Brasil é ideal para “Universidade” contra a fome, diz PMA

Brasil é ideal para “Universidade” contra a fome, diz PMA

“O Brasil tem um grande número de lições a ensinar sobre a desnutrição e como resolver isso”, afirmou em um encontro com jornalistas da Ásia, África e do Brasil, a diretora de Nutrição do Programa Mundial Alimentar (PMA), Lauren Landis.

No Brasil, o PMA mantém em parceria com o governo o Centro de Excelência de combate à fome, que completa 5 anos de atuação e é, atualmente, um dos principais pontos de referência para os países que buscam sair do mapa da fome criando ou reforçando programas de alimentação nacionais.

Landis explicou que o Brasil levou apenas dez anos para mudar o seu paradigma nutricional: da desnutrição à obesidade.

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Crianças almoçam em escola na Bahia

“O que eu gostaria de ver o Programa Mundial Alimentar fazer no futuro, é que trouxesse mais nações para entender o sucesso que o Brasil teve – e que provavelmente terá – na questão da prevenção do sobrepeso e da obesidade”.

“Universidade” contra a fome

Fora do mapa da fome e com novos desafios pela frente, o Brasil é o “ambiente ideal” para a formação dos países no combate à fome e conscientização sobre a nutrição ideal.

“Também sinto que nós poderíamos fazer – e este é meu sonho – do Centro de Excelência algo mais como uma ‘Universidade’. No sentido de que precisamos mais cooperação direta. Nós poderíamos ensinar de governo para governo porque os governos não querem ouvir o que o PMA pensa, ou o que o UNICEF pensa. Com frequência, eles querem saber das tribulações pelas quais passaram outros governos para alcançar seja o que for: uma legislação, políticas ou na implementação de programas. E eu penso que o Brasil seria o ambiente ideal onde conduzir isso”, concluiu.

Em Roma, Lula defende Bolsa-família e critica imprensa brasileira na reeleição de Graziano à FAO

Em Roma, Lula defende Bolsa-família e critica imprensa brasileira na reeleição de Graziano à FAO
Graziano recebe Lula na FAO

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em discurso à plenária da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), antes da reeleição de José Graziano da Silva à direção-geral, no sábado (06/06), relatou as conquistas sociais obtidas no Brasil ao longo da última década.
Lula criticou a imprensa brasileira por “condenar” o repasse de dinheiro às famílias mais pobres, defendido por Graziano no início do programa Fome Zero. Hoje, mais de 54 milhões de pessoas recebem dinheiro do governo. “O Bolsa-família não substitui o trabalho, complementa a renda para romper o ciclo de pobreza”, defendeu o ex-presidente.

Europa retrocede

Em palestra na prefeitura de Roma, no domingo, Lula afirmou que o Brasil deu, em 10 anos, “um salto histórico ao promover mais desenvolvimento e menos desigualdade, o que tornou o Brasil mais respeitado”.

O ex-presidente ainda criticou a Europa que, segundo ele, está perdendo as conquistas sociais alcançadas ao longo das décadas após o final da Segunda Guerra Mundial. Hoje, disse Lula, a Europa volta a ter sua riqueza concentrada na mão de poucos.

O prefeito de Roma, Ignazio Marino, concordou com Lula ao dizer que hoje, em Roma, a pobreza invade a casa de muitas pessoas. “Existe a necessidade de políticas que redistribuam a riqueza, não podemos pensar em resolver isso com políticas de consumo”, disse o prefeito após entregar a Lula a “Lupa Capitolina”, símbolo máximo de Roma.

Lula não falou com os jornalistas brasileiros de Roma nem de Milão. A assessoria do presidente estava ocupada em conter alguns jornalistas mais insistentes e interessados em uma declaração sobre o panorama político brasileiro atual. Um dos assessores disse ao blog esperar ter uma nova possibilidade para criar um ambiente propicio ao diálogo.

Reeleição na FAO

Graziano segue no comando da FAO até 2019

A reeleição quase unânime de José Graziano da Silva como diretor-geral da FAO demonstrou que os países-membros da Organização não somente apoiam a gestão de Graziano, como querem a continuidade da expansão das políticas de combate à pobreza que tiraram o Brasil do mapa da fome.

“Sem dúvida, uma das experiências mais exitosas que nós temos para mostrar ao mundo é o caso brasileiro: pela rapidez com a qual se logrou – praticamente – erradicar a fome e pela amplitude, atingiu todo o País”, declarou o diretor-geral da FAO uma semana antes de ser reeleito.

A Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, esteve na FAO no sábado e destacou que, sem colocar os pobres no orçamento público, não se constrói uma agenda de superação da fome. “Acredito que esta seja a grande lição que o Brasil traz”, afirmou.

Prioridades

Graziano já delineou as prioridades do segundo mandato, que terminará em julho de 2019. Entre os principais, está o incentivo à expansão dos programas de proteção sociais, que hoje permitem que, no mundo inteiro, 150 milhões de pessoas saiam da linha da pobreza ao garantir uma alimentação digna. Na agenda, a FAO também busca soluções diante das mudanças climáticas que já começam a afetar a produção mundial de alimentos.

Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

A Presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini, inicia na próxima quinta-feira uma viagem à Argentina, ao Chile e ao Brasil no âmbito do Ano da Itália na América Latina. Ela adiantou que, em Buenos Aires o foco será no direito das mulheres, no Chile, a educação e no Brasil, as conquistas sociais e o marco civil da Internet – que Boldrini considera pioneiro e poderia inspirar uma lei italiana similar.

“Temos o objetivo de ter essa ‘Constituição para a Internet’: os princípios e direitos de quem está na Internet. Porque não é verdade que tudo seja livre e gratuito. Quem está na Internet às vezes não sabe que os próprios dados são usados em benefício de quem, depois, fatura sobre eles. Assim como é inaceitável que a violência seja tão difundida em detrimento das pessoas mais vulneráveis”.

Política social

Em Brasília, a presidente manterá um encontro com a ministra do desenvolvimento social no contexto da saída do Brasil do mapa da fome das Nações Unidas. Boldrini quer aprofundar o conhecimento dos programas sociais que permitiram a saída de milhões de brasileiros da miséria como, por exemplo, o bolsa família:

A presidente Boldrini
A presidente Boldrini

“Acredito que seja um dos programas que tenha tido êxito extraordinário. Milhões de pessoas superaram a fome e a pobreza e este é um tema crucial. Penso que temos muito o que aprender com o bolsa família. O encontro com a ministra que ajudou a desenvolver este projeto vai nos ajudar a entender como ele pode ser adaptado para outras realidades”.

Safari na favela

Ao tomar conhecimento dos novos “Safaris” nas favelas do Rio de Janeiro, nos quais turistas sobem os morros em jeeps para fotografar e invadir a privacidade dos moradores, Boldrini disse que – com o histórico de trabalho pelos direitos humanos – “sabe que esse comportamento é contra-produtivo e prejudicial”.

“Nós vamos visitar projetos nas favelas. Falaremos com quem trabalha, com quem conduz estas atividades, os beneficiários destes projetos para saber dos resultados que alcançaram”, explicou.

Papa Francisco

Na Argentina, Boldrini deverá participar de uma missa de ação de graças pela beatificação de Dom Oscar Romero, no sábado, na basílica que deu ao mundo o Papa Francisco. Ela fala porque o magistério do Papa deve ser aplicado na política.

“Papa Bergoglio está recolocando no centro das atenções de todos os potentes da Terra exigências de justiça social. Ele leva adiante uma batalha contra a corrupção, volta à atenção para a solidariedade e luta contra a ‘globalização da indiferença’. Acredito que, por todos estes motivos, a ação do Papa Francisco seja importante. Espero que a política saiba ler a mensagem que existe nesta sua obra porque estes temas são políticos. É importante que a política saiba redimir-se sobre estes temas e seja capaz de dar mais respostas às necessidades das pessoas”.

Boldrini: importante il richiamo del Papa alla solidarietà

La presidente della Camera, Laura Boldrini, visiterà da giovedì prossimo il Brasile, l’Argentina e il Cile. L’obiettivo è conoscere i progetti sociali in atto in questi paesi per combattere la miseria, per promuovere le donne e assicurare l’istruzione a tutti. Sabato 23 la Boldrini parteciperà, nella Cattedrale di Buenos Aires, alla messa di ringraziamento per la beatificazione dell’arcivescovo, Oscar Romero che sarà beatificato proprio quel giorno a San Salvador. Al microfono del collega Rafael Belincanta, la presidente della Camera ha espresso apprezzamento per l’azione che sta svolgendo Papa Francesco a favore di un nuovo ordine sociale. Sentiamo quanto ha detto:
“Papa Bergoglio sta riportando al centro dell’attenzione di tutti i potenti della Terra esigenze di giustizia sociale; fa una battaglia contro la corruzione, indirizza l’attenzione sulla solidarietà e lotta contro la globalizzazione dell’indifferenza. Io ritengo che per tutti questi motivi è importante l’azione di Papa Bergoglio e mi auguro che la politica sappia leggere il messaggio che c’è in questo suo operato, perché questi temi “sono” politici ed è importante che la politica sappia riscattarsi su questi temi e sappia essere maggiormente in grado di dare risposte ai bisogni delle persone”.

FAO reconhece os avanços do Brasil na luta contra a fome

FAO reconhece os avanços do Brasil na luta contra a fome

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) reconheceu, neste domingo, 30/11, as conquistas que o Brasil e outros 12 países obtiveram na redução da fome e da desnutrição na última década.

De acordo com a FAO, em 2002, 10% da população brasileira passava fome. Em 2013, os dados mostram que este número caiu para 1,7%. Em termos absolutos o Brasil vence a guerra contra a fome, contudo, 3,4 milhões de brasileiros ainda não tem o que comer. A Ministra do Desenvolvimento Social e Luta contra a Fome, Tereza Campello, afirmou durante a entrega do prêmio, na sede da FAO em Roma, que “a primeira geração de crianças livre da fome já nasceu no Brasil”.

A ministra destacou que hoje o programa Bolsa Família, cujo valor médio é de R$ 168, complementa a renda de 14 milhões de famílias no país – aproximadamente 50 milhões de beneficiados. Para ter acesso ao benefício, as famílias precisam garantir que as crianças frequentem a escola e façam uma visita médica a cada seis meses.

“Quando se pensa que a pobreza seja o resultado de uma leniência, que o pobre é um perdedor ou uma pessoa preguiçosa, não é bem assim. Porém, estamos construindo uma futura geração que não precisa do Bolsa Família, que teve acesso à educação e à saúde, mas aí se eles vão estar empregados, vai depender da economia mundial”, disse a ministra.

Ações locais contra a fome

A ministra afirmou ainda que, agora, uma vez atingidas as metas internacionais, o foco das políticas públicas de combate à fome passam a ser locais.  E citou exemplos:

“Estamos promovendo políticas específicas de assistência técnica para quilombolas indígenas, para populações extrativistas, para pescadores artesanais, comunidades ribeirinhas. Públicos que vivem, às vezes, de maneira isolada e que têm culturas diferenciadas, portanto, a assistência técnica não pode ser generalizada”, explicou Campello.

O Arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer, reconhece os avanços promovidos pelo Bolsa Família contudo reitera a necessidade de promover a emancipação dos beneficiados.

“Se cessarem agora os programas de assistência do governo, teremos imediatamente de novo a fome. No momento, superamos a fome, mas ainda no meu conceito, não superamos a miséria. É preciso continuar a lutar, devem ser dadas novas prioridades para que estas pessoas possam ser autônomas”, advertiu o arcebispo.

O Diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, disse que o êxito do Brasil no combate à fome está se refletindo também na distribuição das riquezas.

“Hoje, a ênfase na distribuição de renda em um processo de crescimento levou o Brasil para um outro caminho que tem sido até agora bem sucedido”, reiterou Graziano.

Países que avançaram

Etiópia, Gabão, Gâmbia, Irã, Quiribati, Malásia, Mauritânia, Ilhas Maurício, México e Filipinas são os outros países que alcançaram a meta em reduzir pela metade, até 2015, o percentual de pessoas que passam fome.  Brasil, Uruguai e Camarões, além de atingirem este objetivo, conseguiram ainda alcançar a meta de reduzir pela metade até 2015 o número absoluto de pessoas que passam fome.

Graziano afirma que estes reconhecimentos representam bem a mudança de paradigma pela qual passam as políticas de combate à fome e a desnutrição da FAO.

“Ninguém gosta de expor a sua miséria.  Diante disso, a FAO passou a valorizar que tinham conseguido superar as mazelas. Com esse reconhecimento pelo lado positivo, e não para acentuar o número de crianças que morrem todos os dias ou ressaltar a indignação em relação à fome, a FAO procura valorizar os países e compartilhar as experiências positivas”, disse Graziano.

Segundo mandato

Durante a premiação,  o representante da Mauritânia declarou publicamente o apoio do país do norte da África para um segundo mandato de Graziano à frente da FAO. As eleições acontecerão em junho do ano que vem.

“Eu fiquei surpreso, não esperava, mas gostei, como candidato, de receber esse apoio”, declarou Graziano.

África continua a região mais desnutrida do mundo; Brasil vira exemplo de combate à fome

África continua a região mais desnutrida do mundo; Brasil vira exemplo de combate à fome

Nunca se produziu tanto alimento quanto em 2014. Apesar disso, 805 milhões de pessoas ainda não têm acesso à uma alimentação digna e estão subnutridas, segundo o relatório anual da ONU sobre a fome no mundo em 2014.

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Meninos na pausa para o almoço em um escola na Tanzânia, em 2013. Merenda é garantida por meio de um programa insipirado no Fome Zero do Brasil.

Foi apresentado nesta terça-feira (16.09), em Roma, na sede da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o relatório anual sobre a fome no mundo em 2014. A apresentação este ano foi antecipada para que, na próxima semana, os resultados possam ser divulgados durante a Assembleia geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Nunca se produziu tanto alimento quanto em 2014. Apesar disso, 805 milhões de pessoas ainda não têm acesso a uma alimentação digna e estão subnutridas. A situação paradoxal afeta principalmente as populações nos países em desenvolvimento, que concentram 791 milhões dos subnutridos.

África desnutrida: o caso dos PALOP

Somente na África, são 226 milhões os subnutridos, o que representa 22% da população do continente. Numa caminhada contrária ao resto do planeta, o número de pessoas famintas na África tem aumentado desde 1990.

Para se ter uma ideia, somente, Angola e Moçambique somam 11 milhões de subnutridos. Apesar de Angola ter alcançado a meta do desenvolvimento do milénio ao reduzir pela metade a proporção de pessoas subnutridas, atualmente 4 milhões de angolanos não conseguem comer com dignidade. Um sinal claro de que a desigualdade social é um fator que impede o desenvolvimento pleno do país. Em mais de 20 anos de luta contra a fome, Moçambique reduziu a proporção da população subnutrida em 50%, caminha para atingir a meta de desenvolvimento do milênio, mas continua a ser pátria de 7 milhões de subnutridos.

A redução da pobreza e da percentagem de pessoas com fome é também bastante visível outros PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Na Guiné-Bissau, a descida é menos significativa: apenas 23,5%, correspondente à redução da fome na população.

Em Cabo Verde, a redução é de 38,9%, equivalente à descida na percentagem da população com fome de 16,1% em 1990 para 9,9% este ano. Em São Tomé e Príncipe, a percentagem de pessoas malnutridas desceu de 22,9% para 6,8%.

O  diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, traça um rápido panorama de alguns obstáculos que fazem com que África hoje, infelizmente, esteja a perder a luta contra a fome.

“Nós vemos hoje que ainda há muitas limitações estruturais para os investimentos privados na agricultura africana. Eu começaria pela instabilidade político-social, e o conflito que existe em boa parte dos países da região. Ninguém vai investir num país com instabilidade política e social. Porém, temos visto que os governos não têm dedicado recursos suficientes para prover a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento das áreas rurais. Sem infra-estrutura, também, o setor privado não vai investir na agricultura dos países africanos.”

Apesar da falta de estabilidade e infra-estrutura, alguns países africanos são modelos a ser seguidos, lembra o diretor-geral da FAO. “Eu destacaria o Gana e o Malawi, que apesar de todas essas adversidades, conseguiram dar um avanço significativo na redução dos subnutridos.

O exemplo do Brasil

As políticas públicas de combate a fome no Brasil ganharam capítulo especial. O país não somente atingiu a meta de desenvolvimento do milênio (diminuir pela metade a proporção de pessoas que passam fome até 2015) assim como o objetivo mais árduo estabelecido pelo World Food Summit em reduzir pela metade o número absoluto de pessoas que passam fome.

“Particularmente, no caso do Brasil isso chama muito a atenção. O Brasil, por ter 200 milhões de habitantes, puxa os números [da América Latina] e o que nós vimos no Brasil durante toda a década passada, a partir do ano 2000, foi um forte decréscimo no número de pessoas subnutridas. Se tomarmos os triênios a partir de 2002, o decréscimo é de -1,7%, em 2005-2007, passa a -5%, mantém-se em -5% em 2009-2012 e aumenta para -5,1% no período recente, de 2011-2013”, finalizou o diretor geral da FAO, José Graziano da Silva.

Links originais: DW e RV

O Brasil que alimenta a África

O Brasil que alimenta a África

No Malaui, crianças recebem refeições nas escolas, um exemplo exportado do programa brasileiro  Foto: Rafael Belincanta / Especial para TerraNo Malaui, crianças recebem refeições nas escolas, um exemplo exportado do programa brasileiro
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
RAFAEL BELINCANTA
Direto de Mkuranga (Tanzânia)

A crise na Europa fez com que doadores tradicionais como França, Espanha e Itália tivessem uma retração nas verbas. O Brasil, porém, fez a maior doação repassada ao World Food Programme (WFP) de sua história em 2012, terminando o ano como o 10º maior doador, com mais de US$ 82 milhões. Isso representa duas posições à frente comparado a 2011,quando ficou em 12º lugar com US$ 70,5 milhões doados; e 34 posições à frente que em 2007, primeiro ano em que o Brasil apareceu no ranking dos 100 maiores doadores, em 44º lugar e US$ 1,1 milhão doado.

Dentro de um armazém no distrito de Mkuranga, Tanzânia, um saco de açúcar com a escrita Product of Brazil não deixa dúvidas: as doações de alimentos do Brasil ao Programa Mundial Alimentar (PMA) chegam à África. Não bastassem os financiamentos em espécie, em 2012 o Brasil também fez grandes doações de commodities.

Já em outubro do ano passado, durante o primeiro encontro da nova secretária executiva do PMA, Etharin Cousin, com a imprensa estrangeira em Roma, ela anunciara que o Brasil estaria entre os maiores doadores do ano.

De fato, desde que o ex-ministro brasileiro José Graziano da Silva foi eleito diretor-geral da FAO, Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, em 2011, o Brasil passou a exercer um novo papel nas decisões que concernem às agências da ONU em Roma. Além da FAO e do PMA, também tem sede na capital italiana o FIDA,Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura.

Mas não são somente as doações em dinheiro e de alimentos que aumentam o responsabilidade do Brasil diante da comunidade internacional. O reconhecimento maior, seja da África ou dos países europeus, aparece muitas vezes na forma de respeito às conquistas do País, dentro de casa, no combate à fome e à pobreza.

As experiências bem sucedidas do Fome Zero colocado em prática por Graziano durante o governo Lula vão além das fronteiras do Brasil. Principalmente em direção à África, confirmando as intenções da FAO em dar atenção especial a assim chamada Cooperação Sul-Sul. Tanto que um Centro de Excelência no Combate à Fome foi construído em Brasília em parceria do PMA com o governo.

Irene Del-Río é espanhola e trabalha no escritório regional do PMA no Malauí. Ela esteve no Centro de Excêlencia e de lá trouxe modelos de combate à fome que já estão em prática, como é o caso da escola do distrito de Mbwadzulu, distante cerca de 300km da capital Lilongwe. Ali, ao menos 600 crianças e adolescentes são beneficiados por um projeto inspirado no Fome Zero de investir na produção e consumo local. O PMA repassa verbas para as escolas e estas, por sua vez, compram os alimentos produzidos pelos pais dos alunos.

“O programa é uma continuação do Fome Zero. Estivemos dois meses no Brasil para aprender as práticas dos programas existentes no Brasil. Nosso enfoque aqui é na alimentação escolar. Dentre todas as experiências que o Brasil tem na luta contra à pobreza e contra à fome, a alimentação escolar é uma das coisas que se poderiam melhor implementar no Malauí”, completa Del-Río.

Apesar das semelhanças na aplicação dos projetos, é preciso dar um rosto africano aos projetos. Principalmente na capacitação de quem conhece a fundo as principais necessidades dos países africanos.

“A ideia não é somente replicar os programas do Brasil mas ver quais foram as experiências, negativas e positivas, que foram aprendidas, e aplicá-las nos contextos africanos que em alguns casos, em alguns distritos, são bastante parecidos com o que vimos no Brasil. Então, a parte da assistência técnica é muito valiosa para os governos africanos que têm capacidades limitadas para desenvolver políticas”, aponta Del-Río.

A mudança na posição do Brasil diante da comunidade internacional que, praticamente em uma década, passou de País que recebia recursos para um dos principais doadores do PMA, estreitou os laços com os países africanos mais necessitados e ganhou o respeito dos países ricos. Entretanto, o balanço fiscal do PMA relativo ao mês de janeiro deste ano revela um Brasil um tanto quanto mais ponderado nas doações: 22ª posição na lista com pouco mais de US$ 626 mil dólares enviados ao PMA.

Doações do Brasil ao programa desde 2006
Ano valor (US$) Colocação
2006 Não conta na lista não consta na lista
2007 1,1 milhão 44°
2008 1,2 milhão 48º
2009 15,7 milhões 25º
2010 12,9 milhões 29º
2011 70,5 milhões 12º
2012 85 milhões 10º

FAO diz que cerca de 870 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo

FAO diz que cerca de 870 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo

 

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Agência informa que houve reduções nos níveis de insegurança alimentar na Ásia e na América Latina; mas na África, nos últimos quatro anos, mais 20 milhões de pessoas foram lançadas numa situação de fome.

Dezenas de milhares de pessoas já morreram por causa da fome no Chifre da África

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

Um novo relatório das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira, revela que cerca de 870 milhões de pessoas continuam passando fome em todo o mundo. Apesar de uma queda no número de famintos na América Latina e na Ásia, um em cada oito habitantes do planeta ainda sofre de má nutrição.

O documento “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2012” informa que a grande maioria das pessoas que passam fome, ou 852 milhões, vivem em países em desenvolvimento.

Políticas

Mas a pesquisa também registra casos de sucesso. Na América Latina, por exemplo, Peru e Nicarágua conseguiram reduzir o problema em 54% e 49%, respectivamente.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, José Graziano da Silva, afirmou que com políticas coordenadas, algumas regiões poderão atingir as Metas do Milênio.

Nesta entrevista à Rádio ONU, de Roma, Graziano da Silva, falou sobre os resultados das políticas de combate à fome no Brasil.

“Merece destaque também para o Brasil que reduziu em 40% o número de pessoas com fome entre 1990 e 2012”.

A região que obteve mais êxito no combate à fome, segundo o relatório da FAO, foi a Ásia. Nos últimos 10 anos, 200 milhões de pessoas deixaram de ser ameaçadas pelas insegurança alimentar. A China, em números absolutos, reduziu em 100 milhões o número de famintos.

Mas na África, enquanto alguns países apresentam avanços, outros ainda estão estagnados, como contou Graziano da Silva.

“Infelizmente, nas regiões da África Subsaariana e no Chifre da África vimos um aumento do número de pessoas com fome. É uma região em que temos enfrentado todos os tipos de problemas como secas, inundações, conflitos e vai na contramão da tendência geral da redução da (fome). Mas mesmo na África temos boas notícias: Gana, por exemplo, reduziu a fome em 87%, Mali, antes do conflito, tinha uma redução de 44% e Camarões de 35%.

Isso mostra que mesmo em situações adversas, quando há políticas para promover o desenvolvimento agrícola, principalmente dos pequenos agricultores, como foi feito em Gana, elas dão resultados imediatos no número de famintos”

A FAO lembrou que alguns ganhos no combate à fome foram revertidos com a recessão global. Mas segundo Graziano da Silva é inaceitável que o mundo ainda tenha 100 milhões de crianças, com menos de cinco anos de idade, que estejam abaixo do peso por não ter o suficiente para comer.

Ele encerrou dizendo que a comunidade internacional precisa se esforçar mais para reverter o quadro da fome no mundo.

 

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