Maior produção mundial não faz cair preços dos alimentos

 

O balanço das perspectivas alimentares publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, divulgado nesta terça-feira, em Roma, não é nada animador – principalmente para os países mais pobres. Os preços globais dos alimentos devem continuar altos durante todo esse ano e também em 2012. Detalhes com nosso correspondente na Itália, Rafael Belincanta.

De acordo com a FAO, os próximos meses serão decisivos para determinar como os preços dos principais alimentos vão se comportar. Abdolreza Abbassian, especialista sênior em grãos, apesar do tímido crescimento registrado em algumas produções, não esconde a preocupação.

“Por melhor que possa parecer, a situação do abastecimento é crítica. A produção quase não é suficiente para suprir a demanda por alimentos e por isso os preços continuam muito altos. Esse comportamento tem sido registrado nos últimos seis meses e as perspectivas para a temporada 2011-2012 sugerem que os preços devam continuar altos ainda por algum tempo.”

O índice de preços da FAO revela aumentos expressivos nos preços globais entre janeiro e maio deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. O trigo hoje está 72% mais caro, já os cereais, seja para alimentação ou para semeadura, tiveram aumento de 59%. Para o açúcar, a inflação foi de 28%. A carne ficou 20% mais cara. Laticínios subiram 14.5% O arroz registrou inflação de 11%. Os pescados, 8.5% mais caros. Entretanto, quando se analisa a questão do incremento na produção de alguns produtos, a safra deve aumentar, mas isso não deve se refletir nos preços, por exemplo, do milho e do trigo. Contudo, Abbassian analisa de forma positiva o aumento da produção.

“As perspectivas são relativamente boas. Entre os cereais, esperamos um crescimento na produção de trigo e milho. Contudo, os Estados Unidos, maior produtor de milho, está numa situação apertada na qual a produção acaba indo toda para o consumo interno. No caso dos legumes, acredito que a escassez deva continuar na próxima temporada, contudo deve ser ligeiramente melhor que no ano passado”.

O que não deve melhorar é a desigualdade na balança comercial dos países em desenvolvimento, principalmente na África e América Latina.

“Os países mais pobres importam a maioria de seus alimentos e quando os preços sobem no mercado internacional esses países obviamente serão diretamente afetados. Para suprir a demanda de grãos, legumes e açúcar, os países menos desenvolvidos devem ver a conta das importações aumentar em 30%. Será uma situação complicada para estas regiões que já são vulneráveis e já convivem com a inflação no preço dos alimentos”.

(RB-DW)

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