Aquele gramado do Índio Condá

Aquele gramado do Índio Condá

As cenas de hoje no Índio Condá me fizeram lembrar dos ensaios para a abertura dos Jasc em 1991.

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O velho condá

Eu tinha 9 anos e começava a entender o valor do esporte para a vida (toda). Eu ensaiava de chuteiras depois do treino com meu pai no campo do São Francisco. Ele que tinha a doce ilusão que eu pudesse me transformar em um grande jogador de futebol.

[E foi o meu maior incentivador quando soube que meu talento esportivo estava nas mãos!]

Ele insistia para que eu tirasse as chuteiras para não estragar o gramado. Mas um menino de 9 anos não é nada sem suas chuteiras!

Recordo do meu pai com a camisa do Internacional. Naquele tempo, um Grenal parava a cidade. Chapecó se identificava muito mais com os times do Rio Grande do Sul por tradição, mas o coração sempre foi verde-e-branco.

Bastava uma vitória da Chape no estadual para sentir essa batida mais forte. Alimentava o sonho de um dia ver a indiarada novamente na primeira divisão após as glórias dos finais dos anos 70.

Já estava bem longe quando da ascensão do time, mas meu pai ainda teve tempo de assistir alguns prodígios da Chape e me contar por telefone.

“Sim, o time é bom, mas falta técnica [meu pai era muito exigente] e o preparo físico ainda não é ideal. Jogam só de um lado do campo, e o lateral direito é canhoto!”.

Eu concordava, obviamente. Sabia que a crítica era sinal de orgulho para quem sempre teve dificuldades em expressar o que sentia.

“Ma va o non va in serie a”?, perguntei.

“Do jeito que está joga pra não cair”.

Meu pai não viveu para ver essa tragédia. Mas tenho certeza que ele, por fora sempre duro na queda, hoje choraria junto com toda Chapecó lembrando os áureos tempos na preparação física do clube.

E diria: “o esporte ensina que nem mesmo diante de uma tragédia colossal o jogo pode parar”.

Então, termino com as palavras da minha madrinha:

“Pra teres uma ideia, no jogo com o San Lorenzo, havia 4 redes de televisão transmitindo ao vivo, com 210 repórteres credenciados. Podes te orgulhar muito da tua cidade! Sabe receber com respeito a todos. Mas não dá moleza dentro do campo. Uma pena que a final não possa ser aqui. O campo só tem capacidade para vinte mil e o regulamento exige quarenta mil. Mas vamos fazer o melhor em Curitiba”.