FAO diz que cerca de 870 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo

FAO diz que cerca de 870 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo

 

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Agência informa que houve reduções nos níveis de insegurança alimentar na Ásia e na América Latina; mas na África, nos últimos quatro anos, mais 20 milhões de pessoas foram lançadas numa situação de fome.

Dezenas de milhares de pessoas já morreram por causa da fome no Chifre da África

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

Um novo relatório das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira, revela que cerca de 870 milhões de pessoas continuam passando fome em todo o mundo. Apesar de uma queda no número de famintos na América Latina e na Ásia, um em cada oito habitantes do planeta ainda sofre de má nutrição.

O documento “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2012” informa que a grande maioria das pessoas que passam fome, ou 852 milhões, vivem em países em desenvolvimento.

Políticas

Mas a pesquisa também registra casos de sucesso. Na América Latina, por exemplo, Peru e Nicarágua conseguiram reduzir o problema em 54% e 49%, respectivamente.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, José Graziano da Silva, afirmou que com políticas coordenadas, algumas regiões poderão atingir as Metas do Milênio.

Nesta entrevista à Rádio ONU, de Roma, Graziano da Silva, falou sobre os resultados das políticas de combate à fome no Brasil.

“Merece destaque também para o Brasil que reduziu em 40% o número de pessoas com fome entre 1990 e 2012”.

A região que obteve mais êxito no combate à fome, segundo o relatório da FAO, foi a Ásia. Nos últimos 10 anos, 200 milhões de pessoas deixaram de ser ameaçadas pelas insegurança alimentar. A China, em números absolutos, reduziu em 100 milhões o número de famintos.

Mas na África, enquanto alguns países apresentam avanços, outros ainda estão estagnados, como contou Graziano da Silva.

“Infelizmente, nas regiões da África Subsaariana e no Chifre da África vimos um aumento do número de pessoas com fome. É uma região em que temos enfrentado todos os tipos de problemas como secas, inundações, conflitos e vai na contramão da tendência geral da redução da (fome). Mas mesmo na África temos boas notícias: Gana, por exemplo, reduziu a fome em 87%, Mali, antes do conflito, tinha uma redução de 44% e Camarões de 35%.

Isso mostra que mesmo em situações adversas, quando há políticas para promover o desenvolvimento agrícola, principalmente dos pequenos agricultores, como foi feito em Gana, elas dão resultados imediatos no número de famintos”

A FAO lembrou que alguns ganhos no combate à fome foram revertidos com a recessão global. Mas segundo Graziano da Silva é inaceitável que o mundo ainda tenha 100 milhões de crianças, com menos de cinco anos de idade, que estejam abaixo do peso por não ter o suficiente para comer.

Ele encerrou dizendo que a comunidade internacional precisa se esforçar mais para reverter o quadro da fome no mundo.

 

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Gilberto Gil faz concerto contra a fome no mundo, em Roma

Gilberto Gil faz concerto contra a fome no mundo, em Roma

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Embaixador da Boa Vontade da FAO se apresentou no Parque da Música a convite da agência da ONU.

 

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

Um Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo.

Este foi o nome do show que Gilberto Gil escolheu para rodar o mundo no ano em que completou 70 anos. Logo no início do evento, Gil explicou.

“Cordas são as minhas duas vocais, as do meu violão, as do violão do meu filho Ben Gil. Máquinas de Ritmo são os meus companheiros na banda”.

Consequências

Antes de a música começar, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, lembrou ao público que atualmente, 1 a cada 7 pessoas no mundo sofre as consequências da fome.

Mais cedo, depois da passagem de som, Gil recebeu a Rádio ONU para uma entrevista.

“A fome sempre foi um problema onde e quando ela tenha existido. É um problema a ser resolvido pelas mães, pelos pais, pelas famílias, pelos coletivos. A questão atual fica muito mais grave – essa pode ser a maneira de ver – porque são grandes multidões num mundo com 7 bilhões, e ainda com possibilidade de crescimento muito maior da população mundial em que o sistema não tem sido capaz de alimentar todo mundo. É uma quantidade muito grande de gente com fome, abaixo da linha da pobreza. Então, não é mais um problema só dos pais e mães mas sim da família mundial, a família Terra, a família planetária está preocupada com isso porque é uma questão grave. E aí, então, todas as mobilizações, o fato de existir uma instituição já há muitos anos que vem monitorando os problemas da fome, a gravidade desses problemas, de sua intensificação”.

Brasil na FAO

Gilberto Gil, que é embaixador da Boa Vontade da FAO, comentou algumas atividades da agência e o trabalho do novo chefe da FAO, José Graziano da Silva.

“O Graziano fez experiências muito interessantes no sentido de politicas compensatórias no Brasil, especificamente para atacar a fome e a pobreza, para possibilitar o surgimento de novas classes médias, com capacidade de consumir, de acesso à educação e cultura e é uma experiência importante reconhecida no mundo inteiro. Agora acredito que ele à frente da FAO pode trazer uma experiência que – apesar de muito difícil – foi muito importante e de uma certa forma muito bem sucedida no Brasil e isso agora pode ser um elemento para as políticas mundiais”.

*Com reportagem da Rádio Vaticano.

FAO alerta para relação entre especulação das commodities e preço dos alimentos

FAO alerta para relação entre especulação das commodities e preço dos alimentos

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Agência teme possíveis consequências nos mercados; Brasil deve ter comportamento diferenciado devido à maior dependência em relação às condições internas.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que os produtores de alimentos devem ficar atentos não somente aos índices do mercado mundial, mas também aos nacionais.

José Graziano da Silva falou, nesta sexta-feira, durante um encontro em Roma, que também teve a participação do presidente da República Dominicana, Leonel Fernández.

Diferenças

A FAO pede aos agricultores que sigam atentamente as indicações de preços, devido às grandes diferenças entre o que acontece nos mercados internacionais e em cada um dos países, principalmente nos produtores.

O diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, cita o milho como exemplo.

“Depois de três meses consecutivos (de queda) estamos detectando uma certa reação de preços que vem, basicamente, puxada pela elevação do preço do milho norte-americano, em função de uma quebra de safra dos rendimentos esperados da safra que está sendo colhida nos Estados Unidos.

Isso deve impactar outros mercados. O milho é como o petróleo, ele entra em toda a cadeia agro alimentar. Então, certamente, outros preços substitutos como o trigo e o arroz serão afetados, embora não haja quebra de safra destes outros produtos.”

Preços

Para Graziano, a volatilidade dos preços pode comprometer a produção e induzir os que enfrentam a insegurança alimentar para uma situação de fome.

Mas para os brasileiros, por exemplo, a FAO espera um comportamento diferenciado, devido à maior dependência das condições internas dos mercados internacionais.

Apesar da queda dos preços dos alimentos nos últimos meses, a agência observa que os valores continuam mais altos, se comparados com décadas anteriores.

Consequências

O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, expressou as consequências que a especulação pode ter nos mercados.

O presidente dominicano afirma que o aumento do preços dos itens básicos de consumo pode provocar uma inquietude na população. Leonel Fernández lembra que quando há especulação, os preços sobem e ao atingir altos níveis, os governos podem subsidiar e haver déficit fiscal.

Já o diretor da FAO, José Graziano da Silva, afirmou ainda que a agência precisa de um pouco mais de recursos para poder abarcar outros mercados, como o de estoques, físico e os mercados futuros.

ONU, EUA e União Europeia fazem doações para vítimas da seca na região do Sahel

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Em encontro, em Roma, bloco europeu doou o equivalente a US$ 39 milhões, que somados ao montante prometido pelos Estados Unidos deve ultrapassar US$ 100 milhões.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.

Doações da União Europeia e Estados Unidos, principalmente, que somadas chegam a mais de US$ 100 milhões, equivalentes a R$ 170 milhões, devem garantir que sejam colocadas em prática as ações definidas e apresentadas na “declaração conjunta” para reforçar a ajuda humanitária na região Oeste da África, conhecida como Sahel.

Josette Sheeran, diretora-executiva do PAM diz que essa é uma seca devastadora.  Ela lembrou que a seca está levando mais 10 milhões de pessoas a uma grave situação de alimentação e nutrição.

Insegurança

Hoje, 1 milhão de crianças estão desnutridas na região do Sahel o que pode acarretar consequências ainda mais graves. A crise generalizada na alimentação e na nutrição não é somente causada pela insegurança e instabilidade mas também um fator.

O diretor-geral da FAO, que esteve na África, José Graziano da Silva, afirmou que a instabilidade na região será um dos principais problemas que a agência terá que enfrentar, principalmente por causa da violência. Para Graziano, o assunto deve ser analisado também pelos países-membros do Conselho de Segurança.

“O novo, no contexto, eu diria é que há uma escalada de conflito armado em todas as regiões. A minha impressão é que os países (africanos) estão preparados porém precisam de ajuda internacional para o Norte da África.

Declaração Conjunta

Já para o embaixador de Cabo Verde em Roma, José Eduardo Barbosa, que representou os países do Comitê Inter-Estados de Luta contra a Seca no Sahel na reunião, disse que a “declaração conjunta” deve mobilizar toda a sociedade para que se torne efetiva.

“Neste momento, o Sahel vai por à prova esta vontade, se ela de fato existe, como ela esta sendo declarada politicamente”.

A região de Sahel, também chamada de “zona vermelha”, é formada por partes de territórios de vários países incluindo Mauritânia, Níger, Senegal e Camarões.

Na FAO, José Graziano pede apoio de países para erradicar a fome

FOME/ ONU –
Artigo publicado em 03 de Janeiro de 2012 – Atualizado em 03 de Janeiro de 2012


O brasileiro José Graziano da Silva deu hoje sua primeira coletiva de imprensa depois de assumir a direção-geral da FAO.

O brasileiro José Graziano da Silva deu hoje sua primeira coletiva de imprensa depois de assumir a direção-geral da FAO.

REUTERS/Max Rossi

Discursando em inglês e espanhol, o novo diretor-geral da FAO, (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o brasileiro José Graziano da Silva, pediu hoje, em Roma, apoio da comunidade internacional para combater a fome no mundo. Graziano reuniu-se com os representantes dos países-membros e convidou todos a uma reaproximação para ajudar a agência.

Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma

“Eu pedi um apoio adicional (aos países-membros) nesse primeiro semestre, para levarmos adiante a reforma da FAO, torná-la mais eficiente e poupar recursos da burocracia e poder ter uma atuação mais forte, mais presente, nos países”, afirmou hoje, em sua primeira entrevista coletiva depois que assumiu o cargo, no domingo.

Esse apoio é fundamental neste período no qual as finanças da FAO não vão bem. O corte no orçamento da própria ONU também se fez sentir em Roma. Além disso, muitos países-membros estão em débito com a Organização. O maior doador, os Estados Unidos, retem recursos em Washington e defende a reforma da organização, após três mandatos consecutivos de 18 anos de seu antecessor, o senegalês Jacques Diouf.

Graziano reafirmou que pretende promover uma mudança de rota no combate à fome. Os países “do coração da África” e os do Chifre da África terão prioridade. Neste mês, ele vai à África para conhecer de perto a realidade dessas duas regiões. Ainda com metas voltadas aos países em desenvolvimento, o brasileiro pretende reforçar a cooperação sul-sul.

 

Ouça a entrevista de José Graziano concedida a nosso correspondente em Roma:

03/01/2012

 

“É um instrumento que nós vamos utilizar cada vez mais, para mobilizar não recursos financeiros, mas sobretudo técnicos. Alguns países do sul, que têm condições muito similares de alguns países africanos e asiáticos, apresentam um acúmulo de conhecimento”, argumentou o diretor-geral, citando os exemplos da Embrapa e do Inia, do Brasil e da Argentina.

Com a experiência de ter sido representante da FAO na América Latina, Graziano defendeu a descentralização da organização e anunciou que 2014 será o Ano Internacional da Agricultura Familiar. Ainda lembrou que, com a experiência no programa Fome Zero, executado quando era ministro-extraordinário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprendeu que não existe fórmula mágica para combater a fome. “É preciso investir em produção e consumo local”, argumentou.

Graziano foi eleito diretor-geral da FAO em junho do ano passado e ficará no cargo até julho de 2015.