FAO quer aumentar cooperação com a CPLP

FAO quer aumentar cooperação com a CPLP

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) quer reforçar a cooperação com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para mitigar as consequências das alterações climáticas.

A ideia foi transmitida terça-feira (19/07) aos embaixadores dos PALOP, durante um encontro com o diretor da FAO, na sede da organização, em Roma, a propósito dos 20 anos de fundação da CPLP. Todos os membros estiveram representados, à exceção da Guiné-Bissau.

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A seca prolongada castiga os moçambicanos, que agora também devem se preparar para as cheias. Um ciclo natural que se repete e é um dos maiores desafios para a agricultura.

Por isso, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação quer reforçar a cooperação técnica com o país, assim como com os demais PALOP. A ideia é minimizar os efeitos das mudanças climáticas, como explica o diretor da FAO, José Graziano da Silva.

“Muitos dos países da CPLP também foram afetados pelo El Niño. Salvar vidas também implica salvar a lavoura, a pecuária, os bens produtivos, especialmente. Nós vamos começar a nos preparar para enfrentar também La Niña, que é o que se segue agora em agosto ao El Niño: chuvas torrenciais onde nós tivemos seca. Infelizmente, este é o panorama para o futuro: mais e mais devemos esperar estes eventos tão fortemente contrastantes em função das mudanças climáticas”.

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O encontro na FAO

Em Moçambique, além das causas naturais, a crise económica agrava ainda mais a situação de quem precisa lutar para ter o que comer todos os dias. Além disso, episódios como o das chamadas “dívidas escondidas”, contraídas pelo Governo entre 2013 e 2014, contribuem para a redução da ajuda internacional. É preciso primar pela transparência, destaca a embaixadora Maria Manuela Lucas, representante de Moçambique na FAO.

“(…) Realmente esse processo deveria ter passado pela Assembleia da República, mas não passou porque achou-se que era uma questão de segurança. Íamos comprar barcos para fazer a supervisão da nossa costa (…), mas também a área de recursos minerais: não deixar que sejam navios de outros países a velar por essa área. Então, o Governo moçambicano pediu essa dívida para poder colmatar essa área de segurança. Acho que o Governo já sabe que deve ir pela transparência em tudo que faz em termos de gestão de fundos do Estado e também dos parceiros”.

A crise econômica também afeta Angola. E a desvalorização do kwanza devido à baixa do petróleo não se reflete em incentivos imediatos à produção local. Além disso, o preço dos alimentos varia todos os dias nos mercados do país. Por isso, “é preciso diversificar”, explica o embaixador de Angola em Itália, Florêncio de Almeida.

“É uma realidade que hoje não se constata somente em Angola, mas em quase todos os países produtores de petróleo. (…) Estamos a tentar encontrar mecanismos internos para poder reduzir essa crise que hoje nos assola. O nosso Governo está a pensar na diversificação da economia onde a agricultura terá um espaço muito importante. E neste momento estamos a discutir com a FAO para que possa nos garantir assistência técnico-financeira para que possamos desenvolver projetos na perspectiva da cooperação triangular que possa beneficiar projetos de desenvolvimento agrícola em Angola”.

Brasil é ideal para “Universidade” contra a fome, diz PMA

Brasil é ideal para “Universidade” contra a fome, diz PMA

“O Brasil tem um grande número de lições a ensinar sobre a desnutrição e como resolver isso”, afirmou em um encontro com jornalistas da Ásia, África e do Brasil, a diretora de Nutrição do Programa Mundial Alimentar (PMA), Lauren Landis.

No Brasil, o PMA mantém em parceria com o governo o Centro de Excelência de combate à fome, que completa 5 anos de atuação e é, atualmente, um dos principais pontos de referência para os países que buscam sair do mapa da fome criando ou reforçando programas de alimentação nacionais.

Landis explicou que o Brasil levou apenas dez anos para mudar o seu paradigma nutricional: da desnutrição à obesidade.

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Crianças almoçam em escola na Bahia

“O que eu gostaria de ver o Programa Mundial Alimentar fazer no futuro, é que trouxesse mais nações para entender o sucesso que o Brasil teve – e que provavelmente terá – na questão da prevenção do sobrepeso e da obesidade”.

“Universidade” contra a fome

Fora do mapa da fome e com novos desafios pela frente, o Brasil é o “ambiente ideal” para a formação dos países no combate à fome e conscientização sobre a nutrição ideal.

“Também sinto que nós poderíamos fazer – e este é meu sonho – do Centro de Excelência algo mais como uma ‘Universidade’. No sentido de que precisamos mais cooperação direta. Nós poderíamos ensinar de governo para governo porque os governos não querem ouvir o que o PMA pensa, ou o que o UNICEF pensa. Com frequência, eles querem saber das tribulações pelas quais passaram outros governos para alcançar seja o que for: uma legislação, políticas ou na implementação de programas. E eu penso que o Brasil seria o ambiente ideal onde conduzir isso”, concluiu.

Brasil lidera aumento de consumo de peixes de aquicultura

Brasil lidera aumento de consumo de peixes de aquicultura

O consumo mundial de peixes de aquicultura superou pela primeira vez na história a pesca natural. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (08/07), pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

O Relatório anual sobre o estado da Pesca e Aquicultura no mundo revela ainda que o Brasil está entre os 25 maiores produtores de peixes de aquicultura.

O Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva, afirmou que o consumo de peixes de aquicultura superou o de pesca natural no país. Atualmente, mais de 50% dos peixes consumidos no Brasil são provenientes da piscicultura.

“O Brasil está na liderança dos países que aumentaram o consumo de peixe. Há poucos países, infelizmente, que estão aumentando este tipo de consumo. Digo infelizmente porque o peixe tem se mostrado uma proteína de melhor qualidade para o consumo humano e recomendado para uma dieta saudável”, explicou.

Potencial

Graziano afirma que o Brasil detém um grande potencial de crescimento para o setor. Ele cita grandes açudes e lagos que podem ser utilizados para a piscicultura graças a uma lei que reconhece estas águas como públicas. Porém, adverte que o Governo brasileiro deve defender os pequenos aquicultores e pescadores.

“Há sempre uma tendência, uma vez estabelecida uma atividade lucrativa como é a aquicultura hoje no Brasil, que grandes empresas entrem neste mercado. Isso é parte da tendência econômica de grandes grupos econômicos que procuram alternativas para a inversão dos seus capitais. O que precisa ser feito é o que vem sendo feito, mas em maior escala: proteger os pequenos. É papel do Estado proteger os pequenos”, reiterou.

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Certificação aos países que aderiram ao Tratado

Brasil fora de tratado internacional

Às vésperas da entrada em vigor do Acordo Internacional da FAO que prevê a fiscalização de navios de bandeiras estrangeiras em portos nacionais, Graziano da Silva recordou que o Brasil ainda não está entre os países que assinaram o Acordo.

“Não é só pesca ilegal que muitas vezes estes barcos trazem. Aí está a oportunidade para o contrabando, inclusive de seres humanos, que têm sido utilizados através desta pesca ilegal em barcos sem controle”, apontou.

Os seguintes países e organização ratificaram o Acordo sobre medidas do Estado controlador do Porto (PSMA).

África do Sul, Austrália, Barbados, Chile, Costa Rica, Cuba, Dominica, Estados Unidos, União Europeia, Gabão, Guiné-Bissau, Guiana, Islândia, Ilhas Maurício, Moçambique, Myanmar, Nova Zelândia, Noruega, Omã, Palau, República da Coreia, Saint Kitts e Nevis, Seychelles, Somália, Sri Lanka, Sudão, Tailândia, Tonga, Uruguai y Vanuatu.