ONG inglesa equipa índios para denunciar abusos em tempo real

ONG inglesa equipa índios para denunciar abusos em tempo real


Voz Indígena” é o nome do mais recente projeto da ONG inglesa Survival International. A ideia consiste em equipar os índios com as mais recentes tecnologias de comunicação para que eles possam retratar a realidade diária nas tribos.

Conversamos com Sarah Shenker, referência em língua portuguesa da Survival International, direto de Londres.

“Demos um smartphone para gravar um vídeo sobre os assuntos que eles desejam falar. E, também, outras máquinas para enviar o material. Além de um painel solar, já que as regiões estão isoladas e sem eletricidade, para que eles possam usar o aparelho quando desejarem”, disse Shenker ao afirmar ainda que para a Survival International também foi um processo de aprendizagem:

Índio guarani usa equipamento da ONG
Índio guarani usa equipamento da ONG

“Nós tampouco tínhamos usado esse aparelho, desenvolvemos a ideia e aprendemos a usar o equipamento de maneira eficaz. Passamos muito tempo nas aldeias, com as pessoas a quem ensinamos a usar, falando sobre o projeto e as possibilidades que isso pode trazer para eles”, acrescentou.

O site do projeto, em inglês – mas que em breve deverá ganhar uma versão brasileira –, reúne sete vídeos desde que as primeiras mensagens dos índios começaram a chegar no mês passado.

O vídeo de estreia traz o depoimento de uma índia Ianomâmi que fala sobre suas impressões acerca do “Voz Indígena”. As terras dos ianomâmis, na fronteira do Brasil com a Venezuela foram demarcadas após 20 anos de campanha liderada pela Survival International.

Hoje, o projeto “Voz Indígena” tem foco na questão dos Guarani-Kaiowá para ajuda-los a alcançar a tão almejada meta de terem suas terras reconhecidas e demarcadas – como prevê a Constituição brasileira.

As primeiras denúncias dos índios retratam os abusos sofridos pela comunidades, desde casas queimadas até a presença intimidadora de seguranças contratados por fazendeiros.

Diversidade

http://tribal-voice.org/
http://tribal-voice.org/

De acordo com Sara Shenker, o projeto não se limitará a publicar as denúncias dos índios.

“É também para que os índios possam mostrar ao mundo que sim, eles vivem de forma diferente, mas que esta é uma forma de viver e é muito rica. É diferente da nossa, mas nenhum é melhor que o outro”, explicou.

“Voz Indígena” quer, por fim, promover uma mudança de paradigma na luta dos índios pela causa da demarcação das terras.

“É a primeira vez que um projeto assim é feito. É um experimento, mas achamos que pode mudar muito a dinâmica da luta indígena, dos povos indígenas ao redor do mundo, para proteger os territórios deles, sem os quais eles não podem sobreviver”, concluiu Shenker.

Jovens venezuelanos fazem greve de fome em protesto contra Maduro e pedem para encontrar o Papa

Jovens venezuelanos fazem greve de fome em protesto contra Maduro e pedem para encontrar o Papa

Os jovens venezuelanos Martín Paz e José Vicente Garcia entraram, nesta quarta-feira, (09/06), no quinto dia de greve de fome. Eles estão diante da Sala de Imprensa do Vaticano e querem um encontro com o Papa Francisco. Ambos são membros da Câmara de Vereadores de San Cristóbal, capital do estado venezuelano de Tachira.

martin.jpg
Martin, 29 anos, disse que pretende denunciar ao Papa as violações dos direitos humanos na Venezuela.

Martín, 29 anos, disse que pretende denunciar ao Papa as violações dos direitos humanos na Venezuela. O jovem afirmou que o protesto aconteceria com ou sem a presença de Nicolás Maduro. O Presidente da Venezuela cancelou o encontrou que teria com Francisco no último domingo, (07/06).

“Hoje, em nosso País, a situação dos direitos humanos é complicada. Pessoas são torturadas, perseguidas e reprimidas porque se expressam diferentemente do governo. Existem mais de 70 presos políticos nas penitenciárias venezuelanas. Pessoas morreram por causa da repressão do governo. Por isso, nós nos somamos à greve de fome em curso em nosso País, que acontece em oito estados onde mais de 50 pessoas, não somente políticos, mas também cidadãos comuns, protestam para pressionar o governo e o mundo para que os direitos humanos sejam respeitados em nosso País”.

Martin Paz e José Vicente Garcia em um colchão na calçada da Via da Conciliação
Martin Paz e José Vicente Garcia em um colchão na calçada da Via da Conciliação

Martín e José vieram ao centro da fé católica também para defender a entrada de organismos internacionais na Venezuela para que estas avaliem a situação dos direitos humanos no País.  “Deixamos nossos filhos, nossas esposas, a nossa gente para vir aqui e tornar visível aquilo que para a Comunidade internacional é invisível. Queremos derrubar esse governo de fachada e, por isso, viemos até a máxima representação da Igreja”.

[vimeo https://vimeo.com/130228332]

“Hoje os venezuelanos não têm uma instituição a qual recorrer em nível nacional. E, por isso, a Igreja é o primeiro ente ao qual as pessoas recorrem quando o Estado não responde. A fé é o que está movendo a Venezuela hoje. Todos em greve de fome foram levados à igrejas. E, nós, viemos para cá, como representação desta fé e, além disso, confiando no Papa Francisco, que conhece muito bem a realidade da Venezuela, e pode interceder para solucionar estes problemas. Tudo o que queremos é sermos minimamente escutados, poder entregar uma carta ao nosso Papa, que ele não somente saiba da situação atual na Venezuela mas que também as pessoas na Venezuela sintam a esperança de que o Papa intercederá por todos nós”.

Angola: paradoxos de uma frágil democracia

Angola: paradoxos de uma frágil democracia

O governo de Angola voltou a dizer que respeita a liberdade de expressão e que “se existem manifestações no País é porque há democracia”. As palavras são do Ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, que na semana passada esteve em Roma para a 2ª Conferência Internacional sobre Nutrição.

Canga afirmou ainda que em Angola os direitos humanos são respeitados, apesar da críticas do Conselho dos Direitos Humanos da Onu que, no final de outubro, afirmou que “as recusas de Angola em admitir o uso de táticas repressivas colocaram em xeque a vontade do País” em aderir e implementar as  recomendações concretas do Conselho para a garantia dos direitos humanos.

Durante a revisão dos direitos humanos no País feita pelo Conselho dos Direitos Humanos, o Ministro da Justiça, Rui Mangueira disse que Angola reforça as leis que garantem a liberdade de expressão, de manifestação e de imprensa. Afirmou, também, que o governo não fechou nenhum veículo de comunicação e nem deteve nenhum jornalista.

Todavia, sabe-se que em Angola são poucos os meios de comunicação privados que não estão nas mãos do partido no poder há 35 anos e, por isso, as redes sociais e os blogs passam a ter um papel importante nas críticas contra o governo.

Neste sentido, destacam-se algumas emissoras internacionais cujo conteúdo crítico e independente ganha cada vez mais credibilidade – entre elas a Rádio Vaticano e a alemã Deutsche Welle. Para o governo de Angola, torna-se mais difícil usar lei de difamação contra estes veículos internacionais, como fez com alguns jornalistas angolanos que denunciaram a corrupção e o abuso dos direitos humanos.

Um dos principais meios de comunicação independente em Angola é a Rádio Ecclesia. Todavia, alguns críticos apontam que a rádio da Igreja católica gozaria de benefícios governamentais e que seria mera retransmissora dos conteúdos da imprensa do governo. Porém, o mesmo governo que a beneficiaria ainda restringe o sinal da emissora somente à área de Luanda.

Não é só a liberdade de imprensa que está sob a mira do governo. Neste fim de semana, a polícia voltou a impedir uma manifestação contra o governo marcada por vários grupos de ativistas que aconteceria em Luanda. O ato pediria justiça após o ativista de oposição Manuel Carvalho Ganga ter sido assassinado pela guarda presidencial há exato um ano.

Guarani-Kaiowá denuncia negligência do governo no Comitê dos Direitos Humanos

Guarani-Kaiowá denuncia negligência do governo no Comitê dos Direitos Humanos

MP3 A voz de um índio Guarani-Kaiowá ecoou na mais alta representação dos Direitos Humanos para denunciar a negligência do governo brasileiro em relação aos povos indígenas. Eliseu Lopes, professor e reconhecida liderança dos Guarani-Kaiowá, termina em Milão a sua passagem pela Europa onde teve a oportunidade de relatar as violências sofridas pelo seu povo na luta pelo reconhecimento do direito dos índios à terra.

“No Brasil já fizemos inúmeras reivindicações dos nossos direitos e denúncias, só que até hoje não recebemos nenhum resultado. Portanto, o socorro que os Guarani-Kaiowá estão pedindo agora se dirige principalmente às autoridades internacionais”, disse Eliseu à RV por telefone, em Milão.

A resposta da comunidade internacional ao apelo de Eliseu feito durante a 27ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, poderá vir por meio dos tribunais internacionais, afirma o coordenador do CIMI no Mato Grosso do Sul, Flávio Machado: “A iniciativa de promover a denúncia internacional e, agora, uma denúncia formal para que o Estado brasileiro seja demandado em cortes internacionais frente a essa negligência que resulta em morte dos povos indígenas”.

Cultura de preconceito e morte no Brasil

Estimativas das Nações Unidas apontam que as populações indígenas representam mais de 5% da população mundial, aproximadamente 370 milhões. No Brasil, hoje os índios estão reduzidos a 900 mil. Levantamentos da ONG inglesa Survival International detalham esse número: os índios do Brasil estão divididos em 240 tribos das quais provavelmente 77 ainda vivam isoladas.

A etnia Guarani é dividida em três grupos, que somam cerca de 60 mil indíos. A tribo mais numerosa é a Kaiowá, cujo território ancestral reivindicado encontra-se no estado de Mato Grosso do Sul. O CIMI denuncia ainda a escalada de ódio contra os índios nos últimos dez anos no Mato Grosso do Sul, onde um índio Guarani-Kaiowá é assassinado a cada 12 dias e outro comete suicídio a cada sete dias.

“Lamentavelmente os acordos políticos e ecônomicos que estão envolvidos – inclusive na eleição atual – não têm os povos indígenas como uma demanda principal a ser resolvida. O que importa são os acordos ecônomicos – o agronegócio – o desenvolvimento. Os índios são entendidos como um empecilho. Isso só se muda com uma política séria de respeito aos direitos que já existem em nossa Constituição e, acima de tudo, com o promover de um processo educacional que realmente mostre para a nossa sociedade quem são os povos indígenas”, disse o coordenador do CIMI no Mato Grosso do Sul.

Ativismo internacional

Há mais de 45 anos a ONG inglesa Survival International trabalha ao lado dos povos indígenas do Brasil para o reconhecimento das terras. “A Survival segue com esta campanha que pede ao governo brasileiro a demarcação imediata das terras dos Guarani evitando que mais pessoas morram”, confirma Sarah Shenker, responsável da campanha da ONG em favor dos Guarani-Kaiowá.

Legislação

O Brasil ratificou e introduziu como lei nacional a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre os direitos fundamentais dos povos indígenas e tribais. Entretanto, passados 25 anos da criação da Convenção e em meio a tantas propostas de emendas constitucionais, o Brasil, ao lado de Suriname, não aplica uma das principais recomendações e continua a ser o único país da América do Sul a não reconhecer o direito dos índios à propriedade da terra.

Relatora da ONU pede mais direitos para mulheres na Itália

Ouvir / Baixar

Após visita de 11 dias ao país, Rashida Manjoo disse que país precisa de um plano nacional de ação contra a violência à mulher, e de maior presença feminina no mercado de trabalho.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

Após uma visita de onze dias à Itália, a relatora especial para a Violência contra as Mulheres, Rashida Manjoo, divulgou algumas recomendações prévias para o país. Durante a viagem oficial, a relatora encontrou-se com autoridades italianas, membros da sociedade civil e vítimas de violência à mulher.

Rashida Manjoo recomendou ao governo que reforce as questões ligadas à violência contra a mulher no país, incluindo a promulgação de novas leis como, por exemplo, uma legislação sobre as perseguições, o estabelecimento de um plano nacional de ação de violência contra as mulheres e também em relação à paz e segurança femininas.

Consequências

A relatora da ONU também sugeriu planos para a inclusão das mulheres no mercado de trabalho e a criação de organismos do governo responsáveis pela promoção e proteção dos direitos das mulheres.

Essa foi a primeira vez que uma relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU esteve na Itália para investigar as causas e as consequências da violência contra a mulher.

Durante a visita, ela passou por centros de detenção e abrigos. As reuniões ocorreram nas cidades de Nápoles, Bolonha, Roma e Milão.

O relatório final será publicado em junho, na sede do organismo em Genebra, na Suíça.

*Colaboração: Cristiane Murray, Rádio Vaticano.

ONU aprova resolução contra recrutamento de crianças-soldado

ONU aprova resolução contra recrutamento de crianças-soldado

O Conselho de Segurança da ONU adotou, ontem, por unanimidade, uma resolução contra o recrutamento de crianças-soldado nos conflitos armados e contra a violência que elas são regularmente submetidas.

O documento pede aos países-membros que “adotem ações decisivas e imediatas contra quem, no desenrolar de conflitos armados, comete violações e abuso contra as crianças”. Reitera ainda a necessidade de “submeter à Justiça os responsáveis por tais violações, expressamente proibidas por leis internacionais”.

Entre estes crimes, a resolução das Nações Unidas especifica que estão “o recrutamento e o emprego de crianças em conflitos armados, os assassinatos e as mutilações, o estupro e outras violências sexuais”, sem esquecer os ataques às escolas e hospitais.

De acordo com informações da ONU, em 31 países da África, Ásia, Europa, América Latina e Oriente Médio, “escolas foram alvo de ataques violentos e ameaças”. Para demonstrar o triste fenômeno da exploração das crianças-soldado, a Rádio Vaticano entrevistou Elena Avenati, coordenadora dos Advogados Internacionais da ONG Save the Children italiana.

 

inocência perdida
Criança-soldado na África

 

“No mundo são mais de 250 mil os menores de idade que fazem parte dos confrontos, em mais de 35 países. Os menores são usados seja pelos exércitos dos governos seja por grupos armados. Suspeitamos que somente no continente africano sejam 120 mil. Infelizmente, um outro dado significativo é que a maioria dos menores, meninas e meninos, tem entre 15 e 18 anos, mas alguns tem apenas dez anos e com isso vemos que a tendência é que a média de idade diminua”.

Elena explica quais são os instrumentos jurídicos internacionais estão disponíveis para colocar os responsáveis diante da Justiça.

“As cortes penais de justiça presentes em vários países, que são indicadas para resolver este tipo de problemática, devem ser capazes de receber os processos das crianças vítimas. Também é importante o trabalho das ONG’s que atuam nos setores de emergência e ajuda humanitária, como a ‘Save the Children’. Tais organizações podem criar uma série de condições para que sejam dados instrumentos a quem pode ajudar a levar à Justiça ‘in loco'”.

(RB/RV 07/13/2011)