Documentário retrata luta contra hidrelétricas na Amazônia

Documentário retrata luta contra hidrelétricas na Amazônia

“Contagem regressiva no Tapajós” fala sobre a luta do povo Munduruku em preservar o Rio Tapajós – e suas terras – diante da iminente construção de uma hidrelétrica. 

Com uma experiência de mais de 30 anos de trabalho nas TV’s públicas da Alemanha,  após participar do Fórum Social Mundial de Belém (PA), em 2008, o jornalista alemão Martin Kessler passou a dedicar-se a um projeto de longo prazo no qual documenta, todos os anos, o avançar da questão hidrelétrica na Amazônia.

Voz aos índios

Munduruku
Capa do Documentário

Para dar voz aos índios, o documentário utiliza os discursos de alguns padres que estão na linha de frente na defesa das populações indígenas da Amazônia.

“O trabalho do bispo Erwin Kräutler e dos outros bispos da Amazônia é muito importante para informar os brasileiros que por trás disso há muitos interesses das grandes empreiteiras, que dão dinheiro para os partidos políticos. Elas querem lucrar com isso, com esta estrutura criminosa. É muito criminoso o que está acontecendo, tem muito a ver com corrupção portanto, é preciso uma outra política”, denuncia o documentarista.

Nova encíclica de Francisco

“Contagem regressiva no Tapajós” vem ao encontro da próxima encíclica do Papa sobre a Ecologia e o Homem que, atualmente, está em fase de revisão.

“Tem muito a ver com o que está acontecendo na Amazônia, o pulmão verde do mundo. Essas grandes barragens destroem muitas coisas, florestas, terras dos indígenas. Com isso, pode-se ver como o homem destrói somente para lucrar e essa forma de viver e explorar tem que ser mudada”, defende o documentarista.

Energia alternativa

Kessler fala da experiência da Alemanha em buscar fontes alternativas de energia, enquanto recorda que no Brasil 70% da energia provêm das hidrelétricas. “É possível pensar em uma fonte de energia diferente para o futuro, seja com a matriz eólica bem como com a energia solar”, defende.

Interesse global

Deixando nacionalismos a parte, Kessler fala sobre multinacionais que tem muito interesse em apoiar a construção das usinas na Amazônia. “Muitas empresas europeias estão ligadas com isso: constroem turbinas, vendem caminhões, fazem seguros. Então, está tudo globalizado”, destaca.

Informação alternativa

Por fim, Kessler fala de uma grande mídia amordaçada e defende uso de seu trabalho como fonte para debates públicos sobre o tema da preservação do meio ambiente e da vida humana.

“Não é tão fácil colocar esses assuntos nas grandes mídias. Hoje em dia é muito mais complicado fazer este tipo de trabalho porque há muitos interesses que estão envolvidos. Por causa disso, com a internet e as outras possibilidades que nós temos hoje, esta outra via de informação é muito importante”.

“Count Down” no Tapajós (2015)  Brasil – Alemanha 21 min  e 8 min

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O “papel fundamental” do Papa Paulo VI nas independências

O “papel fundamental” do Papa Paulo VI nas independências
Capa do Diário de Notícias do regime de Salazar
Capa do Diário de Notícias do regime de Salazar

Quarenta e cinco anos após o histórico encontro no Vaticano do Papa Paulo VI e dos líderes dos movimentos de libertação de Angola, Agostinho Neto, de Cabo Verde e Guiné Bissau, Amílcar Cabral, de Moçambique, Marcelino dos Santos – único ainda vivo -, expoentes destes países reiteraram a guinada que a reunião proporcionou à luta pela independência, como afirmou Antônio Luvualu de Carvalho, da acadêmico da delegação de Angola.

“Sabemos que o regime Salazarista, quer queira, quer não, era suportado pela Igreja Católica e, portanto, o Papa Paulo VI teve um papel fundamental para fazer uma diplomacia da paz para que se chegasse à uma consciência positiva de que, de fato, os países africanos de língua oficial portuguesa – e todos os países africanos – deveriam ser independentes em uma altura muito difícil do mundo”.

Após o encontro, o Papa Paulo VI deu a cada um dos líderes dos movimentos de independência uma cópia da encíclica Populorum Progressio – Desenvolvimento dos Povos em tradução livre para o português. Logo nas primeiras linhas o texto abordava a relação entre colonizadores e colônias.

Descolonização

“Sem dúvida, deve reconhecer-se que as potências colonizadoras se deixaram levar muitas vezes pelo próprio interesse, pelo poder ou pela glória, e a sua partida deixou, em alguns casos, uma situação econômica vulnerável”.

Fátima Viejas, representante do Gabinete Cidadania e Sociedade do MPLA de Angola destaca a mensagem da encíclica na época da independência que continua atual.

“A encíclica era um sinal de esperança, de que as pessoas deveriam viver em paz, sinal de respeito para com a pessoa humana e, ao mesmo tempo, de que cada um tem o direito de ter o mínimo de dignidade de vida, do bem estar, do direito à casa, do direito à educação, ao desenvolvimento, que era um dos conceitos bastante vincados na encíclica”.

O futuro

Livre tránsito entre os cidadãos da CPLP é meta da atual diretoria
Livre tránsito entre os cidadãos da CPLP é meta da atual diretoria

O secretário geral da CPLP, Murade Murargy, participou da Conferência no Vaticano. Ele destacou a influência do pensamento de Paulo VI na criação da Comunidade. Contudo, enumera os principais desafios a serem superados para que a CPLP faça, concretamente, parte da vida dos cidadãos.

“No dia em que para circular no espaço da CPLP não precisar mais de visto, então as pessoas vão dizer: a CPLP existe. Enquanto tu, como estudante da Guiné Bissau, disser, eu posso me matricular na universidade em Moçambique, quando eu estiver doente, eu posso me tratar no Brasil, quando eu puder fazer negócios no país que eu quiser, poder circular como desportista…Enquanto isso não acontecer, as pessoas não vão sentir de fato que a CPLP existe”.

RB/DW/Vaticano