Brasil e Itália sobre o transferência de pessoas condenadas.

Parlamento italiano tem a primeira brasileira na histria
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Neste contexto, em recente entrevista ao portal italiano Formiche.net, Renata comentou o caso de Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por diversos assassinatos durante os Anos de Chumbo. “Faz cinco anos que Cesare Battisti virou uma lenda no Brasil. O governo brasileiro errou desde o início ao não autorizar a sua extradição à Itália. A Itália tinha todo o direito de pedir que Battisti voltasse ao país para realizar um processo adequado. Não se entende por que o governo brasileiro não autorizou.”

 A deputada ocupa a cadeira 647, que está posicionada ao centro do Parlamento, de onde pode acompanhar com maior precisão os votos e os debates, uma vez que sofre de uma patologia genética grave nas retinas que compromete a visão de longe e com pouca luz. Na Câmara dos Deputados, Renata faz parte de duas comissões: Comissão Parlamentar para a Infância e a Adolescência e Terceira Comissão de Relações Internacionais e Comunitárias.

“Temos todo um processo de internacionalização da Itália. Muitos investidores italianos estão querendo ir para fora, e têm o Brasil como um dos principais destinos pela grande atratividade que o País oferece para o mercado. Nossa bandeira está voltada para a internacionalização da Itália e, naturalmente, não posso deixar de lado no Parlamento a questão dos Direitos Humanos – que é a minha formação – e que é um direito que não tem fronteiras”, explicou, durante entrevista exclusiva ao Terra.

A questão eleitoral na Itália é, por natureza, difícil de entender. Para quem está acostumado com o “voto direto” do presidencialismo de coalizão do Brasil, tudo fica ainda mais complicado. O sistema de governo na Itália é o parlamentarismo. Pela Constituição, os cidadãos têm o dever de votar, entretanto, para quem não vota, as sanções nem sempre são aplicadas. Além da figura do Primeiro Ministro, nomeadamente Presidente do Conselho dos Ministros (Enrico Letta), existe também o Presidente da República Italiana, atualmente Giorgio Napolitano, que é escolhido pelo Parlamento, ou seja, a Câmara dos Deputados e o Senado. Pela lei, o mandato de um deputado é de cinco anos, mais isso não é garantia de que seja exercido até o final.

“Corremos o risco permanente de o governo não funcionar e do Parlamento ser dissolvido com consequente convocação de novas eleições. Isso é muito comum num sistema parlamentarista. Então, o mandato é de cinco anos, mas não se sabe realmente quanto tempo vai durar”, enfatiza Renata.

De vereadora em Curitiba à deputada e doutoranda em Direito em Roma. Uma estrada política nova a ser desbravada por Renata Bueno, que ainda não se aliou a nenhum partido italiano, apesar de muito cortejada pela centro-esquerda do primeiro ministro Letta, encabeçada pelo Partido Democrático, como também pela centro-direita, cuja referência, apesar dos incontáveis escândalos, continua a ser Silvio Berlusconi.

E foi justamente durante um dos mandatos de Berlusconi como premiê que os italianos que vivem nos exterior puderam exercer o direito de votar fora da Itália, por meio da lei “Tremaglia”, promulgada em 2001, que entrou em vigor nas eleições de 2006.  A lei prevê que no exterior sejam eleitos 12 deputados e 6 senadores. Para Renata, o maior desafio de seu mandato é unificar propostas que atendam interesses comuns aos países da América do Sul, Brasil e Itália.

“É um trabalho bastante vasto. Temos que dar conta não só de um Brasil inteiro – que já é um continente – mas dos países da América do Sul e, ao mesmo tempo, olhar pela Itália. Parece complicado, todavia penso que hoje se faça política de uma maneira global e sem fronteiras. Isso é um grande avanço para o sistema político”, conclui a deputada.

Terremoto dell’Aquila, 4 anni dopo

Terremoto dell’Aquila, 4 anni dopo

Zona Rossa / Red Zone (Documentario. Roma, 2013 – 7′)

Nel cuore della penisola italiana, tra le montagne dell’Abruzzo, esplose una delle più furiose e terribili forze della natura. L’Italia si svegliò con una scossa che ha colpito non solo l’Abruzzo ma ben tutto il paese e anche il mondo. Davanti allo scenario di guerra, tra le macerie e i morti, dal dolore della città, ancora una volta è apparsa una vecchia domanda: Riusciranno mai gli uomini a prevedere i terremoti?

In the heart of the Italian peninsula, among the Abruzzo mountains, a terrifying natural
force manifested itself. Italy woke up with an earthquake that shocked not only the
Abruzzo region, but also the rest of the country and, somehow, the entire world. In
front of a sort of war scenario, with ruins and casualties, an old question reappeared:
Can we predict earthquakes?