Entrevista com Gilberto Gil

Entrevista com Gilberto Gil antes do concerto contra a Fome, em Roma, 22/07/2012

 

Gilberto Gil faz concerto contra a fome no mundo, em Roma

Gilberto Gil faz concerto contra a fome no mundo, em Roma

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Embaixador da Boa Vontade da FAO se apresentou no Parque da Música a convite da agência da ONU.

 

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

Um Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo.

Este foi o nome do show que Gilberto Gil escolheu para rodar o mundo no ano em que completou 70 anos. Logo no início do evento, Gil explicou.

“Cordas são as minhas duas vocais, as do meu violão, as do violão do meu filho Ben Gil. Máquinas de Ritmo são os meus companheiros na banda”.

Consequências

Antes de a música começar, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, lembrou ao público que atualmente, 1 a cada 7 pessoas no mundo sofre as consequências da fome.

Mais cedo, depois da passagem de som, Gil recebeu a Rádio ONU para uma entrevista.

“A fome sempre foi um problema onde e quando ela tenha existido. É um problema a ser resolvido pelas mães, pelos pais, pelas famílias, pelos coletivos. A questão atual fica muito mais grave – essa pode ser a maneira de ver – porque são grandes multidões num mundo com 7 bilhões, e ainda com possibilidade de crescimento muito maior da população mundial em que o sistema não tem sido capaz de alimentar todo mundo. É uma quantidade muito grande de gente com fome, abaixo da linha da pobreza. Então, não é mais um problema só dos pais e mães mas sim da família mundial, a família Terra, a família planetária está preocupada com isso porque é uma questão grave. E aí, então, todas as mobilizações, o fato de existir uma instituição já há muitos anos que vem monitorando os problemas da fome, a gravidade desses problemas, de sua intensificação”.

Brasil na FAO

Gilberto Gil, que é embaixador da Boa Vontade da FAO, comentou algumas atividades da agência e o trabalho do novo chefe da FAO, José Graziano da Silva.

“O Graziano fez experiências muito interessantes no sentido de politicas compensatórias no Brasil, especificamente para atacar a fome e a pobreza, para possibilitar o surgimento de novas classes médias, com capacidade de consumir, de acesso à educação e cultura e é uma experiência importante reconhecida no mundo inteiro. Agora acredito que ele à frente da FAO pode trazer uma experiência que – apesar de muito difícil – foi muito importante e de uma certa forma muito bem sucedida no Brasil e isso agora pode ser um elemento para as políticas mundiais”.

*Com reportagem da Rádio Vaticano.

FAO alerta para relação entre especulação das commodities e preço dos alimentos

FAO alerta para relação entre especulação das commodities e preço dos alimentos

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Agência teme possíveis consequências nos mercados; Brasil deve ter comportamento diferenciado devido à maior dependência em relação às condições internas.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que os produtores de alimentos devem ficar atentos não somente aos índices do mercado mundial, mas também aos nacionais.

José Graziano da Silva falou, nesta sexta-feira, durante um encontro em Roma, que também teve a participação do presidente da República Dominicana, Leonel Fernández.

Diferenças

A FAO pede aos agricultores que sigam atentamente as indicações de preços, devido às grandes diferenças entre o que acontece nos mercados internacionais e em cada um dos países, principalmente nos produtores.

O diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, cita o milho como exemplo.

“Depois de três meses consecutivos (de queda) estamos detectando uma certa reação de preços que vem, basicamente, puxada pela elevação do preço do milho norte-americano, em função de uma quebra de safra dos rendimentos esperados da safra que está sendo colhida nos Estados Unidos.

Isso deve impactar outros mercados. O milho é como o petróleo, ele entra em toda a cadeia agro alimentar. Então, certamente, outros preços substitutos como o trigo e o arroz serão afetados, embora não haja quebra de safra destes outros produtos.”

Preços

Para Graziano, a volatilidade dos preços pode comprometer a produção e induzir os que enfrentam a insegurança alimentar para uma situação de fome.

Mas para os brasileiros, por exemplo, a FAO espera um comportamento diferenciado, devido à maior dependência das condições internas dos mercados internacionais.

Apesar da queda dos preços dos alimentos nos últimos meses, a agência observa que os valores continuam mais altos, se comparados com décadas anteriores.

Consequências

O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, expressou as consequências que a especulação pode ter nos mercados.

O presidente dominicano afirma que o aumento do preços dos itens básicos de consumo pode provocar uma inquietude na população. Leonel Fernández lembra que quando há especulação, os preços sobem e ao atingir altos níveis, os governos podem subsidiar e haver déficit fiscal.

Já o diretor da FAO, José Graziano da Silva, afirmou ainda que a agência precisa de um pouco mais de recursos para poder abarcar outros mercados, como o de estoques, físico e os mercados futuros.