A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) reconheceu, neste domingo, 30/11, as conquistas que o Brasil e outros 12 países obtiveram na redução da fome e da desnutrição na última década.

De acordo com a FAO, em 2002, 10% da população brasileira passava fome. Em 2013, os dados mostram que este número caiu para 1,7%. Em termos absolutos o Brasil vence a guerra contra a fome, contudo, 3,4 milhões de brasileiros ainda não tem o que comer. A Ministra do Desenvolvimento Social e Luta contra a Fome, Tereza Campello, afirmou durante a entrega do prêmio, na sede da FAO em Roma, que “a primeira geração de crianças livre da fome já nasceu no Brasil”.

A ministra destacou que hoje o programa Bolsa Família, cujo valor médio é de R$ 168, complementa a renda de 14 milhões de famílias no país – aproximadamente 50 milhões de beneficiados. Para ter acesso ao benefício, as famílias precisam garantir que as crianças frequentem a escola e façam uma visita médica a cada seis meses.

“Quando se pensa que a pobreza seja o resultado de uma leniência, que o pobre é um perdedor ou uma pessoa preguiçosa, não é bem assim. Porém, estamos construindo uma futura geração que não precisa do Bolsa Família, que teve acesso à educação e à saúde, mas aí se eles vão estar empregados, vai depender da economia mundial”, disse a ministra.

Ações locais contra a fome

A ministra afirmou ainda que, agora, uma vez atingidas as metas internacionais, o foco das políticas públicas de combate à fome passam a ser locais.  E citou exemplos:

“Estamos promovendo políticas específicas de assistência técnica para quilombolas indígenas, para populações extrativistas, para pescadores artesanais, comunidades ribeirinhas. Públicos que vivem, às vezes, de maneira isolada e que têm culturas diferenciadas, portanto, a assistência técnica não pode ser generalizada”, explicou Campello.

O Arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer, reconhece os avanços promovidos pelo Bolsa Família contudo reitera a necessidade de promover a emancipação dos beneficiados.

“Se cessarem agora os programas de assistência do governo, teremos imediatamente de novo a fome. No momento, superamos a fome, mas ainda no meu conceito, não superamos a miséria. É preciso continuar a lutar, devem ser dadas novas prioridades para que estas pessoas possam ser autônomas”, advertiu o arcebispo.

O Diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, disse que o êxito do Brasil no combate à fome está se refletindo também na distribuição das riquezas.

“Hoje, a ênfase na distribuição de renda em um processo de crescimento levou o Brasil para um outro caminho que tem sido até agora bem sucedido”, reiterou Graziano.

Países que avançaram

Etiópia, Gabão, Gâmbia, Irã, Quiribati, Malásia, Mauritânia, Ilhas Maurício, México e Filipinas são os outros países que alcançaram a meta em reduzir pela metade, até 2015, o percentual de pessoas que passam fome.  Brasil, Uruguai e Camarões, além de atingirem este objetivo, conseguiram ainda alcançar a meta de reduzir pela metade até 2015 o número absoluto de pessoas que passam fome.

Graziano afirma que estes reconhecimentos representam bem a mudança de paradigma pela qual passam as políticas de combate à fome e a desnutrição da FAO.

“Ninguém gosta de expor a sua miséria.  Diante disso, a FAO passou a valorizar que tinham conseguido superar as mazelas. Com esse reconhecimento pelo lado positivo, e não para acentuar o número de crianças que morrem todos os dias ou ressaltar a indignação em relação à fome, a FAO procura valorizar os países e compartilhar as experiências positivas”, disse Graziano.

Segundo mandato

Durante a premiação,  o representante da Mauritânia declarou publicamente o apoio do país do norte da África para um segundo mandato de Graziano à frente da FAO. As eleições acontecerão em junho do ano que vem.

“Eu fiquei surpreso, não esperava, mas gostei, como candidato, de receber esse apoio”, declarou Graziano.

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