A Grande Sinagoga de Roma

A Grande Sinagoga de Roma

Levei seis anos até que justamente hoje, de repente, não mais que de repente, finalmente conheci a Grande Sinagoga de Roma.

É imponente!

fullsizerenderAbriga o museu de cultura judaica e é um monumento histórico da cidade eterna, apesar de ter sido terminada em 1904.

A relação dos judeus com Roma, porém, é bem mais remota.

A comunidade judaica está presente ininterruptamente há mais de 2.200 anos em Roma. É a mais antiga comunidade hebraica fora da “Judeia”.

Atestam as ruínas de uma antiga sinagoga em Ostia, a primeira fora das terras prometidas.

As primeiras chegadas consideráveis de judeus ao império romano remontam à época do imperador Tito. Tanto é que um olhar mais atento ao arco dedicado às suas conquistas, na Via Sacra, logo identifica uma Menorá entalhada no mármore: ilustração da tomada da Judeia pelas legiões romanas.

De volta ao gueto judaico, com a irrupção das tropas garibaldianas em 1870 na Porta Pia, Roma foi decretada capital do Reino da Itália e, por consequência, todos seus habitantes tiveram a cidadania italiana reconhecida.

sinagoga
Artefatos históricos presentes no museu judaico

Caía o poder absoluto do papa e os judeus já não estavam mais limitados a viver no gueto.

Assim, aquela decrépita área perto da Ilha Tiberina é demolida e dá lugar ao novo bairro judeu. A Grande Sinagoga é erguida na antiga área, simbolizando a resistência dos judeus ao longo daqueles séculos de marginalização e trazendo esperança para o futuro no início do novo século.

Entretanto, o período de paz é estraçalhado pelos nazistas, que deportaram de Roma centenas de cidadãos judeus italianos aos campos de concentração nazista de Auschwitz e Birkenau.

Em 1982, um ataque terrorista mata o pequeno Stefano Gaj, de dois anos, e deixa outros 37 feridos.

Poucos anos depois, pela primeira vez na história um papa visita o rabino chefe e a Sinagoga de Roma: João Paulo II chama os judeus de “irmãos maiores” e abre uma nova etapa nas relações judaico-católicas.

Atualmente, existem outras 14 (se entendi bem) sinagogas em Roma. Mas o Ghetto Ebraico continua a ser o ponto de encontro da comunidade na capital e ponto obrigatório de passagem para os turistas que visitam a cidade.

Gastronomicamente falando, inclusive!

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Aniversário em tempos líquidos

Aniversário em tempos líquidos

Semana passada o Facebook me recordou que eu deveria completar 35 anos em poucos dias. E me incentivava a mudar a privacidade para que todos os “amigos” pudessem desejar o tal do feliz aniversário.

Por um momento, confesso que estava para abrir o tal cadeado. Por orgulho, queria receber os parabéns de alguém que já não importa.

Todavia resisti. Ainda bem porque logo cedo começaram a chegar as primeiras mensagens – de quem eu menos esperava.

– Ma ti ricordi ancora?
Si si…auguri!

Ainda cedo, quem há pouco faz parte da minha vida, limitou-se a um inadvertido buongiorno. O que já é grandioso!

No grupo da família, todos já se manifestaram (menos mal), assim como os amigos que se contam na ponta dos dedos.

Aí chega um pedido de amizade no Facebook de quem você jurava que já era amigo: mas o que é isso?

– Clonaram o meu perfil antigo. Tá ficando velhinho hein?
Diga-o aos pelos que agora só crescem no ouvido, respondo cúmplice.

Os chats pululam. Quem vem jogar um verde para colher maduro, quem nem imagina.

Enquanto isso, no mundo líquido não-virtual, uma colega que está em outro andar passa e acaba com meu disfarce: mas não é hoje seu aniversário?, pergunta diante de TODOS.

Err… (ca-rva-lho-s) sim!
– Auguri!!!

Desmascarado diante dos colegas, começo a receber os parabéns não-virtuais. Até que não doeu tanto! A esta altura, no grupo do Whatsapp, a notícia já viralizou.

“Quem é que tá de aniversário hoje?”
– Euuuuuuuu, relaxei.

Até então não havia me emocionado de verdade. Bastou um simples vídeo, porém cheio de amor, para desabrochar as minhas primeiras lágrimas da metade da vida

[mais 30].

Esse vídeo é virtual? Não, o sal na boca que queima os lábios ao sol não foram imaginados.

É a tecnologia que, com uma pitada sensível de humana condição, transforma tudo o que é virtual no mais puro abraço caloroso [e mais do que real].