Boa colheita na África

Roma, 24 maio – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou os dados sobre a atual condição das plantações, colheitas e, por conseqüência, valores dos alimentos em Moçambique e Angola. De acordo com os dados, apesar das secas e inundações, a situação nesses dois países africanos pode ser considerada boa, entretanto, existe a preocupação com as famílias mais pobres.

Os dados são do Sistema Global de Informação e de Alertas Antecipados (GIEWS) da FAO.
Em Angola, o período de chuvas foi considerado bom nas principais provincías agrícolas, mas no sul foram registradas inundações nos quatro primeiros meses desse ano. As estimativas indicam que cerca de 65 mil pessoas foram afetadas, com cerca de 5 mil casas destruídas, além de perdas localizadas de plantações. A FAO registra ainda que o governo angolano ofereceu suporte. Jonathan Pound, um dos responsáveis pelo levantamento dos dados. “No momento o governo está providenciando abrigos, alimentos, medicamentos e assistência. O governo respondeu rapidamente à emergência provocada pelas inundações no Sul de Angola, mas eu penso que em situações como essa a ação do governo não poderia ter sido diferente”, relata Pound.

As chuvas não afetaram as grandes províncias agrícolas de Angola, Bie e Huambo e, por isso, a previsão da produção de cereais neste ano é boa no país, principalmente de milho. Entretanto, as safras de trigo e arroz não serão suficientes para abastecer a população. Assim como em 2010, 40% do consumo nacional destes dois produtos dependerão das importações “A produção média anual de arroz em Angola fica normalmente entre 10 e 15 mil toneladas. Nos países africanos em desenvolvimento os governos e algumas ONG’s também mantêm projetos para aumentar a produção em geral. Mas no caso de Angola, especificamente sobre o arroz, a FAO não tem informações de projetos para desenvolver o setor neste ano”, pondera.

Em Moçambique, apesar do período de seca e de inundações localizadas, as estimativas para a produção nacional de cereais são boas. No total, a produção de cereais deve ser ligeiramente superior que em 2010. A colheita do milho, que começou em março nas províncias do sul de Moçambique, agora se estende para as demais regiões. Em algumas delas, o preço do milho vem registrando quedas consideráveis desde março. A maior queda no preço foi registrada em Milange, na província de Zambezia, onde em maio o quilo custava dois meticais e 75 centavos, o que representa uma redução de 66% em comparação a janeiro. O economista Jonathan Pound tem uma explicação: “os preços em Moçambique seguem um padrão sazonal a cada ano. Eles geralmente caem a partir do começo do ano, entre fevereiro e março e então começam a subir entre setembro e outubro. Esse padrão coincide com a colheita do milho. Então quando o que foi colhido chega aos mercados, os estoques aumentam e, por conseqüência, os preços caem”.

Contudo, apesar das condições estáveis, as perdas na produção provocadas pelas inundações e secas, nas províncias centrais e do sudeste, podem reduzir os estoques de reserva de alimentos das famílias mais pobres que foram afetadas. É fato que o preço dos alimentos caiu recentemente, mas para estas famílias as despesas com alimentação são os maiores gastos, o que as torna vulneráveis aos possíveis aumentos dos preços. Então como tornar essas famílias menos dependentes do abastecimento do mercado? A resposta pode vir da produção da segunda safra “Mas isso depende a situação das chuvas. A segunda safra no Sul se concentra na produção  de legumes. Considerando que a região sul de Moçambique registrou fortes chuvas, o solo deve estar bastante fértil para a segunda safra, o que deve ajudar na questão da segurança alimentar”, finaliza Pound. (RB/DW)

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