Novo premiê italiano recebe voto de confiança do Parlamento

A transição no governo italiano teve seu último capitulo nesta sexta-feira. O Senado e a Câmara dos Deputados deram voto de confiança ao novo primeiro ministro Mario Monti. De Roma, nosso correspondente Rafael Belincanta nos relata quais serão os principais desafios econômicos do novo governo em crise de dívida pública.

Antes de obter a confiança dos Senadores, o primeiro-ministro Mário Monti enfrentou seu primeiro revés: nas principais cidades da Itália, a quinta-feira foi marcada por protestos, principalmente de estudantes. Aqui em Roma, aproveitando a greve dos transportes, os estudantes protestaram pelas principais ruas do centro histórico: o grito era de que o novo governo atenderia apenas os interesses dos bancos. Mais tarde, no Senado, Monti disse que seu governo é técnico, composto por ministros que não têm carreira política, contudo falou que esse caráter técnico não deve desmerecer os atos políticos.

“Espero que o meu governo e eu possamos, no período que nos foi colocado a disposição até 2013, contribuir com respeito e humildade para reconciliar as relações dos cidadãos com as instituições, dos cidadãos com a política”.

Mario Monti: governo transitório até eleições em 2013

Com esse discurso, Mário Monti obteve o voto de confiança de 281 senadores. O maior índice já alcançado por um primeiro-ministro na história da República Italiana. O fato é que existe muito há ser feito para equilibrar a economia italiana e retomar o crescimento. A dívida pública da Itália é a segunda maior da zona do euro, atrás apenas da Grécia, e equilave a 140% de Produto Interno Bruto italiano. Mário Monti, professor da Universidade de Bocconi, em Milão, também vai acumular a pasta de Ministro da Economia. Seu governo, como disse aos senadores, será rigoroso, baseado no crescimento e sobretudo, na igualdade.

Nesta sexta-feira, no último capítulo da transição relâmpago no governo italiano, Monti voltou a pedir a confiança, mas desta vez na Câmara dos Deputados. E foi atendido, também com votação recorde: 556 favoráveis, 61 contra.

Uma larga maioria que confiou no ambicioso programa cuja articulação prevê intervenções em impostos para imóveis, nas aposentadorias e mudanças para alavancar a criação de postos de trabalho.

O economista da Universidade de Bologna, Stefano Zamagni alerta que o débito público não é o grande vilão da Itália hoje. O economista lembra que o débito público está neste nível há 15 anos, mas que antes a especulação dos mercados não tinha conseguido frear a economia italiana.

“Porque a Itália continuava a produzir, exportar, a produtividade tinha diminuído mas não estava estagnada. Portanto, devemos voltar a avançar sobre o lado real da economia porque as finanças nos nocautearam e estão nocauteando outros países”.

RB Roma DW

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