O adolescente faraó Tutankhamon foi soberano em um Egito do Novo Reino, por volta de 1.300 a.c. Sua tomba, todavia, só foi encontrada no início do século 20 e, pela riqueza e conservação dos materiais, se transformou na mais conhecida e preciosa já encontrada no Vale dos Reis.

Os achados ocupam um lugar de destaque no Egyptian Museum, entre eles a icônica máscara de ouro do faraó, que pude observar há exatos dois anos, in loco.

Hoje, uma minha passada descompromissada diante da Accademia di Egitto me remeteu de volta ao Cairo.

Sugestivamente, me encontro no subsolo da academia onde a mostra foi instalada. O ouro e o branco reluzem na penumbra das luzes dirigidas.

Pouco a pouco o trajeto revela peças de valor arqueológico inestimáveis, tudo protegido por vidros espessos.

Tenho a exposição toda para mim, estou sozinho em Roma dentro da tomba do faraó. Anubis, Ísis e outros deuses me guiam no percurso.

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Estupefato, permaneço diante do primeiro sarcófago. Não de longe, me fita o olhar severo porém amável de Anubis. Conduzir um faraó para o lado de lá não deve ser fácil!

Para minha surpresa, outro sarcófago, aquele que continha a múmia embalsamada do faraó, estava sem proteção. Pude me aproximar e fotografar nos detalhes. Nele, o corpo do faraó é recoberto com motivos que remetem às plumas das asas das deusas protetoras Ísis e Nephtis.

No momento da descoberta de Howard Carter, um sutil tecido de linho vermelho com guirlandas de flores por cima cobria o sarcófago.

De um outro ângulo, admiro Anubis em uma representação de tirar o fôlego. Esculpido em madeira, o chacal apresenta detalhes muito precisos nos olhos e no pescoço. Prossigo: me deparo com uma escultura que representa o jovem faraó em vida. Ela se encaixa perfeitamente naquilo que já vejo brilhar a alguns metros de distância.

O que pode ser? É a máscara de ouro de Tutankhamon!

(silêncio)

Só no final me dei conta que não poderia estar sozinho em uma mostra de objetos tão valiosos. São todas réplicas, perfeitas, enfatizou um funcionário. As originais até pouco tempo estavam aqui, mas por questões de segurança, voltaram para o Cairo.

Mesmo assim, no subsolo, diante daquelas cópias, experimentei sensações mais profundas do que dois anos atrás no museu “original”.

Não é de hoje que Roma flerta com o Egito, e vice-versa. E não exagero ao dizer que voltei ao Egito, sem sair de Roma.

Tudo isso hoje, de alguma forma, reiterou essa ligação.

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