Experiência brasileira em favor da agricultura africana

Soluções para desenvolver e modernizar a agricultura na África. Esse foi o tema principal de um encontro que aconteceu em Roma, proposto pelo governo brasileiro, dentro das atividades paralelas da Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO. Os chefes de Estado da África foram convidados especiais, como nos mostra agora nosso correspondente em Roma, Rafael Belincanta.

Entre os projetos que já estão implementados e funcionando, destaque para o projeto Prosavana, em Moçambique, que desde abril deste ano beneficia os agricultores no corredor de Nacala. De acordo com o Vice-Ministro da Agricultura de Moçambique, António Limbau, com a recente aprovação do Plano Estratégico de Desenvolvimento Agrário, será possível estender o Prosavana para outros seis importantes corredores produtivos de Moçambique.

Foto: Olímpio Cruz Neto/Ascom/Mapa

“Esta que é a perspectiva do governo de Moçambique a fazer uma intervenção focalizada que se baseia na capacidade técnica, que neste caso é a investigação, que vai ser fortalecida com nossos parceiros brasileiros, nesse caso tecnicamente, com a EMBRAPA”.

Contudo, António Limbau destaca que um dos setores que deve receber maior atenção é o do agroprocessamento.

“Precisamos desenvolver essa capacidade de processamento, de conservação, não só para que o produtor produza pra si, mas também para produzir para outros, alimentar ao nível nacional como também para aumentar a capacidade de exportação. 05’14 De fato, temos agora produtores que produzem mas que precisam de produzir mais só que precisam ter condições cada vez mais apropriadas para, primeiro, a comercialização dos produtos que produzem, segundo, melhorar a qualidade e terceiro, poderem processar para que em tempos de escassez possam circular dentro do país e alimentar os outros na zona de consumo”.

Por outro lado, o Ministro da Agricultura de Guiné Bissau, Banjar Bacar, revelou que o país tem ido buscar capacitação no vizinho Senegal, onde o Brasil tem um programa de cooperação técnica para desenvolver a rizicultura. Entretanto, para o Ministro, o mais importante agora é usar o exemplo brasileiro e modernizar a atividade da agricultura familiar, que representa 99% de toda a produção na Guiné Bissau.

“Nós pensamos que a abordagem tem que ser outra na Guiné Bissau, temos que ter primeiro um Estado forte, isso quer dizer que o Estado tem que manter as suas mãos na agricultura, sendo um setor eleito como prioritário. Por isso mesmo,  neste momento, nós estamos a fazer aquisição de maquinarias, de tecnologias, e que vamos aplicar em terras ajudando os camponeses naturalmente a revirar as terras subsidiando as suas ações. Penso que nós com essa abordagem poderemos começar a ter produções bastante incitativas e que mais tarde poderemos quissá tanto passar uma parte das nossas ações ao setor privado, às cooperativas e a sociedade civil em geral”.

(RB/DW)

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Il neo direttore Fao, Graziano da Silva: la riforma dell’agenzia tra le priorità

José Graziano da Silva, ex ministro brasiliano della sicurezza alimentare, è il nuovo direttore generale della Fao, il primo dell’area latinoamericana nella storia dell’organismo Onu, fondato nel 1945. Graziano è stato eletto ieri a Roma nell’ambito della 37.ma Conferenza biennale della Fao, che si protrarrà fino al 2 luglio con un programma ricco di appuntamenti significativi. Il servizio di Marco Guerra.

Con 92 voti a favore, contro gli 88 ottenuti dal rivale spagnolo Miguel Angel Moratinos, il brasiliano Josè Graziano da Silva ha ottenuto la carica di direttore generale dell’Organizzazione Onu per l’alimentazione e l’agricoltura. L’ex ministro brasiliano della Sicurezza alimentare ha contato sull’appoggio degli elettori latinoamericani, di quelli africani e dei Paesi in via di sviluppo. Un sostegno motivato anche dai risultati da lui ottenuti nel programma di lotta alla fame, varato dal governo Lula nel 2001, che ha ridotto del 25% la malnutrizione in Brasile. Sul significato di questa elezione, lo stesso Josè Graziano da Silva è stato intervistato dal collega della redazione brasiliana, Rafael Belincanta

(parole in portoghese)
“Io penso che questa elezione rappresenti anche la forza di un Paese emergente, che ha tanto da dire quando si affrontano temi come quelli relativi all’agricoltura, allo sviluppo rurale, alla lotta alla fame e che cerca di sviluppare politiche sociali. Ma rappresenta anche la forza di quelle idee-chiave che prima non erano completamente accettate, ma che oggi invece fanno parte degli obiettivi della Fao. Finora, alla Fao, vi erano fortissimi dubbi riguardo alla lotta alla fame e se tutto questo potesse essere attuabile e realizzabile, così come riguardo allo stesso slancio e alla collaborazione fra i Paesi dell’Emisfero Sud. Adesso c’è il convincimento che questi Paesi del Sud del mondo possano contribuire, in collaborazione fra di loro, soprattutto quando si parla di agricoltura tropicale e di lotta alla fame”.

Accelerare sulla riforma giù in atto della Fao per rendere più efficiente la sua azione e rinforzare la cooperazione tra i Paesi del Sud del mondo, saranno i punti principali dell’agenda di questo mandato. Su questo tema sentiamo ancora Graziano da Silva:

(parole in portoghese)
“Ora abbiamo bisogno di accelerare questo processo e di intensificare alcune azioni, mirate soprattutto laddove appare più necessario e quindi anzitutto nei Paesi più poveri. Credo che abbiamo imboccato la strada giusta”.

Il neo direttore della Fao entrerà in carica a partire dal primo gennaio del 2012. Fino a fine anno, continuerà a reggere la barra della Fao il direttore uscente, Jacques Diouf, che sabato scorso, in apertura della Conferenza biennale, ha proclamato l’eliminazione della peste bovina scoprendo una targa celebrativa. L’eliminazione della malattia che colpisce i ruminanti, causando miseria e carestia, sarà sancita domani con l’adozione di una Dichiarazione da parte di tutti i membri dell’organizzazione. Il programma della Conferenza include inoltre la firma di una “Dichiarazione di intenti sulla cooperazione programmatica” ai fini della sicurezza alimentare e dell’assistenza alimentare umanitaria, tra Commissione Europea, Fao, Ifad e Programma alimentare mondiale (Pam).


Primeira entrevista de Graziano após a eleição como diretor-geral da FAO

A Conferência bienal da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação termina somente na próxima sexta-feira, mas a decisao mais importante já foi tomada: o novo diretor-geral foi eleito. É o brasileiro José Graziano da Silva, ex-ministro de Combate à Fome no governo do ex-Presidente Lula da Silva. Graziano foi eleito com 92 votos na segunda sessão, contra 88 votos do candidato da Espanha. O mandato de José Graziano começa em janeiro de 2012 e vai até julho de 2015. O diretor-geral eleito da FAO comentou a vitória.

“Eu acho que isso mostrou, primeiro, a força de um país emergente, que tem muito a dizer em termos de agricultura, desenvolvimento rural, combate à fome e políticas sociais. E também a força de idéias-chaves que não eram amplamente aceitas e que hoje fazem parte deste receituário da FAO. A erradicação da fome, até então, havia grandes dúvidas na Organização, se essa era uma meta factível, e também o impulso à cooperação Sul-Sul. Um convencimento que os países do sul têm muito a contribuir com seus vizinhos, principalmente, no tema da agricultura tropical e combate à fome”.

O novo diretor-geral da FAO também falou a respeito das reformas na Organização.

“Trata-se agora de acelerar um pouco este processo e intensificar algumas ações principalmente onde ela é mais necessária: nos países mais pobres. Mas acho que vamos por um bom caminho”.

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota, relata como será a administração brasileira da FAO.

“O Brasil representa hoje uma força em favor da paz e do desenvolvimento. Como nós sabemos, não há desenvolvimento sem desenvolvimento agrícola, sem combate à fome, sem desenvolvimento no campo, sem uma atenção especial ao papel da mulher no campo, por exemplo, que será um dos temas debatidos nessa Conferência. Então, estamos apenas implementando aquilo que nós acreditamos, aquilo que nós sabemos fazer bem internamente. Já estamos cooperando com a nossa região, com a América Latina, com a África, e agora esperamos que com essa vitória aqui na FAO possamos fazer isso numa escala ainda mais ampla. Além de motivar, mobilizar a comunidade internacional em torno de objetivos ambiciosos porque nós descobrimos que quando trabalhamos com afinco e colocamos em prática idéias que dão certo, os resultados podem ser muito positivos”.

RB/DW

Ministro Patriota comenta a eleição de José Graziano

A matéria completa amanhã de manhã na Deutsche Welle

Fome Zero: não há mágica! Candidato do Brasil à FAO revela o segredo do programa

Roma, 24 jun (RV) – O Seminário Cooperação Técnica Brasileira: Agricultura, Segurança Alimentar e Políticas Sociais, realizado na Embaixada do Brasil em Roma, reuniu diversas autoridades brasileiras e ministros de Estado africanos. O encontro aconteceu às vésperas da eleição que vai indicar o novo diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a FAO.

O mediador do encontro foi o Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota. Nos debates, foram enfatizados o avanço da agricultura nacional nos últimos anos e, principalmente, os modelos adotados no Brasil que podem ser aplicados em países africanos. Entre as delegações estrangeiras, estiveram presentes o Vice-Ministro da Agricultura de Moçambique, o Ministro de Agricultura de Guiné Bissau, a Ministra da Agricultura de Ruanda, o Ministro da Agricultura da Colômbia e o Diretor Geral de Agricultura de São Tomé e Príncipe. Do lado brasileiro estavam presentes o Ministro da Agricultura e o Ministro do Desenvolvimento Agrário.

Faça-se o pão
Apesar do foco estar no compartilhamento das experiências, e também de tecnologia para alavacancar a agricultura nos países africanos, como o candidato brasileiro à direção geral da FAO, José Graziano estava na plateia, acabou respondendo uma pergunta da delegação africana sobre o resultado positivo do programa Fome Zero.

“Não há mágica, essa é a primeira coisa importante. O Fome Zero partiu do princípio que a segurança alimentar tem que ser local, tem que haver um desenvolvimento local. Então nós fizemos todo um esforço naquelas regiões mais deprimidas, de gerar circulos virtuosos, de combinar a ‘fome com a vontade de comer’. Aumentar a produção local de alimentos e ao mesmo tempo criar mercados locais para a aquisição desses alimentos. Então o que nós fizemos? Nós fizemos um programa de geração de renda, de empregos, de transferência de renda no caso das famílias mais pobres, que recebiam um cartão, um vale, para comprar os alimentos que depois ficou conhecido como ‘Bolsa Família’, e através de um programa de estímulo à agricultura familiar geramos produção local de alimentos. Depois, amarramos as duas pontas: a produção com o consumo local gerado. Um exemplo disso é o programa de alimentação escolar. Estimula-se a produção local e os produtos são vendidos para a escola, o leite, os ovos, as verduras, as frutas, produtos frescos. Isso diminui o custo e gera a renda para essa localidade. Esse é o segredo do Fome Zero, estimular a produção e o consumo em nível local e fortalecer esses vínculos entre consumo e produção local. Mas não pode ser uma coisa pontual, tem que ser feita simultaneamente em todas as regiões para evitar a migração, seja migração rural-urbana ou migração inter-regional”.

Entre os países da América Latina, do Caribe e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão os que já declararam apoio público à candidatura brasileira. Como revela à Rádio Vaticano a embaixadora de Moçambique na Itália e também representante permanente do país africano junto à FAO, Carla Elisa Macave.

“A decisão é pública porque há uma decisão dos nossos chefes de Estado, portanto dos membros da CPLP, que apóiam o Brasil”.

O Ministro Antônio Patriota, por meio de seu porta-voz, Tovar Nunes, reiterou a importância de continuar o trabalho Sul-Sul, em referência ao intercâmbio de conhecimento e tecnologia entre os países do Hemisfério Sul. Entretanto, pondera quando questionado sobre os votos “garantidos” que a candidatura brasileira já teria conquistado.

“Nós optamos por não indicar nenhuma expectativa de votos. Não é assim que se faz uma eleição, sobretudo na FAO. O que nós procuramos é fazer uma projeção do que é a plataforma do candidato, do que ele representa para o histórico de cooperação do Brasil e o que representará se estiver à frente da direção”. (RB/RV)

Países da CPLP declaram apoio ao Brasil na FAO

Roma, 22 jun (RV) – A partir da próxima sexta-feira uma série de eventos vai marcar a realização da Conferência bianual da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a FAO, cuja sede está em Roma. O ponto alto da Conferência será a eleição do novo diretor geral da FAO, que hoje é comandada pelo senegalês Jacques Diouf.

Entre os seis candidatos ao posto, cujo mandato terminará em julho de 2015, está o brasileiro José Graziano da Silva. No site grazianodasilva.org é possível conhecer o currículo do ex-ministro Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome do governo do ex-presidente Lula, que recentemente voltou a reiterar o apoio à candidatura de Graziano a direção geral da FAO.

Concorrem também ao cargo de diretor geral Franz Fischler, da Áustria, Indroyono Soesilo, da Indonésia, Mohammad Saeid Noori Naeini, do Irã, Abdul Latif Rashid, do Iraq e Miguel Ángel Moratinos Cuyaubé, da Espanha.

José Graziano já está em Roma (e se Deus quiser vai conceder uma exclusiva) =)
A candidatura do brasileiro já recebeu diversos sinais de apoio entre os representantes dos 191 países membros da FAO. Todos terão direito a voto no próximo domingo, quando será eleito o próximo diretor geral.

Entre os países da América Latina e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão os que já declararam apoio público a candidatura brasileira. Como revela à Rádio Vaticano a embaixadora de Moçambique na Itália e também representante permanente do país africano junto à FAO. A embaixadora Carla Elisa Macave explica.

“A decisão é pública porque há uma decisão dos nossos chefes de Estado, portanto dos membros da CPLP, que apóiam o Brasil”.

A Conferência ainda contará com a participação do ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, que fará um discurso sobre a situação da alimentação e segurança alimentar no mundo. Durante as atividades, está prevista ainda a declaração da FAO sobre a erradicação da peste bovina, que por séculos foi uma ameaça à segurança alimentar. (RB)

Ban Ki-moon reeleito por aclamação


Cidade do Vaticano, 22 jun (RV) – Ban Ki-moon foi reeleito, nesta terça-feira, em Nova Iorque, como Secretário Geral das Nações Unidas (ONU). O sul-coreano ficará no cargo pelos próximos cinco anos. A reeleição foi aprovada pela Assembleia Geral sem votos, e sim por aclamação. A proposta de reeleger Ki-moon foi pedida na semana passada pelo Conselho de Segurança da organização, também sem uma votação formal.

Em seu primeiro discurso após o juramento, Ban Ki-moon ressaltou a união dos povos. No final, disse obrigado em cinco línguas diferentes.

“Unidos, nenhum desafio será difícil de superar. Unidos, nada é impossível. Obrigado”.

Ex-Ministro das Relações Exteriores de Seul, Ban Ki-moon está no cargo desde 2007, período em que teve que gerir crises como no Sudão até os conflitos pós-eleição na Costa do Marfim, que eclodiram em novembro do ano passado.

Entre os temas em que quis firmar a ação da ONU estão, principalmente, a questão do aquecimento global e do desarmamento nuclear.

No início deste mês, contudo, Ki-moon esteve em Roma para falar sobre os movimentos imigratórios. Em seu discurso na Conferência das Cidades Inter-Étnicas, promovido pela Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), Ki-moon pediu que o mundo aprofunde o seu compromisso com os valores comuns de inclusão social, aceitação e compreensão. Afirmou ainda que a emigração é cada vez mais uma tendência mundial fazendo com que as minorias e os migrantes sigam em direção a cidades de oportunidades econômicas e liberdade.

“Esta é uma era na qual as pessoas estão atravessando as fronteiras mais do que nunca em busca de oportunidades e esperanças para uma vida melhor. As cidades são os centros dessa ação: o eixo, o imã, lugar onde as pessoas colidem e coexistem”. (RB/RV)