HIV: cura funcional e medicamentos genéricos

“Pessoalmente o dia foi de romper paradigmas”.

Terminou hoje em Roma a sexta Conferência Mundial da Sociedade Internacional para a Sida, que começou no domingo e teve a participaçãode 6 mil delegados de 129 países. Uma das novidades apresentadas foi a “Declaração de Roma” para acelerar as pesquisas em busca da cura da Sida. Cientistas africanos apresentaram novos estudos, mas o evento também deu voz a quem é seropositivo, como nos conta agora nosso correspodente em Roma, Rafael Belincanta.

Na última década, os medicamentos genéricos antirretrovirais  permitiram uma queda nos custos dos tratamentos para os seropositivos. Além disso, nesse período programas de cura começaram a surgir em países africanos, como no Quênia. Lá, Siama Musine, de 36 anos, seropositiva, conta como esses remédios mudaram sua vida.

“Se depois de dezesseis anos de saber que sou seropositiva, ainda estou viva, ativa e produtiva, essa é a prova de que os medicamentos genéricos funcionam. E não somente isso, trabalho na minha comunidade para a promoção da saúde. Tudo isso devo aos medicamentos genéricos, que contribuem para a vida e para o futuro das pessoas”.

Transmissão vertical ainda tem alta incidência na África

Entretanto, nem todos os países africanos disponibilizam medicamentos genéricos. Em Angola, por exemplo, onde cerca de 2,7% da população é seropositiva, somente parte da população tem acesso aos antirretrovirais protegidos por patentes, portanto mais caros, produzidos por grandes laboratórios. Situação que gera um outro problema, como revela a pesquisadora da Faculdade de Medicina de Luanda, Joana Filipa Afonso.

“Ainda há uma parte da população que tem de pagar no mercado negro para ter acesso aos medicamentos antirretrovirais”.

Durante a Conferência, a Médicos Sem Fronteiras publicou relatório em que revela a constante tendência de queda nos preços dos antirretrovirais genéricos ao mesmo tempo em que alguns países, como o Brasil – que quebrou a patente de alguns medicamentos – sofrem retaliações da industria farmacêutica.

Outro destaque da Conferência foi o lançamento da Declaração de Roma. O documento pretende acelerar as pesquisas sobre os reservatórios de HIV nas células linfáticas e sobre o combate à resistência do vírus nos pacientes em tratamento. Outro termo veio à tona durante os debates científicos: a cura funcional do HIV. O infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia, especialista em HIV, Aluísio Cotrim Segurado, explica:

“É uma nova linha de intervenção no tratamento. Não bastaria utilizar medicamentos que atuam sobre a replicação do vírus, porque esses na verdade não estão atuando sobre os vírus que estão nessas células-reservatório. Teria que ser utilizada uma outra linha de medicamentos que estimulasse essas células-reservatório a produzirem vírus para que os outros medicamentso que atuam na produção pudessem atuar. Então, na verdade, seria uma proposta de combinação de tratamentos”.

Apesar de todos os avanços, a prevenção é a melhor forma de combater a Sida. Para o tratamento com antirretrovirais, quanto mais cedo a infecção for descoberta, maiores serão as chances de um seropositivo levar uma vida normal, como explica a Coordenadora de Saúde da Universidade de Cabo Verde, Isabel Araújo: “muitas pessoas quando fazem o teste praticamente já estão com critérios de tratamento, que já começa tardio”.
RB/DW/Roma 07/20/2011

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Ends of IAS Rome 2011

– Almost 6,000 delegates from 129 countries attend IAS 2011

– nearly 3300 abstracts were submitted – a record for the conference

– 1100 abstracts were presented

– 55 percent of the presented abstracts were by women

– more than over 25 per cent of the accepted abstracts were from Africa

– IAS 2013 www.ias2013.org The 7th IAS Conference on HIV Pathogenesis, Treatment and     –       Prevention (IAS 2013) will be held in Kuala Lumpur, Malaysia, 30 June-3 July, 2013.


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