Uma nova proposta de arte contemporânea desembarca em Veneza. A Bienal deste ano se inspira no humanismo: quer mostrar uma arte de resistência, de libertação, de generosidade.

Características que encontramos na arte dos brasileiros presentes na bienal que, aliás, este ano tem sido muito especial para os brasileiros: são quatro artistas presentes com suas mostras individuais, além da já consolidada participação do pavilhão nacional.

O júri concedeu uma menção especial ao pavilhão brasileiro. A instalação ‘evoca as preocupações atuais da sociedade brasileira’. Cynthia Marcelle e o filmmaker Tiago Mata criaram um espaço desnivelado e enigmático. O visitante não dá passos seguros, literalmente, chuta as pedras do caminho.

A enorme tenda inspirada na cultura dos índios kaxinawá por sua vez convida a entrar em uma outra dimensão, muito mais tranquila e aconchegante. No pavilhão dos Xamãs, Ernesto Neto criou um grande DNA que acolhe a todos. Sons e aromas da Amazônia completam a instalação: um outro nível de consciência que chega às artes contemporâneas a partir das experiências da floresta amazônica e seus habitantes originais.

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“Não tinha visto uma obra na Bienal que abordasse esse tema que é a meditação e a espiritualidade, e que eu acho que a humanidade está despertando para isso. Eu vejo que é uma forma de comunicar, de falar o que não é falado”, disse Maíra Borges Santos, visitante de Porto Alegre

Uma vídeo instalação de Ayrson Heráclito também ganha destaque no pavilhão das tradições.

Mais à frente, no pavilhão da Terra, ganha forma a obra inédita de Érika Verzutti: tartaruga gigante.

A criação de Paulo Bruscky tem um lugar de destaque: o jardim na entrada do pavilhão internacional. A obra, criada em 1973, foi montada pela primeira vez… E não perdeu nada de atualidade.

“A arte-correio foi incorporando as novas tecnologias, como o fax que gera transmissão em tempo real, e nós trabalhávamos na arte-correio em rede e com consciência de rede. Então a internet foi uma consequência logica para mim e para os outros artistas-correio. Então essa obra ainda é atualizada porque é a questão da preocupação com a embalagem da obra de arte, a questão de interior/exterior e é uma obra em aberto: cada um faz suas deduções e serve também para o pessoal descansar, relaxar”.

Ia tudo bem até que Bruscky teve uma performance paralela à bienal, na praça São Marcos, interrompida pela polícia italiana.

“Eu tô muito acostumado com esse tipo de coisa: eu fui muito perseguido no Brasil, lá no Recife, fui preso três vezes durante a ditadura, então isso não me surpreende: a censura sempre andou ao meu lado: fazia até tempo que ela não pegava no meu calcanhar”

– Expor na Bienal é um dos momentos altos da sua carreira, Paulo, aliás, o que você entende por carreira.

“Para mim isso não muda nada: eu continuo sendo a mesma pessoa. É claro que você se sente gratificado por alcançar isso em vida, mas nunca me preocupei com reconhecimento, com nada, nunca procurei nada. Eu faço arte todos os dias, eu faço arte para não ‘endoidecer’”.

– Olha o pessoal lá sentado na sua obra:

“A minha obra serve para várias coisas, não só uma reflexão, mas também uma distração!”

Os leões de ouro da edição de número 57 da Bienal de Arte de Veneza foram para a Alemanha. O pavilhão do país conquistou os jurados com performances intensas e inquietantes sob curadoria de Anne Imhof. No desempenho individual, Franz Erhard recebeu o leão de ouro de melhor artista. O trabalho dele foi descrito pelo júri como radical e complexo. A bienal de arte de Veneza vai até o dia 26 de novembro, com o tema Viva arte Viva.

 

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Um comentário sobre “A arte brasileira na Bienal de Veneza

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