Nesta terceira e última matéria especial sobre a Casa do Menor, instituição fundada pelo padre italiano Renato Chiera na periferia do Rio de Janeiro, ele reflete sobre o porquê da sociedade brasileira querer investir na violência e o que ele espera que aconteça com a Casa do Menor quando ele não estiver mais por aqui.

Em contraposição a essa realidade, ouviremos também os testemunhos de dois jovens recuperados na Casa do Menor. Padre Chiera e o grupo de 25 menores vieram a Itália para uma turnê musical. Conheceram o Papa no início de abril e agora volta ao Brasil com a esperança de um Brasil menos desigual.

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Como é que a Casa do Menor se mantém hoje?

Padre Renato Chiera: Hoje nós temos muitas dificuldades. O governo ajuda pouco, muito pouco. A sociedade brasileira está crescendo um pouquinho mais na solidariedade mas aquele que poderia mais ajudar ainda não ajuda. Então, nós devemos chamar a sociedade a esta responsabilidade.

Custa mais matar do que salvar

Para nós não tem nem 500 reais. 500 reais para salvar, 4,5 mil para matar. Nós queremos investir na violência. Estamos investindo na violência. Isso custa até em nível econômico. Custa mais matar do que salvar. Isso é uma loucura!

Como gostaria de ver o trabalho da Casa do Menor ir avante quando o senhor não estiver mais aqui?

Eu estou virando velho. Então eu tenho que preparar o futuro. Eu, gostaria, primeiro, que continuasse. Segundo, que se espalhasse e crescesse.  E, terceiro, que nós pudéssemos manter esta alma, esta mística. Nós fazemos isso para os meninos porque eles são Jesus. Porque se não tivermos esta mística nos perdemos o entusiasmo, perdemos a gasolina, então perdemos aquilo que é nosso diferencial. Eu não gostaria que amanhã a Casa do Menor fosse uma ONG como tantas as outras. Mas a coisa mais séria é pessoas: pessoas vocacionadas. O amor não é uma profissão. O amor é uma vocação.

Drama atual

Hoje a realidade dos meninos não é mais tão visível como antes na rua, mas é mais dramática. Queria pedir aos padres nas paróquias de estarem atentos ao grito destes meninos que não vêm à Igreja, nós irmos procurá-los lá onde tem o narcotráfico, onde o tráfico está adotando estes nossos meninos, não ter medo, ir  até eles. Eu digo: não cadeia neles, família neles, amor neles, escola, casa, profissão, futuro. Aí que teremos um Brasil melhor.

Vida nova

Juan de Barros, 17 anos

Eu cheguei no dia 22 de abril de 2013 na Casa do Menor. Cheguei com o propósito de me recuperar… sair da vida errada em que eu estava. Minha vida era muito “correria”. Minha vida não era nada mais, nada menos, que aquela realidade que nós vemos aí na cidade, que é a agressividade, é o roubo, que é a prostituição, que é o tráfico. Então, a minha vida era baseada dentro disso. Eu vivia na ilusão.

Como é que foi a sua acolhida na Casa do Menor?

Quando eu cheguei, o propósito era de ficar três meses e sair. Tinha colocado no meu coração de ficar só três meses. Mas, conforme o cotidiano, o amor que eles passaram para mim, o carinho, a compreensão. Hoje eu falo isso com muita emoção que a Casa do Menor me ajudou muito. Fico e me sinto muito grato pelo o que eu tenho hoje,  o que eu sou: eu devo muito a eles.

Como é que você pretende passar isso que você recebeu adiante?

Pretendo passar da maneira que me passaram.  Por meio do amor, do carinho, da conversa, do diálogo. Não com violência, como está sendo hoje em dia no mundo. Lá fora, como existem muitas pessoas ruins, existem também muitas pessoas boas.

Rosana Agrícola da Silva, 29 anos

Três anos atrás, como era sua vida?

A minha vida sempre foi muito difícil. Nós vivemos numa área carente e desde quando eu nasci, minha mãe sempre foi alcoólatra. Eu sempre fui criada… não exatamente criada, mas vivendo com a proteção de Deus, cuidando dela, até que ela faleceu. Eu vivi uma vida meio complicada em casa com parentes, com drogas… Então, eu encontrei a Casa do Menor, que tem amigos, tem pessoas unidas, tem pessoas que falam sobre a mudança, o que a gente pode fazer pra mudar. Para mim foi inspirador e aí eu tive que entrar.

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