FAO: Graziano reeleito. Lula enaltece brasileiro. Angola e Moçambique fora do mapa da fome

FAO: Graziano reeleito. Lula enaltece brasileiro. Angola e Moçambique fora do mapa da fome

A Conferência Anual da FAO começou no sábado (06/06) em Roma. O diretor-geral foi confirmado no cargo para um novo mandato enquanto Angola e Moçambique receberam distinções por atingir uma das metas de desenvolvimento do milênio sobre a redução da fome e da pobreza.

O brasileiro José Graziano da Silva foi reeleito para a direção-geral da FAO até 2019. Candidato único, o idealizador do programa Fome Zero no Brasil, recebeu 177 votos dos 182 possíveis. Antes da reeleição, o ex-presidente do Brasil, Lula, fez um discurso no qual enalteceu as conquistas que tiraram o Brasil do mapa da fome e que, com Graziano, ganharam projeção internacional. Muito aplaudido, falando sobre a África, Lula afirmou: “repartir o pão é o primeiro passo para construir a paz”.

Angola

O Ministro Canga garantiu que Angola tem como prioridade acabar com a fome
O Ministro Canga garantiu que Angola tem como prioridade acabar com a fome

A Conferência marcou o final do período de 25 anos que os 129 países em desenvolvimento monitorados pela FAOtinham para reduzir pela metade o número de famintos. Foram 72 as nações que conseguiram atingir a meta, dentre elas Angola que, em 1990, via quase 64% da população passar fome e que hoje registra insegurança alimentar em 14% dos habitantes, o que equivale dizer que ainda 3,2 milhões de angolanos passam fome. O Ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, garantiu que o governo continuará investindo em agricultura para combater a fome.

“Se conseguimos reduzir a fome até agora, também podemos fazer com que, nos próximos anos, possamos ter resultados que nos reconduzam à redução significativa da fome senão à eliminação do espectro da fome. Precisa de investir mais na agricultura, os recursos não são ilimitados, mas assume-se no mais alto nível nacional a grande prioridade que é combater a fome e a pobreza com cada vez mais investimentos que é o que está a ser feito”.

Moçambique

O Ministro José Pacheco na Plenária da FAO
O Ministro José Pacheco na Plenária da FAO

Moçambique atingiu um resultado inédito ao sair do mapa da fome: em 25 anos o número de famintos caiu de 56% para 25%. Porém, hoje ainda são quase 7 milhões de moçambicanos que passam fome. Mas quem são e onde estão estas pessoas? O Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, explica:

“Grande parte destas pessoas está nas zonas rurais onde temos secas cíclicas e localizadas. São pessoas de idade avançada que não têm meios próprios de sobrevivência, que não têm elementos jovens na família capazes de trabalhar para o sustento deles. É nestes grupos-alvo específicos que vamos concentrar nossa ação para que possam usufruir do direito à alimentação”.

África continua a região mais desnutrida do mundo; Brasil vira exemplo de combate à fome

África continua a região mais desnutrida do mundo; Brasil vira exemplo de combate à fome

Nunca se produziu tanto alimento quanto em 2014. Apesar disso, 805 milhões de pessoas ainda não têm acesso à uma alimentação digna e estão subnutridas, segundo o relatório anual da ONU sobre a fome no mundo em 2014.

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Meninos na pausa para o almoço em um escola na Tanzânia, em 2013. Merenda é garantida por meio de um programa insipirado no Fome Zero do Brasil.

Foi apresentado nesta terça-feira (16.09), em Roma, na sede da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o relatório anual sobre a fome no mundo em 2014. A apresentação este ano foi antecipada para que, na próxima semana, os resultados possam ser divulgados durante a Assembleia geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Nunca se produziu tanto alimento quanto em 2014. Apesar disso, 805 milhões de pessoas ainda não têm acesso a uma alimentação digna e estão subnutridas. A situação paradoxal afeta principalmente as populações nos países em desenvolvimento, que concentram 791 milhões dos subnutridos.

África desnutrida: o caso dos PALOP

Somente na África, são 226 milhões os subnutridos, o que representa 22% da população do continente. Numa caminhada contrária ao resto do planeta, o número de pessoas famintas na África tem aumentado desde 1990.

Para se ter uma ideia, somente, Angola e Moçambique somam 11 milhões de subnutridos. Apesar de Angola ter alcançado a meta do desenvolvimento do milénio ao reduzir pela metade a proporção de pessoas subnutridas, atualmente 4 milhões de angolanos não conseguem comer com dignidade. Um sinal claro de que a desigualdade social é um fator que impede o desenvolvimento pleno do país. Em mais de 20 anos de luta contra a fome, Moçambique reduziu a proporção da população subnutrida em 50%, caminha para atingir a meta de desenvolvimento do milênio, mas continua a ser pátria de 7 milhões de subnutridos.

A redução da pobreza e da percentagem de pessoas com fome é também bastante visível outros PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Na Guiné-Bissau, a descida é menos significativa: apenas 23,5%, correspondente à redução da fome na população.

Em Cabo Verde, a redução é de 38,9%, equivalente à descida na percentagem da população com fome de 16,1% em 1990 para 9,9% este ano. Em São Tomé e Príncipe, a percentagem de pessoas malnutridas desceu de 22,9% para 6,8%.

O  diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, traça um rápido panorama de alguns obstáculos que fazem com que África hoje, infelizmente, esteja a perder a luta contra a fome.

“Nós vemos hoje que ainda há muitas limitações estruturais para os investimentos privados na agricultura africana. Eu começaria pela instabilidade político-social, e o conflito que existe em boa parte dos países da região. Ninguém vai investir num país com instabilidade política e social. Porém, temos visto que os governos não têm dedicado recursos suficientes para prover a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento das áreas rurais. Sem infra-estrutura, também, o setor privado não vai investir na agricultura dos países africanos.”

Apesar da falta de estabilidade e infra-estrutura, alguns países africanos são modelos a ser seguidos, lembra o diretor-geral da FAO. “Eu destacaria o Gana e o Malawi, que apesar de todas essas adversidades, conseguiram dar um avanço significativo na redução dos subnutridos.

O exemplo do Brasil

As políticas públicas de combate a fome no Brasil ganharam capítulo especial. O país não somente atingiu a meta de desenvolvimento do milênio (diminuir pela metade a proporção de pessoas que passam fome até 2015) assim como o objetivo mais árduo estabelecido pelo World Food Summit em reduzir pela metade o número absoluto de pessoas que passam fome.

“Particularmente, no caso do Brasil isso chama muito a atenção. O Brasil, por ter 200 milhões de habitantes, puxa os números [da América Latina] e o que nós vimos no Brasil durante toda a década passada, a partir do ano 2000, foi um forte decréscimo no número de pessoas subnutridas. Se tomarmos os triênios a partir de 2002, o decréscimo é de -1,7%, em 2005-2007, passa a -5%, mantém-se em -5% em 2009-2012 e aumenta para -5,1% no período recente, de 2011-2013”, finalizou o diretor geral da FAO, José Graziano da Silva.

Links originais: DW e RV

Angola contribuirá para fundo contra a fome em África

Angola contribuirá para fundo contra a fome em África
Para ouvir

Uma camponesa a trabalhar a terra em Caiense, AngolaO Governo angolano poderá ajudar financeiramente o continente africano no combate à fome. Angola também deu passos significativos para acabar com a má nutrição, e por isso será homenageado pela FAO ainda este ano.

Ao mesmo tempo em que Angola não só atinge, mas vai além, da Meta do Milênio de reduzir para a metade a fome no país até 2015, a insegurança alimentar ainda é aguda em algumas regiões, como em Gambos, província da Huíla, no sul do país.

Um contraste, tal como os números da fome em Angola que, entre 1992 e 2012, viu a quantidade de desnutridos entre a população total cair de 64% para 27%.

Recentemente o diretor da Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), José Graziano da Silva, visitou Angola, algo que não fazia desde 2004, quando era Ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome do ex-Presidente brasileiro Lula da Silva.

Em Luanda, Graziano percebeu uma evolução positiva na infraestrutura da capital: “Quando estivemos lá havia montanhas de lixo acumuladas nas estradas e ruas. Hoje tem um sistema de água tratada, de esgoto sanitário e de energia elétrica em todo país que assegura uma vida normal às pessoas.”

Angola é terceiro país mais minado do mundo. Por isso a prática agrícola ainda é está comprometidaAngola é terceiro país mais minado do mundo. Por isso a prática agrícola ainda é está comprometida

Desminagem, um grande passo

O diretor da FAO constatou avanços também na sua área de trabalho: “Nas zonas rurais já não se enfrenta mais o problema das áreas minadas que não permitiam o cultivo. Hoje o país está a crescer no que diz respeito a produção agrícola.”

Atualmente, a FAO mantém investimentos de aproximadamente 20 milhões de dólares para o desenvolvimento da agricultura e manutenção da segurança alimentar em Angola.

Graziano regressou a Roma com a certeza de que Angola retribuirá os investimentos feitos pela comunidade internacional, ao lado da Guiné Equatorial, que já depositou 30 milhões de dólares para o Fundo de Solidariedade para a África, criado no ano passado.

José Graziano da Silva, Diretor da FAO. Ele foi um dos mentores de programa Fome Zero no Brasil que fez muito sucesso José Graziano da Silva, Diretor da FAO. Ele foi um dos mentores de programa “Fome Zero” no Brasil que fez muito sucesso

O contributo de Luanda, apesar das dificuldades

Angola deve anunciar em breve uma contribuição semelhante, como dá a entender o diretor da FAO: “O Presidente José Eduardo dos Santos não é de muita conversa. Tive o privilégio de encontrá-lo pela segunda vez . Desta vez, realmente foi considerada uma demonstração do seu compromisso com a FAO e da luta contra a fome em África.”

Questionado sobre os contrastes na sociedade angolana, Graziano reconhece que muito ainda deve ser feito para que a fome seja erradicada e as diferenças sociais sejam atenuadas.

Mas afirma que Angola está no caminho certo: “Todo pais que passou fome tem um sentimento de solidariedade muito forte e Angola está entre estes países assim como o Brasil, hipotecando essa solidariedade através de recursos e cooperação técnica.”

Responsabilidades partilhadas

E ainda durante a visita de Graziano Ramos a Angola um acordo foi assinado entre a FAO e o Governo, que vai de 2013 a 2017. O acordo abrange três áreas: o aumento da produtividade e a produção de alimentos por parte de pequenos produtores, o manejo sustentável dos recursos naturais e a criação de meios de resistência da população rural no impacto das calamidades naturais.

Segundo o diretor-geral da organização onusiana, dois dos três pontos são de responsabilidade do ministério do Ambiente e juntamente com a FAO, o organismo estatal angolano vai organizar um seminário internacional com o objetivo de promover a economia verde em Angola.

O país vai ser homenageada pela FAO, em junho próximo, por ter reduzido para metade a proporção de pessoas subnutridas, cumprindo assim a primeira meta dos objetivos de desenvolvimento do milénio da ONU.

Autor: Rafael Belincanta (Roma) / Lusa
Edição: Nádia Issufo / António Rocha

O Brasil que alimenta a África

O Brasil que alimenta a África

No Malaui, crianças recebem refeições nas escolas, um exemplo exportado do programa brasileiro  Foto: Rafael Belincanta / Especial para TerraNo Malaui, crianças recebem refeições nas escolas, um exemplo exportado do programa brasileiro
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
RAFAEL BELINCANTA
Direto de Mkuranga (Tanzânia)

A crise na Europa fez com que doadores tradicionais como França, Espanha e Itália tivessem uma retração nas verbas. O Brasil, porém, fez a maior doação repassada ao World Food Programme (WFP) de sua história em 2012, terminando o ano como o 10º maior doador, com mais de US$ 82 milhões. Isso representa duas posições à frente comparado a 2011,quando ficou em 12º lugar com US$ 70,5 milhões doados; e 34 posições à frente que em 2007, primeiro ano em que o Brasil apareceu no ranking dos 100 maiores doadores, em 44º lugar e US$ 1,1 milhão doado.

Dentro de um armazém no distrito de Mkuranga, Tanzânia, um saco de açúcar com a escrita Product of Brazil não deixa dúvidas: as doações de alimentos do Brasil ao Programa Mundial Alimentar (PMA) chegam à África. Não bastassem os financiamentos em espécie, em 2012 o Brasil também fez grandes doações de commodities.

Já em outubro do ano passado, durante o primeiro encontro da nova secretária executiva do PMA, Etharin Cousin, com a imprensa estrangeira em Roma, ela anunciara que o Brasil estaria entre os maiores doadores do ano.

De fato, desde que o ex-ministro brasileiro José Graziano da Silva foi eleito diretor-geral da FAO, Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, em 2011, o Brasil passou a exercer um novo papel nas decisões que concernem às agências da ONU em Roma. Além da FAO e do PMA, também tem sede na capital italiana o FIDA,Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura.

Mas não são somente as doações em dinheiro e de alimentos que aumentam o responsabilidade do Brasil diante da comunidade internacional. O reconhecimento maior, seja da África ou dos países europeus, aparece muitas vezes na forma de respeito às conquistas do País, dentro de casa, no combate à fome e à pobreza.

As experiências bem sucedidas do Fome Zero colocado em prática por Graziano durante o governo Lula vão além das fronteiras do Brasil. Principalmente em direção à África, confirmando as intenções da FAO em dar atenção especial a assim chamada Cooperação Sul-Sul. Tanto que um Centro de Excelência no Combate à Fome foi construído em Brasília em parceria do PMA com o governo.

Irene Del-Río é espanhola e trabalha no escritório regional do PMA no Malauí. Ela esteve no Centro de Excêlencia e de lá trouxe modelos de combate à fome que já estão em prática, como é o caso da escola do distrito de Mbwadzulu, distante cerca de 300km da capital Lilongwe. Ali, ao menos 600 crianças e adolescentes são beneficiados por um projeto inspirado no Fome Zero de investir na produção e consumo local. O PMA repassa verbas para as escolas e estas, por sua vez, compram os alimentos produzidos pelos pais dos alunos.

“O programa é uma continuação do Fome Zero. Estivemos dois meses no Brasil para aprender as práticas dos programas existentes no Brasil. Nosso enfoque aqui é na alimentação escolar. Dentre todas as experiências que o Brasil tem na luta contra à pobreza e contra à fome, a alimentação escolar é uma das coisas que se poderiam melhor implementar no Malauí”, completa Del-Río.

Apesar das semelhanças na aplicação dos projetos, é preciso dar um rosto africano aos projetos. Principalmente na capacitação de quem conhece a fundo as principais necessidades dos países africanos.

“A ideia não é somente replicar os programas do Brasil mas ver quais foram as experiências, negativas e positivas, que foram aprendidas, e aplicá-las nos contextos africanos que em alguns casos, em alguns distritos, são bastante parecidos com o que vimos no Brasil. Então, a parte da assistência técnica é muito valiosa para os governos africanos que têm capacidades limitadas para desenvolver políticas”, aponta Del-Río.

A mudança na posição do Brasil diante da comunidade internacional que, praticamente em uma década, passou de País que recebia recursos para um dos principais doadores do PMA, estreitou os laços com os países africanos mais necessitados e ganhou o respeito dos países ricos. Entretanto, o balanço fiscal do PMA relativo ao mês de janeiro deste ano revela um Brasil um tanto quanto mais ponderado nas doações: 22ª posição na lista com pouco mais de US$ 626 mil dólares enviados ao PMA.

Doações do Brasil ao programa desde 2006
Ano valor (US$) Colocação
2006 Não conta na lista não consta na lista
2007 1,1 milhão 44°
2008 1,2 milhão 48º
2009 15,7 milhões 25º
2010 12,9 milhões 29º
2011 70,5 milhões 12º
2012 85 milhões 10º

FAO diz que cerca de 870 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo

FAO diz que cerca de 870 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo

 

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Agência informa que houve reduções nos níveis de insegurança alimentar na Ásia e na América Latina; mas na África, nos últimos quatro anos, mais 20 milhões de pessoas foram lançadas numa situação de fome.

Dezenas de milhares de pessoas já morreram por causa da fome no Chifre da África

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

Um novo relatório das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira, revela que cerca de 870 milhões de pessoas continuam passando fome em todo o mundo. Apesar de uma queda no número de famintos na América Latina e na Ásia, um em cada oito habitantes do planeta ainda sofre de má nutrição.

O documento “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2012” informa que a grande maioria das pessoas que passam fome, ou 852 milhões, vivem em países em desenvolvimento.

Políticas

Mas a pesquisa também registra casos de sucesso. Na América Latina, por exemplo, Peru e Nicarágua conseguiram reduzir o problema em 54% e 49%, respectivamente.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, José Graziano da Silva, afirmou que com políticas coordenadas, algumas regiões poderão atingir as Metas do Milênio.

Nesta entrevista à Rádio ONU, de Roma, Graziano da Silva, falou sobre os resultados das políticas de combate à fome no Brasil.

“Merece destaque também para o Brasil que reduziu em 40% o número de pessoas com fome entre 1990 e 2012”.

A região que obteve mais êxito no combate à fome, segundo o relatório da FAO, foi a Ásia. Nos últimos 10 anos, 200 milhões de pessoas deixaram de ser ameaçadas pelas insegurança alimentar. A China, em números absolutos, reduziu em 100 milhões o número de famintos.

Mas na África, enquanto alguns países apresentam avanços, outros ainda estão estagnados, como contou Graziano da Silva.

“Infelizmente, nas regiões da África Subsaariana e no Chifre da África vimos um aumento do número de pessoas com fome. É uma região em que temos enfrentado todos os tipos de problemas como secas, inundações, conflitos e vai na contramão da tendência geral da redução da (fome). Mas mesmo na África temos boas notícias: Gana, por exemplo, reduziu a fome em 87%, Mali, antes do conflito, tinha uma redução de 44% e Camarões de 35%.

Isso mostra que mesmo em situações adversas, quando há políticas para promover o desenvolvimento agrícola, principalmente dos pequenos agricultores, como foi feito em Gana, elas dão resultados imediatos no número de famintos”

A FAO lembrou que alguns ganhos no combate à fome foram revertidos com a recessão global. Mas segundo Graziano da Silva é inaceitável que o mundo ainda tenha 100 milhões de crianças, com menos de cinco anos de idade, que estejam abaixo do peso por não ter o suficiente para comer.

Ele encerrou dizendo que a comunidade internacional precisa se esforçar mais para reverter o quadro da fome no mundo.

 

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Gilberto Gil faz concerto contra a fome no mundo, em Roma

Gilberto Gil faz concerto contra a fome no mundo, em Roma

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Embaixador da Boa Vontade da FAO se apresentou no Parque da Música a convite da agência da ONU.

 

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

Um Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo.

Este foi o nome do show que Gilberto Gil escolheu para rodar o mundo no ano em que completou 70 anos. Logo no início do evento, Gil explicou.

“Cordas são as minhas duas vocais, as do meu violão, as do violão do meu filho Ben Gil. Máquinas de Ritmo são os meus companheiros na banda”.

Consequências

Antes de a música começar, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, lembrou ao público que atualmente, 1 a cada 7 pessoas no mundo sofre as consequências da fome.

Mais cedo, depois da passagem de som, Gil recebeu a Rádio ONU para uma entrevista.

“A fome sempre foi um problema onde e quando ela tenha existido. É um problema a ser resolvido pelas mães, pelos pais, pelas famílias, pelos coletivos. A questão atual fica muito mais grave – essa pode ser a maneira de ver – porque são grandes multidões num mundo com 7 bilhões, e ainda com possibilidade de crescimento muito maior da população mundial em que o sistema não tem sido capaz de alimentar todo mundo. É uma quantidade muito grande de gente com fome, abaixo da linha da pobreza. Então, não é mais um problema só dos pais e mães mas sim da família mundial, a família Terra, a família planetária está preocupada com isso porque é uma questão grave. E aí, então, todas as mobilizações, o fato de existir uma instituição já há muitos anos que vem monitorando os problemas da fome, a gravidade desses problemas, de sua intensificação”.

Brasil na FAO

Gilberto Gil, que é embaixador da Boa Vontade da FAO, comentou algumas atividades da agência e o trabalho do novo chefe da FAO, José Graziano da Silva.

“O Graziano fez experiências muito interessantes no sentido de politicas compensatórias no Brasil, especificamente para atacar a fome e a pobreza, para possibilitar o surgimento de novas classes médias, com capacidade de consumir, de acesso à educação e cultura e é uma experiência importante reconhecida no mundo inteiro. Agora acredito que ele à frente da FAO pode trazer uma experiência que – apesar de muito difícil – foi muito importante e de uma certa forma muito bem sucedida no Brasil e isso agora pode ser um elemento para as políticas mundiais”.

*Com reportagem da Rádio Vaticano.

FAO alerta para relação entre especulação das commodities e preço dos alimentos

FAO alerta para relação entre especulação das commodities e preço dos alimentos

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Agência teme possíveis consequências nos mercados; Brasil deve ter comportamento diferenciado devido à maior dependência em relação às condições internas.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que os produtores de alimentos devem ficar atentos não somente aos índices do mercado mundial, mas também aos nacionais.

José Graziano da Silva falou, nesta sexta-feira, durante um encontro em Roma, que também teve a participação do presidente da República Dominicana, Leonel Fernández.

Diferenças

A FAO pede aos agricultores que sigam atentamente as indicações de preços, devido às grandes diferenças entre o que acontece nos mercados internacionais e em cada um dos países, principalmente nos produtores.

O diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, cita o milho como exemplo.

“Depois de três meses consecutivos (de queda) estamos detectando uma certa reação de preços que vem, basicamente, puxada pela elevação do preço do milho norte-americano, em função de uma quebra de safra dos rendimentos esperados da safra que está sendo colhida nos Estados Unidos.

Isso deve impactar outros mercados. O milho é como o petróleo, ele entra em toda a cadeia agro alimentar. Então, certamente, outros preços substitutos como o trigo e o arroz serão afetados, embora não haja quebra de safra destes outros produtos.”

Preços

Para Graziano, a volatilidade dos preços pode comprometer a produção e induzir os que enfrentam a insegurança alimentar para uma situação de fome.

Mas para os brasileiros, por exemplo, a FAO espera um comportamento diferenciado, devido à maior dependência das condições internas dos mercados internacionais.

Apesar da queda dos preços dos alimentos nos últimos meses, a agência observa que os valores continuam mais altos, se comparados com décadas anteriores.

Consequências

O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, expressou as consequências que a especulação pode ter nos mercados.

O presidente dominicano afirma que o aumento do preços dos itens básicos de consumo pode provocar uma inquietude na população. Leonel Fernández lembra que quando há especulação, os preços sobem e ao atingir altos níveis, os governos podem subsidiar e haver déficit fiscal.

Já o diretor da FAO, José Graziano da Silva, afirmou ainda que a agência precisa de um pouco mais de recursos para poder abarcar outros mercados, como o de estoques, físico e os mercados futuros.