– Eu estava lá naquele dia. De repente, tudo era silêncio.

De fato, hoje no autódromo Enzo e Dino Ferrari, na cidade de Ímola, no Norte da Itália, nem sinal do ronco dos motores. Os áureos anos do GP de San Marino, entre 1981 e 2006, ficaram na memória – principalmente o de 1994.

– Todos sabiam que algo grave tinha acontecido. Eu estava na tribuna e, de repente, vi o Prost parar e sair do carro balançando a cabeça. Naquele tempo não tinha celular, internet, demoramos até saber do acidente de Senna, conta Tomaso Rebbechi que na época tinha 17 anos.

Hoje ele tem um pequeno hotel fazenda numa cidade próxima a Ímola, recebe turistas de todo o mundo e conta que muitos ainda visitam o autódromo, mesmo sem as corridas.

Ao chegar ao autódromo, logo se vê uma grande foto de Ayrton, com o macacão da Rothmans-Willians: a tribuna em que Tomaso estava leva agora o nome do tricampeão. Ali, o último herói nacional venceu três vezes com seu McLaren, em 1988, 1989 e 1991. Apesar de parecer ter parado no tempo, o circuito tem um relógio que ainda funciona. Ímola ainda realiza corridas, principalmente de moto.

Na Itália, domingo ainda é, tradicionalmente, dia de acompanhar a Fórmula 1 na TV. No Corriere dello Sport salta a vista o nome Senna. É o piloto Bruno Senna, que depois de 17 anos da morte de seu tio, faz com que as lembranças de Ayrton venham ainda mais a tona. É bom voltar a ver um Senna correr, diz um jovem que está no bar do circuito. Enquanto isso, um dos funcionários explica como se faz para chegar ao local onde existia a curva Tamburello.

Na área interna do circuito, está o Parco Acque Minerali. Caminhando pelas trilhas, ouve-se de repente alguns brasileiros. É um grupo que foi conhecer o lugar onde, ainda hoje, pessoas de todo o mundo prestam suas homenagens ao piloto. O caminho leva ao lado oposto daquele onde Senna não venceu sua última curva. O muro da Tamburello não existe mais, tampouco o antigo traçado, que hoje é de um “S”. Mas as fitas, flores, bandeiras e outras lembranças indicam que foi ali que Senna morreu. Um pouco mais adiante, o encontro com Ayrton.

O piloto foi imortalizado numa estátua de bronze, na qual foi retratado com expressão triste, cabisbaixa, como se pensasse em algo que jamais se pudesse acontecer.

– Ninguém jamais vai tocar meu coração como você tocou, saudades campeão, diz a mensagem em italiano escrita na base da estátua, ou melhor, obra de arte.

Ela foi feita pelo escultor italiano Stefano Pierotti e inaugurada em 1997. Além da imagem principal de Senna, nas laterais existem outras formas. Numa Ayrton é visto de costas, carregando o capacete, como se estivesse caminhando para o lado da vida eterna. Em outra parte, Senna é retratado pilotando, o seu fórmula 1 aparece numa pista invisível e, ainda, vê-se a imagem do campeão levantando o troféu da corrida. Por fim, assim como Senna, seu fórmula 1 foi esculpido como se estivesse passando para o outro lado, somente os aerofólios ficaram de fora junto com o capacete, que parece estar flutuando. As flores de plástico, colocadas nas mãos de Senna, desafiam o tempo.

Em frente, no alambrado da pista, mais homenagens. Uma bandeira do Brasil, recados de fãs russos e alemães, fotos de Ayrton e mensagens de saudade. Recentemente, parte de um cartaz de divulgação do documentário “Senna” também foi pendurado. Lá está escrito: “Senna: sem medo, sem limite, sem igual”.

Rafael Belincanta, Ímola, 29 agosto 2011.

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