“A cura, provavelmente, virá antes de uma vacina”, afirmou o Diretor Adjunto da Agência das Nações Unidas para a Aids, Unaids, o médico brasileiro Luiz Loures, um dos pioneiros no tratamento da Aids no Brasil.

Em Roma para participar de um evento que buscava unir forças com as instituições religiosas para fazer chegar a mais crianças os antirretrovirais, ele informou que hoje, das 3 milhões de crianças que convivem com o hiv no mundo, somente 900 mil têm acesso aos medicamentos.

O diretor insiste que os avanços científicos não bastam para acabar com a epidemia: é preciso levar o teste a todos. Ele alerta ainda para o alto índice de recorrência de infecções entre os jovens: “a Aids não é coisa do passado”.

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O médico Luiz Loures durante a entrevista

Luiz Loures: “A cura provavelmente vai vir antes de uma vacina e, hoje, uma pessoa que trata, tem uma expectativa de vida normal, tem uma inserção social, familiar e pessoal normal. Cada vez mais temos disponibilidade de tecnologias, de tratamentos, que vão ter um impacto muito grande na qualidade da vida da pessoa tratada. O que está se tornando uma realidade hoje? Ao invés de uma pessoa com hiv tomar uma droga todos os dias, num futuro muito próximo eu espero que seja um injeção a cada três meses, sem ter essa parte que incomoda mais do tratamento que é a adesão diária às drogas. Então, existe progresso e eu tenho uma expectativa muito positiva que vamos chegar à cura. Somente a ciência não resolve: a questão central hoje é garantir que todos, independente de onde eles vivem, tenham acesso sem discriminação a essa ciência”.

IBAL: Muitos adolescentes pensam hoje que a Aids é coisa do passado…

Luiz Loures: “Não é! Apesar de termos as ferramentas para tratar e para levar essa epidemia ao fim, ainda não acabou. O que nós observamos no mundo é que existe uma tendência de recorrência da Aids principalmente entre pessoas mais jovens. Isso está claramente a esta percepção que Aids não é importante: uma baixa da guarda, uma baixa do ponto de vista da prevenção em relação ao hiv. Este talvez seja o desafio mais importante hoje: o que eu chamo de ‘fechar a lacuna de geração’. Minha geração viu uma epidemia que a geração mais jovem não vê, felizmente, mais. Mas a consequência disso é que existe também uma percepção incorreta de que a Aids já acabou. Vamos acabar! Mas para isso precisamos sem duvida de um engajamento total da população mais jovem em prevenção, tratamento e teste, principalmente! O chamado principal para um jovem hoje: faça o teste. É muito importante conhecer o seu estado. Se negativo, que se mantenha negativo, continue tomando as vias de prevenção, se positivo, vai ter uma via normal, com o tratamento disponível, mas faça o teste: isso ajuda muito a uma tomada de posição do jovem em relação à epidemia da Aids”.

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