“Não falta dinheiro para o desenvolvimento da agricultura em Angola”, diz chefe do IFAD

“Não falta dinheiro para o desenvolvimento da agricultura em Angola”, diz chefe do IFAD

Nigeriano Kanayo Nwanze concedeu entrevista à DW África sobre a sua última visita à Angola. Para ele, a falta de investimentos faz com que metade dos alimentos consumidos em Angola sejam importados.

Após a sua primeira visita oficial a Angola, no início de Março, o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (IFAD), Kanayo Mwanze, já tem uma convicção.

“Atualmente, somente 2% do orçamento de Angola é aplicado em programas para o desenvolvimento da agricultura. Diante dessa falta de investimento, não surpreende que mais de 50% dos alimentos consumidos em Angola sejam importados”, afirma.

O chefe do IFAD diz que não falta dinheiro em Angola para o desenvolvimento da agricultura. Para ele, a desigualdade social que hoje assola o país é consequência parcial da guerra.

“[O baixo investimento na agricultura] reflete diretamente nos contrastes sociais, com preços inflacionados que fazem de Luanda uma das capitais mais caras e desiguais do mundo”, afirma o nigeriano.

Problema identificado

Ele ressalta que existem recursos para transformar essa realidade. Faltaria capacitação. Basta lembrar, conforme Nwanze, a vocação rural que Angola tinha antes da guerra.

“O governo reconhece a importância da agricultura. E quer usar os recursos que estão sendo gerados por meio da indústria extrativista – petróleo e diamantes – para financiar a agricultura”, diz o presidente do IFAD.

Nwanze: “é necessário recuperar vocação de antes da guerra”

Nwanze acrescenta que o mais importante é o poder público incentivar “capacitação para instituições e pessoas, além de promover investimentos maciços para o desenvolvimento rural”, afirma.

Antes da guerra, Angola era quase auto-suficiente na alimentação. Mantinha produções importantes de cassava e coco. A guerra não somente destruiu todas as plantações, mas também resultou em uma grande migração das zonas de plantio para as cidades.

Segundo Nwanze, se o país conseguisse revitalizar esses sistemas alimentares, ao menos seria capaz de reduzir as despesas de importação.

“Penso que isso é essencial. Mais importante do que a competitividade no mercado internacional é a produção de alimentos suficientes para que a agricultura não seja somente de subsitência, mas que os agricultores possam alimentar suas famílias e comercializar o excedente”, opina.

Capacitação disponível

Ele insiste que, se houver investimento de massa na agricultura, em 10 anos, Angola terá mudado, mas é preciso manter uma visão de longo prazo para que isso aconteça”, adverte.

Nwanze diz que ouviu durante encontros com representantes do Banco para o Desenvolvimento de Angola (BDA), que “dinheiro não é problema.”

Kanayo Nwanze

“Angola tem dinheiro, não há dúvidas sobre isso. Minha discussão com o diretor executivo do BDA foi para saber como se pode capacitar o banco para que consiga avaliar propostas, ter pessoas para planejar e supervisionar os projetos.”

O IFAD poderia atuar exatamente nesta área, segundo Nwanze. Poderia proporcionar “treinamento ao pessoal no próprio país ou em Roma para ajudar a criar as instituições nacionais”, diz.

Atualmente, o IFAD apoia o desenvolvimento da agricultura em Angola, junto com o Banco Mundial, na chamada “Agricultura Familiar Orientada ao Mercado”. O financiamento do programa é de 50 milhões de dólares, dos quais 9 milhões provêm do fundo internacional.

A partir de Setembro deste ano, um novo projeto voltado à pesca artesanal deve entrar em vigor, mas ainda depende de financiamento.

“Não falta dinheiro para o desenvolvimento da agricultura em Angola”, diz chefe do IFAD

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Um ano após renunciar ao papado, Bento XVI vive isolado

Um ano após renunciar ao papado, Bento XVI vive isolado
Rafael Belincanta
Direto de Cidade do Vaticano

Por volta das 16h algumas ruas da Cidade do Vaticano começam a ser fechadas ao tráfego e à passagem de pedestres, sobretudo aquela que leva ao Mosteiro Mater Ecclesiae, residência do papa emérito. Se desde 28 de fevereiro de 2013 Bento XVI não é mais o chefe da Igreja Católica, ao menos um dos seus compromissos de quando era pontífice continua sendo cumprido à regra: recolher-se em oração na gruta de Nossa Senhora de Lourdes, que recria com fidelidade aquela francesa em pleno coração dos Jardins do Vaticano.

Assim, isolado do mundo e longe das preocupações do Palácio Apostólico, a contribuição de Joseph Ratzinger à Igreja Católica hoje é, principalmente, espiritual. O porta voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, que acompanhou Bento XVI ao longo de seus 8 anos de pontificado, afirmou à Rádio Vaticano que a decisão de renunciar não foi prematura, ao contrário:

“Fazia séculos que um papa não renunciava. Portanto, para a maioria das pessoas, tratava-se de um gesto inusitado e surpreendente. Contudo, quem estava mais próximo a Bento XVI sabia que existia essa possibilidade, e Ratzinger já havia dito isso, muito tempo antes e com todas as palavras, a Peter Seewald”, (que publicou o livro “Luce del Mondo”, resultado de uma série de encontros com o papa emérito).

Padre Lombardi talvez esteja entre os poucos a não terem sido pegos de surpresa naquele 11 de fevereiro de 2013 quando, durante um consistório para a criação de novos cardeais, Bento XVI, em latim, anunciava seu afastamento:

23 de dezembro de 2013: Papa Emérito Bento XVI recebe o Papa Francisco e os dois trocam saudações de Natal, no Vaticano Foto: AP
“Bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice”.

O papa emérito concluiu sua mensagem de renúncia afirmando que manteria uma vida consagrada à oração e assim tem sido nesse período histórico no qual a Igreja Católica tem dois papas. Era justamente nesse ponto que a imprensa internacional e os próprios vaticanistas acostumados com os corredores da Santa Sé se concentravam: o que acontecerá à Igreja com dois papas?

Padre Lombardi estava tranquilo também em relação a esta questão: “O papado é um serviço e não um poder. Se se vivem os problemas no contexto do poder, é claro que duas pessoas podem ter dificuldades de convívio porque pode ser difícil o fato de renunciar a um poder e conviver com o sucessor. Porém, se se vive tudo isso exclusivamente como serviço, esse problema não existe”.

23 de março de 2013: Papa Francisco abraça o Papa Emérito Bento XVI quando ele chega à residência de verão Castelo Gandolfo Foto: Reuters
O fato é que após a renúncia de Ratzinger e a eleição de Bergoglio, papa Francisco e o papa emérito encontraram-se, oficialmente, três vezes. “É como ter um avô em casa, mas um avô sábio”, declarou papa Francisco aos jornalistas quando perguntaram como ele se sentia com dois papas vivendo no Vaticano. “Sempre o quis muito bem, fiquei feliz quando foi eleito e o mesmo senti quando renunciou: um exemplo de grandeza. Somente um grande homem seria capaz de tal gesto”, reiterou papa Francisco aos jornalistas durante o voo de retorno do Rio de Janeiro, no ano passado.

Entretanto, a renúncia de Bento XVI não cortou o elo com quem sempre admirou o teólogo Ratzinger antes, e também depois, já como pontífice. As visitas ao Mater Ecclesiae apesar de possíveis não são frequentes. Os pedidos para uma audiência com o papa emérito são muito bem analisados antes de serem aprovados. Nada de compromissos oficiais ou oficiosos: encontrar Bento XVI significa acompanhá-lo nas orações e, talvez, manter uma rápida conversa.

Prestes a completar 87 anos, em 17 de abril próximo, a figura do papa emérito torna-se cada vez mais etérea. Longe das atenções, o papa alemão já não ocupa os lugares de destaque nem ao menos nas bancas e lojas em torno ao Vaticano, dominadas pelas imagens de um sorridente papa Francisco e do onipresente papa João Paulo II. Talvez tenha sido essa ideia de ausência física e presença espiritual que Bento XVI havia amadurecido muito tempo antes da renúncia. Após um pontificado marcado pelas duras críticas à Igreja por sua conduta diante dos crimes de abuso de menores e do vazamento de informações sigilosas, a saída de cena de Joseph Ratzinger é como se fosse um retorno às suas origens.

“Bento XVI certamente sempre foi um homem de oração, durante toda sua vida, e desejava – provavelmente – ter um tempo no qual pudesse viver essa dimensão da oração com mais espaço, totalidade e profundidade. E este agora é o seu tempo”, conclui padre Lombardi.

Pizzolato teria transferido residência para Madri em 2010, diz deputada

A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou hoje que o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra
A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou hoje que o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada

Rafael Belincanta
Direto de Roma

A deputada ítalo-brasileira Renata Bueno disse nesta segunda-feira que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, foragido após ser condenado no julgamento do mensalão, teria transferido sua residência em 2010 para Madri. Renata afirmou, durante uma coletiva aos jornalistas brasileiros em Roma, que recebeu informações sobre uma possível emissão de um passaporte italiano em nome de Pizzolato em Madri. Por lei, todo cidadão italiano deve declarar sua residência, mesmo vivendo fora da Itália – Pizzolato tem dupla cidadania.

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“Ainda não obtivemos respostas oficiais às nossas perguntas sobre o paradeiro de Henrique Pizzolato, sobre seu passaporte italiano e se realmente ele está na Itália”, apontou Renata, recém chegada do Brasil. Segundo ela, o único questionamento oficial sobre o caso Pizzolato foi endereçado ao ministro do Interior italiano na semana passada.

As informações extraoficiais ainda dão conta de que Pizzolato estaria na companhia de sua mulher, Andrea Haas, que também teria cidadania italiana. “Não podemos permitir que o passaporte italiano seja usado para fins escusos”, ressaltou Renata Bueno, que foi eleita pelos cidadãos italianos que vivem na América do Sul.

A deputada citou ainda um esquema internacional com ramificações no Brasil e na Itália que estaria dando suporte financeiro para o foragido. A possibilidade de que interesses econômicos e políticos por detrás do sumiço de Pizzolato estivessem ditando os passos dos diplomatas brasileiros e italianos demonstra, segundo Renata, que as relações entre Brasil e Itália passam por um momento crítico, mas que os italianos estariam dispostos a rever alguns acordos bilaterais.

“A Itália desengavetou, na quinta-feira passada, depois de cinco anos, por coincidência ou não, o tratado de transferência de condenados com o Brasil. Era justamente esta minha primeira proposição como deputada na Itália”, relembrou a deputada, que não refutou o papel de ser mediadora entre os dois governos.

“A Itália deu um sinal positivo ao aprovar o tratado. O Brasil, entretanto, ainda não fez nenhum movimento para ratificar este acordo e nem para pedir, oficialmente, uma posição a Roma sobre o paradeiro de Pizzolato”, afirmou. Questionada se o caso poderia terminar em “pizza”, Renata Bueno disse que não medirá esforços para que Pizzolato cumpra a pena no Brasil.

Especial: Entrevista com John Thavis, autor de “The Vatican Diaries”

In bocca al lupo entrevistou John Thavis, vaticanista por 30 anos. Editor aposentado do Catholic National Service (CNS), a agência católica de notícias dos Estados Unidos, seu mais recente trabalho acaba de ser publicado. O livro The Vatican Diaries coincide com a renúncia de Bento XVI. Coincidência?

Por enquanto, em inglês.
Por enquanto, em inglês.

Sexta-feira, 22 de fevereiro. No Vaticano, comemora-se a Solenidade da Cátedra de São Pedro. Esta que, a partir do dia 28, ficará vacante à espera do novo Bispo de Roma. O encontro com John Thavis acontece na Sala de Imprensa da Santa Sé, na atribulada Via da Conciliação. Lá chegando, vejo Thavis sentado, com seu Ipad. “Estou checando minha lista dos papáveis, acrescentando as idades”, diz.

Quando chegou à Itália, em 1977, Thavis veio estudar arqueologia. Mas foi um acontecimento em 1978 que fez com que ele enveredasse pelas vias do jornalismo: o sequesto do primeiro-ministro italiano, à época Aldo Moro, pelas Brigadas Vermelhas. Thavis conseguiu uma posição no Rome Daily American e naquele ano, acompanhara dois conclaves: os que elegeram João Paulo I e João Paulo II.

De volta – em definitivo – a Roma em 1982, um ano mais tarde começou a trabalhar para a agência católica dos EUA e, desde então, acompanhou os papas João Paulo II e Bento XVI em mais de 60 viagens. Em 2012, anunciou sua aposentadoria “um pouco antecipada” do cargo de chefe do escritório da CNS em Roma e voltou aos Estados Unidos para se dedicar ao seu novo livro. Com a renúncia do Papa, voltou a sua antiga base.

 In boccal al lupo: Quanto tempo o senhor demorou para escrever The Vatican Diaries?

John Thavis: Foram muitos anos de anotações. Depois, levei um ano para escrevê-lo. Quis seguir o pontificado de Bento XVI, sobretudo os bastidores, com muitos detalhes, para poder dar uma visão da Cúria e do Vaticano que fosse além das manchetes normais. Quis desvelar esses bastidores e cenários que, para mim, são muito mais interessantes do que as manchetes sensacionalistas. Sabemos que a visão do Vaticano frequentemente se transforma em uma caricatura. Eu, particularmente, encontro aqui um mundo muito humano. Falível, sim. Mas que trabalha para o bem, aliás, que ao menos procura trabalhar para o bem, muitas vezes sem sucesso. É um mundo muito mais interessante do que aquilo que se lê nos jornais. A ideia central do livro era essa de desvelar um mundo que o grande público não conhece. Depois que terminei de escrever, por sorte, vendi imediatamente para uma grande editora dos EUA. Como eles não trabalham com instant books, tivemos muito tempo de trabalho e decidiram de publicar somente em fevereiro deste ano, justamente quando o papa renunciou. Para eles, é ótimo, porque agora o interesse pelas coisas do Vaticano aumentou muito.

IBAL: O que há por detrás dos muros vaticanos?

John durante a entrevista ao blog
John durante a entrevista ao blog

JT: É preciso entrar no Vaticano e não somente ver o papa ou os cardeais quando de suas aparições públicas. Uma das coisas mais surpreendentes – e  também uma das mais contraditórias – é que o Vaticano, com sua estrutura hierárquica rígida, abriga pessoas que são livres para pensar e falar. Por exemplo: o pregador da Casa Pontífica (Frei Raniero Cantalamessa). Ele quando chega para suas homílias, “abre a boca”, diz aquilo que ele quer sem que nenhum tenha sabido antes. De improviso. Esta é uma grande liberdade. Claro que algumas vezes há uma censura, mas essa liberdade existe também em grandes níveis aqui no Vaticano.

IBAL: O senhor estava em Roma no dia da renúncia de Bento XVI.

JT: Cheguei no domingo. Na segunda-feira, ao chegar aqui (na Sala de Imprensa), ouvi imediatamente as notícias sobre a renúncia do papa. Como todos, fiquei surpreso. Entretanto, já havia pensado nessa possibilidade, ou melhor, já tinha previsto que isso pudesse acontecer em fevereiro, especificamente no dia 22. Mas vendo o calendário das atividades do papa um pouco vazio e, somado a isso, a imagem frágil do papa durante as celebrações de Natal e o fato de Bento XVI ter criado novos 6 cardeais no final do ano, tudo isso me pareciam sinais de que ele – que já havia falado sobre a possibilidade de renunciar – estivesse realmente pronto para abdicar.

 IBAL: O que o senhor pensa a respeito do trabalho da imprensa nestes dias?

JT: Acredito que um jornalista deva sempre fazer uma auto-crítica e, nestes dias, há muito a ser criticado.  Muitos jornalistas preenchem o vazio porque, de fato, os cardeais são reticentes a dizer o nome de “papáveis”. Além disso, conforme os cardeais chegam a Roma e se aproximam as Congregações Gerais, eles se tornam ainda mais reservados. Em síntese, é um processo no todo fechado e deixa o jornalista de fora. E o que faz o jornalista? Entrevista outros jornalistas, cria cenários. Sim, é um defeito, devemos admitir. Alguns jornalistas querem até mesmo eleger o novo papa. Fazem campanhas – sutis e menos sutis. Um vaticanista, neste período de pré-conclave, deve estar mais em silêncio e escutar mais porque certamente os sinais existem. É preciso prestar muita atenção aquilo que dizem os cardeais.

IBAL: Mas conseguir uma entrevista com um cardeal é uma tarefa quase impossível…

JT: É sempre difícil no Vaticano. Por trinta anos eu escutei: é impossível ter uma posição oficial do Vaticano. Mas não é. É preciso trabalhar muito e, ao final, trabalhando bem, com as fontes se consegue saber, mas é preciso tempo também.

IBAL: Se o senhor pudesse dar um conselho ao novo papa, qual seria?

JT: Dar um conselho ao papa? (Risos). Bem, vimos que Bento XVI sofreu muito com a desorganização na Cúria Romana e também as divisões das quais ele mesmo falou muitas vezes. Penso que o novo papa deva estar apto a controlar a Cúria Romana e colocar a casa em ordem. Ou, ainda, ter um assistente para isso. Porque é verdade que um papa que se dedica muito tempo ao managment perde algumas oportunidades já que gerir a Cúria Romana é uma tarefa enorme. Mas (o futuro papa) deve escolher bem seu assistente.Talvez novos rostos, gente de fora, sem fixar-se muito às velhas figuras.

IBAL: O senhor é leigo. Qual deve ser o papel dos leigos no Vaticano?

JT: Acredito que o Vaticano deveria conceder muito mais espaço aos leigos. É muito clerical, honestamente, e por isso não reflete a população da Igreja, o povo de Deus. Sabemos bem que esta não é uma democracia, que a Cúria Romana não é um parlamento. Todavia, ao mesmo tempo, um católico, no Brasil ou em qualquer outro lugar, deve se reconhecer no Vaticano. Não existem regras sobre a participação dos leigos. Eles deveriam estar em toda a Cúria. Penso que esse deveria ser um tema do qual os cardeais deverão falar antes de se fecharem no Conclave.

IBAL: Em 2013 se repete o que aconteceu em 2005, quando João Paulo II morreu e seu sucessor, como primeira viagem internacional, participou da Jornada Mundial da Juventude. O que o novo papa vai encontrar no Brasil?

JT: Será uma grande oportunidade para o novo papa. A data não pode ser cancelada, existem muitas expectativas. O novo papa irá diretamente ao Brasil – que é o maior país católico do mundo – e, quem sabe, um papa brasileiro. Seria muito bom. A mensagem será forte, seja para a América Latina, seja para os jovens. Veremos se este novo papa conseguirá se comunicar com essa nova geração.

IBAL: No pontificado de Bento XVI vimos o Vaticano entrar mais do que nunca no mundo virtual. Foi uma iniciativa do próprio papa?

JT: Não creio. Acredito que alguém tenha motivado o papa a fazer isso. Até porque ele, ainda hoje, faz suas reflexões com papel e caneta, então não vejo o papa “tuitando”. Mas essa iniciativa reflete um movimento aqui no Vaticano de estar mais presente nas mídias sociais. Creio que este será outro ponto de debate quando os cardeais chegarem porque nem todos apreciam esta iniciativa. Até porque eles temem que haja uma superexposição do papa a comentários na rede. De qualquer maneira, acredito que a Igreja irá adiante com sua presença nas mídias sociais, até porque, para a Igreja, o jornalismo é um filtro não tão confiável, então eles devem investir nestes novos canais para chegar diretamente aos católicos.

IBAL: Precisamos de um papa 2.0?

JT: Sim. É desejável.

Política italiana: compreender o incompreensível

Áudio do comentário na RFI Português em 04.01.13

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A questão eleitoral aqui na Itália já é, por natureza, difícil de entender. E para quem está acostumado com o “voto direto” do presidencialismo de coalisão do Brasil,  fica ainda mais complicada. O sistema de governo na Itália é o parlamentarismo. Pela Constituição, os cidadãos tem o dever de votar, entretanto, para quem não vota as sanções nem sempre vêm aplicadas. Além da figura do Primeiro Ministro, nomeadamente Presidente do Conselho dos Ministros, existe também o Presidente da República Italiana, atualmente Giorgio Napolitano, que é escolhido pelo Parlamento, ou seja, a Câmara dos Deputados e o Senado.

Napolitano dissolveu o Parlamento em 22.12.12 quando o representante do partido de Berlusconi na Câmara dos Deputados, Angelino Alfano, disse que o Parlamento já não teria como dar a fiducia, ou seja, a confiança ao governo técnico de Monti – indicado por Napolitano um ano atrás – no auge da crise financeira italiana. Mario Monti, por sua vez, considerou o gesto um voto de desconfiança e pediu demissão. Contudo, Monti ainda é o Primeiro Ministro italiano, mas considerado como uscente, em saída.

Lista com os nomes e partidos durante as eleições.
Lista com os nomes e partidos durante as eleições.

Itália à deriva?

Seja Mario Monti, demissionário, que não foi eleito mas nomeado pelo Presidente para superar a crise financeira por meio de um governo técnico, seja a Câmara e o Senado dissolvidos, continuam a “governar” o País. É uma administração ordinária. Durante esse período não se aprovam novas leis. As decisões mais urgentes são tomadas somente  por meio de atos administrativos.

Eleições à vista

As próximas eleições estão marcadas para 24 e 25 de fevereiro. Essa data será, para mim, um marco pessoal. Pela primeira vez poderei votar como cidadão italiano. Ainda estou procurando entender se devo votar num partido, numa coalisão ou, simplesmente, não votar. Isso porque, apesar das urnas, é o Presidente que decide, com base na maioria eleita no Parlamento, quem será o Primeiro Ministro. O ato é para promover a governabilidade. Em síntese, o nome que encabeça o partido ou a coalisão mais votados pode vir a não ser o Primeiro Ministro.

Para além das minhas dúvidas e experiências pessoais, acredito que 2013 deva ser um marco histórico também para o País, que terá que decidir se se detém a velhas figuras ou dará chance a novos nomes, apesar do vácuo existente no cenário político italiano, carente de novos ímpetos. O Movimento Cinque Stelle (M5s), Movimento Cinco Estrelas, nasceu em 2009 e tem como mentor o cômico Beppe Grillo. Grillo – conhecido por não ter papas na língua – e seu novo movimento político conseguiram importantes vitórias em eleições municipais, principalmente na Sicília e na região da Emilia Romagna. Todavia, ainda está longe de cair nas graças do povo italiano.

A volta do nano

Daqui até as eleições viveremos um momento especulativo. Berlusconi retingiu os cabelos e voltou com tudo à cena política nos últimos dias. Participou de programas de rádio e tv. Não oficialmente, está também no Twitter. O ex-Primeiro Ministro disse que investir na rede social não foi uma iniciativa dele e sim de voluntários que apóiam a sua volta ao Palácio Chigi.

No cenário internacional essa reaparição de Berlusconi pode soar estranha, mas aqui na Itália não surpreende. Berlusconi ficou no poder por 20 anos e os reflexos desse período ainda podem ser sentidos, principalmente a influência que exerce por meio de seus canais de televisão, distribuidora de filmes, além de outra série de empreendimentos como, por exemplo, o Milan Futebol Clube, do qual é dono.

Dessa forma, apesar de todos os escândalos, Berlusconi parece ainda estar em jogo. E agora partiu para o ataque. O alvo: Mario Monti. Il nano diz que Mario Monti não pode ser candidato nas eleições por já ser senador vitalício. Monti, por sua vez, disse que deixa seu nome à disposição do futuro governo.

Como diz o célebre  Roberto Benigni,  “quando a Constituição entrar em vigor, ela será ótima”.

 

*update

Parece que Mario Monti vai mesmo concorrer. Acaba de chegar a informação de que apresentará seu novo partido nesta sexta-feira 04.01.13

20 anni fa l’accordo di pace per il Mozambico, promosso da Sant’Egidio. La testimonianza di Andrea Riccardi



Il Mozambico festeggia, oggi  (4/10/12) il 20.mo anniversario dell’accordo di pace che mise fine alla quasi ventennale guerra civile, esplosa all’indomani dell’indipendenza dal Portogallo. I vescovi locali, in una nota inviata all’agenzia Fides, ricordano il contributo dato dalla Chiesa per mantenere viva la speranza del popolo, anche nei momenti più bui della guerra. A festeggiare con grande partecipazione questa ricorrenza è la Comunità di Sant’Egidio, che portò avanti la mediazione tra il governo di Maputo e la guerriglia della Renamo. Una mediazione lunga ben due anni e tre mesi, articolata in 11 sessioni di lavoro. Rafael Belincanta ha ripercorso quella straordinaria iniziativa di pace con uno dei protagonisti, il ministro Andrea Riccardi, fondatore della Comunità di Sant’Egidio:RealAudioMP3 

R. – Io ci ho sempre creduto. Penso che con don Matteo Zuppi siamo stati gli “architetti” dell’avvicinamento tra le due parti che non si parlavano. Erano due parti che davvero non si parlavano! Quando all’inizio dell’incontro le due parti si dovevano chiamare, il grande rischio era che gli uni dicessero agli altri “signori banditi armati” e quelli rispondessero: “governo illegittimo”. Queste erano le “posizioni culturali” da cui ci si muoveva. C’era un problema di avvicinamento della Renamo. Fu molto importante un viaggio di don Jaime Gonçalves a Gorongosa per parlare con Dlakama (leader della Renamo ndr). Poi fu importante la venuta a Roma di Dlakama con cui io parlai. Prima parlammo con il rappresentante della Renamo a Roma e poi col presidente della Renamo, Dlakama. Fu un discorso importante, che spiegò come loro non avevano altra strada che le trattative. Quindi, ci fu una maturazione all’interno del governo Chissano, vari tentativi, il ruolo delle religioni, etc. finché noi focalizzammo su Roma e sollecitammo il governo italiano – che allora aveva un grande prestigio in Mozambico, erano tempi in cui l’Italia era molto presente in Africa e aveva un grande prestigio in Mozambico – a nominare un suo rappresentante che fu Mario Raffaelli.

D. – Per quanto riguarda il ruolo della Chiesa, lei ha parlato dell’arcivescovo di Beira, don Gonçalves… E’ stata decisiva anche la partecipazione della Chiesa per questo accordo di pace?

R. – Io ricordo che don Jaime Gonçalves ebbe un bel ruolo, all’inizio soprattutto. Distinguerei tra il suo ruolo personale e quello della Conferenza episcopale che fu molto minore, veramente molto minore. Ci fu un suo ruolo all’inizio e sostanzialmente don Jaime dette alla Renamo la garanzia che quei negoziati non erano fatti per incastrarla. Quelli della Renamo non erano “stupidi” e sapevano che l’Italia era “amica” del governo e quindi la Chiesa e la presenza di don Jaime avevano la funzione di garantirli nell’équipe di mediazione. Questo fu il ruolo decisivo di Gonçalves, il quale agì a titolo personale e non come rappresentante della Conferenza episcopale mozambicana… Devo dire che un po’ i vescovi mozambicani, il cardinale di Maputo, all’inizio, prima dei negoziati, si erano un po’ mossi. Ma poi ci fu questo ruolo di Gonçalves come garanzia.

D. – C’erano voci che dicevano che prima la Chiesa poteva essere considerata “nemica” del popolo…

R. – I rapporti tra il governo mozambicano e la Chiesa cattolica erano pessimi. Gonçalves stesso era stato imprigionato per alcuni giorni, avevano avuto fortissime limitazioni… I rapporti migliorarono quando con la Comunità di Sant’Egidio prendemmo l’iniziativa di far incontrare Gonçalves con il segretario del partito comunista italiano, Enrico Berlinguer. Enrico Berlinguer incontrò due volte Gonçalves, ascoltò a lungo qual era la situazione e intervenne personalmente presso la Frelimo (che sosteneva il governo ndr) per un cambiamento della politica religiosa della Frelimo stessa.

D. – Vuole dire che nessuno credeva che un’entità al di fuori del Mozambico stesso poteva dare inizio a un accordo di pace, come ha fatto sant’Egidio?

R. – Nessuno ci credeva e fu il bisogno delle due parti, del governo e della Renamo, a portarci a questa conoscenza, a questo accordo e a questo ruolo. Devo dire che fu molto importante l’impegno di don Matteo Zuppi che fu un appassionato negoziatore per due anni; lo fu lo stesso Raffaelli. Si creò un’équipe tra noi quattro, soprattutto tra noi tre italiani, molto unita e molto forte. Devo segnalare che fu molto bravo l’ambasciatore italiano a Maputo, Incisa di Camerana, il quale prese lui stesso grandi responsabilità. L’Italia sentì questo accordo a tratti. Erano momenti politici difficili, ci fu un interessamento forte in una fase di Andreotti, in altri momenti meno. Ma poi ci fu un’attenzione della comunità internazionale molto importante e l’attenzione degli Stati Uniti. Io ricordo qui l’ambasciatore Usa, Cameron Hume. I negoziati di Roma furono visti dall’opinione pubblica come una cosa singolare: cos’era questo antico palazzetto di Trastevere dove entravano ogni giorno due gruppi di africani, dove si svolgevano lunghe trattative, lunghi silenzi, difficoltà? Insomma fu una cosa di grande interesse e originalità! Qualcuno ironizzò… Ricordo che “Le Monde” disse: i negoziati vanno a rilento tra ottimi ristoranti romani e antiche basiliche. Però si arrivò all’accordo. Perché? Perché prendemmo tempo, perché avemmo pazienza. C’erano molte pressioni per fare presto, ma le due parti dovevano maturare, in particolare la Renamo doveva passare dalla lotta armata alla lotta politica. C’era un salto da fare.
http://it.radiovaticana.va/news/2012/10/04/20_anni_fa_l’accordo_di_pace_per_il_mozambico,_promosso_da_sant’egidio/it1-626907

 

 

20 anos depois da paz, democracia ainda deve crescer em Moçambique

MInistro italiano da Cooperação Internacional, Andrea Riccardi

Opinião é de Andrea Riccardi, fundador da organização católica Comunidade de Santo Egídio e um dos mediadores do Acordo Geral de Paz de 1992. Riccardi falou com exclusividade à DW: “Não existem ameaças como no passado”.

No próximo dia 4 de outubro, feriado nacional em Moçambique, serão comemorados os 20 anos da assinatura do Acordo de Paz entre os antigos rebeldes da RENAMO e o governo da FRELIMO, que se opuseram numa guerra civil que durou 16 anos.

Revendo o Boletim oficial da República de Moçambique publicado no dia 14 de outubro de 1992 – documento que oficializou a paz no país – o hoje ministro italiano da Cooperação Internacional, professor Andrea Riccardi, que junto com a equipe de mediadores da Comunidade de Santo Egídio ajudou a criar o Acordo Geral de Paz de Moçambique 20 anos atrás, conta que jamais deixou de acreditar que o fim do conflito civil fosse possível: “Eu sempre acreditei. Penso que, junto com Dom Matteo Zuppi, fomos os arquitetos da aproximação entre as partes que não se falavam”, disse o fundador da Santo Egídio, em entrevista exclusiva à DW África.

De um lado, estava o governo da Frente de Libertação de Moçambique, FRELIMO, do então presidente Joaquim Alberto Chissano. De outro, a Resistência Nacional Moçambicana, RENAMO, de Afonso Dhlakama.

O ex-mediador Andrea Riccardi levanta hipóteses sobre o que poderiam ter pensado ambas as partes antes da primeira ronda de negociações: “Grande era o risco de que um [FRELIMO] dissesse ao outro: ‘Senhores bandidos armados’ e os outros [RENAMO] dissessem: ‘governo ilegítimo'”.

Na época das negociações de paz, que duraram cerca de dois anos, um personagem fundamental conseguiu superar a resistência de aproximação da RENAMO: Dom Jaime Gonçalves, Bispo da Beira, como lembra Riccardi: “Foi um discurso importante para explicar à RENAMO que eles não tinham outra saída a não ser negociar. Depois, houve também um amadurecimento por parte do governo de Chissano”, disse o atual ministro italiano da Cooperação Internacional.

Diplomacia italiana

Uma decisão chave dos mediadores da Santo Egídio, uma comunidade de leigos católicos com sede na Itália, que durante dois anos e três meses negociou a paz em Moçambique, foi envolver a diplomacia italiana. “Solicitamos ao governo italiano – que na época tinha um grande prestígio em Moçambique – a nomear um representante, que foi Mario Raffaelli”.

Fundador da Comunidade de Santo Egídio, Andrea Riccardi foi um dos mediadores do Acordo Geral de Paz de 1992...Fundador da Comunidade de Santo Egídio, Andrea Riccardi foi um dos mediadores do Acordo Geral de Paz de 1992…

Mas se a comunidade internacional já começava a olhar com atenção as tentativas para terminar a guerra civil, que desde 1976 tinha devastado o país, internamente Moçambique tinha alguns conflitos que impediam o país avançar à tão sonhada estabilidade. “As relações entre o governo moçambicano e a Igreja Católica eram péssimas e só melhoraram quando eu, junto com a Comunidade de Santo Egídio, tomei a decisão de promover um encontro entre Dom [Jaime] Gonçalves e o secretário do Partido Comunista Italiano, Enrico Berlinguer, que interveio pessoalmente junto à FRELIMO para que esta promovesse uma mudança na sua política religiosa”, explicou Riccardi à DW África.

Apesar de todos os esforços, em Moçambique quase ninguém acreditava que uma organização não governamental internacional pudesse ajudar a estabelecer os rumos de um futuro sem guerra.

“Foi a necessidade das duas partes, do governo e da RENAMO, que levou a Comunidade de Santo Egídio a desempenhar este papel para criar um acordo. A opinião pública ironizou, exerciam pressões. Mas, depois de longas tentativas, longos silêncios e dificuldades chegamos a um acordo”, relata Andrea Riccardi.

Porém, segundo ele, “as duas partes deveriam, ainda, amadurecer. Em particular a RENAMO, que deveria passar da luta armada à luta política. Havia um grande salto a ser feito”.

Perguntado se, passados 20 anos do Acordo Geral de Paz de Moçambique, Andrea Riccardi mudaria alguma coisa em Moçambique, o professor respondeu: “Acredito que um dos grandes problemas seja que a RENAMO deveria se transformar em [verdadeiro] partido de oposição para um [efetivo] funcionamento bipartidário da democracia em Moçambique. Entretanto, acredito que todos tenham respeitado os acordos: o governo e a RENAMO que jamais voltou às armas”.

Ainda olhando para o futuro, Riccardi fez uma crítica construtiva de quem ajudou a levar a paz a Moçambique: “Acredito que a democracia em Moçambique deva crescer. Mas não existem ameaças no sentido daquilo que houve no passado. Contudo, quando eu estive no Parlamento, em Maputo, e vi os guerrilheiros sentados nas cadeiras da oposição, não posso esconder que aquilo me comoveu”.

...assinado a 4 de Outubro daquele ano pelo então presidente moçambicano, Joaquim Chissano (esq.), e o líder da RENAMO, Afonso Dlhakama (dir.)…assinado a 4 de Outubro daquele ano pelo então presidente moçambicano, Joaquim Chissano (esq.), e o líder da RENAMO, Afonso Dlhakama (dir.)

Crimes a punir?

Evocando os protocolos do Acordo Geral de Paz de 1992, Riccardi respondeu à questão sobre se os crimes da guerra civil deveriam ou não ser investigados e tornados públicos numa Comissão da Verdade e Acolhimento.

“Moçambique fez outra escolha: a anistia. Esta foi a escolha de Moçambique porque os crimes e as violências foram praticados por ambos os lados. Temos que esperar os moçambicanos do futuro”, avalia.

Interesses económicos

Para este futuro, Riccardi acha que a democracia em Moçambique ainda precisa crescer, mas que “um grande bem estar está a aproximar-se. A presença da empresa petrolífera italiana [ENI, que estuda descobertas de gás natural na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, no nordeste do país] é algo a ser considerado. Há um grande crescimento de interesses económicos e a sociedade deve harmonizar-se com isso”.

Interrogado sobre se esta é uma visão do ministro italiano da Cooperação Internacional, Riccardi disse não saber: “É uma visão de um grande amigo de Moçambique, que conheceu o país quando a fome o assolava, quando no mercado central de Maputo tinha somente peixe seco. Hoje, em vinte anos, a história realmente mudou”, acredita.

Por outro lado, segundo Riccardi, “existe muita pobreza em Moçambique. Existe um problema de distribuição do bem-estar, mas para criar algo diferente é preciso que uma nova sociedade crie raízes”.

Autor: Rafael Belincanta (Roma)
Edição: Renate Krieger/António Rocha