Globo repórter 140 anos de emigração italiana ao Brasil – jornalismo zero, champanhes mil

Globo repórter 140 anos de emigração italiana ao Brasil – jornalismo zero, champanhes mil

Acordo com um link no whatsapp enviado por uma amiga que também é jornalista e vive em Roma. Ao ver a descrição, as raízes falaram mais alto e, obviamente, cliquei. Nem mesmo os 30’ de publicidade com o Faustão cortaram meu entusiasmo. Vinheta do Globo repórter: anos que não assistia.

Já na cabeça, começa o show de clichês. Sigo firme, com fé no jornalismo da emissora gaúcha de outrora. Inocente que sou, na empolgação inicial, caio até mesmo na bobagem de chamar o amigo italiano para assistir.

mogliaantonio
Antonio Moglia: genuidade preservada dos emigrantes italianos

O que Veneza tem a ver com a emigração italiana ao Brasil? Na-da.

No tempo da emigração, não existia uma identidade italiana, muito menos veneta. O que havia era uma região ainda dividida – em todos os sentidos – pelas consequências da guerra do império austro-húngaro e o temor constante de que as terras fossem invadidas. Sem contar as batalhas pela unificação da Itália, também naqueles conturbados anos.

Aí vejo as gôndolas de Veneza? Sabe quando custa um passeio de gôndola em Veneza? Pobres antepassados, fugidos da fome e da guerra, se remexem no túmulo das euforias voláteis de um pseudojornalismo de viagem que engana com belas imagens.

Os emigrantes eram p-o-b-r-e-s! Não cultivavam uvas para champanhes! Eram pequenos agricultores de subsistência.

Aqui, a ausência de um embasamento histórico denota a frágil pré-produção sem a qual nenhuma grande reportagem pode se sustentar, nem mesmo apelando para uma série desnecessária de stand-ups que “começam no nada e terminam em lugar nenhum”.

Corte seco – estou na serra gaúcha. Aliás, estou na elite da serra gaúcha. Maior produção de vinhos, etc e tal, riqueza alicerçada no trabalho. Coisa boa e justa. Toda aquela “messa in scena” de mesas ao ar livre com música e degustação de vinhos, todavia, não me convenceu.

Jornalisticamente, um vt de 1’30’’ com o pão que a senhora Scopel preparou teria sozinho explicado melhor o sentimento da “emigra-nação” ítalo-brasileira.

Na contracorrente dessa falsa glamourização da emigração está a origem de tudo: a simplicidade daqueles h-e-r-o-i-s do passado que, OBRIGADOS a deixar a terra amada, mesmo com a separação forçada de milhares de famílias, mantiveram-se unidos nos estreitos laços das tradições que deixariam uma marca profunda na identidade cultural brasileira.

Para finalizar, lhes convido a sentar ao redor do fogão à lenha, comer castanha e nozes e tomar um bom café (chimarrão e pinhão no Sul), e assistir a este rápido vídeo em que Antonio Moglia – retrato fiel, intocado e original dos emigrantes de antes – explica a emigração em uma frase.

“Por que todos foram embora? Porque era preciso, para viver. Todos no vilarejo foram embora, um motivo tinha que ter”.

Buona visione.

Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

A Presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini, inicia na próxima quinta-feira uma viagem à Argentina, ao Chile e ao Brasil no âmbito do Ano da Itália na América Latina. Ela adiantou que, em Buenos Aires o foco será no direito das mulheres, no Chile, a educação e no Brasil, as conquistas sociais e o marco civil da Internet – que Boldrini considera pioneiro e poderia inspirar uma lei italiana similar.

“Temos o objetivo de ter essa ‘Constituição para a Internet’: os princípios e direitos de quem está na Internet. Porque não é verdade que tudo seja livre e gratuito. Quem está na Internet às vezes não sabe que os próprios dados são usados em benefício de quem, depois, fatura sobre eles. Assim como é inaceitável que a violência seja tão difundida em detrimento das pessoas mais vulneráveis”.

Política social

Em Brasília, a presidente manterá um encontro com a ministra do desenvolvimento social no contexto da saída do Brasil do mapa da fome das Nações Unidas. Boldrini quer aprofundar o conhecimento dos programas sociais que permitiram a saída de milhões de brasileiros da miséria como, por exemplo, o bolsa família:

A presidente Boldrini
A presidente Boldrini

“Acredito que seja um dos programas que tenha tido êxito extraordinário. Milhões de pessoas superaram a fome e a pobreza e este é um tema crucial. Penso que temos muito o que aprender com o bolsa família. O encontro com a ministra que ajudou a desenvolver este projeto vai nos ajudar a entender como ele pode ser adaptado para outras realidades”.

Safari na favela

Ao tomar conhecimento dos novos “Safaris” nas favelas do Rio de Janeiro, nos quais turistas sobem os morros em jeeps para fotografar e invadir a privacidade dos moradores, Boldrini disse que – com o histórico de trabalho pelos direitos humanos – “sabe que esse comportamento é contra-produtivo e prejudicial”.

“Nós vamos visitar projetos nas favelas. Falaremos com quem trabalha, com quem conduz estas atividades, os beneficiários destes projetos para saber dos resultados que alcançaram”, explicou.

Papa Francisco

Na Argentina, Boldrini deverá participar de uma missa de ação de graças pela beatificação de Dom Oscar Romero, no sábado, na basílica que deu ao mundo o Papa Francisco. Ela fala porque o magistério do Papa deve ser aplicado na política.

“Papa Bergoglio está recolocando no centro das atenções de todos os potentes da Terra exigências de justiça social. Ele leva adiante uma batalha contra a corrupção, volta à atenção para a solidariedade e luta contra a ‘globalização da indiferença’. Acredito que, por todos estes motivos, a ação do Papa Francisco seja importante. Espero que a política saiba ler a mensagem que existe nesta sua obra porque estes temas são políticos. É importante que a política saiba redimir-se sobre estes temas e seja capaz de dar mais respostas às necessidades das pessoas”.

Boldrini: importante il richiamo del Papa alla solidarietà

La presidente della Camera, Laura Boldrini, visiterà da giovedì prossimo il Brasile, l’Argentina e il Cile. L’obiettivo è conoscere i progetti sociali in atto in questi paesi per combattere la miseria, per promuovere le donne e assicurare l’istruzione a tutti. Sabato 23 la Boldrini parteciperà, nella Cattedrale di Buenos Aires, alla messa di ringraziamento per la beatificazione dell’arcivescovo, Oscar Romero che sarà beatificato proprio quel giorno a San Salvador. Al microfono del collega Rafael Belincanta, la presidente della Camera ha espresso apprezzamento per l’azione che sta svolgendo Papa Francesco a favore di un nuovo ordine sociale. Sentiamo quanto ha detto:
“Papa Bergoglio sta riportando al centro dell’attenzione di tutti i potenti della Terra esigenze di giustizia sociale; fa una battaglia contro la corruzione, indirizza l’attenzione sulla solidarietà e lotta contro la globalizzazione dell’indifferenza. Io ritengo che per tutti questi motivi è importante l’azione di Papa Bergoglio e mi auguro che la politica sappia leggere il messaggio che c’è in questo suo operato, perché questi temi “sono” politici ed è importante che la politica sappia riscattarsi su questi temi e sappia essere maggiormente in grado di dare risposte ai bisogni delle persone”.

Polícia italiana confirma que Pizzolato foi preso com passaporte falso em nome do irmão morto

Polícia italiana confirma que Pizzolato foi preso com passaporte falso em nome do irmão morto

Imagem do site da Interpol, que emitiu um mandado de busca internacional contra Henrique Pizzolato.

As autoridades italianas confirmaram nesta quarta-feira (5) que Henrique Pizzolato foi preso com um passaporte brasileiro falso na cidade de Maranello. Em entrevista exclusiva à RFI, o chefe da polícia local explicou que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil também detinha duas carteiras de identidade italianas falsificadas. Todos os documentos estavam em nome de seu irmão Celso Pizzolato, morto há 36 anos.

Henrique Pizzolato, único dos 25 condenados do processo do Mensalão foragido no exterior, foi detido na manhã desta quarta-feira em Maranello, no norte da Itália. Em entrevista exclusiva a RFI, Carlo Carrozzo, chefe do comando da polícia italiana na província de Modena, confirmou a detenção e disse que, ao ser preso, Pizzolato apresentou “um passaporte brasileiro falso e duas carteiras de identidade italianas, também falsas, em nome de seu irmão falecido”.

Rafael Belincanta, correspondente da RFI na Itália

05/02/2014

Maranello, que abriga a fábrica e o museu da Ferrari, estava na lista dos locais vigiados pela Interpol, já que Fernando Grando, sobrinho do acusado que trabalha para a montadora, vive na cidade. Na manhã desta quarta-feira a polícia viu a mulher de Pizzolato aparecer na janela da residência do sobrinho e decidiu invadir a casa.

Pizzolato  está detido no comando central da polícia de Modena, a cerca de 20km de Maranello, e ficará à disposição da justiça italiana. Embora o brasileiro tenha um mandado de captura emitido pela Interpol em 190 nações, dentro do território italiano ele é um homem livre, já que também tem cidadania italiana e não cometeu nenhum crime no país, além do porte de documentos falsos. A Itália proíbe que seus próprios cidadãos sejam extraditados. O governo brasileiro já avisou que fará um pedido formal de extradição.

Condenado a 12 anos e sete meses de prisão em regime fechado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil foi o único réu do Mensalão que não se apresentou à polícia. De acordo com a acusação, ele teria autorizado repasses do banco a empresas do publicitário Marcos Valério, operador do esquema.

è dura

Nós brasileiros podemos ficar na Itália sem qualquer documentação por no máximo três meses. Nesse período, basta apresentar o passaporte com o carimbo de entrada e tudo bem. É a condição de turista. Exime de qualquer dever, não lhe dá direito a nada. Porém, passado esse período, é obrigatório fazer-se reconhecer. O que muitos imigrantes não fazem é a declaração de presença, que deve ser preenchida no máximo 20 dias após a chegada. Basta ir em qualquer delegacia, com o passaporte, e declarar a presença no devido endereço. Na verdade, quem declara a sua presença é quem te aluga o apê. Se nao o fizer, paga multa. A maioria dos proprietários não o faz por puro desconhecimento da lei.  Depois, é preciso obter um CPF ou Codice Fiscale. Independentemente da zona de residência, o imigrante deve dirigir-se à Agenzia delle entrate. Aqui em Roma tem uma em Trastevere, próximo a entrada do mercado em Porta Portese.

Passados os três meses, quando se pensa que a burocracia terminou, é que vem o pior. Para permanecer legalmente nello Stivale é necessário obter o Permesso di Soggiorno, ou visto de permanência – há inúmeras variantes para cada caso. Com o ok da Questura, que mete o dito cujo no passaporte e posteriormente envia um cartão que serve como identidade, deve-se ir ao Municipio. E é na prefeitura (onde mais poderia ser!) que o pesadelo começa.

Vale tudo! Ipod, livro, notebook, celular e um quartinho de lexotan para aguentar a burrocracia

O caos impera no Municipio. Ao menos no Primo aqui de Roma. Logo na entrada recepcionistas que mais parecem do pessoal da limpeza GRITAM em resposta a sua inofensiva pergunta. Ao chegar ao Ufficio Anagrafe, uma máquina maldita com (HIPÉRBOLE) números de senhas e serviços é o primeiro imperador a ser deposto. Depois da bela recepção, o medinho de perguntar está sempre presente. Claro que peguei a senha para o serviço errado. Depois de uma hora de espera sem livro, sem ipod, sem note, sem papel e caneta, somente com o ódio interiorizado, no relógio batem as 12h30min. Acabou o expediente!

Sim. Das 8h as 12h30min. Sem choro.

– Mas já estão fechando?

O que esperavas, figliolo, estamos aqui desde cedo!

Ma…. Os horários mudam conforme o dia. Fique atento.

Outro dia, semanas depois, devidamente armado de informações, volto. Descubri que para fazer a bendita residência é preciso primeiro pegar a senha para fazer a inscrição anagráfica. Depois, é preciso pegar outra senha para fazer a residência. Isso em meio a centenas de pessoas que, sem informação, logo perdem a paciência e protagonizam barracos épicos. É Brasil.

A minha novela ainda não terminou. Logo terei de voltar para pegar outra senha…