Fome Zero: não há mágica! Candidato do Brasil à FAO revela o segredo do programa

Roma, 24 jun (RV) – O Seminário Cooperação Técnica Brasileira: Agricultura, Segurança Alimentar e Políticas Sociais, realizado na Embaixada do Brasil em Roma, reuniu diversas autoridades brasileiras e ministros de Estado africanos. O encontro aconteceu às vésperas da eleição que vai indicar o novo diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a FAO.

O mediador do encontro foi o Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota. Nos debates, foram enfatizados o avanço da agricultura nacional nos últimos anos e, principalmente, os modelos adotados no Brasil que podem ser aplicados em países africanos. Entre as delegações estrangeiras, estiveram presentes o Vice-Ministro da Agricultura de Moçambique, o Ministro de Agricultura de Guiné Bissau, a Ministra da Agricultura de Ruanda, o Ministro da Agricultura da Colômbia e o Diretor Geral de Agricultura de São Tomé e Príncipe. Do lado brasileiro estavam presentes o Ministro da Agricultura e o Ministro do Desenvolvimento Agrário.

Faça-se o pão
Apesar do foco estar no compartilhamento das experiências, e também de tecnologia para alavacancar a agricultura nos países africanos, como o candidato brasileiro à direção geral da FAO, José Graziano estava na plateia, acabou respondendo uma pergunta da delegação africana sobre o resultado positivo do programa Fome Zero.

“Não há mágica, essa é a primeira coisa importante. O Fome Zero partiu do princípio que a segurança alimentar tem que ser local, tem que haver um desenvolvimento local. Então nós fizemos todo um esforço naquelas regiões mais deprimidas, de gerar circulos virtuosos, de combinar a ‘fome com a vontade de comer’. Aumentar a produção local de alimentos e ao mesmo tempo criar mercados locais para a aquisição desses alimentos. Então o que nós fizemos? Nós fizemos um programa de geração de renda, de empregos, de transferência de renda no caso das famílias mais pobres, que recebiam um cartão, um vale, para comprar os alimentos que depois ficou conhecido como ‘Bolsa Família’, e através de um programa de estímulo à agricultura familiar geramos produção local de alimentos. Depois, amarramos as duas pontas: a produção com o consumo local gerado. Um exemplo disso é o programa de alimentação escolar. Estimula-se a produção local e os produtos são vendidos para a escola, o leite, os ovos, as verduras, as frutas, produtos frescos. Isso diminui o custo e gera a renda para essa localidade. Esse é o segredo do Fome Zero, estimular a produção e o consumo em nível local e fortalecer esses vínculos entre consumo e produção local. Mas não pode ser uma coisa pontual, tem que ser feita simultaneamente em todas as regiões para evitar a migração, seja migração rural-urbana ou migração inter-regional”.

Entre os países da América Latina, do Caribe e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão os que já declararam apoio público à candidatura brasileira. Como revela à Rádio Vaticano a embaixadora de Moçambique na Itália e também representante permanente do país africano junto à FAO, Carla Elisa Macave.

“A decisão é pública porque há uma decisão dos nossos chefes de Estado, portanto dos membros da CPLP, que apóiam o Brasil”.

O Ministro Antônio Patriota, por meio de seu porta-voz, Tovar Nunes, reiterou a importância de continuar o trabalho Sul-Sul, em referência ao intercâmbio de conhecimento e tecnologia entre os países do Hemisfério Sul. Entretanto, pondera quando questionado sobre os votos “garantidos” que a candidatura brasileira já teria conquistado.

“Nós optamos por não indicar nenhuma expectativa de votos. Não é assim que se faz uma eleição, sobretudo na FAO. O que nós procuramos é fazer uma projeção do que é a plataforma do candidato, do que ele representa para o histórico de cooperação do Brasil e o que representará se estiver à frente da direção”. (RB/RV)

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