FAO: Moçambique deve mudar forma de plantio para evitar a fome; UNICEF: desnutrição ameaça 44% das crianças moçambicanas

Esta semana duas importantes agências das Nações Unidas divulgaram relatórios sobre dois graves problemas enfrentados por Moçambique: a desnutrição infantil e a insegurança alimentar. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) revelou que o número de pessoas que passam fome aumentou este ano. Já o Fundo para a Infância aponta alta na mortalidade infantil.

Agricultura em Moçambique: maioria à subsistência

De acordo com o UNICEF, no primeiro semestre de 2010, pelo menos 700 crianças com menos de cinco anos morreram em consequência da desnutrição em Moçambique. Além disso, cerca de 44% das 4 milhões de crianças dessa faixa etária estão ameaçadas pela desnutrição crônica. De acordo com o governo moçambicano, a intenção é diminuir esses números pela metade até 2020.

Se a desnutrição infantil se agrava com a insegurança alimentar, de acordo com a FAO a situação deve ficar ainda mais complicada, e não somente para as crianças. O especialista em Agricultura de Conservação da FAO em Moçambique, Yogendra Singh, explica que o excesso de chuvas em algumas províncias e a seca em outras regiões comprometeram a produção.

“A situação está mais grave nas zonas centro e sul de Moçambique. As culturas que foram plantadas na safra 2010/2011 foram perdidas ou tiveram fraca produção. Isso afetou por volta de 350 mil famílias que vão passar fome”.

A FAO já deu início a um programa de financiamento interno para ajudar os agricultores, que serão treinados para realizar algumas mudanças importantes no plantio.

“Nós não damos dinheiro, damos sementes e insumos. Então nós vamos comprar estas sementes de ciclo curto, de cultura de milho, milheto, sorgo e também vamos treinar os extensionistas para fazer esse novo pacote ecológico de ciclo, das variedades de ciclo curto destas culturas. E eles vão treinar os camponeses para ajustarem seu calendário agrícola, no sentido de plantar quando cair chuva na primeira semana de outro, o que deve garantir colheita até janeiro”.

O engenheiro Feliciano Mazuzi, do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique, fala como o governo está enfrentando esta situação.

“A ideia de fato é reduzir paulatinamente substituindo as variedades locais que são pouco produtivas pelas melhoradas e adaptadas ao cultivo. O que o Governo tem feito nos últimos anos é subsidiar as sementes, essa é a única maneira de poder atender a maioria das pessoas que dependem essencialmente da agricultura”.

RB/ROMA/DW

Anúncios

Um comentário sobre “FAO: Moçambique deve mudar forma de plantio para evitar a fome; UNICEF: desnutrição ameaça 44% das crianças moçambicanas

  1. Ya a ideia realmente e brilhante, mas muitas dessas sementes, sao hibridas ou mesmo que que nao sejam , com tempo elas vao se viciando, porcausa dos cruzamentos que irao acontecendo ao longo dos anos, significa que teriamos que lhes dar sementes os anos todo. Que tal criar bancos de sementees a nivel comunitario, ensinalos a produzir sementes, conservalas e comercia las a nivel local. Acho que teriamos resultados mais promissores.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s