Alta nos preços dos alimentos compromete Metas do Milênio

As três agências das Nações Unidas voltadas à agricultura, com base em Roma, divulgaram nesta segunda-feira o relatório da fome no mundo.

A tendência de alta nos preços dos alimentos continua e possivelmente os valores devem subir ainda mais nos próximos meses. A conclusão é da agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, a FAO, em conjunto com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura, o IFAD e o Programa de Alimentação Mundial, o PAM.

Com isso, agricultores mais pobres, consumidores e países se tornam ainda mais vulneráveis à pobreza e a insegurança alimentar, principalmente na África.

Kostas Stamoulis, economista e Diretor da Divisão de Desenvolvimento da Agricultura da FAO, sugere três medidas cruciais para que os governos superem a crise da alta dos preços dos alimentos.

“Uma é criar e permitir novos ambientes para a produtividade e a produção rural. Depois, investir em infra-estrutura apropriada e em recursos públicos que os produtores necessitam para ter maior produtividade. Em segundo lugar, os governos devem evitar de tomar decisões unilaterais de mercado como, por exemplo, banir ou restringir exportações. Tudo isso agrava ainda mais a situação nos mercados internacionais, tornando os preços mais altos e aumentando a volatilidade. Por último, os governos devem ser mais transparentes e coordenados”.

Mesmo se as Metas do Milênio forem atingidas, em 2015 pelo menos 600 milhões ainda passarão fome

Outro problema que influencia diretamente na produção é o risco, como explica Stamoulis.

“O fator principal que impacta diretamente na capacidade dos agricultores em produzir é o risco. Preços voláteis criam risco. Se os produtores não tem certeza do futuro, eles não vão investir na produção”.

Pequenos países africanos, dependentes das importações são os que mais estão em risco. Muitos deles ainda encaram a herança da crise mundial de alimentos de 2006 a 2008. Essas crises, incluíndo a recente declaração de fome no Chifre da África, são um grande desafio para as Metas de Desenvolvimento do Milênio, em particular aquela de diminuir pela metade até 2015 o número de pessoas que passam fome em todo o planeta. Segundo a FAO, em 2010, 925 milhões de pessoas estão passando fome.

O relatório ainda revela um novo panorama que pode compromenter ainda mais a produção mundial de alimentos. Segundo as agências da ONU, a crescente demanda de consumo nas economias em ascensão, onde a população continua a aumentar, somada ao aumento de áreas cultivadas para os biocombustíveis, acarretará novos desafios para o sistema alimentar mundial.

“Todas as agências têm uma função a ser desenvolvida”, reitera David Dawe, economista da FAO. “Assim como os países doadores e os governos locais. Investimentos a longo prazo são muito importantes, e esse papel é feito pelo IFAD. Já o Programa Alimentar Mundial proporciona segurança para dar base a estes investimentos futuros assim como a FAO, que também se envolve nessas etapas tentando promover políticas mais transparentes e melhor informação dos mercados”.

Para tentar reverter a tendência de alta nos preços, a chefe de Emergências da FAO, Cristina Amaral, antecipa um novo projeto.

“O que se está a tentar fazer hoje, por meio da FAO e a pedido dos países do G20 com outras organizações, é criar um sistema de informação sobre mercados, que se chamará AMIS e que vai aumentar a transparência das informações sobre mercados agrícolas, esperando que isso possa contribuir para diminuir um pouco a volatilidade”.

RB/DW/Roma 10/10/11

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