Terremoto: moradores de Roma acordaram com camas tremendo

Terremoto: moradores de Roma acordaram com camas tremendo

O terremoto que atingiu o centro da Itália na madrugada desta quarta-feira (24), foi sentido em Roma. O correspondente da RFI conta que, como outros moradores da capital, acordou com a cama tremendo. Assustada, a população foi para as ruas da cidade.

Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma

Eram 3h36 da madrugada desta quarta-feira, quando a região central da Itália foi atingida por um forte terremoto de 6 graus na escala Richter.

O epicentro foi a cidade de Accumoli, ao norte da região do Lácio, onde houve muita destruição. A cidade com maiores danos é Amatríce, na mesma província. Pescara del Tronto, na província das Marcas, também foi severamente atingida.

Nas primeiras horas após o terremoto principal, o prefeito de Amatríce Sergio Pirozzi declarou: “metade da cidade não existe mais”. As primeiras fotos ao amanhecer confirmavam o drama.

Réplicas também foram sentidas em Roma

Em Roma, o terremoto foi sentido praticamente em toda capital. Eu, no momento exato do terremoto, acordei com a cama que chocalhava muito forte, com um grande susto. Nós, moradores de Roma, também sentimos os tremores que se seguiram durante a madrugada, de 5,1 e 5,4 graus. Muitas pessoas saíram de casa e foram para as ruas. Não foram registrados danos maiores na capital.

O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) localizou o epicentro do sismo principal a 4 quilômetros de profundidade entre as províncias de Rieti e Ascoli Piceno, distantes cerca de 150 km de Roma.

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Amanhecer em Roma em 24 de agosto 

Especialistas do INGV afirmaram que o potencial de destruição do terremoto pode ser comparado ao terrível sismo que devastou a cidade de Aquila em abril de 2009, e deixou 309 mortos.

Coincidentemente, o horário do terremoto deste 24 de agosto foi praticamente o mesmo do de Aquila, que foi registrado às 3h32.

Um bunker para Mussolini

Um bunker para Mussolini

As surpresas em Roma não terminam nunca. E nem precisa ser algo que está enterrado há mais de 2 mil anos. Pode ser um bunker da Segunda Guerra para proteger a família do ditador fascista Benito Mussolini.

Graças ao empenho da associação Sotterranei di Roma é possível visitar os três bunkers no subsolo da Villa Torlonia, última residência de Mussolini antes de sua prisão e da liberação de Roma pelas tropas dos Estados Unidos.

Lá, existem três bunkers. O primeiro, mais um abrigo antiaéreo, foi improvisado a partir de uma antiga adega. Os outros dois foram construídos pelos bombeiros por ordem do Duce e o último – o verdadeiro bunker – nunca foi concluído.

Pelos estudos apresentados, o bunker principal poderia proteger de 6 a 10 pessoas por até 6 horas. Mussolini teria ordenado a construção do abrigo após a visita ao bunker de Hitler em Berlim.

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Bunker da Villa Torlonia: nunca foi usado

Todavia, o bunker nunca chegou a ser utilizado. Durante a visita, ouvimos a gravação original da EIAR (que após a II Guerra viria a ser a RAI) sobre a “renúncia” de Mussolini.

Na verdade, os bombeiros, ao ouvirem a notícia, imediatamente abandonaram a construção do bunker principal. Todavia, o que não sabiam é que Mussolini não havia renunciado e sim preso pelo Rei Vittorio Emanuelle.

Seis metros abaixo do solo, conhecemos ainda um pouco da história de Roma durante a Segunda Guerra Mundial. Pode-se ver o mapa com os abrigos antiaéreos públicos da cidade e o testemunho deixado nas paredes pelos romanos que neles se refugiaram.

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Sineres antiaéreas em Roma

Uma foto dos aliados mostra as primeiras bombas que caíram sobre Roma e a destruição da cidade, principalmente do bairro de San Lorenzo.

É possível ainda ver as antigas sirenes antiaéreas e saber que uma delas ainda está “ativa” no alto de um prédio no centro da cidade.

Cópias dos documentos sobre a operação Dux que pretendia matar o Duce ao bombardear a Villa Torlonia também estão expostos.

Assim como cópias de cartas da inteligência alemã que confirma a existência de um bunker no Vaticano – sempre negado pela Santa Sé.