Em Roma, Lula defende Bolsa-família e critica imprensa brasileira na reeleição de Graziano à FAO

Em Roma, Lula defende Bolsa-família e critica imprensa brasileira na reeleição de Graziano à FAO
Graziano recebe Lula na FAO

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em discurso à plenária da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), antes da reeleição de José Graziano da Silva à direção-geral, no sábado (06/06), relatou as conquistas sociais obtidas no Brasil ao longo da última década.
Lula criticou a imprensa brasileira por “condenar” o repasse de dinheiro às famílias mais pobres, defendido por Graziano no início do programa Fome Zero. Hoje, mais de 54 milhões de pessoas recebem dinheiro do governo. “O Bolsa-família não substitui o trabalho, complementa a renda para romper o ciclo de pobreza”, defendeu o ex-presidente.

Europa retrocede

Em palestra na prefeitura de Roma, no domingo, Lula afirmou que o Brasil deu, em 10 anos, “um salto histórico ao promover mais desenvolvimento e menos desigualdade, o que tornou o Brasil mais respeitado”.

O ex-presidente ainda criticou a Europa que, segundo ele, está perdendo as conquistas sociais alcançadas ao longo das décadas após o final da Segunda Guerra Mundial. Hoje, disse Lula, a Europa volta a ter sua riqueza concentrada na mão de poucos.

O prefeito de Roma, Ignazio Marino, concordou com Lula ao dizer que hoje, em Roma, a pobreza invade a casa de muitas pessoas. “Existe a necessidade de políticas que redistribuam a riqueza, não podemos pensar em resolver isso com políticas de consumo”, disse o prefeito após entregar a Lula a “Lupa Capitolina”, símbolo máximo de Roma.

Lula não falou com os jornalistas brasileiros de Roma nem de Milão. A assessoria do presidente estava ocupada em conter alguns jornalistas mais insistentes e interessados em uma declaração sobre o panorama político brasileiro atual. Um dos assessores disse ao blog esperar ter uma nova possibilidade para criar um ambiente propicio ao diálogo.

Reeleição na FAO

Graziano segue no comando da FAO até 2019

A reeleição quase unânime de José Graziano da Silva como diretor-geral da FAO demonstrou que os países-membros da Organização não somente apoiam a gestão de Graziano, como querem a continuidade da expansão das políticas de combate à pobreza que tiraram o Brasil do mapa da fome.

“Sem dúvida, uma das experiências mais exitosas que nós temos para mostrar ao mundo é o caso brasileiro: pela rapidez com a qual se logrou – praticamente – erradicar a fome e pela amplitude, atingiu todo o País”, declarou o diretor-geral da FAO uma semana antes de ser reeleito.

A Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, esteve na FAO no sábado e destacou que, sem colocar os pobres no orçamento público, não se constrói uma agenda de superação da fome. “Acredito que esta seja a grande lição que o Brasil traz”, afirmou.

Prioridades

Graziano já delineou as prioridades do segundo mandato, que terminará em julho de 2019. Entre os principais, está o incentivo à expansão dos programas de proteção sociais, que hoje permitem que, no mundo inteiro, 150 milhões de pessoas saiam da linha da pobreza ao garantir uma alimentação digna. Na agenda, a FAO também busca soluções diante das mudanças climáticas que já começam a afetar a produção mundial de alimentos.

FAO: Graziano reeleito. Lula enaltece brasileiro. Angola e Moçambique fora do mapa da fome

FAO: Graziano reeleito. Lula enaltece brasileiro. Angola e Moçambique fora do mapa da fome

A Conferência Anual da FAO começou no sábado (06/06) em Roma. O diretor-geral foi confirmado no cargo para um novo mandato enquanto Angola e Moçambique receberam distinções por atingir uma das metas de desenvolvimento do milênio sobre a redução da fome e da pobreza.

O brasileiro José Graziano da Silva foi reeleito para a direção-geral da FAO até 2019. Candidato único, o idealizador do programa Fome Zero no Brasil, recebeu 177 votos dos 182 possíveis. Antes da reeleição, o ex-presidente do Brasil, Lula, fez um discurso no qual enalteceu as conquistas que tiraram o Brasil do mapa da fome e que, com Graziano, ganharam projeção internacional. Muito aplaudido, falando sobre a África, Lula afirmou: “repartir o pão é o primeiro passo para construir a paz”.

Angola

O Ministro Canga garantiu que Angola tem como prioridade acabar com a fome
O Ministro Canga garantiu que Angola tem como prioridade acabar com a fome

A Conferência marcou o final do período de 25 anos que os 129 países em desenvolvimento monitorados pela FAOtinham para reduzir pela metade o número de famintos. Foram 72 as nações que conseguiram atingir a meta, dentre elas Angola que, em 1990, via quase 64% da população passar fome e que hoje registra insegurança alimentar em 14% dos habitantes, o que equivale dizer que ainda 3,2 milhões de angolanos passam fome. O Ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, garantiu que o governo continuará investindo em agricultura para combater a fome.

“Se conseguimos reduzir a fome até agora, também podemos fazer com que, nos próximos anos, possamos ter resultados que nos reconduzam à redução significativa da fome senão à eliminação do espectro da fome. Precisa de investir mais na agricultura, os recursos não são ilimitados, mas assume-se no mais alto nível nacional a grande prioridade que é combater a fome e a pobreza com cada vez mais investimentos que é o que está a ser feito”.

Moçambique

O Ministro José Pacheco na Plenária da FAO
O Ministro José Pacheco na Plenária da FAO

Moçambique atingiu um resultado inédito ao sair do mapa da fome: em 25 anos o número de famintos caiu de 56% para 25%. Porém, hoje ainda são quase 7 milhões de moçambicanos que passam fome. Mas quem são e onde estão estas pessoas? O Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, explica:

“Grande parte destas pessoas está nas zonas rurais onde temos secas cíclicas e localizadas. São pessoas de idade avançada que não têm meios próprios de sobrevivência, que não têm elementos jovens na família capazes de trabalhar para o sustento deles. É nestes grupos-alvo específicos que vamos concentrar nossa ação para que possam usufruir do direito à alimentação”.

Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

Presidente da Câmara italiana: política saiba ler mensagem do Papa

A Presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini, inicia na próxima quinta-feira uma viagem à Argentina, ao Chile e ao Brasil no âmbito do Ano da Itália na América Latina. Ela adiantou que, em Buenos Aires o foco será no direito das mulheres, no Chile, a educação e no Brasil, as conquistas sociais e o marco civil da Internet – que Boldrini considera pioneiro e poderia inspirar uma lei italiana similar.

“Temos o objetivo de ter essa ‘Constituição para a Internet’: os princípios e direitos de quem está na Internet. Porque não é verdade que tudo seja livre e gratuito. Quem está na Internet às vezes não sabe que os próprios dados são usados em benefício de quem, depois, fatura sobre eles. Assim como é inaceitável que a violência seja tão difundida em detrimento das pessoas mais vulneráveis”.

Política social

Em Brasília, a presidente manterá um encontro com a ministra do desenvolvimento social no contexto da saída do Brasil do mapa da fome das Nações Unidas. Boldrini quer aprofundar o conhecimento dos programas sociais que permitiram a saída de milhões de brasileiros da miséria como, por exemplo, o bolsa família:

A presidente Boldrini
A presidente Boldrini

“Acredito que seja um dos programas que tenha tido êxito extraordinário. Milhões de pessoas superaram a fome e a pobreza e este é um tema crucial. Penso que temos muito o que aprender com o bolsa família. O encontro com a ministra que ajudou a desenvolver este projeto vai nos ajudar a entender como ele pode ser adaptado para outras realidades”.

Safari na favela

Ao tomar conhecimento dos novos “Safaris” nas favelas do Rio de Janeiro, nos quais turistas sobem os morros em jeeps para fotografar e invadir a privacidade dos moradores, Boldrini disse que – com o histórico de trabalho pelos direitos humanos – “sabe que esse comportamento é contra-produtivo e prejudicial”.

“Nós vamos visitar projetos nas favelas. Falaremos com quem trabalha, com quem conduz estas atividades, os beneficiários destes projetos para saber dos resultados que alcançaram”, explicou.

Papa Francisco

Na Argentina, Boldrini deverá participar de uma missa de ação de graças pela beatificação de Dom Oscar Romero, no sábado, na basílica que deu ao mundo o Papa Francisco. Ela fala porque o magistério do Papa deve ser aplicado na política.

“Papa Bergoglio está recolocando no centro das atenções de todos os potentes da Terra exigências de justiça social. Ele leva adiante uma batalha contra a corrupção, volta à atenção para a solidariedade e luta contra a ‘globalização da indiferença’. Acredito que, por todos estes motivos, a ação do Papa Francisco seja importante. Espero que a política saiba ler a mensagem que existe nesta sua obra porque estes temas são políticos. É importante que a política saiba redimir-se sobre estes temas e seja capaz de dar mais respostas às necessidades das pessoas”.

Boldrini: importante il richiamo del Papa alla solidarietà

La presidente della Camera, Laura Boldrini, visiterà da giovedì prossimo il Brasile, l’Argentina e il Cile. L’obiettivo è conoscere i progetti sociali in atto in questi paesi per combattere la miseria, per promuovere le donne e assicurare l’istruzione a tutti. Sabato 23 la Boldrini parteciperà, nella Cattedrale di Buenos Aires, alla messa di ringraziamento per la beatificazione dell’arcivescovo, Oscar Romero che sarà beatificato proprio quel giorno a San Salvador. Al microfono del collega Rafael Belincanta, la presidente della Camera ha espresso apprezzamento per l’azione che sta svolgendo Papa Francesco a favore di un nuovo ordine sociale. Sentiamo quanto ha detto:
“Papa Bergoglio sta riportando al centro dell’attenzione di tutti i potenti della Terra esigenze di giustizia sociale; fa una battaglia contro la corruzione, indirizza l’attenzione sulla solidarietà e lotta contro la globalizzazione dell’indifferenza. Io ritengo che per tutti questi motivi è importante l’azione di Papa Bergoglio e mi auguro che la politica sappia leggere il messaggio che c’è in questo suo operato, perché questi temi “sono” politici ed è importante che la politica sappia riscattarsi su questi temi e sappia essere maggiormente in grado di dare risposte ai bisogni delle persone”.

FAO reconhece os avanços do Brasil na luta contra a fome

FAO reconhece os avanços do Brasil na luta contra a fome

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) reconheceu, neste domingo, 30/11, as conquistas que o Brasil e outros 12 países obtiveram na redução da fome e da desnutrição na última década.

De acordo com a FAO, em 2002, 10% da população brasileira passava fome. Em 2013, os dados mostram que este número caiu para 1,7%. Em termos absolutos o Brasil vence a guerra contra a fome, contudo, 3,4 milhões de brasileiros ainda não tem o que comer. A Ministra do Desenvolvimento Social e Luta contra a Fome, Tereza Campello, afirmou durante a entrega do prêmio, na sede da FAO em Roma, que “a primeira geração de crianças livre da fome já nasceu no Brasil”.

A ministra destacou que hoje o programa Bolsa Família, cujo valor médio é de R$ 168, complementa a renda de 14 milhões de famílias no país – aproximadamente 50 milhões de beneficiados. Para ter acesso ao benefício, as famílias precisam garantir que as crianças frequentem a escola e façam uma visita médica a cada seis meses.

“Quando se pensa que a pobreza seja o resultado de uma leniência, que o pobre é um perdedor ou uma pessoa preguiçosa, não é bem assim. Porém, estamos construindo uma futura geração que não precisa do Bolsa Família, que teve acesso à educação e à saúde, mas aí se eles vão estar empregados, vai depender da economia mundial”, disse a ministra.

Ações locais contra a fome

A ministra afirmou ainda que, agora, uma vez atingidas as metas internacionais, o foco das políticas públicas de combate à fome passam a ser locais.  E citou exemplos:

“Estamos promovendo políticas específicas de assistência técnica para quilombolas indígenas, para populações extrativistas, para pescadores artesanais, comunidades ribeirinhas. Públicos que vivem, às vezes, de maneira isolada e que têm culturas diferenciadas, portanto, a assistência técnica não pode ser generalizada”, explicou Campello.

O Arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer, reconhece os avanços promovidos pelo Bolsa Família contudo reitera a necessidade de promover a emancipação dos beneficiados.

“Se cessarem agora os programas de assistência do governo, teremos imediatamente de novo a fome. No momento, superamos a fome, mas ainda no meu conceito, não superamos a miséria. É preciso continuar a lutar, devem ser dadas novas prioridades para que estas pessoas possam ser autônomas”, advertiu o arcebispo.

O Diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, disse que o êxito do Brasil no combate à fome está se refletindo também na distribuição das riquezas.

“Hoje, a ênfase na distribuição de renda em um processo de crescimento levou o Brasil para um outro caminho que tem sido até agora bem sucedido”, reiterou Graziano.

Países que avançaram

Etiópia, Gabão, Gâmbia, Irã, Quiribati, Malásia, Mauritânia, Ilhas Maurício, México e Filipinas são os outros países que alcançaram a meta em reduzir pela metade, até 2015, o percentual de pessoas que passam fome.  Brasil, Uruguai e Camarões, além de atingirem este objetivo, conseguiram ainda alcançar a meta de reduzir pela metade até 2015 o número absoluto de pessoas que passam fome.

Graziano afirma que estes reconhecimentos representam bem a mudança de paradigma pela qual passam as políticas de combate à fome e a desnutrição da FAO.

“Ninguém gosta de expor a sua miséria.  Diante disso, a FAO passou a valorizar que tinham conseguido superar as mazelas. Com esse reconhecimento pelo lado positivo, e não para acentuar o número de crianças que morrem todos os dias ou ressaltar a indignação em relação à fome, a FAO procura valorizar os países e compartilhar as experiências positivas”, disse Graziano.

Segundo mandato

Durante a premiação,  o representante da Mauritânia declarou publicamente o apoio do país do norte da África para um segundo mandato de Graziano à frente da FAO. As eleições acontecerão em junho do ano que vem.

“Eu fiquei surpreso, não esperava, mas gostei, como candidato, de receber esse apoio”, declarou Graziano.