Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

A Presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini, inicia na próxima quinta-feira uma viagem à Argentina, ao Chile e ao Brasil no âmbito do Ano da Itália na América Latina. Ela adiantou que, em Buenos Aires o foco será no direito das mulheres, no Chile, a educação e no Brasil, as conquistas sociais e o marco civil da Internet – que Boldrini considera pioneiro e poderia inspirar uma lei italiana similar.

“Temos o objetivo de ter essa ‘Constituição para a Internet’: os princípios e direitos de quem está na Internet. Porque não é verdade que tudo seja livre e gratuito. Quem está na Internet às vezes não sabe que os próprios dados são usados em benefício de quem, depois, fatura sobre eles. Assim como é inaceitável que a violência seja tão difundida em detrimento das pessoas mais vulneráveis”.

Política social

Em Brasília, a presidente manterá um encontro com a ministra do desenvolvimento social no contexto da saída do Brasil do mapa da fome das Nações Unidas. Boldrini quer aprofundar o conhecimento dos programas sociais que permitiram a saída de milhões de brasileiros da miséria como, por exemplo, o bolsa família:

A presidente Boldrini
A presidente Boldrini

“Acredito que seja um dos programas que tenha tido êxito extraordinário. Milhões de pessoas superaram a fome e a pobreza e este é um tema crucial. Penso que temos muito o que aprender com o bolsa família. O encontro com a ministra que ajudou a desenvolver este projeto vai nos ajudar a entender como ele pode ser adaptado para outras realidades”.

Safari na favela

Ao tomar conhecimento dos novos “Safaris” nas favelas do Rio de Janeiro, nos quais turistas sobem os morros em jeeps para fotografar e invadir a privacidade dos moradores, Boldrini disse que – com o histórico de trabalho pelos direitos humanos – “sabe que esse comportamento é contra-produtivo e prejudicial”.

“Nós vamos visitar projetos nas favelas. Falaremos com quem trabalha, com quem conduz estas atividades, os beneficiários destes projetos para saber dos resultados que alcançaram”, explicou.

Papa Francisco

Na Argentina, Boldrini deverá participar de uma missa de ação de graças pela beatificação de Dom Oscar Romero, no sábado, na basílica que deu ao mundo o Papa Francisco. Ela fala porque o magistério do Papa deve ser aplicado na política.

“Papa Bergoglio está recolocando no centro das atenções de todos os potentes da Terra exigências de justiça social. Ele leva adiante uma batalha contra a corrupção, volta à atenção para a solidariedade e luta contra a ‘globalização da indiferença’. Acredito que, por todos estes motivos, a ação do Papa Francisco seja importante. Espero que a política saiba ler a mensagem que existe nesta sua obra porque estes temas são políticos. É importante que a política saiba redimir-se sobre estes temas e seja capaz de dar mais respostas às necessidades das pessoas”.

Boldrini: importante il richiamo del Papa alla solidarietà

La presidente della Camera, Laura Boldrini, visiterà da giovedì prossimo il Brasile, l’Argentina e il Cile. L’obiettivo è conoscere i progetti sociali in atto in questi paesi per combattere la miseria, per promuovere le donne e assicurare l’istruzione a tutti. Sabato 23 la Boldrini parteciperà, nella Cattedrale di Buenos Aires, alla messa di ringraziamento per la beatificazione dell’arcivescovo, Oscar Romero che sarà beatificato proprio quel giorno a San Salvador. Al microfono del collega Rafael Belincanta, la presidente della Camera ha espresso apprezzamento per l’azione che sta svolgendo Papa Francesco a favore di un nuovo ordine sociale. Sentiamo quanto ha detto:
“Papa Bergoglio sta riportando al centro dell’attenzione di tutti i potenti della Terra esigenze di giustizia sociale; fa una battaglia contro la corruzione, indirizza l’attenzione sulla solidarietà e lotta contro la globalizzazione dell’indifferenza. Io ritengo che per tutti questi motivi è importante l’azione di Papa Bergoglio e mi auguro che la politica sappia leggere il messaggio che c’è in questo suo operato, perché questi temi “sono” politici ed è importante che la politica sappia riscattarsi su questi temi e sappia essere maggiormente in grado di dare risposte ai bisogni delle persone”.

Anúncios

Justiça italiana determina que Pizzolato continue preso

Justiça italiana determina que Pizzolato continue preso

Ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
Rafael Belincanta
  • Direto de Roma

A Justiça da Itália negou, nesta sexta-feira, o pedido de liberdade provisória para o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, preso na última quarta-feira em Maranello por participação no esquema que ficou conhecido como mensalão no Brasil. A Corte de Apelações de Bologna definiu ainda que Pizzolato continue detido em Modena.

O advogado de defesa de Pizzolato, Lorenzo Bergami, confirmou, em entrevista ao Terra, que somente ele, a mulher Andrea Haas Pizzolato e o sobrinho, Fernando Grando, podem visitar Henrique Pizzolato na prisão.

Não sabemos até quando ele ficará na prisão. Precisamos encontrar novos elementos para poder pedir a substituição da medida cautelar”, afirmou Bergami. O advogado, como já havia antecipado na quinta-feira, confirmou que seu cliente não deu consentimento para sua extradição ao Brasil.

“Ele se apresentou como cidadão brasileiro e italiano. Falou todo o tempo em italiano e reiterou que não quer ser extraditado”, acrescentou Bergami. A Justiça brasileira tem menos de 40 dias para apresentar os autos do pedido de extradição ao Ministério da Justiça italiano.

“De acordo com meu cliente, o processo no Brasil não foi administrado de maneira correta. Ele acredita que seja um processo de caratér político e reitera que não cometeu os crimes pelos quais foi condenado”, declarou Bergami  à agência italiana Ansa.  Esta é a razão explicada aos juízes da Corte de Apelação de Bolonha para a fuga de Henrique Pizzolato do Brasil. O advogado disse ainda que seu cliente “está muito sereno e tem muita confiança na justiça italiana”.

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/julgamento-do-mensalao/justica-italiana-nega-liberdade-provisoria-a-henrique-pizzolato,dfacc5a878c04410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

Advogado de Pizzolato diz que cliente não vai aceitar extradição

Advogado de Pizzolato diz que cliente não vai aceitar extradição

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, preso na Itália com documentos do irmão morto.

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, preso na Itália com documentos do irmão morto.

ebc.com.br

A primeira audiência de Henrique Pizzolato diante da Corte de Apelação de Bolonha deve ser marcada nos próximos dias, como explicou seu advogado, Lorenzo Bergami, em entrevista exclusiva à Rádio França Internacional. O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, era o único dos 25 condenados do processo do mensalão foragido no exterior.

“Ainda na sexta-feira ou no máximo na segunda, Pizzolato será convocado diante da Corte de Apelo para verificar sua identidade real e para seja feita uma simples pergunta: se ele aceita ou não ser extraditado para o Brasil”, explicou Bergami. “Caso aceite, o processo é concluído e ele será entregue às autoridades brasileiras”, acrescentou. Mas o advogado afirmou que seu cliente, na sua faculdade de cidadão italiano, já declarou que deseja ser julgado na Itália.

Henrique Pizzolato prefere ser julgado na Itália, diz advogado

06/02/2014

“Ele já disse que não pretende dar o consenso para a sua extradição”, disse Bergami. Segundo o advogado, nesse caso, a tramitação poderá se arrastar por semanas. “Se ele não aceitar a extradição, abre-se um processo no qual, em primeiro lugar, serão envolvidos os ministros da Justiça brasileiro e italiano”, explicou. “A Corte de Apelação de Bolonha, por sua vez, analisará os pedidos do ministério, para saber se existem os pressupostos para que Pizzolato seja extraditado”, concluiu.

Falsa identidade

Henrique Pizzolato, de 61 anos, que estava foragido desde novembro de 2013, foi detido na quarta-feira pela polícia italiana na cidade de Maranello. Entre os documentos encontrados, no momento da prisão, estavam um passaporte brasileiro e carteiras de identidade falsas, todos em nome Celso Pizzolato, irmão do ex-diretor de marketing do BB, morto há mais de 30 anos.

A condenação de 12 anos e 7 meses no Brasil é um grande argumento que pode ser usado pelas autoridades brasileiras. Contudo, em Roma, o Ministério da Justiça ainda não registrou nenhum pedido de extradição de Pizzolato por parte da Justiça brasileira. Enquanto a data de apresentação diante da Corte de Apelação não é estipulada, Henrique Pizzolato segue detido na “Casa Circondariale”, em Modena.

Pizzolato teria transferido residência para Madri em 2010, diz deputada

A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou hoje que o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou hoje que o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada

Rafael Belincanta
Direto de Roma

A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno disse nesta segunda-feira que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, foragido após ser condenado no julgamento do mensalão, teria transferido sua residência em 2010 para Madri. Renata afirmou, durante uma coletiva aos jornalistas brasileiros em Roma, que recebeu informações sobre uma possível emissão de um passaporte italiano em nome de Pizzolato em Madri. Por lei, todo cidadão italiano deve declarar sua residência, mesmo vivendo fora da Itália – Pizzolato tem dupla cidadania.

Confira o placar do julgamento voto a voto
Conheça o destino dos réus do mensalão
Saiba o que ocorreu no julgamento dia a dia
Mensalãopédia: conheça os personagens citados no julgamento
Mensalão Kombat: veja as ‘batalhas’ entre Barbosa e Lewandowski

“Ainda não obtivemos respostas oficiais às nossas perguntas sobre o paradeiro de Henrique Pizzolato, sobre seu passaporte italiano e se realmente ele está na Itália”, apontou Renata, recém chegada do Brasil. Segundo ela, o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada.

As informações extraoficiais ainda dão conta de que Pizzolato estaria na companhia de sua mulher, Andrea Haas, que também teria cidadania italiana. “Não podemos permitir que o passaporte italiano seja usado para fins escusos”, ressaltou Renata Bueno, que foi eleita pelos cidadãos italianos que vivem na América do Sul.

A deputada citou ainda um esquema internacional com ramificações no Brasil e na Itália que estaria dando suporte financeiro para o foragido. A possibilidade de que interesses econômicos e políticos por detrás do sumiço de Pizzolato estivessem ditando os passos dos diplomatas brasileiros e italianos demonstra, segundo Renata, que as relações entre Brasil e Itália passam por um momento crítico, mas que os italianos estariam dispostos a rever alguns acordos bilaterais.

“A Itália desengavetou, na quinta-feira passada, depois de cinco anos, por coincidência ou não, o tratado de transferência de condenados com o Brasil. Era justamente esta minha primeira proposição como deputada na Itália”, relembrou a deputada, que não refutou o papel de ser mediadora entre os dois governos.

“A Itália deu um sinal positivo ao aprovar o tratado. O Brasil, entretanto, ainda não fez nenhum movimento para ratificar este acordo e nem para pedir, oficialmente, uma posição a Roma sobre o paradeiro de Pizzolato”, afirmou. Questionada se o caso poderia terminar em “pizza”, Renata Bueno disse que não medirá esforços para que Pizzolato cumpra a pena no Brasil.

Parlamento italiano tem primeira deputada brasileira da história

Parlamento italiano tem primeira deputada brasileira da história

Renata Bueno, natural de Brasília mas radicada em Curitiba, foi a primeira brasileira nata a ser eleita para o Parlamento da Itália Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
Aos 33 anos, Renata Bueno, natural de Brasília mas radicada em Curitiba, foi a primeira brasileira nata a ser eleita para o Parlamento da Itália. A deputada, que também tem cidadania italiana, recebeu 20 mil votos nominais dos italianos que vivem na América do Sul – mais de 1 milhão e 460 mil, de acordo com o Istat, equivalente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Itália. A maior parte do votos, claro, veio dos italianos que vivem no Brasil, aproximadamente 252 mil. 

Desde início de seu mandato, em 7 de março, Renata apresentou dois projetos de lei, um na área do reconhecimento da cidadania italiana e outro para ratificar e executar um tratado assinado em 2008 entre Brasil e Itália sobre o transferência de pessoas condenadas.

Parlamento italiano tem a primeira brasileira na histria
Clique no link para iniciar o vídeo
Neste contexto, em recente entrevista ao portal italiano Formiche.net, Renata comentou o caso de Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por diversos assassinatos durante os Anos de Chumbo. “Faz cinco anos que Cesare Battisti virou uma lenda no Brasil. O governo brasileiro errou desde o início ao não autorizar a sua extradição à Itália. A Itália tinha todo o direito de pedir que Battisti voltasse ao país para realizar um processo adequado. Não se entende por que o governo brasileiro não autorizou.”

 A deputada ocupa a cadeira 647, que está posicionada ao centro do Parlamento, de onde pode acompanhar com maior precisão os votos e os debates, uma vez que sofre de uma patologia genética grave nas retinas que compromete a visão de longe e com pouca luz. Na Câmara dos Deputados, Renata faz parte de duas comissões: Comissão Parlamentar para a Infância e a Adolescência e Terceira Comissão de Relações Internacionais e Comunitárias.

“Temos todo um processo de internacionalização da Itália. Muitos investidores italianos estão querendo ir para fora, e têm o Brasil como um dos principais destinos pela grande atratividade que o País oferece para o mercado. Nossa bandeira está voltada para a internacionalização da Itália e, naturalmente, não posso deixar de lado no Parlamento a questão dos Direitos Humanos – que é a minha formação – e que é um direito que não tem fronteiras”, explicou, durante entrevista exclusiva ao Terra.

A questão eleitoral na Itália é, por natureza, difícil de entender. Para quem está acostumado com o “voto direto” do presidencialismo de coalizão do Brasil, tudo fica ainda mais complicado. O sistema de governo na Itália é o parlamentarismo. Pela Constituição, os cidadãos têm o dever de votar, entretanto, para quem não vota, as sanções nem sempre são aplicadas. Além da figura do Primeiro Ministro, nomeadamente Presidente do Conselho dos Ministros (Enrico Letta), existe também o Presidente da República Italiana, atualmente Giorgio Napolitano, que é escolhido pelo Parlamento, ou seja, a Câmara dos Deputados e o Senado. Pela lei, o mandato de um deputado é de cinco anos, mais isso não é garantia de que seja exercido até o final.

“Corremos o risco permanente de o governo não funcionar e do Parlamento ser dissolvido com consequente convocação de novas eleições. Isso é muito comum num sistema parlamentarista. Então, o mandato é de cinco anos, mas não se sabe realmente quanto tempo vai durar”, enfatiza Renata.

De vereadora em Curitiba à deputada e doutoranda em Direito em Roma. Uma estrada política nova a ser desbravada por Renata Bueno, que ainda não se aliou a nenhum partido italiano, apesar de muito cortejada pela centro-esquerda do primeiro ministro Letta, encabeçada pelo Partido Democrático, como também pela centro-direita, cuja referência, apesar dos incontáveis escândalos, continua a ser Silvio Berlusconi.

E foi justamente durante um dos mandatos de Berlusconi como premiê que os italianos que vivem nos exterior puderam exercer o direito de votar fora da Itália, por meio da lei “Tremaglia”, promulgada em 2001, que entrou em vigor nas eleições de 2006.  A lei prevê que no exterior sejam eleitos 12 deputados e 6 senadores. Para Renata, o maior desafio de seu mandato é unificar propostas que atendam interesses comuns aos países da América do Sul, Brasil e Itália.

“É um trabalho bastante vasto. Temos que dar conta não só de um Brasil inteiro – que já é um continente – mas dos países da América do Sul e, ao mesmo tempo, olhar pela Itália. Parece complicado, todavia penso que hoje se faça política de uma maneira global e sem fronteiras. Isso é um grande avanço para o sistema político”, conclui a deputada.

A Gênese de Sebastião Salgado

Depois de Londres e Paris, Gênese – o mais recente trabalho de Sebastião Salgado – foi apresentado à imprensa nesta terça-feira, no Altar da Pátria (Ara Pacis), em Roma. Na entrevista abaixo, Sebastião deixa claro que o título nada tem a ver com religião, ao contrário. Gênese apresenta um novo Sebastião, desta vez voltado para a temática ambiental. Depois de oito anos fotografando e imortalizando os mais remotos cantos da Terra, Gênesi mostra a origem incontaminada de um mundo que está ficando preto e branco.

Sebastião, essa Gênese também é uma Gênese tua, depois de tanto tempo de trabalho?

– Antes eu só tinha fotografado temas sociais e passei a fotografar um tema ambiental. Mas na realidade eu sempre fotografei temas que eu estava inteiramente conectado com eles. Eu tinha uma idenficação – ou ética ou ideológica. Quando eu fotografei Imigrações eu tinha uma razão de fotografar a imigração, eu tinha uma relação com a imigração, eu fui refugiado uma época e depois sou imigrante até hoje. Quando eu fiz Trabalhadores eu estava, talvez, extraíndo de dentro de mim o economista que eu fui. E, hoje, quando estou fazendo Gênese, é um pouco a mesma coisa porque nós temos um projeto ambiental no Brasil no qual estamos implantanto um pedaço da Mata Atlântica e que está, portanto, inteiramente ligado com a natureza. Então, Gênesis foi uma continuidade da minha vida também.

 

Alguma relação com a Gênese bíblica?

– Eu não acredito em nenhum deus, em nada, sou completamente materialista, então deste lado não. Eu também só emprestei a palavra Gênese como a religião também, que é uma palavra forte, que representa o início – então, aqui para mim representa o início. Eu acho que existe uma ordem natural das coisas, existe uma certa organização do planeta, existem estintos, existe uma espiritualidade nas coisas, mas eu não acredito num ser superior coordenando, mandando em tudo, dessa forma não.

A força da natureza, entretanto?

A força da natureza é o maior poder de todos. Nós somos natureza. Nós somos um animal igual aos outros. Nós viemos todos da mesma célula básica e só evoluímos de maneira diferente. Eu acho que quem fez essa análise perfeita de tudo foi muito mais o Darwin do que Cristo.

Você está me enxergando em preto e branco agora?

Eu sempre tive uma percepção das gamas de cinza quando eu estou fotografando. Eu não enxergo em preto e branco não, eu enxergo em cor, como todo mundo

 A dama por trás das lentes de Sebastião Salgado

 

Lélia Wanick Salgado enfatiza:

– Eu gosto de fazer fotos, mas eu faço em cor.

Qual é sua parte em Gênese?

– Este projeto é nosso. Nós pesquisamos para saber onde ir, como ir e eu estava presente na maioria das viagens.

Por quê Gênese?

– Gênese: o planeta que ainda não foi transformado por nós, humanos. No entanto, o início não existe, as coisas vão mudando. Nunca é a mesma coisa.

Espiritualidade?

– Esta palavra é muito específica de religião, prefiro dizer que vivenciamos uma comunhão total com a natureza. Nós somos natureza, mas não nos classificamos como natureza.

Gênese é o início e também o fim?

– Evidentemente que fazer um novo trabalho da amplitude de Gênese vai ser um pouco difícil por que nós já estamos ficando velhos para fazer um outro trabalho de oito anos. Mas não temos a mínima vontade de parar de trabalhar.

Entre todos os lugares visitados, qual foi o mais intenso?

– Na África, nos parques nacionais, com aquele pôr-do-sol vermelho e aqueles animais pré-históricos, é tudo muito bonito e nos transporta para um outro mundo. Ali, muitas vezes, nós nos sentimos muito emocionados.

O Brasil que alimenta a África

O Brasil que alimenta a África

No Malaui, crianças recebem refeições nas escolas, um exemplo exportado do programa brasileiro  Foto: Rafael Belincanta / Especial para TerraNo Malaui, crianças recebem refeições nas escolas, um exemplo exportado do programa brasileiro
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
RAFAEL BELINCANTA
Direto de Mkuranga (Tanzânia)

A crise na Europa fez com que doadores tradicionais como França, Espanha e Itália tivessem uma retração nas verbas. O Brasil, porém, fez a maior doação repassada ao World Food Programme (WFP) de sua história em 2012, terminando o ano como o 10º maior doador, com mais de US$ 82 milhões. Isso representa duas posições à frente comparado a 2011,quando ficou em 12º lugar com US$ 70,5 milhões doados; e 34 posições à frente que em 2007, primeiro ano em que o Brasil apareceu no ranking dos 100 maiores doadores, em 44º lugar e US$ 1,1 milhão doado.

Dentro de um armazém no distrito de Mkuranga, Tanzânia, um saco de açúcar com a escrita Product of Brazil não deixa dúvidas: as doações de alimentos do Brasil ao Programa Mundial Alimentar (PMA) chegam à África. Não bastassem os financiamentos em espécie, em 2012 o Brasil também fez grandes doações de commodities.

Já em outubro do ano passado, durante o primeiro encontro da nova secretária executiva do PMA, Etharin Cousin, com a imprensa estrangeira em Roma, ela anunciara que o Brasil estaria entre os maiores doadores do ano.

De fato, desde que o ex-ministro brasileiro José Graziano da Silva foi eleito diretor-geral da FAO, Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, em 2011, o Brasil passou a exercer um novo papel nas decisões que concernem às agências da ONU em Roma. Além da FAO e do PMA, também tem sede na capital italiana o FIDA,Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura.

Mas não são somente as doações em dinheiro e de alimentos que aumentam o responsabilidade do Brasil diante da comunidade internacional. O reconhecimento maior, seja da África ou dos países europeus, aparece muitas vezes na forma de respeito às conquistas do País, dentro de casa, no combate à fome e à pobreza.

As experiências bem sucedidas do Fome Zero colocado em prática por Graziano durante o governo Lula vão além das fronteiras do Brasil. Principalmente em direção à África, confirmando as intenções da FAO em dar atenção especial a assim chamada Cooperação Sul-Sul. Tanto que um Centro de Excelência no Combate à Fome foi construído em Brasília em parceria do PMA com o governo.

Irene Del-Río é espanhola e trabalha no escritório regional do PMA no Malauí. Ela esteve no Centro de Excêlencia e de lá trouxe modelos de combate à fome que já estão em prática, como é o caso da escola do distrito de Mbwadzulu, distante cerca de 300km da capital Lilongwe. Ali, ao menos 600 crianças e adolescentes são beneficiados por um projeto inspirado no Fome Zero de investir na produção e consumo local. O PMA repassa verbas para as escolas e estas, por sua vez, compram os alimentos produzidos pelos pais dos alunos.

“O programa é uma continuação do Fome Zero. Estivemos dois meses no Brasil para aprender as práticas dos programas existentes no Brasil. Nosso enfoque aqui é na alimentação escolar. Dentre todas as experiências que o Brasil tem na luta contra à pobreza e contra à fome, a alimentação escolar é uma das coisas que se poderiam melhor implementar no Malauí”, completa Del-Río.

Apesar das semelhanças na aplicação dos projetos, é preciso dar um rosto africano aos projetos. Principalmente na capacitação de quem conhece a fundo as principais necessidades dos países africanos.

“A ideia não é somente replicar os programas do Brasil mas ver quais foram as experiências, negativas e positivas, que foram aprendidas, e aplicá-las nos contextos africanos que em alguns casos, em alguns distritos, são bastante parecidos com o que vimos no Brasil. Então, a parte da assistência técnica é muito valiosa para os governos africanos que têm capacidades limitadas para desenvolver políticas”, aponta Del-Río.

A mudança na posição do Brasil diante da comunidade internacional que, praticamente em uma década, passou de País que recebia recursos para um dos principais doadores do PMA, estreitou os laços com os países africanos mais necessitados e ganhou o respeito dos países ricos. Entretanto, o balanço fiscal do PMA relativo ao mês de janeiro deste ano revela um Brasil um tanto quanto mais ponderado nas doações: 22ª posição na lista com pouco mais de US$ 626 mil dólares enviados ao PMA.

Doações do Brasil ao programa desde 2006
Ano valor (US$) Colocação
2006 Não conta na lista não consta na lista
2007 1,1 milhão 44°
2008 1,2 milhão 48º
2009 15,7 milhões 25º
2010 12,9 milhões 29º
2011 70,5 milhões 12º
2012 85 milhões 10º