Habemus Papam

In bocca al lupo estava na Praça São Pedro às 19h06 de 13/03/13. Aqui vão alguns registros fotográficos e vídeos do momento histórico quando Papa Francisco foi eleito bispo de Roma.

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Começa o Conclave

Ouça a partir de 5’40”

Esta segunda-feira, 11 de março, marcou 1 mês exato do anúncio de Joseph Ratzinger e que renunciaria à Cátedra de Pedro. Desde então, as atenções do mundo católico, e não somente, se voltaram ao Vaticano.

A Praça São Pedro foi rapidamente tomada por jornalistas do mundo inteiro, surpreendidos pela renúncia do agora Papa emérito, algo que não acontecia há 700 anos. O Papa alemão entrou assim para a história e, de seu retiro em Castel Gandolfo, deve acompanhar as notícias do Conclave, marcado para começar na tarde desta terça-feira.

Capela Sistina, sob a "Criação" de Michelangelo os cardeais escolhem o próximo papa
Capela Sistina, sob a “Criação” de Michelangelo os cardeais escolhem o próximo papa AP/L’Osservatore Romano

Que influência a decisão de Bento XVI poderia ter na eleição do próximo Papa? Ratzinger afirmou que a sua decisão foi tomada por não ter mais forças para exercer a tarefa de conduzir os rumos da Igreja Católica. Diretamente, o Papa emérito não poderá ter influência na decisão dos votos dos 115 cardeais que na tarde desta terça-feira entrarão na Capela Sistina para o Conclave. Mas a mensagem de que a Igreja precisa de um Papa com vigor físico e espiritual pode ser lida nas entrelinhas e deve orientar o voto dos cardeais.

Nestes dias de silêncio dos cardeais, a imprensa internacional faz a lista dos “candidatos com mais chances”. Mas até que ponto as apostas da imprensa chegam à Capela Sistina? Vaticanistas com experiências em outros Conclaves dizem que existe a eleição da imprensa e aquela que acontece dentro dos muros vaticanos, na clausura da Capela Sistina. Mas os mesmos especialistas, e também o alguns cardeais, dizem que se a imprensa cita nomes específicos é porque algum fundo de verdade pode existir nessas listas dos “papáveis”.

A poucas horas do início do Conclave, entram na Capela Sistina como favoritos dois cardeais: Angelo Scola, arcebispo de Milão, representante do movimento eclesial italiano Comunione e Liberazione, ou Comunhão e Liberação, surgido nos anos de 1950 na Itália  para promover  a educação cristã em todos setores da sociedade, na política inclusive conta com representantes na Câmara e no Senado italianos.

Outro que aponta como favorito é o arcebispo de São Paulo, “candidato” da situação, conta com o voto do ex-secretário de Estado de Bento XVI, Tarcisio Bertone, atual Camerlengo e figura obscura da Cúria. Scherer é apoiado ainda por outros cardeais mas entre os colegas brasileiros não é unanimidade. A novidade de Scherer, brasileiro de sobrenome alemão, criado cardeal por Bento XVI, ganha mais força quando se pensa em renovação. Seria algo ainda mais inédito do que a renúncia de Ratzinger ter um cardeal sul americano eleito Sumo Pontífice.

Nas intermináveis especulações da imprensa durante este mês de mudanças no

Capela Sistina pronta para o início do Conclave / L'Osservatore Romano
Capela Sistina pronta para o início do Conclave / L’Osservatore Romano

Vaticano, surgiram outros nomes como fortes candidatos: Marc Ouellet, canadense, com trânsito livre na Cúria Romana; Luis Antonio Tagle, bispo de Manila, nas Filipinas, o segundo cardeal mais jovem do Colégio, carismático e popular; e, por fim, o arcebispo de Nova Iorque, Timothy Dolan, de 63 anos.

Entretanto, não passam de probabilidades. O Conclave de 2013 é em tudo diferente daquele que elegeu Joseph Ratzinger em 2005. É, em si, uma grande novidade, apesar de ortodoxo, suntoso e hermético. O que a Igreja busca é exatamente isso, anunciar a novidade de uma nova maneira. Foi o legado que deixou o Papa alemão e sua nova evangelização com 2 mil anos de tradição. A partir desta terça-feira, podemos esperar a fumaça branca que colocará fim às especulações da mídia ou confirmará as hipóteses da imprensa internacional.

Cardeais brasileiros comentam último encontro com Bento XVI

Cardeais brasileiros comentam último encontro com Bento XVI
Rafael Belincanta
Direto da Cidade do Vaticano

O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, e o arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno, estavam entre os cardeais que na manhã desta quinta-feira (28/02/13) se despediram pessoalmente de Bento XVI.

“Singelo, breve, forte e profundo”, assim o arcebispo de São Paulo resumiu o encontro com Bento XVI. Dom Odilo ainda disse que viu “quase um testamento daquilo que o Papa quis deixar para a Igreja com suas últimas palavras”.

Dom Odilo, um dos cinco cardeais eleitores brasileiros, ressaltou ainda que Bento XVI “pediu para que o Colégio Cardinalício cuidasse bem da Igreja” durante a Sé Vacante até a escolha do novo Pontífice.

Por sua vez, Dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida, disse que nada muda em relação ao início das Congregações Gerais. “Nas Congregações Gerais participam todos os cardeais, no que podemos considerar um ‘pré-conclave’”, afirmou Dom Raymundo, que também estará na Capela Sistina para escolher o novo Papa.

Na manhã desta quarta-feira (27/02/13), o decano do Colégio Cardinalício, cardeal Angelo Sodano, informou que a primeira Congregação Geral acontecerá na próxima segunda-feira.

Bento XVI viajou hoje (28/02/13) para Castel Gandolfo onde deve permanecer por pelo menos dois meses,  período durante o qual os cardeais escolherão seu sucessor. Posteriormente, o Papa Emérito viverá no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano.

Dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra