Um mundo sem fronteiras

Todas as quintas à noite a Rai2 passa um programa que se chama Annozero. Em forma de arena, convidados no centro, plateia num mezanino. Ontem, entre os temas, os imigrantes que fogem da África e chegam à Itália. Berlusconi (que não tem pai e nem mãe) afirmou que a crise com a Tunísia chegou ao fim. A Itália manda de volta, com pouco mais de mil euros no bolso, pra casa os imigrantes sem que eles saibam, revelou uma reportagem do programa.

Em Tunis, a repórter italiana conversou com jovens. Uma, em particular, muito revoltada. Dizia ela que os que emigram são a vergonha do país, deveriam ficar na Tunísia e trabalhar lá. Antes, mostrou uma família que vive num sobrado, e o relato sobre como juntaram o dinheiro para mandar dois filhos nas embarcações direto à Itália. A certo ponto, a repórter pergunta se a família não está satisfeita com os dois mil euros dos filhos reempratiados…pergunta estúpida, tolerância zero. Eles vão usar o dinheiro para pagar uma nova viagem.

A Itália entra em pânico por causa de 20 mil refugiados. O que ninguém fala é dos cidadãos da Costa do Marfim, que cruzaram a fronteira da Libéria e foram recebidos. Ninguém fala sobre a quantidade de iraquianos na Jordânia. Nos dois casos, o número é muito superior a 20 mil. No mínimo mais um zero no fim.

Com um primeiro-ministro piadista, bunga bunga, a Itália é rechaçada pela UE e fala-se em desligamento da península do resto da Europa, por própria vontade italiana.

Italianos esquecem que no passado também emigraram. Memória curta.

À tarde, quinta-feira, os Jesuítas apresentaram o balanço dos pedidos de asilo pelos refugiados em 2010, aqui na Itália. O número caiu. Naquele ano passado, o governo apertou o cerco contra os imigrantes e, no final, acabou por rejeitar quem mais precisava de asilo.

Abaixo a matéria para a Deutsche Welle

PALESTINA LIVRE

Pra finalizar, acordo com a notícia de que o ativista italiano Viktor, pró-palestina, foi morto em Gaza. Aqui o blog dele. Duas frases me chamaram atenção. A primeira está no blog, a outra foi tirada de um de seus últimos vídeos e reproduzida na TV italiana.

È bello anche morire per le proprie idee… chi ha il coraggio di sostenere i propri valori muore una volta sola, chi ha paura muore ogni giorno. (Paolo Borsellino)

“É belo morrer pelos próprios ideais. Quem tem coragem de manter os próprios valores morre somente uma vez. Quem tem medo morre todos os dias”.

 I don’t believe in borders, in barriers, in flags. I think that we all belong, independent of latitude and longitude, to the same family, the human family. Vittorio Arrigoni

“Eu não acredito em fronteiras, em barreiras, em bandeiras. Eu penso que todos nós pertencemos, independentemente da latitude e longitude, a mesma família, a família humana”.

Eu também!

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4 comentários sobre “Um mundo sem fronteiras

  1. Pois é, nos EUA, onde os imigrantes ilegais da América Latina fazem o “serviço sujo”, o serviço de imigração faz vista grossa e prende e deporta uma meia dúzia de seis só pra mostrar serviço. No dia em que não servirem mais ao seu propósito, haverá, de certo, um recenseamento obrigatório e a expulsão dos braços e pernas latinos do paí que, pretensiosamente se intitula América.
    Seria esse o caso da Ítalia?

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