(Notícia publicada em maio de 2014 por ocasião dos 20 anos da morte de Senna. Decidi traduzir os trechos da entrevista original que mais me chamaram a atenção)

A médica Maria Teresa Fiandri durante o anúncio da morte de Ayrton Senna.
A médica Maria Teresa Fiandri durante o anúncio da morte de Ayrton Senna.

São 18h40 de 1° de maio de 1994. Em meio aos microfones, telecâmeras e rostos marcados pelas lágrimas, pela tensão, pela oração, cabe à médica Maria Teresa Fiandri, responsável do departamento de reanimação do Hospital Maior de Bolonha, anunciar ao mundo – ao vivo – que Ayrton Senna morreu após o terrível acidente em Ímola. Passados vinte anos, aquela mesma voz calma e decidida, relembra, em uma entrevista concedida ao jornal italiano Libero Quotidiano, o dia no qual “o garoto que falava com os olhos”, fechou-os para sempre.

Doutora, onde estava às 14h17 daquele domingo? “Em casa. Assistia o Gp pela tv com meus filhos, apaixonados por F1. Não estava de sobreaviso mas estava à disposição. No mesmo momento soube que se tratava de um acidente grave, me troquei e entrei no carro. Não esperei que me chamassem, o bip tocou quando já estava a caminho. Cheguei no hospital ao mesmo tempo que o helicóptero”.

Vinte e oito minutos depois do acidente, Ayton foi entregue em suas mãos. “Estava em coma muito profundo, mas apresentava batimentos cardíacos e antes de analisar a tomografia não se podia saber quais eram as esperanças reais. Que era muito grave tínhamos percebido imediatamente, o quadro já era claro ao doutor Gordini e aos médicos que o haviam socorrido na pista”.

Aquele movimento com a cabeça que para as pessoas em casa era um sinal de esperança… “Infelizmente, era um sinal de extrema gravidade. Após analisar a tomografia vimos que as lesões eram enormes e não-operáveis. O cérebro sofreu muitos danos…”.

No decorrer das investigações e do controverso processo, foi apurado que na batida contra o muro a suspensão direita da Williams se soltou, carregando consigo o pneu que atingiu a cabeça de Senna, enquanto o braço da suspensão atravessou a viseira e trespassou a região do lobo frontal direito. “Não sei se foi o golpe direto ou o contra-golpe a causar mais danos. O braço da suspensão havia provocado um corte profundo, era o que se percebia imediatamente; depois vimos as fraturas no crânio e a partir daí decidimos realizar um eletroencefalograma para saber se existia ou não atividade cerebral”.

A telemetria demonstrou que nos dois segundos entre a quebra da barra de direção e a batida Senna reagiu, freiou e diminuiu as marchas, passando dos 310 km/h aos 211 km/h. Se não tivessem acontecido os impactos do pneu e do braço da suspensão, como teria sido? “O restante do corpo de Senna estava íntegro, não haviam outras lesões importantes, Ayrton teve uma grande infelicidade. Bastaria um palmo a mais à direita: não posso dizer que nada teria acontecido, mas certamente outros danos significativos no corpo não exisitiam”.

Como Senna estava quando chegou ao hospital? “Estava belo e sereno, aquela é a impressão que tive. Obviamente, o rosto estava um pouco inchado devido ao trauma, mas recordo que tinha uma pessoa perto de mim e ela também exclamou: ‘Como é belo…’”.

Havia algo no destino de Ayrton… “Talvez sim, também aquilo que li sobre ele depois, naquele dia, me deu esta impressão: um destino no final infeliz, como se ele no fundo tivesse sempre sabido que teria morrido jovem”.

Após os inúteis tratamentos que vocês tentaram, chegou o momento do anúncio. “Sim, mas não havíamos nenhum plano do trabalho que deveria ser feito junto aos meios de comunicação, como alguns escreveram, assim como não é verdade que fizemos 18 transfusões em Senna. Acredito ter dado a notícia duas ou três vezes, uma delas, sem dúvidas, quando vimos o eletroencefalograma que não demonstrava atividade, algo que hoje nos daria a permissão para declarar a morte, mas à época não podíamos fazê-lo porque para a lei italiana a morte coincidia com a parada dos batimentos cardíacos: e até que o coração de Ayrton não parou, nós não podíamos constatar o decesso.

O que sente hoje quando vê Senna na tv ou nos jornais? “Uma sensação estranha, afeto, como se existisse uma ligação. Porém, não olho nunca suas fotos, porque a recordação daquele dia ainda hoje me deixa muito emocionada”.

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2 comentários sobre “Médica que anunciou morte de Senna relembra últimos momentos

  1. A única coisa que sei é que aquele domingo lindo de maio, foi o domingo mais triste! Pra mim fórmula 1 perdeu totalmente a graça! Não assisto mais! Acreditem pode passar o tempo que passar, eu nunca vou esquecer o Ayrton! Nunca mais teremos um piloto igual a Ele! Que Deus guarde eternamente sua alma, e eternamente estará em meu coração!

  2. A única coisa que eu sei é que a fórmula 1 perdeu totalmente a graça! Não assisto mais! Acreditem pode passar o tempo que passar eu nunca vou esquecer! Aquele dia de maio que estava lindo ficou tão triste que quando lembro sinto Arrepio! Ayrton que Deus guarde eternamente sua alma! E é eternamente continuará em meu coração!

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