África pode garantir sua própria segurança alimentar, defende IFAD

O presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura, o IFAD, com sede em Roma, na Itália, defendeu hoje, após discursar nesta quarta-feira no Parlamento alemão, que a África pode garantir a sua própria segurança alimentar.

Ifad, junto com a FAO e o WFP são as três agências da ONU voltadas à agricultura com sede em Roma

“Eu não acredito que a África deva esperar pela comunidade internacional para gerar seus próprios alimentos. O G20, sob liderança da França, deu prioridade para a agricultura, para a segurança alimentar e volatilidade dos preços. Mas isso não vai resolver o problema. A não ser que se comece pela própria África”, alertou o presidente do IFAD, o nigeriano Kanayo Nwanze.

Em 2003, os governos africanos se comprometeram em destinar 10% do orçamento para a agricultura. Entretanto, segundo o IFAD, foram poucos que o fizeram.

“O número de países que cumpriram esta meta não chega a dez. Então, porque se deve esperar pelo suporte da comunidade internacional para desenvolver a África? Há 50 anos, nenhum país africano era um grande importador de alimentos. Naquela época, a renda per capita da Coreia do Sul era de menos de 100 dólares. Hoje, a Coreia do Sul dá suporte aos países africanos, assim com a China”.

O presidente destacou ainda que a cooperação Sul-Sul é uma grande ferramenta de ajuda para a África. A grande questão é descobrir a melhor forma transferir o conhecimento e a tecnologia. Como exemplo de investimento local, foi citada a província de Gansu, na China.

“Vinte anos atrás, a província não conseguia produzir alimento suficiente para seus habitantes. Até que os governos central, provincial e líderes comunitários decidiram investir em agricultura, desenvolvimento rural, na preparação do solo em terrenos íngremes, captação de água e pequenas criações de animais. Tudo isso numa região onde não chove mais de 300 milímetros por ano”.

O IFAD é uma das três agências das Nações Unidas voltadas à agricultura com sede em Roma. O presidente defendeu que, em áreas do Corno da África onde o IFAD atua, a segurança alimentar não foi tão afetada pela seca.

“O IFAD tem investido no Corno da África há 30 anos. Hoje executamos projetos e programas que chegam a 500 milhões de dólares. Nas partes destes países onde promovemos infra-estrutura e desenvolvimento rural, ajudando as pessoas a produzirem alimentos para si mesmos, o impacto da seca não foi tão grande”.

Por fim, o presidente defendeu que nenhum país africano poderá se desenvolver por meio da ajuda. E citou exemplos de países comprometidos com a agricultura.

“Se nós continuarmos a esperar que a comunidade internacional resolva os problemas da África nos próximos 25 anos, 2050 vai chegar e a África vai continuar um passo atrás. Mas países como Tanzânia, Quênia e Gana estão olhando para o futuro, com investimentos a longo prazo em agricultura e desenvolvimento rural”.

RB/Roma/DW 09/30/2011

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