Caminhando ao longo da praia de Jacaranda (qualquer semelhança não é mera coincidência) em Malindi, Quênia, entre as palhoças dos artesãos, ao fundo, como se houvesse um imã que atraísse a minha lente, vejo uma mulher que ajuda uma criança a vestir-se.

Mary e sua filha

Era Mary Asimiísipayo e sua filha – e suas histórias. Pergunto se posso fotografá-las. Diante da resposta positiva, primeiro ela pergunta de onde sou e porque falo tão bem inglês. Respondi ser brasileiro e ter estudado a língua desde pequeno. Perguntei porque ela estava ali na praia. Abriu-me uma pequena trouxa com seus itens de artesanato. No mesmo momento, sua feição mudou. Sem condições de construir um negócio próprio na praia frequentadíssima por turistas italianos, ingleses e alemães, ela tenta vender os colares e pulseiras e outros artigos típicos de forma improvisada, porém muito dignamente. Não me ofereceu nada além de suas palavras e alma.

Criticou os beach boys por não darem espaço e por usarem o dinheiro que recebem dos turistas para comprar drogas e bebidas. Falou de mulheres como ela que, diante do beco sem saída, se prostituem. “Minha filha pode estar sem comida, mas meu corpo jamais venderei”, disse. Confio em Deus, disse-me ainda, e encontro forças porque sei que “tomorrow the sun will comes again“.

Agradeço, me afasto. Mais a frente, sento em um tronco trabalhado pelo mar enquanto pássaros negros sobrevoam uma carcaça. Choro.

Ubuntu – Esse é o espírito africano, todos somos irmãos e irmãs. I am ‘cos we are.

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