Após os protestos deste domingo, próximo às colinas de Golã, por parte de centenas de palestinos e sírios, o estado é de máxima atenção ao longo da fronteira entre Israel e Síria. Os manifestantes, no aniversário da derrota árabe na “Guerra dos seis dias” de 1967, tentaram ultrapassar a fronteira mas os soldados israelenses abriram fogo. Segundo as autoridades sírias, ao menos 23 pessoas foram mortas. O exército israelense, entretanto, fala somente de 10 mortos.

A professora de História e Instituições do Oriente Médio da Universidade de Bolonha, Marcella Emiliani, contextualizou o local do conflito:

guerra eterna…

“Os manifestantes palestinos, talvez também sírios, atravessaram a zona desmilitarizada para tentar chegar às colinas de Golã, que pertenciam a Síria mas desde 1967 estão sob controle de Israel. Com certeza os palestinos quiseram destacar o fato de que depois da guerra de 1967 todos os territórios conquistados por Israel estão num ‘limbo’ no que diz respeito ao direito internacional. Israel não poderia adquiri-los, porque para as Nações Unidas não se pode adquirir territórios com armas. Contudo, Israel anexou as colinas de Golã em 1981. Deste ponto de vista, então, é um protesto mais que legitimo”.

Todavia, questionada se por trás destes protestos poderiam haver outros interesses, Emiliani disse que poderia ser uma manobra do governo sírio.

“Existe a suspeita, não só em Israel mas também em todo o Ocidente, que os protestos foram permitidos pelo exército e pelo regime de Bashar al Assad como movimento para distrair a opinião pública internacional que acompanha a pesada repressão que o regime de Assad está aplicando aos manifestantes presentes nas praças e nas ruas de todas as cidades sírias”.

Estratégia ou não, as autoridades israelenses foram colocadas à prova. O exército, de acordo com a imprensa em Tel Aviv, de um lado deve impedir que as fronteiras sejam invadidas e, por outro, evitar a morte de civis. A professora da Universidade de Bolonha explica as manchetes:

“O que Israel não quer agora é criar motivos para um conflito com a Síria. Israel não tem nenhuma vontade de começar um duelo aberto com a Síria de Bashar al Assad”.

A primavera árabe, termo utilizado pela imprensa internacional para denominar a onda de protestos no norte da África, poderia então estar chegando também ao Oriente Médio? O recente acordo entre Hamas e Al Fatah criou uma unidade governamental que há tempos não existia na Palestina o que, segundo Emiliani, poderia provocar uma revolução nos territórios palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.

“O Hamas chegou a conclusão que deveria retomar o diálogo com o Al Fatah, porque estava pagando um preço caro pelo isolamento internacional que vinha sofrendo desde 2006. Mas sobretudo porque, dentro da Faixa de Gaza, se manifesta uma oposição ao Hamas em nome do islamismo ainda mais radical que aquele do próprio Hamas. Por isso, talvez tenha considerado mais propício reingressar “a casa mãe”, o Al Fatah. Só que agora a pedra no sapato será a tentativa que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (Anp), Abu Mazen, fará em setembro na Organização das Nações Unidas (ONU), de proclamar a independência da Palestina. Sabemos que isso é como fumaça nos olhos de Israel mesmo que os Estados Unidos também não apoiem a criação do Estado Palestino. Por isso, a situação é tensa, seja dentro ou nas fronteiras de Israel”.

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